Sociedade açucareira em resumo
- Onde: sobretudo no Nordeste (Pernambuco e Recôncavo da Bahia) e, em menor escala, em São Vicente.
- Quando: a forma clássica do engenho, com grandes plantações e trabalho escravo, dominou os séculos XVI e XVII.
- No topo: o senhor de engenho e sua família, que mandavam em parentes, agregados e escravizados.
- No meio: lavradores de cana, mestres de açúcar, purgadores, caixeiros, artesãos e outros trabalhadores livres.
- Na base: africanos e indígenas escravizados, que faziam quase todo o trabalho.
- Cultura: do engenho saíram a miscigenação, boa parte da cultura afro-brasileira e o sincretismo religioso.
A sociedade açucareira do Brasil colonial nasceu em torno do engenho de açúcar. Os primeiros engenhos foram montados pelos portugueses, principalmente no Nordeste e na região de São Vicente, e logo se transformaram em uma indústria lucrativa, já que o açúcar era muito procurado na Europa.
Neste artigo, você vai ver como o engenho funcionava como centro da economia e da vida social da colônia, quem vivia nele, o que se comia, como era a família do senhor de engenho e, por fim, como a religião católica se misturou às crenças africanas e indígenas.
As fontes deste artigo
Para isso, usamos como base sobretudo o livro Casa-grande & Senzala (1933), do sociólogo pernambucano Gilberto Freyre. Essa obra é um marco da historiografia cultural do Brasil, porque Freyre analisou a formação do país a partir das relações entre portugueses, africanos e indígenas. Além disso, recorremos a Eduardo Bueno e a Mary Del Priore e Renato Venâncio.
Se você quer conhecer a estrutura física do engenho e o fabrico do açúcar, etapa por etapa, leia também o nosso guia sobre o engenho de açúcar no Brasil colonial.
O engenho de açúcar e a economia colonial
A partir da instalação do Governo Geral, em 1549, a colonização se intensificou e, em consequência, diversos engenhos de açúcar foram instalados no Brasil.
O CICLO DO AÇÚCAR - Sociedade e Economia Colonial
No entanto, Martim Afonso de Sousa já tinha fundado engenhos antes disso, a partir de 1532, e o primeiro deles foi instalado na região de São Vicente, no atual estado de São Paulo. Um dos mais antigos, aliás, foi o Engenho São Jorge dos Erasmos, cujas ruínas ainda existem em Santos.
A cana-de-açúcar antes de Martim Afonso
Segundo Mary Del Priore e Renato Venâncio (2006), a cana-de-açúcar já fazia parte da economia colonial desde os primórdios da colonização. De fato, há sinais de que ela chegou ao Brasil logo nos primeiros anos, entre 1502 e 1503.
A exploração sistemática da cana, no entanto, demorou mais uma década. Em 1516, por exemplo, a poderosa Casa da Índia, órgão metropolitano encarregado das alfândegas, procurava mestres de açúcar para trabalhar em engenhos próximos às feitorias do litoral. Além disso, em 1518, escravizados vindos da Guiné e colonos da Ilha da Madeira já estavam em atividade.
Depois, na década de 1520, a Alfândega de Lisboa passou a cobrar direitos sobre o açúcar vindo da Terra de Santa Cruz, como a colônia era então chamada. Afinal, quando chegaram em 1500, os portugueses tinham batizado a terra de Ilha de Vera Cruz e, pouco depois, de Terra de Santa Cruz.
Ainda assim, embora a cana fosse plantada desde o início, ela só se tornou um produto economicamente viável a partir da década de 1530, graças às iniciativas de Martim Afonso de Sousa.
Portugueses, flamengos e holandeses
É importante lembrar que, desde os primórdios da colonização, Portugal tinha uma parceria com os comerciantes flamengos e, depois, holandeses para a produção e a venda do açúcar. Enquanto os portugueses produziam, eles transportavam, refinavam e distribuíam o produto pela Europa.
Essa parceria, porém, foi prejudicada pela União Ibérica, a partir de 1580, quando Portugal e Espanha passaram a ser governados pelo mesmo rei, Filipe II. Como os espanhóis estavam em guerra com os holandeses, estes foram impedidos de manter relações comerciais com o Brasil. Por isso, esse fator ajudou a motivar a invasão holandesa do Nordeste brasileiro.

A expansão dos engenhos com os donatários
Com a intensificação da colonização, portugueses e seus parceiros flamengos e holandeses passaram a investir grandes somas na fundação de engenhos e, em seguida, na plantação de grandes áreas de cana-de-açúcar. Segundo Eduardo Bueno (2003, p. 44-45):
Impossibilitados por lei de explorar o pau-brasil (um monopólio da coroa), os donatários – Duarte Coelho à frente – trouxeram consigo colonos da Ilha da Madeira, deram início à derrubada das matas litorâneas e instalaram seus primeiros engenhos.
O aumento da população na Europa, a relativa queda do preço do produto, a fertilidade do massapé nordestino – tudo contribuiu para tornar o açúcar um produto cada vez mais consumido nas cidades e disputado no mercado.
Além disso, para Gilberto Freyre, o português foi um colonizador inovador para os padrões da época:
Ainda que riqueza – a criada por eles sob a pressão das circunstâncias americanas – à custa do trabalho escravo: tocada, portanto, daquela perversão de instinto econômico que cedo desviou o português da atividade de produzir valores para a de explorá-los, transportá-los ou adquiri-los (FREYRE, 2003, p. 79).
Uma sociedade patriarcal e aristocrática
Freyre também destacou o caráter aristocrático dessa sociedade:
Observa Oliveira Martins que a população colonial no Brasil, “especialmente ao norte, constitui-se aristocraticamente, isto é, as casas de Portugal enviaram ramos para o ultramar; desde todo o princípio da colônia apresentou um aspecto diverso das turbulentas imigrações dos castelhanos na América Central e Ocidental”.
E antes dele já escrevera Southey que nas casas de engenho de Pernambuco encontravam-se, nos primeiros séculos de colonização, as decências e o conforto que debalde se procurariam entre as populações do Paraguai e do Prata (FREYRE, 2003, p. 79).
O Brasil, maior produtor de açúcar do mundo
Assim, tudo conspirava para que o Brasil se tornasse o maior produtor mundial de açúcar. Para se ter uma ideia, em 1628 já havia cerca de 235 engenhos no Brasil, a grande maioria no Nordeste. Mais tarde, durante o domínio holandês, no governo de Maurício de Nassau (a partir de 1637), a produção de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba e Rio Grande do Norte ultrapassou 1 milhão de arrobas por ano (BUENO, 2003). Sobre esse período, veja também Recife dos holandeses e Engenhos de Pernambuco: História do Início ao Fim.

Havia, porém, diversos tipos de engenho, conforme a riqueza dos seus donos: desde pequenos engenhos manuais, como o da imagem acima, até grandes engenhos movidos a água. Apesar das diferenças, todos produziam açúcar e outros derivados da cana.

Quem lucrava com o açúcar?
Apesar do grande número de engenhos, o verdadeiro lucro não vinha da plantação da cana nem do fabrico do açúcar bruto. Na verdade, ele vinha do refino e da distribuição do açúcar na Europa, atividades geralmente controladas pelos holandeses. Ainda segundo Eduardo Bueno (2003, p. 45):
De qualquer maneira, após uma ou duas boas colheitas, vários proprietários vendiam tudo o que tinham e regressavam a Portugal.
Ainda assim, a importância do engenho não pode ser menosprezada só porque o refino e a distribuição davam mais lucro. Afinal, o engenho não tinha apenas um papel econômico, mas sobretudo social e cultural, como veremos a seguir.
A sociedade açucareira e a vida no engenho
O engenho como núcleo da sociedade colonial
O engenho colonial açucareiro era um complexo de várias construções. Havia, por exemplo, a capela, a casa de purgar, a casa das caldeiras, a casa de farinha, a casa de bagaço, a roda do engenho, o curral, o pomar, o cemitério e a senzala, que muitas vezes ficava próxima à casa-grande.
Eram construções tipicamente portuguesas, com toda a simbologia que teriam em Portugal. No entanto, quem as habitava eram pessoas de culturas muito diferentes: portugueses, africanos de várias regiões e indígenas.
Por isso, para Freyre, o engenho foi o lugar onde se formou boa parte da cultura afro-brasileira. Ali, brancos e negros conviviam, mas sempre numa relação desigual entre senhores e escravizados.
Miscigenação e violência
Muitos colonizadores, além disso, vinham para o Brasil sem a família. Assim, tiveram filhos com mulheres indígenas e africanas, muitas vezes à força, já que elas eram escravizadas e não podiam recusar. Foi desse modo, marcado pela violência, que começou a miscigenação. Não por acaso, o padre Antônio Vieira comparou o engenho a uma Babilônia e ao próprio inferno (apud BUENO, 2003, p. 48):
Em suma, as palavras do famoso padre jesuíta reforçam que eram os escravizados que faziam quase todo o trabalho na colônia.
A presença africana segundo Gilberto Freyre
Para Freyre, depois dos portugueses, nenhum povo influenciou tanto a cultura brasileira quanto os africanos. Na adaptação em quadrinhos de Casa-grande & Senzala (FREYRE, 2001, p. 27), lemos:
Quase todo brasileiro traz a marca dessa influência. Da negra que o embalou e lhe deu de mamar.
Da sinhama (ama de leite) que lhe deu de comer, ela própria fazendo com os dedos o bolão de comida.
Freyre também distinguiu os grandes grupos de africanos trazidos para o Brasil. De um lado, estavam os povos bantos, como os de Angola e do Congo. De outro, os povos que ele chamou de sudaneses, como os minas e nagôs da Costa do Ouro, os ardas do Daomé e os hauçás. Por isso, além das línguas bantas, os africanos no Brasil falavam línguas como o jeje, o hauçá e o nagô (iorubá) (FREYRE, 2001, p. 29).
Como ler Freyre hoje
No entanto, é preciso ler esses trechos com cuidado. Freyre escreveu em 1933 e repetiu muitas ideias raciais da sua época. Por exemplo, ele atribuiu “temperamentos” e aptidões a cada povo: os africanos seriam “extrovertidos” e os indígenas “introvertidos”, alguns grupos seriam “bons para o trabalho bruto” e outros para o serviço doméstico. Hoje, a historiografia rejeita essas generalizações, que serviam sobretudo para justificar a escravidão.
Na verdade, o peso dos africanos na economia do açúcar se explica pelo tráfico em massa organizado pelos europeus e pela experiência agrícola e técnica que muitos traziam da África. Além disso, apesar da vida duríssima, os escravizados mostraram desde cedo a sua força para sobreviver e resistir numa terra estranha que lhes tirava a liberdade, por exemplo nas fugas e nos quilombos.
Para ilustrar o cotidiano do engenho, a adaptação em quadrinhos de Casa-grande & Senzala (2001, p. 38) mostra a relação entre portugueses e africanos num engenho do Nordeste:

A alimentação nos engenhos
Como seria, então, a vida num engenho do século XVI? O que se comia, como eram as relações sociais e, enfim, que problemas os moradores enfrentavam?
Segundo Freyre, a alimentação era surpreendentemente ruim. Apesar de toda a riqueza do açúcar e da natureza, os senhores procuravam imitar os hábitos europeus:
A abundância ou excelência de víveres que se surpreendesse seria por exceção e não geral entre aqueles grandes proprietários (FREYRE, 2003, p. 98).
Além disso, segundo ele:
Por mais esquisito que pareça, faltavam à mesa da nossa aristocracia colonial legumes frescos, carne verde e leite. Daí certamente, muitas das doenças do aparelho digestivo, comuns na época e por muito doutor caturra atribuídas aos “maus ares” (FREYRE, 2003, p. 98).
Uma mesa farta? A imagem romântica
A imagem a seguir, por outro lado, mostra uma mesa farta e variada. Trata-se, no entanto, de uma cena do Rio de Janeiro do século XIX, pintada por Debret, e não da realidade dos engenhos dos primeiros séculos.

Doces em excesso e banquetes de festa
Mary Del Priore e Renato Venâncio, no Livro de Ouro da História do Brasil (2001, p. 57-60), confirmam esse quadro. Segundo os autores, mesmo os fazendeiros mais ricos comiam mal: carne de vaca dura, poucas frutas e legumes ainda mais raros. Em compensação, abusavam dos doces, como goiabadas, marmeladas, doces de caju, mel de engenho, alfenins e cocadas.
Só em ocasiões especiais, como a visita de um padre, abriam-se as despensas e matavam-se patos, leitões e cabritos. Em Pernambuco, por exemplo, “escravos pescadores” eram mandados buscar peixes e mariscos. Além disso, os senhores sofriam de doenças do estômago, que os médicos da época atribuíam aos “maus ares” do trópico, e não à má alimentação.
Onde ficavam os engenhos
Ainda segundo Del Priore e Venâncio, a maior parte dos engenhos ficava na mata, mas não muito longe dos portos. Afinal, a mata oferecia terra fértil e muita lenha para as fornalhas, que às vezes funcionavam dia e noite durante oito ou nove meses. Ao mesmo tempo, quem ficava longe do litoral gastava mais com transporte e, por isso, não conseguia competir.
Em Pernambuco, os engenhos se instalaram ao longo dos rios da Zona da Mata. Além disso, a água era essencial para o gado, para as pessoas e para mover as moendas. Por isso, a maior parte dos engenhos ficava à beira de rios como o Paraguaçu, o Jaguaribe e o Sergipe, na Bahia, e o Beberibe, o Jaboatão, o Una e o Serinhaém, em Pernambuco.
A casa-grande e a família do senhor de engenho
Por dentro, as casas-grandes, verdadeiras fortalezas de adobe e taipa, eram simples e até desconfortáveis. O mobiliário era pobre: catres, baús, arcas e cabides, feitos pelo carpinteiro do engenho. Muitos, aliás, preferiam dormir em redes nas noites quentes. Já as varandas davam ao senhor a vista sobre a terra, a cana e a gente, enquanto o térreo, com pequenas aberturas, ajudava na defesa contra ataques.
Mesmo assim, alguns observadores da época se impressionavam com o conjunto. Em 1587, por exemplo, o cronista Gabriel Soares de Sousa descreveu um “engenho com grandes edifícios e uma igreja”. Além disso, nos dias de festa, a simplicidade da casa contrastava com o luxo das roupas: segundo Fernão Cardim, as famílias se vestiam de veludos, damascos e sedas. Os casamentos, por sua vez, eram celebrados com banquetes, touradas, jogos de canas e de argolinhas e vinho de Portugal.
Os nomes dos engenhos
Os engenhos também ganhavam nomes. Muitos recebiam o nome de santos protetores, como São Francisco, São Cosme, São Damião e Santo Antônio. Outros tinham nomes africanos, como Massangana, ou nomes de frutas e árvores, como Pau-de-Sangue, Cajueiro-de-Baixo e Jenipapo.
No centro da família, o senhor de engenho exercia autoridade sobre filhos, parentes pobres, irmãos, filhos ilegítimos, afilhados, agregados e escravizados. A esposa, às vezes bem mais jovem, vivia à sua sombra: tinha os filhos, cuidava da costura, da doçaria e dos bordados e dedicava-se às devoções. Contudo, na ausência do marido, assumia o comando do trabalho com o mesmo vigor.
Além disso, segundo Del Priore e Venâncio, havia uma divisão racial da vida sexual. A esposa branca era a dona de casa e a mãe dos filhos legítimos. Já as mulheres indígenas e, depois, as africanas e mulatas, escravizadas, eram tratadas como objeto de prazer dos senhores, numa relação de violência e dominação.
Lavradores, trabalhadores livres e agregados
O engenho clássico, ligado às grandes plantações e ao trabalho escravo, expandiu-se no Nordeste sobretudo nos séculos XVI e XVII. Embora exigisse muito capital, ele também dependia de pequenos produtores que forneciam cana. Um relatório holandês de 1640, por exemplo, informa que apenas 40% dos engenhos de Pernambuco moíam cana própria; os demais dependiam da cana dos lavradores (DEL PRIORE; VENÂNCIO, 2001).
Do mesmo modo, a empresa do açúcar não envolvia apenas senhores e escravizados. Havia também mestres de açúcar, purgadores, caixeiros, calafates, caldeireiros, carpinteiros, pedreiros e barqueiros, entre outros. Além deles, mercadores, roceiros, artesãos e lavradores de mandioca e de cana animavam a vida econômica do litoral. Esses proprietários tinham de dois a dezenas de escravizados, o que mostra a variedade de origens e de situações.
Por fim, no século XVIII, com o declínio do açúcar e o aumento das alforrias, alguns libertos chegaram a se tornar proprietários de partidos de cana.

Uma sociedade com pouca mobilidade
Apesar desses grupos intermediários, a sociedade açucareira tinha pouca mobilidade social. No topo estavam o senhor de engenho e sua família; na base, os escravizados; e entre eles, um grupo de lavradores, trabalhadores livres e agregados que dependiam, em grande parte, do senhor.
Já na sociedade mineradora do século XVIII havia mais mobilidade, pois existiam pelo menos três camadas: os ricos mineradores e os funcionários da Coroa; depois, os pequenos mineradores, comerciantes, tropeiros, soldados, profissionais liberais e padres; e, por último, os escravizados. A imagem a seguir compara as duas pirâmides sociais.

Freyre e a divisão entre senhores e sertanejos
Sobre a sociedade açucareira, Gilberto Freyre afirma que:
Por conseguinte, de interesses econômicos semelhantes.
O antagonismo econômico se esboçaria mais tarde entre os homens de capital, que podiam suportar os custos da agricultura da cana e da indústria do açúcar, e os menos favorecidos de recursos, obrigados a se espalharem pelos sertões em busca de escravos – espécie de capital vivo – ou a ficarem por lá, como criadores de gado.
Antagonismo que a terra vasta pôde tolerar sem quebra do equilíbrio econômico.
Dele resultaria, entretanto, o Brasil antiescravocrata ou indiferente aos interesses da escravidão, representados pelo Ceará em particular, e de modo geral pelo sertanejo ou vaqueiro (FREYRE, 2003, p. 93).
Portanto, a partir da reflexão de Freyre, podemos concluir que a economia da cana-de-açúcar era excludente. Como se apoiava na escravidão, ela dificultava a ascensão social dos homens livres pobres, que, por isso, buscavam outras atividades sertão adentro, como a criação de gado.
Religião e sincretismo no engenho
A religião também fazia parte do dia a dia do engenho. Afinal, quase todo engenho tinha a sua capela, onde o capelão celebrava as missas, os batizados e os casamentos e, muitas vezes, também educava os filhos do senhor. Além disso, como vimos, muitos engenhos recebiam o nome de santos protetores.
No entanto, a religião católica trazida pelos portugueses sofreu grande influência das crenças indígenas e, sobretudo, das religiões africanas. Proibidos de praticar abertamente os seus cultos, muitos africanos escravizados passaram a associar os seus orixás e outras divindades a santos católicos. Desse modo, em muitas regiões do Brasil surgiu um verdadeiro sincretismo, que misturou as três tradições religiosas.
Perguntas frequentes sobre a sociedade açucareira
O que foi a sociedade açucareira?
Foi a sociedade que se formou no Brasil colonial em torno dos engenhos de açúcar, sobretudo no Nordeste, nos séculos XVI e XVII. Ela era patriarcal, aristocrática e, acima de tudo, baseada no trabalho escravo.
Como era dividida a sociedade açucareira?
No topo estavam o senhor de engenho e sua família. Em seguida, vinha um grupo intermediário de lavradores, trabalhadores livres e agregados. Por fim, na base, estavam os africanos e indígenas escravizados.
Havia mobilidade social na sociedade açucareira?
Muito pouca. Embora alguns lavradores e, no século XVIII, até alguns libertos tenham se tornado proprietários, a escravidão e a concentração de terras dificultavam a ascensão dos homens livres pobres.
Como era a vida na casa-grande?
Era mais simples do que se imagina. As casas eram fortificadas e tinham poucos móveis; além disso, a comida era ruim, com carne dura e poucos legumes. Por outro lado, nos dias de festa havia roupas de seda, banquetes e vinho de Portugal.
Qual é a diferença entre a sociedade açucareira e a sociedade mineradora?
A sociedade açucareira era rural e tinha pouca mobilidade social. Já a sociedade mineradora, do século XVIII, era mais urbana e tinha mais camadas intermediárias, como comerciantes, tropeiros, soldados e profissionais liberais.
Quem lucrava mais com o açúcar?
Não eram os senhores de engenho. Na verdade, o maior lucro ficava com os comerciantes que transportavam, refinavam e distribuíam o açúcar na Europa, em grande parte holandeses. Por isso, muitos senhores viviam endividados.
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