A Baía de Todos os Santos e seus recôncavos formam um imenso anfiteatro onde natureza, história e cultura se combinam, criando um cenário ideal para o turismo náutico e o ecoturismo.
Esse grandioso cenário é composto por uma vasta extensão de águas calmas, das quais emergem 56 ilhas, além de praias, matas, trilhas, rios, cachoeiras, corredeiras, manguezais, reservas ecológicas, ruínas de engenhos de açúcar, antigas igrejas e velhos conventos, testemunhos da opulência gerada pelos canaviais nas terras de massapê.
Dominando a paisagem, voltada para o poente, ergue‑se a cidade de Salvador, na Baía de Todos os Santos, que por mais de dois séculos foi a capital do Brasil e a mais importante cidade das Américas.
Como cidade de arte e de excessos barrocos, a arquitetura colonial de Salvador projetou‑se nas vilas e cidades surgidas dos engenhos do Recôncavo Baiano, refletindo o ideário urbanístico de um Portugal renascentista.
Ao lado dessas marcas da colonização, uma singular miscigenação entre as culturas europeia, africana e indígena originou um rico folclore, uma inigualável culinária e manifestações artísticas que combinam as influências das três matrizes.
Para proteger suas ilhas, ordenar as atividades socioeconômicas e preservar áreas de relevância ecológica, foi criada em junho de 1999 a Área de Proteção Ambiental Baía de Todos os Santos.

BAÍA DE TODOS OS SANTOS
-
- ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
- UM TESOURO DE BELEZA E HISTÓRIA
- NAUFRÁGIOS E TESOUROS OCULTOS
1. ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
- Lenda da Criação da Baía de Todos os Santos
- Primeiros Exploradores Europeus
- Ponta do Padrão e o Forte de Santo Antônio da Barra
- Geografia da Baía de Todos os Santos
- Presença Indígena e Colonização
- Relação dos Tupinambás com os Franceses e Portugueses
- Chegada de Cristóvão Jacques e o Combate aos Corsários Franceses
- Lenda de Caramuru
- Fundador da Capitania da Bahia de Todos os Santos
- Revolta Tupinambá
- Transformação do Recôncavo Baiano e a Herança da Cana-de-Açúcar
1. Lenda da Criação da Baía de Todos os Santos
Uma lenda dos índios, registrada pelos cronistas dos primórdios do povoamento do Brasil, narra que, no começo do mundo, uma grande ave de plumas muito brancas partiu de muito longe e, voando noites e dias sem parar, alcançou o litoral de uma terra imensa onde, exausta da longa jornada, caiu morta.
Suas longas e alvas asas, abertas no solo, transformaram‑se em praias brancas. No lugar onde o coração bateu na terra abriu‑se uma grande e profunda depressão que as águas do mar invadiram, e suas margens foram fecundadas pelo sangue da ave lendária.
Assim acreditavam os primeiros habitantes da região — os Tupinambás — que teria nascido kirimuré, a vasta baía de águas meigas e os seus Recôncavos, que o europeu branco mais tarde denominou Baía de Todos os Santos.
2. Primeiros Exploradores Europeus
Segundo os registros, o primeiro europeu a penetrar nessas águas abrigadas parece ter sido o navegador português Gaspar de Lemos, comandante da nau de mantimentos da esquadra de Pedro Álvares Cabral, incumbido de levar a carta de Pero Vaz de Caminha com a notícia do descobrimento ao rei de Portugal, D. Manuel, o Venturoso.
Essa nau mensageira, que partiu de Porto Seguro a dois de maio de 1500, com destino a Lisboa, provavelmente ancorou na Baía de Todos os Santos no dia cinco de maio.
Entretanto, a descoberta oficial é atribuída ao cosmógrafo florentino Américo Vespúcio, que, em primeiro de novembro de 1501, entrou na ampla barra dessa baía em uma das seis naus da expedição exploratória de Gaspar de Lemos, o mesmo piloto da nau mensageira.
3. Ponta do Padrão e o Forte de Santo Antônio da Barra
Era costume, naquela época, dar aos lugares onde se aportava o nome do santo do dia; assim ficou chamado de Baía de Todos os Santos o grande golfo “capaz de abrigar, sem confusão, todas as esquadras do mundo”, como o descreveu, séculos depois, um viajante estrangeiro em visita à Bahia.
A expedição de Gaspar de Lemos demorou-se ali por cerca de cinco dias.
Em uma ponta rochosa da barra, que separa a baía de águas seguras do mar aberto, foi fincada uma coluna de pedra — um padrão — que os portugueses costumavam erguer nos locais por eles descobertos, como marco de posse e domínio da terra.
Por muitos anos o local ficou conhecido como Ponta do Padrão.
Entre 1583 e 1587 ergueu‑se, no lugar do monolito com o brasão de Portugal, o Forte de Santo Antônio da Barra, ou Forte da Barra, cujo farol até hoje alerta as embarcações sobre a presença de rochedos e parcéis na entrada da baía.
O local passou a ser chamado Farol da Barra, denominação que se mantém.
Dobrada a Ponta do Padrão, depara‑se com a Baía de Todos os Santos em toda a sua vastidão: um imenso anfiteatro com contorno de aproximadamente 200 quilômetros, recortado por enseadas, angras, lagamares e a pequena baía de Aratu.

4. Geografia da Baía de Todos os Santos
A abertura, a grande boca voltada para o sul, entre a Ponta do Padrão e a Ponta do Garcez, tem cerca de 18 milhas marítimas (33km). Sua extensão em linha reta é de 50km, da abertura até a cidade de São Francisco do Conde; e de 35km, direção oeste – leste, de Paripe até a foz do rio Paraguaçu.
Dentro da baía encontram-se 56 ilhas de diversos tamanhos: Madre de Deus, dos Frades, Maré, do Medo, Grande, Cajaíba, Bimbarras, das Vacas, Maria Guarda, das Fontes, Bom Jesus dos Passos, Pati e na porção sudoeste, a maior delas, Itaparica, com uma área de 246km.
A meio percurso do contorno oeste da baía, desemboca o rio Paraguaçu, nome indígena que significa rio grande. Cerca de 36 km ao sul da foz do Paraguaçu, deságua o rio Jaguaripe (ou yaguar-y-be, “rio da onça”), no local conhecido como Barra Falsa da Baía de Todos os Santos.
5. Presença Indígena e Colonização
No início do período colonial, a baía e seus Recôncavos eram povoados pelos índios Tupinambás, que pouco antes haviam expulsado para os sertões os Tapuias, antigos ocupantes da região.
Na Bahia, os Tupinambás dominavam a costa desde a foz do rio São Francisco até além do rio Jaguaripe, onde começava o território dos Tupiniquins.
A vasta extensão de águas da Baía de Todos os Santos oferecia às embarcações um ancoradouro seguro, tornando-se preferida pelos navegantes ao longo do extenso litoral brasileiro.
Corsários franceses visitaram as costas desguarnecidas da Bahia desde 1504, atraídos principalmente pelo lucrativo comércio clandestino do pau-brasil, cuja tinta vermelha era muito demandada pelas indústrias têxteis da Flandres.
Esse tráfico chegou a alcançar proporções tais que, por certo período, prevaleceu sobre o comércio dos portugueses, senhores da colônia.

6. Relação dos Tupinambás com os Franceses e Portugueses
Os franceses souberam estabelecer alianças com os Tupinambás, facilitando o escambo. Como observa Eduardo Bueno em Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores: “os Tupinambás não precisaram de muito tempo para perceber que os portugueses eram diferentes dos franceses.
Ao contrário dos franceses, que vinham à Bahia apenas para recolher o pau-brasil — trocando mercadorias como amigos e retirando‑se sem levantar suspeitas —, os portugueses haviam chegado para ficar e, além de se apossarem da terra, estavam dispostos a escravizar os nativos.
Assim, os franceses não inspiravam desconfiança aos Tupinambás, ao passo que os portugueses eram vistos como futuros dominadores.
Durante muitos anos a Baía de Todos os Santos permaneceu sem um único estabelecimento português, prevalecendo o comércio com os franceses, aliados dos indígenas que habitavam suas margens e ilhas.
7. Chegada de Cristóvão Jacques e o Combate aos Corsários Franceses
Em 1526, uma esquadra portuguesa comandada por Cristóvão Jacques foi enviada ao Brasil para varrer os corsários franceses do litoral.
Ao entrar na Baía de Todos os Santos, a esquadra encontrou três navios franceses carregando pau-brasil no rio Paraguaçu, à entrada do lagamar de Iguape, no local hoje conhecido como ilha dos Franceses.
O combate prolongou‑se por um dia inteiro. Os franceses foram derrotados e cerca de trezentos tripulantes foram aprisionados.
8. Lenda de Caramuru
O comércio clandestino do pau-brasil encontrou na Bahia um agente mercantil dos franceses: o português Diogo Álvares Correia, que entrou para a história com o lendário nome de Caramuru.
Foi náufrago de um navio possivelmente francês que, em 1509 ou 1511, chocou-se contra os recifes e rochedos na orla oceânica, a uma légua ao norte da barra da baía, no lugar hoje conhecido como praia da Mariquita — nome derivado da palavra tupi mairaquiquiig, “naufrágio dos franceses”.
Por ter surgido do mar entre as pedras, os Tupinambás o chamaram de Caray-muru, que, na língua indígena, significa um peixe de corpo alongado, como a enguia, que vivia entre as pedras. Alguns autores, porém, interpretam o nome como “o homem branco molhado, ou afogado”.
É lenda — e provavelmente inverossímil — a versão de que, ao sair do mar, o náufrago teria dado um tiro com o arcabuz que recolhera a bordo, abatendo uma ave e deixando os índios perplexos, ao ponto de chamá‑lo de “filho do fogo” ou “filho do trovão”.
Caramuru viveu 47 anos entre os Tupinambás, casou‑se e deixou numerosa descendência com a famosa índia Paraguaçu, filha do cacique Taparica, senhor dos canibais da ilha de Itaparica. Casaram‑se na França, provavelmente em 1525, onde Paraguaçu foi batizada como Catharina, em homenagem à rainha Catharina de Médicis.
Conta a lenda que, ao partir Caramuru para seu casamento além‑mar, uma mulher indígena jogou‑se nas águas da baía e nadou seguindo a nau francesa que levava seu amado até morrer. Ficou lendário o nome Moema — mbo‑em na língua dos Tupinambás — “a desfalecida, a exausta”.
Na Baía de Todos os Santos é muitas vezes difícil separar a história, baseada em documentos, da estória, expressão romantizada dos fatos. Foi grande a influência de Caramuru nos primórdios do povoamento. Curiosamente, pilotos franceses que contrabandeavam pau‑brasil chamavam de Pointe du Caramourou o local de entrada da baía que os portugueses conheciam como Ponta do Padrão.
9. Fundador da Capitania da Bahia de Todos os Santos
Em fins de 1535, o fidalgo Francisco Pereira Coutinho chegou à Bahia para povoar a capitania que lhe fora outorgada pelo rei D. João III, por carta de doação assinada em Évora em 5 de abril de 1534.
A Capitania da Bahia (Capitania da Bahia de Todos os Santos) tinha cinquenta léguas (cerca de 300 km) de testada, contadas da foz do rio São Francisco à ponta da Baía de Todos os Santos, incluindo o Recôncavo Baiano, as ilhas encontradas e, para o sertão, até o limite de Castela, o Meridiano de Tordesilhas.
O capitão-donatário estabeleceu-se nas imediações do sítio onde vivia Caramuru, com sua esposa indígena, seus filhos mamelucos e seus genros.
No local hoje conhecido como Porto da Barra, Pereira Coutinho construiu uma povoação à beira-mar que seria a sede oficial da capitania: a Vila Velha ou Povoação do Pereira.
Cerca de um ano depois, o donatário mandou lavrar uma carta de doação concedendo uma sesmaria a Caramuru, confirmando assim as terras por ele ocupadas com sua gente.

10. Revolta Tupinambá
Não demorou para os Tupinambás perceberem que a nova leva de colonos trazida pelo donatário ia gradativamente se apoderando de suas terras, matas e rios. Além disso, oprimiam o gentio à condição de escravo, inclusive vendendo-o para outras capitanias. Essa opressão levou os Tupinambás a se levantarem em massa contra os invasores.
O estopim da revolta foi a morte do filho de um cacique indígena, atribuída a um parente do próprio donatário.
Embora Caramuru auxiliasse os recém-chegados fornecendo mantimentos e facilitando as relações com os índios, ele não era aliado de todos os Tupinambás. Havia muitas aldeias ao longo da orla e no Recôncavo, divididas em tribos com seus chefes, frequentemente em guerra entre si, comuns prisioneiros e práticas antropofágicas.
Unidos, os Tupinambás, com cerca de seis mil guerreiros — rostos tingidos de negro pelo jenipapo e faixas vermelhas de urucum — queimaram cercas, destruíram engenhos, mataram vários portugueses e sitiaram os sobreviventes na Povoação do Pereira. “Foram cinco ou seis anos, passados em grandes apertos”, relatou em 1580 o senhor de engenho e historiador Gabriel Soares de Souza, “sofrendo grandes fomes, doenças e mil infortúnios e o gentio Tupinambá matando gente a cada dia”.
Além da guerra, o donatário enfrentava a traição de alguns degredados e colonos que, por rivalidades internas, se aliaram aos índios. Tudo indica que Caramuru não tomou posição contra os que sitiavam a sede da capitania; parece ter sido ele quem conduziu o velho donatário em fuga à Capitania de Ilhéus, após a qual os Tupinambás devastaram a vila.
Enquanto a Capitania da Bahia ficava à deriva, os franceses, aliados dos índios, tramavam instalar‑se na região, alimentando o temor de que o Brasil se tornasse possessão francesa. Isso motivou o retorno de Francisco Pereira Coutinho aos seus domínios. Convencido por Caramuru, deixou Porto Seguro e voltou à Bahia com promessa de paz aos índios.
Em 1547, na viagem de regresso, a nau que trazia Pereira Coutinho chocou‑se contra os recifes das Pinaúnas, na ponta sul de Itaparica. Segundo Eduardo Bueno, o donatário e a maior parte dos acompanhantes se salvaram, mas foram presos pelos Tupinambás, que reconheceram Pereira e o executaram em ritual de sacrifício; em seguida, devoraram seu corpo em um banquete antropofágico.
Dos nove anos da administração de Pereira Coutinho quase nada restou: engenhos no Recôncavo foram queimados e a Vila Velha do Pereira voltou à condição de “simples ninho de mamelucos”. A morte trágica do donatário precipitou a reformulação do regime administrativo do Brasil, já em estudo em Lisboa, pois o sistema de capitanias hereditárias havia fracassado.
Em 29 de março de 1549, uma sexta‑feira, três grandes naus, duas caravelas e um bergantim adentraram a Baía de Todos os Santos. Comandava a armada portuguesa Tomé de Souza, “Capitão da povoação e terras da Bahia de Todos os Santos e Governador das terras do Brasil”, nomeado em 7 de janeiro de 1549, vindo fundar “uma fortaleza e povoação grande e forte”, a cidade do Salvador da Baía de Todos os Santos.
Alguns meses antes, um emissário regio enviou carta a Diogo Álvares Caramuru anunciando a chegada da armada e pedindo que reservasse mantimentos para Tomé de Souza e comitiva. Com a morte do donatário, Caramuru tornara‑se a figura mais importante da capitania e obtivera dos Tupinambás promessa de cooperação com os novos colonizadores.
Apesar de escaramuças, o Governador, com a ajuda de Caramuru, iniciou a pacificação entre colonos e índios. Mais ao norte, a menos de meia légua da Vila do Pereira, sob um céu intenso, o governador fundou a cidade‑fortaleza no alto de uma escarpa voltada para o poente, dominando a baía. Os índios cooperaram com os artífices do Mestre Luis Dias na construção: de palhoças de taipa, posteriormente substituídas por casas de pedra e cal, ergueu‑se a cidade que viria a ser a metrópole da Baía de Todos os Santos, a cidade da Bahia, sede do governo colonial português por 214 anos.
Oito anos após a fundação do Salvador, em 1557, faleceu Diogo Álvares, Caramuru. Coube a Mem de Sá, terceiro Governador‑Geral do Brasil, pacificar definitivamente os índios com a ajuda dos missionários jesuítas.

11. Transformação do Recôncavo Baiano e a Herança da Cana-de-Açúcar
Quando necessário, o Governador não hesitou em invadir as terras das tribos sublevadas e destruir as aldeias que resistiram. Mais de cento e trinta aldeias foram destruídas. Mem de Sá foi o grande fomentador da cultura da cana-de-açúcar na região.
Chegou a construir um engenho real com roda d’água para receber as canas de lavradores que não possuíam usine. Nas terras do massapê — argila profunda que cola nos sapatos — floresceram engenhos.
A lavoura da cana e a fabricação do açúcar tornaram-se atividades básicas dos Recôncavos. Canaviais e engenhos orlavam toda a baía, de Salvador à Barra do Jiquiriçá e às terras do Jaguaripe, onde Gabriel Soares implantou seus engenhos; espalharam‑se pelos tabuleiros de Santo Amaro e São Francisco do Conde, e subiram pelo caudaloso Paraguaçu.
No último quartel do século XVI já havia no Recôncavo numerosos proprietários de vastas sesmarias e engenhos de açúcar bem montados, com grande contingente de escravos. Esses engenhos não eram simples fazendas: eram verdadeiras povoações. A partir deles surgiram as vilas e cidades do Recôncavo.
Por muito tempo a comunicação entre essas localidades se fez exclusivamente pela Baía de Todos os Santos e pelos rios que nela desembocam. Posteriormente, ferrovias e rodovias romperam esse isolamento. Os engenhos transformaram‑se em usinas de açúcar.
O fumo ocupou as terras do conjunto Cachoeira – São Félix – Maragogipe. No século XX, as altas silhuetas dos poços de petróleo pontuavam os campos onde antes o vento açoita os canaviais. Surgiram indústrias. Uma nova era de transformações: os prosaicos saveiros e vapores deram lugar às escunas, veleiros e catamarãs. Automóveis agora navegam a baía no ventre de ferry‑boats.
Contudo, vestígios do passado persistem na austera arquitetura dos casarões coloniais, cujas fachadas se adornam com azulejos portugueses, e nas igrejas monumentais que marcam a paisagem. O silêncio dos claustros dos conventos ecoa histórias antigas, enquanto a roda d’água dos engenhos revela o ciclo de produção que moldou a região.
As alfaias de prata e a imagética dos altares revelam a riqueza cultural e espiritual da Bahia. Naus e caravelas repousam sob as águas, guardando memórias de navegações, e os canhões dos antigos fortes ainda vigiam o horizonte da baía, testemunhando a história que ali se desenrolou.
Tudo isso entrelaça‑se na memória mestiça do povo da Bahia de Todos os Santos, herdeiro de um tempo de profundas transformações e tradições.

2. UM TESOURO DE BELEZA E HISTÓRIA
Delimitada em suas extremidades pelo Farol da Barra e a Ponta do Garcez, a Baía de Todos os Santos reúne beleza, história e cultura, visíveis no artesanato, na culinária típica e na arquitetura, fazendo dela um cenário privilegiado para o turismo náutico e o ecoturismo.
Com cerca de 1.052 km² de águas calmas, a baía abriga ilhas e praias e recebe as águas doces de diversos rios e riachos, tendo como principais os rios Paraguaçu, Jaguaripe e Subaé. Em uma de suas extremidades encontra‑se a primeira capital do Brasil e maior cidade do Nordeste: Salvador da Bahia.
No seu entorno situam‑se municípios como Itaparica, Vera Cruz, Jaguaripe, Nazaré, Salinas da Margarida, Maragogipe, São Félix, Cachoeira, Santo Amaro, Saubara, São Francisco do Conde, Madre de Deus e Candeias, entre outros que compõem o Recôncavo Baiano. Na Bahia, a palavra Recôncavo ganhou uso consagrado para identificar a região em torno da baía.
Para proteger suas ilhas, ordenar as atividades socioeconômicas e preservar áreas de relevância ecológica, foi criada a Área de Proteção Ambiental Baía de Todos os Santos (APA) pelo Decreto Estadual nº 7.595, de 5 de junho de 1999.
A APA abrange aproximadamente 800 km², incluindo águas e ilhas que conservam remanescentes de Mata Atlântica, manguezais e restingas, e abrigam fauna e flora diversificadas.
3. NAUFRÁGIOS E TESOUROS OCULTOS
Outro aspecto singular da Baía de Todos os Santos é a conjugação da beleza dos cenários naturais e históricos escondidos sob suas águas. Esses cenários revelam surpresas aos adeptos do mergulho, que encontram formações de recifes de corais e destroços de navios naufragados ao longo da colonização.
Em frente ao Porto da Barra, a cerca de 12 metros de profundidade e com visibilidade de 10 a 15 metros, encontram‑se belíssimos recifes de corais. Para mergulhadores experientes, os corais de fora ou “Parede” ficam no meio da baía, entre Itaparica e Salvador.
Os paredões, a uma milha de Salvador, situam‑se entre 25 e 45 metros de profundidade e, na maré enchente, a visibilidade varia entre 15 e 20 metros. As formações de corais e recifes próximas às ilhas de Maré alcançam profundidade máxima de 11 metros e visibilidade horizontal de até 15 metros.
Em frente ao cais do porto, no quebra-mar Norte, há um ponto indicado para mergulhos noturnos com grande variedade de vida marinha. Em frente à praia de Aratuba, em Itaparica, os recifes de corais Pontinha e Caramunhãs, a duas milhas da costa, oferecem rica paisagem submarina.
Os fantasmas da história também atraem mergulhadores em busca de tesouros, pesquisa ou curiosidade. Entre batalhas, invasões e tempestades, muitas embarcações naufragaram na Baía de Todos os Santos. Os mais conhecidos e historicamente registrados são:
- Nau Nossa Senhora de Jesus, 1610 – atacada por holandeses da Companhia das Índias, naufragou em frente ao Forte de Santo Antônio da Barra;
- Sete navios portugueses, 1624 – incendiados e afundados em frente à atual Avenida Contorno;
- Dois navios flamengos e um lusitano, 1627 – afundaram na Praia da Preguiça durante combate entre portugueses e holandeses;
- Duas naus holandesas e uma portuguesa, 1647 – naufragaram após batalha próxima ao Forte de Monte Serrat;
- Navio Santa Escolástica, 1648 – afundou na saída da baía;
- Galeão Nossa Senhora do Bom Sucesso, 1700 – afundou em frente à Praia da Preguiça;
- Galeão espanhol San Pedro, 1714 – afundou no mesmo local;
- Galeão Nossa Senhora do Rosário, 1737 – afundou em Monte Serrat, carregado de jóias, ouro, louças, âmbar e pimenta;
- Os destroços do navio Bretanha, conhecido como “Navio de Dentro”, ficam próximos ao Farol da Barra, protegidos pelos corais, e são ponto ideal para mergulhos de batismo.
História e Turismo da Baía de Todos os Santos
Publicações Relacionadas
Ilha do Medo: Mistérios e Assombrações
Descubra as razões para fazer férias em Salvador da Bahia
As mais altas e bonitas cachoeiras da Chapada Diamantina
Ilha de Maré (Baía de Todos os Santos) — praias, cultura e como chegar
Pantanal dos Marimbus: Ecoturismo e Biodiversidade
As 15 praias mais visitadas e conhecidas da Bahia e suas atrações
Parques e Praças de Salvador: Atrativos e Opções de Lazer
Caminhos e Estrada do Chocolate na Costa do Cacau
Igrejas mais visitadas em Salvador — roteiro e dicas
Paraquedismo na Bahia: Aventura Inesquecível
Piatã: A Cidade Mais Alta da Bahia
História da produção de uvas e vinhos no Vale do São Francisco
Locais interessantes em Salvador — Guia completo
Ecoturismo no Morro do Chapéu, com 1.012 m de altitude
Caravelas (BA) — Guia Completo: Praias, História e Abrolhos
Lauro de Freitas — Guia completo de praias, cultura e lazer
Barra do Cahy: A Primeira Praia do Brasil – História e Natureza
Poço Encantado na Chapada Diamantina: Como Visitar
Arquipélago de Tinharé na Bahia: Um Guia Completo
Convento e Igreja de Santa Teresa e Museu de Arte Sacra UFBa em Salvador
Costa do Sauípe: Descubra o Paraíso na Bahia
Rafting em Taboquinhas: Corredeiras do Rio de Contas
Ilha de Itaparica — Guia Completo: História, Praias e Dicas
Santa Rita de Cássia: História e Atrações Turísticas
Arembepe: praias (Piruí, Praia do Canto), Aldeia Hippie e Projeto Tamar
Praia do Garcez: Um Paraíso Oculto na Bahia
Mata de São João: Destino Turístico Imperdível no Litoral Norte da Bahia
Turismo pelos ares: paraquedas, parapente e balonismo na Bahia
Regiões Turísticas da Bahia: Conheça a Diversidade do Estado
4 Museus Imperdíveis em Salvador: Arte, História e Cultura
Município de Conde e Suas Praias Encantadoras
As principais cidades e vilas da região da Chapada Diamantina
Origem e História da Capoeira no Brasil: Uma Análise
Ponta de Humaitá — Farol, Igreja e o melhor pôr do sol em Salvador
Melhores praias perto de Salvador (distância, estrutura e dicas)
Parque Nacional do Descobrimento: Tesouro Natural da Bahia
Este post também está disponível em:









