O Pelourinho é um tradicional bairro de Salvador, capital da Bahia, localizado no coração do Centro Histórico de Salvador.
Reconhecido mundialmente pelo seu conjunto de arquitetura colonial em estilo barroco português, o Pelourinho integra o patrimônio UNESCO e é um dos símbolos máximos da arquitetura colonial da Bahia.

Conjunto arquitetônico
O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico da poligonal do Centro Histórico de Salvador é um dos principais exemplos do urbanismo ultramarino português. Implantado em uma acrópole, o traçado distingue dois planos: a parte alta, com funções administrativas e residenciais, e a parte baixa, voltada ao porto e ao comércio à beira‑mar.
Paisagem e arquitetura
Aliada a uma topografia singular, a paisagem do Pelourinho é formada por edifícios dos séculos XVI ao XIX. Destacam‑se os conjuntos monumentais da arquitetura religiosa, civil e militar, que permitem ler o modelo urbano das cidades fundadas pelos portugueses no além‑mar.
Distinções urbanas
A primeira cidade foi planejada de forma ortogonal. Na expansão posterior surgiram ruas com casario uniforme entremeadas por conjuntos de arquitetura monumental. A clara distinção entre Cidade Alta (núcleo administrativo e religioso) e Cidade Baixa (área portuária e comercial) preserva a leitura da paisagem herdada do período colonial.
Fase monumental da arquitetura baiana
A partir de meados do século XVII, a riqueza gerada pela lavoura açucareira impulsionou a fase monumental da arquitetura baiana. Nesse período ocorreu a transição do estilo renascentista para o barroco, evidenciada nas igrejas barrocas do Pelourinho e em outros monumentos do Centro Histórico de Salvador.
Veja o Mapa de Salvador
Principais edifícios coloniais
Entre os edifícios que definem a história e arquitetura do Pelourinho destacam‑se:
- Igreja dos Jesuítas — atual Catedral Basílica de Salvador.
- Igreja e Convento de São Francisco — referência do barroco luso‑brasileiro.
- Igreja do Carmo.
- Igreja e Convento de Santa Teresa — hoje um dos principais museus de arte sacra do país.
- Igreja e Mosteiro de São Bento.
- Igreja da Ordem Terceira de São Francisco.
- Palácio do Governador.
Espaços públicos relevantes
- Praça Municipal
- Terreiro de Jesus
- Caminho de São Francisco
- Largo do Pelourinho
- Largo de Santo Antônio
- Largo do Boqueirão
Esses largos e praças estruturam o Centro Histórico de Salvador e são essenciais para entender o urbanismo ultramarino português aplicado ao Pelourinho Salvador.
Arquitetura e conservação
Os tradicionais sobrados de dois ou mais andares e as soluções construtivas em terrenos acidentados evidenciam a influência da cultura lusitana na arquitetura colonial da Bahia. Entre 1938 e 1945, diversos monumentos do Centro Histórico foram tombados como patrimônio nacional para proteger o Largo do Pelourinho e seu entorno.
Mesmo com tombamentos, a área sofreu degradação a partir da década de 1960, quando o centro perdeu importância frente às novas zonas de expansão urbana — um desafio contínuo para a preservação do patrimônio UNESCO Pelourinho.
Pelourinho x Centro Histórico
É importante distinguir os termos:
- Centro Histórico de Salvador: área ampla que engloba vários bairros e conjuntos monumentais (Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Largo do Cruzeiro de São Francisco, entre outros).
- Pelourinho: bairro específico dentro do Centro Histórico, conhecido pela arquitetura colonial preservada, ruas estreitas e intensa vida cultural — incluindo inúmeras igrejas barrocas, museus e manifestações afro‑brasileiras.
Em suma, o Pelourinho é peça central do Centro Histórico de Salvador, mas o Centro Histórico abrange áreas e patrimônios além do bairro.
Vídeos – Atrações Turísticas do Pelourinho e Centro Histórico

Barra e Pelourinho02:33

Largo do Cruzeiro de São Francisco02:11

Pelourinho02:19

Olodum no Pelourinho - Michael Jackson04:41

Igreja de São Pedro dos Clérigos02:13

O melhor do Pelourinho em Salvador10:24

Catedral Basílica de Salvador BA01:47

Museu da Ordem Terceira de São Francisco em Salvador09:56

Igreja de São Francisco - Caverna de Ouro08:59

Igreja e Convento de São Francisco em Salvador09:07

Igreja e Convento de São Francisco - Igreja de Ouro09:10

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos em Salvador

Fundação Casa de Jorge Amado em Salvador BA12:46

Solar Ferrão em Salvador BA01:14
Atrações Turísticas do Pelourinho e Centro Histórico
- Terreiro de Jesus no Pelourinho
- Catedral Basílica
- Igreja de São Pedro dos Clérigos
- Igreja da Ordem Terceira de São Domingos
- Igreja e Convento de São Francisco
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
- Igreja do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo
- Fundação Casa de Jorge Amado
- Museu da Cidade
- Museu Tempostal no Pelourinho
- Museu Casa do Benin
- Solar do Ferrão
- Museu Abelardo Rodrigues
- Antiga Faculdade de Medicina
- Museu da Gastronomia Baiana
- Largo Cruzeiro de São Francisco
Veja também a História da Fundação de Salvador da Bahia
1. Terreiro de Jesus (Pelourinho)
Na década de 1550, durante a fundação de Salvador pelo governador‑geral Tomé de Sousa, os jesuítas receberam uma área ao norte da nova cidade. Liderados por Manuel da Nóbrega, construíram ali uma capelinha de taipa e o primeiro prédio do Colégio dos Jesuítas, dando origem ao nome do largo: Terreiro de Jesus.

O colégio foi concluído em 1590. Em Notícia do Brasil (1584), Gabriel Soares de Sousa já descrevia o local como “um suntuoso colégio dos padres da Companhia de Jesus, com uma formosa e alegre igreja”. A primeira igreja do século XVI era pequena e frágil; entre 1652 e 1672 os jesuítas edificaram uma nova igreja, considerada entre as mais imponentes do século XVII no Brasil.
A fachada maneirista, em blocos de pedra de lioz trazida de Portugal, ainda domina a praça. O interior exibe retábulos de talha dourada (maneirista e barroco), teto de madeira esculpida e uma sacristia de grande valor artístico. Em 1933, após a demolição da antiga Sé, a igreja foi elevada à condição de Catedral de Salvador.
O Terreiro de Jesus concentra outros templos relevantes:
- Convento e Igreja de São Francisco
- Igreja da Ordem Terceira de São Francisco
- Igreja da Ordem Terceira de São Domingos
- Igreja de São Pedro dos Clérigos
Os dois primeiros são referências máximas da arte colonial brasileira.
No início do século XIX, o antigo prédio do colégio funcionou como hospital e, em 1833, abrigou a primeira faculdade de medicina do Brasil. O edifício colonial original foi destruído por um incêndio em 1905 e substituído por uma construção em estilo eclético.
2. Catedral Basílica de Salvador
A atual Catedral Basílica de Salvador foi construída no início do século XVIII como o quarto templo ligado ao Colégio dos Jesuítas — a primeira capela no local data de 1604.

Reconhecida como uma das mais ricas expressões do barroco luso‑brasileiro, a catedral é revestida interna e externamente em pedra de lioz. A composição inclui duas torres e abóbadas de madeira que evidenciam a qualidade estrutural e decorativa do edifício.
Na fachada, nichos sobre as portas exibem imagens de três santos jesuítas importantes:
- Santo Inácio de Loyola
- São Francisco Xavier (padroeiro de Salvador)
- São Francisco de Borja
O interior surpreende pela riqueza das talhas dos altares, que ilustram a evolução dos estilos arquitetônicos na Bahia ao longo dos séculos. Em uma das celas da catedral faleceu, em 18 de julho de 1697, o padre Antônio Vieira, figura histórica lembrada por seus sermões e pelo confronto com a Inquisição.
Entre as pedras tumulares da igreja destaca‑se a do terceiro governador‑geral do Brasil, Mem de Sá.
O edifício também abriga o Museu da Catedral, com um acervo valioso de peças datadas dos séculos XVI ao XX, incluindo trabalhos de ourivesaria e prataria sacra.
3. Igreja de São Pedro dos Clérigos
A Igreja de São Pedro dos Clérigos situa‑se no Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador, entre construções de pouca altura. Faz parte do sítio tombado pelo IPHAN, que abrange trechos dos subdistritos da Sé e do Passo.

Arquitetura e interior
É uma edificação de porte relativamente modesto, com grande valor ambiental e urbano. O interior apresenta decoração de transição entre o rococó e o neoclássico, com destaque para um grande painel no teto. Além do altar‑mór, existem dois altares posicionados nos ângulos do arco‑cruzeiro.
A planta segue o padrão das igrejas baianas do início do século XVIII: corredores laterais sobre os quais se erguem tribunas. Como em muitos templos da época, ainda não há sacristia transversal, que seria uma evolução posterior do partido em “T” (vide a Igreja de Nossa Senhora da Palma).
Frontispício e decoração
O atual frontispício rococó é uma intervenção tardia (século XIX). No interior, o arco‑cruzeiro e o forro mostram traços rococós, enquanto os altares apresentam caráter neoclássico — evidência da transição estilística entre os séculos XVIII e XIX.
Histórico arquitetônico
- Século XVII: a Irmandade de São Pedro dos Clérigos mantinha uma ermida junto à antiga Sé; em 1708 construiu‑se o Paço Arquiepiscopal.
- 1709: o Arcebispo D. Sebastião Monteiro da Vide autorizou a construção de nova igreja para a Irmandade no terrapleno dos jesuítas; a obra acabou sendo implantada em lote distinto após aquisição de duas casas.
- 1741: Ordem Real liberou subsídios para reparar torres e frontispício, então em ruínas.
- 1784: menções a aquisições de terrenos.
- 1802: licença para retomar obras embargadas pelo Senado da Câmara.
- 1887: acréscimo de sacristia; o frontispício atual data do século XIX.
4. Igreja da Ordem Terceira de São Domingos
A igreja está situada no Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador, entre construções de baixa altura, compondo parte do sítio tombado pelo IPHAN, que abrange áreas dos subdistritos da Sé e Passo.

Apesar de ser uma arquitetura menor, seu valor está principalmente no contexto ambiental. O interior possui uma decoração de transição entre o rococó e o neoclássico, com destaque para um grande painel no teto. A igreja conta com um altar-mor e dois altares localizados nos ângulos do arco cruzeiro.
A planta da igreja segue um padrão típico das igrejas baianas do início do século XVIII, com corredores laterais superpostos por tribunas. No entanto, como em outras igrejas baianas da época, a planta ainda não inclui uma sacristia transversal. Ela é resultado de um desenvolvimento natural do partido em “T”, comum no século XVII, como se vê em exemplos como a Igreja de Nossa Senhora da Palma.
O frontispício rococó, datado do século XIX, é uma adição tardia. O interior, com sua mistura de estilos, apresenta o arco cruzeiro e teto em estilo rococó, enquanto os altares já seguem o estilo neoclássico.
Histórico arquitetônico
- No século XVII, a Irmandade de São Pedro dos Clérigos possuía uma ermida junto à antiga Sé, onde, em 1708, foi construído o Paço Arquiepiscopal.
- Em 1709, o Arcebispo D. Sebastião Monteiro da Vide autorizou a construção de uma nova igreja para os clérigos de São Pedro no terrapleno dos jesuítas, destinado ao seminário. No entanto, a igreja foi edificada em outro local, após a Irmandade adquirir duas casas.
- Em 1741, uma Ordem Real autorizou subsídios para reparar as torres e o frontispício da igreja, que estava em ruínas.
- Em 1784, há menção à compra de terrenos, e em 1802, a Irmandade recebeu licença para continuar as obras que haviam sido embargadas pelo Senado da Câmara.
- Em 1887, a igreja foi ampliada com a adição de uma sacristia. O frontispício atual também é uma obra do século XIX.
5. Igreja e Convento de São Francisco

A Igreja e Convento de São Francisco está no Pelourinho, integrada ao sítio tombado pelo IPHAN. A fachada principal se abre para uma praça alongada onde fica o Cruzeiro de São Francisco, elemento característico das urbanizações franciscanas que dá nome ao local.
O Largo do Cruzeiro articula‑se com o Terreiro de Jesus, formando um dos conjuntos urbanos e arquitetônicos mais relevantes de Salvador. O convento desenvolveu‑se em torno de um claustro quadrado, e, junto à capela da Ordem Terceira, constitui um dos mais importantes complexos monumentais da cidade. Pela importância histórica, a antiga roça do convento foi declarada área non aedificandi (Decreto Municipal nº 4.524, de 01.11.1973).

Arquitetura e decoração
A igreja possui três naves; as naves laterais, mais baixas, são separadas por arcadas e por maciços que lembram capelas. A decoração é exemplo do barroco da primeira metade do século XVIII, refletindo o ideal da “igreja de ouro” encontrado em Lisboa e Goa.
Além do suntuoso interior, destaque para a biblioteca do convento. O edifício conta com subsolo e dois pavimentos acima do nível da rua.
Azulejaria
- Capela‑mor: painéis de azulejo de 1737, feitos em Lisboa por Bartolomeu Antunes de Jesus.
- Claustro: azulejos datados de ~1746–1748.
- Antesala e sacristia: azulejos de 1749–1752.
- Torres e parte da fachada: azulejos de cerca de 1805–1808.
Escultura e influências
Dentre as esculturas, sobressai a figura de São Pedro de Alcântara. A planta da igreja distingue‑a das franciscanas nordestinas (que costumam ter nave única com passagens laterais): aqui nota‑se influência da Igreja de São Francisco do Porto e da tradição jesuítica luso‑brasileira.

Fachada, teto e influências arquitetônicas
A fachada suntuosa adapta tipos locais como o da Matriz de Maragogipe, incorporando elementos da antiga Sé de Salvador (porta central ladeada por duas portas menores). A divisão do corpo em cinco partes e as ordens de pilastras superpostas mostram vínculos com o Colégio de Jesus. Volutas e detalhes remetem ao estilo criado em Cairu e a modelos de Portugal.
O teto da nave apresenta um forro em caixotões com painéis octogonais alternados por almofadas quadradas. O teto da portaria do convento traz uma perspectiva ilusionista atribuída a José Joaquim da Rocha (c.1774).
Cronologia essencial
- 1587 — fundação do convento franciscano na Bahia.
- 1686 — Frei Vicente das Chagas inicia novo plano construtivo.
- 1705–1707 — obras de revestimento e altar da enfermaria.
- 1707–1710 — muros do claustro e pilares.
- 1708 — colocação da primeira pedra da igreja (direção de Manoel Quaresma).
- 1710–1714 — continuidade das obras por Frei Hilário da Visitação.
- 1713 — consagração parcial da igreja.
- 1723 — conclusão da igreja e frontispício em arenito.
- 1729–1732 — colocação das pedras das colunas do claustro.
- 1733–1737 — pintura e decoração do teto por Frei Jerônimo da Graça.
- 1737 — assentamento dos azulejos da capela‑mor.
- 1738–1740 — douramento da capela‑mor e montagem de grandes retábulos.
- 1749–1752 — finalização do claustro e colocação adicional de azulejos.
- 1751 — conclusão do forro da biblioteca.
- 1752–1755 — finalização da portaria e do altar (azulejos instalados em 1782).
Este desenvolvimento construtivo consolidou a Igreja e Convento de São Francisco como um marco do barroco luso‑brasileiro, notável pela grandiosidade arquitetônica e riqueza decorativa.
6. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos localiza‑se na antiga Rua das Portas do Carmo, numa praça triangular do Pelourinho, em Salvador. Integrada ao sítio tombado pelo IPHAN, é considerada uma obra de notável mérito arquitetônico.

A igreja foi erguida pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, uma das primeiras confrarias de negros do Brasil. A construção estendeu‑se por quase um século e foi realizada, em grande parte, nas horas vagas dos irmãos da Irmandade.
Principais características arquitetônicas
- Fachada e torres: destaque para as torres com terminação em bulbo revestidas de azulejos; o frontão clássico foi substituído por um elemento rococó. As torres foram concluídas em 1780/81.
- Interior: painéis de azulejos com cenas do Rosário de Lisboa (c. 1790); retábulo do altar‑mór esculpido por João Simões F. de Souza (1870/71) e pintura do teto por José Pinto Lima. Imagens de destaque: Nossa Senhora do Rosário (séc. XVII), São Benedito, Santo Antônio de Catigerona e um Crucificado de marfim.
- Planta: originalmente sem corredores laterais, com passagens estreitas para a sacristia transversal; em 1780 foram acrescentados corredores laterais.
- Influências: mistura de referências das igrejas franciscanas do Nordeste e da igreja de São Paulo de Braga (Portugal); fachada com semelhanças à Matriz de Maragogipe.
Evolução da construção
- 1685 — aprovação da Irmandade pela Sé Catedral da Bahia.
- 1704 — autorização do Arcebispo D. Sebastião Monteiro da Vide para a construção.
- 1710 — primeiros atos religiosos celebrados na igreja.
- 1780/81 — conclusão da nova fachada, corredores laterais e torres.
- 1815–1826 — reformas e ampliações.
- 1870–1871 — reforma com construção dos altares e retábulo do altar‑mór.
- 1895 — douramento final realizado por Vitoriano Eduardo de Oliveira.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos destaca‑se tanto pela riqueza arquitetônica quanto pelo papel histórico e simbólico na devoção e na resistência da comunidade afrodescendente em Salvador.
7. Igreja do Santíssimo Sacramento (Rua do Passo)
A Igreja do Santíssimo Sacramento na Rua do Passo está situada no Pelourinho, em Salvador, no alto de um morro com vista que alcança o mar. O acesso é feito por uma longa escadaria — marco paisagístico e simbólico que remete à jornada penitencial —, isolada por grades e separada do casario ao redor.

Histórico
- 1718 — criação da freguesia durante o governo de D. Sebastião Monteiro da Vide.
- 1736 — instituição da nova igreja paroquial.
- 1737 — concessão de subsídio real para a construção da capela‑mor.
- 1938 — tombamento pelo IPHAN, garantindo a preservação do conjunto.
Arquitetura
A planta segue o padrão das matrizes do início do século XVIII, com corredores laterais sobrepostos por tribunas e sacristia transversal. A forte inclinação do terreno inspirou soluções verticais: ossuário, sacristia e consistório aparecem organizados numa mesma prumada.
Fachada
A fachada articula três corpos:
- Torres laterais — com coroamento piramidal e cimalhas encurvadas.
- Portadas centrais — três portadas unidas em um conjunto talhado em pedra; acima, volutas, óculos e um medalhão coroado por uma cruz formam o eixo vertical da composição.
O conjunto dirige o olhar para o alto e reforça o sentido de elevação espiritual da fachada.
Interior
- Retábulos — datados do século XIX, executados por artífices de destaque.
- Azulejos — a capela‑mor é revestida com azulejos de Lisboa (c. 1750); a nave apresenta peças industriais do século XIX.
- Forro da nave — atribuído a António Pinto e António Dias, com painéis temáticos de rica iconografia sacra.
A Igreja do Santíssimo Sacramento é um exemplo notável da arquitetura religiosa barroca no Brasil: a combinação entre decoração, escadaria monumental e posição elevada cria uma atmosfera de reverência e grande valor histórico.
8. Fundação Casa de Jorge Amado
A Fundação Casa de Jorge Amado foi inaugurada em 7 de março de 1987 e ocupa dois casarões no Pelourinho, no coração do Centro Histórico de Salvador. O espaço foi criado para preservar, estudar e expor o legado do romancista baiano Jorge Amado.

Acervo
A fundação reúne um extenso arquivo distribuído em quatro andares, com destaque para:
- Obras de Jorge Amado publicadas em cerca de 60 países;
- Filmes, fitas, documentários e fotografias sobre sua trajetória;
- Cartazes, documentos e objetos pessoais relacionados à sua vida e produções.
O espaço também valoriza a obra de Zélia Gattai, esposa de Jorge Amado e escritora reconhecida — membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2001. A coleção oferece ao visitante uma imersão na vida e na obra do casal, fundamentais para a cultura baiana e brasileira.
A Fundação Casa de Jorge Amado promove exposições, eventos literários e atividades educativas, desempenhando papel central na conservação da memória cultural de Salvador e na difusão da obra do autor internacionalmente.
9. Museu da Cidade
O Museu da Cidade, instalado em um dos mais belos casarões do Pelourinho, foi inaugurado em 5 de julho de 1973 e está vinculado à Fundação Gregório de Mattos.

O museu é um importante centro cultural e histórico, reunindo um acervo diversificado que inclui:
- Bonecas tradicionais da Bahia: Representações artesanais que refletem a cultura popular da região.
- Esculturas e tapeçarias: Obras que ilustram a tradição artística local.
- Cerâmica e pano-de-costa: Itens que são parte integral do patrimônio cultural afro-brasileiro.
- Ex-votos e terços: Objetos religiosos que demonstram a espiritualidade e práticas devocionais locais.
- Coleções de imagens de orixás em tamanho natural: Representações das divindades do candomblé, essencial para a compreensão da herança afro-brasileira.
- Peças de uso pessoal do poeta Castro Alves: Itens que pertenciam ao renomado poeta baiano, oferecendo uma visão sobre sua vida e obra.
O Museu da Cidade oferece uma visão abrangente da rica cultura e história da Bahia, preservando e celebrando a diversidade e a tradição da região.
10. Museu Tempostal (Pelourinho)
Um museu dedicado exclusivamente a cartões‑postais? Sim — é o Museu Tempostal, no Pelourinho, que abriga cerca de 45.000 peças. Fundado em 1997, reúne a coleção de Antônio Marcelino do Nascimento (1929–2006), que batizou a instituição com o nome Tempostal.

Acervo
O acervo é majoritariamente composto por cartões‑postais e inclui materiais de grande valor histórico e documental:
- Coleção Belle Époque;
- Postais paisagísticos antigos;
- Postais de cidades da Bahia e de outros estados do Brasil;
- Cartões e imagens de outros países;
- Bilhetes postais do final do século XIX e as estampas Eucalol, primeiras da coleção.
O conjunto documental revela histórias, costumes, arquitetura, cotidiano e crenças da Bahia e de diversas regiões do mundo, oferecendo um panorama visual e antropológico valioso para pesquisadores e visitantes.
11. Museu Casa do Benin
O Museu Casa do Benin foi inaugurado em 6 de maio de 1988 e resulta do intercâmbio cultural entre a Bahia e o Benin (cidade de Cotonou). Vinculado à Fundação Gregório de Mattos, o edifício mantém fachada colonial e um interior projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi.

Acervo
- Peças de arte popular originárias de Cotonou e do Benin.
- Exposições temporárias com trabalhos de artistas locais e temas do diálogo África–Bahia.
O Museu Casa do Benin oferece uma imersão na produção artística e nas tradições culturais beninesas, servindo também como espaço de intercâmbio e aproximação entre a diáspora africana e a cultura baiana.
12. Solar do Ferrão
O Solar do Ferrão (construção datada de 1701) abriga no seu andar nobre o Museu Abelardo Rodrigues, inaugurado em 5 de junho de 1981. Localizado no Pelourinho, o solar é um exemplar da arquitetura colonial e espaço de preservação da arte sacra brasileira.

Acervo
- Considerada a mais valiosa coleção particular de arte sacra do Brasil.
- 808 trabalhos de caráter erudito e popular, datados dos séculos XVI ao XIX.
- Inclui imagens, pinturas, oratórios, altares, crucifixos e fragmentos de talha.
- A exposição ocupa cerca de 536 m².
História
- As peças pertenciam ao colecionador pernambucano Abelardo Rodrigues e foram adquiridas pelo governo do Estado para formação do museu.
O Museu Abelardo Rodrigues no Solar do Ferrão é um importante centro de pesquisa e exibição, destacando‑se pela qualidade e amplitude do acervo de arte sacra da Bahia e do Brasil.
13. Museu Abelardo Rodrigues
Inaugurado em 5 de junho de 1981, o Museu Abelardo Rodrigues ocupa o andar nobre do Solar do Ferrão (construção de 1701) no Pelourinho. O espaço exibe uma das mais importantes coleções privadas de arte sacra do país.

Acervo
- 808 trabalhos de arte sacra, dos séculos XVI ao XIX.
- Peças: imagens, pinturas, oratórios, altares, crucifixos e fragmentos de talha.
- Exposição distribuída em cerca de 536 m².
História
O conjunto de peças pertenceu ao colecionador pernambucano Abelardo Rodrigues e foi adquirido pelo governo do Estado para compor o museu.

O Museu Abelardo Rodrigues é referência na preservação e estudo da arte sacra brasileira, oferecendo leitura especializada da produção religiosa do período colonial e oitocentista.
14. Antiga Faculdade de Medicina
Edifício histórico no Terreiro de Jesus (Pelourinho) que sediou a primeira escola de medicina do Brasil e hoje abriga núcleos museológicos e projetos de restauração.
A Antiga Faculdade de Medicina ocupa um edifício histórico no Terreiro de Jesus, no Pelourinho. Originada da Escola de Cirurgia da Bahia (início do século XIX), a construção tem papel central na formação médica brasileira e é citada em obras literárias como Tenda dos Milagres, de Jorge Amado.

Museus e núcleos no complexo
Hoje o conjunto abriga três núcleos museológicos de destaque, vinculados à UFBA e à preservação da memória cultural:
Museu Afro‑Brasileiro (MAFRO)
- Dedica‑se à cultura afro‑baiana e afro‑brasileira.
- Destaque: painéis e trabalhos iconográficos relacionados aos orixás (inclui obras e painéis de Carybé).
- Acervo fotográfico e documental, com material de pesquisadores como Pierre Verger.
Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE)
- Reúne coleções arqueológicas e etnográficas da Bahia e região.
- Inclui pinturas, objetos, fotografias e peças cerâmicas e funerárias indígenas.
Memorial da Medicina
- Acervo documental sobre a história do ensino e da prática médica no Brasil.
- Reúne livros, teses, instrumentos e documentos históricos.
Importância cultural e acadêmica
O complexo preserva memória acadêmica, promove pesquisa e recebe exposições e atividades educativas. A integração entre museus e ações acadêmicas reforça o papel do edifício como polo cultural no Centro Histórico.
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