Lençóis é a porta de entrada para a Chapada Diamantina. A cidade surgiu quando foram descobertas jazidas de diamantes em Mucugê, em meados do séc. XIX.
Naquela época, aventureiros chegavam em grande número e montavam barracas que, de longe, pareciam lençóis estendidos, o que deu origem ao nome da cidade. Essa origem reflete a estética do local e está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento durante o Ciclo do Diamante.

A importância das jazidas de diamantes
As jazidas de diamantes foram fundamentais para a história de Lençóis, marcando o início do seu desenvolvimento e prosperidade. No séc. XIX, a descoberta atraiu muitos aventureiros e garimpeiros, transformando a cidade em um centro econômico vibrante.
O Ciclo do Diamante trouxe riqueza à região, fazendo de Lençóis a cidade mais rica da Chapada Diamantina. Seus efeitos aparecem em:
- Crescimento populacional: chegada massiva de pessoas buscando fortuna.
- Desenvolvimento econômico: expansão do comércio e infraestrutura.
- Influência política: destaque de figuras como o Coronel Horácio de Mattos.
- Cultura e identidade: marcas deixadas na arquitetura e tradições.
- Decadência e reinvenção: após o esgotamento das jazidas, a cidade se reinventou, priorizando o turismo.
O Ciclo do Diamante
Lençóis foi a mais rica da Chapada durante o Ciclo do Diamante. Chegou a abrigar um consulado francês para facilitar a exportação das pedras. Com o esgotamento das jazidas, a cidade entrou em decadência, sobreviveu da extração de carbonatos e enfrentou conflitos provocados por coronéis locais.
Conflitos e influência
O mais conhecido foi o do Coronel Horácio de Mattos, com grande influência política inclusive junto ao Governo Federal.
Cultura e festividades
A arquitetura de Lençóis preserva a memória dos tempos de opulência. As manifestações folclóricas são destaque, especialmente as festas juninas, com shows, cavalhadas, forrós e quadrilhas.
Festival de Inverno
O Festival de Inverno de Lençóis traz apresentações de artistas renomados, muitas com entrada franca. Comércio, restaurantes e bares concentram-se nas ruas próximas à praça principal, onde ocorrem os festejos e o forró.
Vídeos

Guia de Turismo de Lençóis na Chapada Diamantina05:21

Lençóis na Chapada Diamantina02:32

Lençóis Reportagem06:31

Lençóis e Região na Chapada Diamantina
Mapa das Trilhas e Pontos Turísticos da Chapada Diamantina
Patrimônio e tombamento
O conjunto arquitetônico e paisagístico de Lençóis foi tombado pelo IPHAN em 1973. A cidade está na região centro-oeste da Bahia, em um anfiteatro natural na encosta oriental da Serra do Sincorá.






Características do patrimônio
O conjunto é rico e conservou muitas características originais. Está situado na área do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Na área de proteção do patrimônio existem cerca de 570 imóveis.
Auge econômico
O patrimônio cultural retrata o auge econômico do século XIX. Entre 1845 e 1871, a região foi grande produtora de diamantes, tornando Lençóis um entreposto comercial para exportação mineral à Europa e importação de artigos de luxo. Chegou a funcionar ali um vice-consulado da França.
Desenvolvimento urbano
Nos anos de crescimento surgiram sobrados e construções elaboradas. O acervo arquitetônico é formado por casas e sobrados da segunda metade do séc. XIX, com técnicas em adobe, pedra e estruturas em taipa de mão.
Características do casario
O casario é marcado por cores vivas nas alvenarias e esquadrias. A arquitetura civil predomina sobre a religiosa e não há um monumento único dominante.
Formação da povoação
A povoação formou-se a partir de dois núcleos: Serrano e São Félix, que cresceram a partir das áreas de lavra e depois se uniram.
Desenvolvimento dos núcleos
O núcleo do Serrano localizava-se em ponto elevado junto a uma corredeira, deslocando-se com o tempo em direção à atual Praça Horácio de Matos, aproximando‑se do núcleo oposto na outra margem do rio.
Arruamento colonial
O arruamento colonial se organizou a partir da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e da ponte que ligava os dois núcleos. A construção da ponte, iniciada em 1860, aproveitou mão de obra ociosa gerada pela seca entre 1859 e 1862.
Grandes sobrados
A partir dessa época foram erguidos os grandes sobrados ao redor da antiga Praça do Mercado (atual Praça Horácio de Matos). Entre eles havia a Casa do Conselho, demolida na década de 1940 para a construção da Agência dos Correios e Telégrafos.
Desenvolvimento desordenado
Como típico assentamento de mineração, Lençóis cresceu de forma desordenada: ruas irregulares que se adaptam ao terreno, pequenas praças e largos. Em alguns trechos o piso é a própria rocha local.
Pavimentação e expansão
Novas ruas, espontâneas ou aprovadas pelo IPHAN, sobem e descem ladeiras seguindo a malha colonial. Algumas apresentam pavimentação em pedras irregulares formando desenhos decorativos.
Monumentos e espaços públicos tombados
Lençóis abriga diversos monumentos e espaços públicos tombados, entre os principais:
- Praça Horácio de Matos (espaço público mais importante)
- Mercado Público Municipal
- Ponte sobre o rio Lençóis
- Prefeitura Municipal
- Imóvel onde funciona o Escritório Técnico do IPHAN
- Antigo Posto de Saúde
- Teatro de Arena
- Igreja Nossa Senhora do Rosário
- Igreja de Nosso Senhor dos Passos
- Casa de Cultura Afrânio Peixoto e Anfiteatro
- Biblioteca Pública
- Arquivo Público
- Entre outros
Características do acervo
O acervo de Lençóis é constituído por edifícios da segunda metade do século XIX construídos com técnicas variadas, predominando o adobe. Destacam‑se as cores vivas das fachadas e esquadrias.
- Sede do IPHAN em Lençóis
- Prédio do Campus Avançado da UEFS
- Antigo Vice-Consulado Francês
- Mercado Cultural
- Ponte sobre o Rio Lençóis
- Igreja Nossa Senhora do Rosário
1. Sede do IPHAN em Lençóis

A edificação abrigou, por muito tempo, a Casa de Câmara (térreo) e a cadeia pública (subsolo) e, posteriormente, a Prefeitura. Segundo a arquiteta Liziane Peres Mangili, é um belo exemplar do estilo eclético. O historiador Delmar de Araújo relata que o modelo dos leões foi inspirado no Palácio de Alhambra, em Granada.
2. Prédio do Campus Avançado da UEFS

Em estilo neogótico, o sobrado situa‑se na esquina da Praça Horácio de Matos. O neogótico teve grande aceitação no final do século XIX nas cidades da Chapada.
3. Antigo Vice-Consulado Francês

Decorado em neogótico, o prédio serviu ao comércio de diamantes do Sindicato Francês e foi reconhecido como Vice-Consulado. Hoje funciona como residência e comércio.
4. Mercado Cultural

Construído entre o final do século XIX e 1940, o Mercado Cultural já foi feira livre, primeiro cinema da cidade, locação do filme ‘Diamante Bruto’, local de bailes e até ponto de encontro para assistir televisão. Sua fachada integra-se ao cenário natural pelo contato com o rio Lençóis.
5. Ponte sobre o Rio Lençóis

Construída a partir de 1860 para gerar emprego durante a seca de 1859–1862, a ponte tem três arcos plenos (arcos romanos) e aspecto maciço. No Programa Monumenta (2000) foram retirados revestimentos para integrá‑la ao leito do rio. Há relatos de uso de clara de ovos e azeite de mamona na argamassa.
6. Igreja Nossa Senhora do Rosário

Construída em 1830, é considerada a maior igreja do sertão baiano e peça central na formação do patrimônio religioso da cidade.
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