Traje da baiana em Salvador, Bahia: uma expressão cultural
O traje da baiana é um dos símbolos mais reconhecidos de Salvador e de toda a Bahia. Reunindo influências africanas, portuguesas e islâmicas, ele reflete a força da cultura africana no Brasil e combina com o rebolado e a ginga das baianas que circulam pelas ruas, ladeiras e festas da cidade. Neste guia, você vai conhecer as peças do traje, a origem de cada elemento, o significado do pano da costa, do turbante e dos balangandãs, e ainda saber quando é o Dia da Baiana e onde ver as baianas em Salvador.

Vídeo: o traje da baiana
História e Origem do Traje das Baianas
Quais são as peças do traje da baiana?
O traje típico da baiana é um conjunto de vestuário tradicional, muito parecido com o usado nos terreiros de candomblé. Existem trajes para cada ocasião, e as peças mais comuns são:
- Calçolão: peça parecida com uma calça, que vai até abaixo da panturrilha e é usada por baixo das saias.
- Camisu: peça branca, em geral com bordado richelieu, que chega até os joelhos.
- Saias: várias camadas, com anáguas engomadas que dão volume. A saia externa pode ser branca, com richelieu, ou estampada e colorida, conforme o contexto social e religioso.
- Bata ou blusa: blusa bordada, às vezes com uma faixa amarrada na cintura.
- Pano da costa: tecido comprido usado sobre o ombro ou nas costas, por cima da saia.
- Turbante, torço ou ojá: pano amarrado na cabeça, com formas que variam conforme o tecido e a técnica de amarração.
- Colares, pulseiras e balangandãs: adornos que completam o conjunto.
Variedade de trajes
O traje de ração é o mais simples, de uso cotidiano nos terreiros, enquanto os trajes feitos com bordado richelieu podem ser bem caros. O traje da baiana ganha um colorido especial quando se trata das baianas de eventos turísticos, que costumam usar versões mais volumosas e vistosas.
Trajes de escola de samba e Maracatu
O traje da baiana da escola de samba é um caso à parte: muda de cor e de modelo conforme o enredo da escola a cada ano, assim como acontece com as baianas do Maracatu no Nordeste.

Turbante e balangandãs: significado dos adornos
O turbante das baianas está ligado à influência islâmica presente na cultura afro-baiana, trazida por africanos muçulmanos. Já as pencas de balangandãs são adornos de prata que ficaram associados às mulheres negras e crioulas de Salvador no século XIX.
O que é um balangandã?
Balangandã é um pendente de metal, geralmente de prata, em forma de figa, fruta, medalha, moeda, chave ou outros símbolos. Vários deles são presos a uma argola ou corrente, formando a penca de balangandãs, usada pelas baianas em dias festivos. Hoje, em muitos casos, as pencas foram substituídas por colares e pulseiras de contas.
Amuletos e suas funções
Figas, dentes e guias são usados como amuletos de proteção, louvação ou para afastar o mau-olhado. A figa, em especial, é um amuleto em forma de mão fechada, com o polegar entre o indicador e o dedo médio, usado como ornamento pessoal, da casa ou de estabelecimentos comerciais.
O pano da costa (alaká)
O pano da costa, também chamado de alaká, é um tecido de origem africana, feito em tear manual, geralmente em tiras estreitas que depois são costuradas. No traje da baiana, é o único elemento que costuma fugir do branco: a cor e a textura são escolhidas para combinar com o torço ou ojá. Em Salvador, grupos como as Tecelãs do Alaká mantêm viva essa técnica. Há mais de uma explicação para o nome. Uma o liga à costa africana de onde vinham os tecidos e muitos dos africanos trazidos ao Brasil; outra, ao fato de ser usado nas costas. Nos terreiros de candomblé, o modo de amarrar, as cores e as texturas do alaká podem indicar a posição e o papel de quem o veste.

História e origem do traje das baianas
O traje típico das baianas é uma mistura das culturas portuguesa, africana e islâmica. As saias rodadas e as anáguas engomadas lembram o estilo das senhoras portuguesas; os colares e as pulseiras vêm da tradição africana; e os turbantes remetem aos africanos islamizados.
Influência do século XIX
A partir do século XIX, no Brasil, esse conjunto de roupas passou a ser associado também às celebrações do Candomblé. Para entender o contexto dessas tradições, veja também a história das religiões afro-brasileiras na Bahia.
Uso e significado cultural
As baianas de hoje descendem de diferentes povos africanos trazidos à Bahia, como os iorubás (nagôs), os minas, os haussás e os fulas, e cada tradição deixou marcas no jeito de se vestir. Os filhos de santo usam o alaká enrolado no tronco, e a cor, o tecido e a forma de usar as peças variam conforme a casa de santo e o orixá cultuado.
A baiana na cultura atual
A baiana é uma figura típica da Bahia, tão celebrada por Dorival Caymmi. Hoje podemos ver a baiana pregoeira, com seus tabuleiros de comidas típicas e doces, nas ruas, ladeiras e praias de Salvador, em ritos de Candomblé e Umbanda, e em festas religiosas como a Lavagem do Bonfim.

Baiana de acarajé: patrimônio imaterial do Brasil
O Ofício das Baianas de Acarajé, a tradição de preparar e vender acarajé e outras comidas de baiana em tabuleiros, está registrado desde 2005 no Livro dos Saberes do Iphan como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O registro protege o ofício, e o traje faz parte da identidade dessas profissionais. Saiba mais em acarajé e a culinária afro-brasileira.
Dia da Baiana em Salvador
Em Salvador, no dia 25 de novembro, é celebrado o Dia da Baiana (Dia da Baiana de Acarajé), com uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho. Em 2023, por exemplo, a missa foi seguida de um cortejo das baianas até a Praça da Cruz Caída. A programação muda a cada ano, mas costuma reunir cortejo, apresentações musicais e outras manifestações da cultura afro-baiana, como o Samba de Roda, a Capoeira, o Olodum e os afoxés. A data é também uma boa oportunidade para visitar o Memorial das Baianas de Acarajé, na Cruz Caída, na Praça da Sé, no Pelourinho, aberto desde 2009 e dedicado à história do ofício.
Onde ver as baianas em Salvador
As baianas fazem parte da paisagem de Salvador: costumam ser vistas com seus tabuleiros no Pelourinho, em outros pontos do centro histórico, nas praias e nas festas populares. Se quiser fotografar, peça licença antes e, de preferência, compre um acarajé: é uma forma de respeitar o trabalho e a tradição. A baiana traz consigo os elos da herança ancestral africana: a oralidade, a culinária, a crença, a dança, a ginga e, sobretudo, a cor.
Perguntas Frequentes
O que é o traje da baiana?
É o conjunto de roupas e adornos tradicionalmente usado pelas baianas de Salvador e da Bahia, com influências africanas, portuguesas e islâmicas. É muito parecido com o traje usado nos terreiros de candomblé.
Quais são as peças do traje da baiana?
As peças mais comuns são o calçolão, o camisu, várias saias com anáguas engomadas, a bata ou blusa, o pano da costa, o turbante (torço ou ojá), além de colares, pulseiras e balangandãs.
O que é o pano da costa?
É um tecido de origem africana, também chamado de alaká, feito em tear manual e usado sobre o ombro ou nas costas, por cima da saia. No traje da baiana, costuma ser o único elemento que não é branco.
O que são balangandãs?
São pendentes de prata em forma de figa, fruta, medalha, moeda, chave e outros símbolos, presos a uma argola ou corrente. Ficaram associados às mulheres negras e crioulas de Salvador no século XIX e são usados em dias festivos.
Quando é o Dia da Baiana em Salvador?
O Dia da Baiana, ou Dia da Baiana de Acarajé, é comemorado em 25 de novembro, com missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, e outras atividades culturais.
O que é o Memorial das Baianas de Acarajé e onde fica?
É um espaço dedicado à história e à tradição das baianas de acarajé. Fica na Cruz Caída, na Praça da Sé, no Pelourinho, em Salvador, e foi aberto em 2009.
O ofício das baianas de acarajé é patrimônio cultural?
Sim. O Ofício das Baianas de Acarajé está registrado no Livro dos Saberes do Iphan desde 2005 como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Onde posso ver baianas em Salvador?
No Pelourinho, no centro histórico, nas praias e em festas populares e religiosas, como a Lavagem do Bonfim. Peça licença antes de fotografar e respeite o trabalho das baianas.
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