As aves encontradas na Chapada Diamantina, no coração da Bahia, atraem observadores de todo o Brasil e do exterior. Listas de observação da região reúnem centenas de espécies, e algumas estimativas falam em mais de 400. Entre elas há aves que só existem aqui ou em poucas serras do Nordeste e do Sudeste, como o gravatinha, o tapaculo-da-chapada-diamantina e o papa-formiga-do-sincorá. Atualizado em outubro de 2026.
A Chapada Diamantina é uma região de serras no centro do estado, conhecida pelas paisagens, cachoeiras e trilhas. Para quem gosta de natureza, a fauna e a flora completam o passeio: veja também o guia sobre o relevo, a fauna e a flora da Chapada Diamantina.
Por que há tantas aves na Chapada Diamantina?
A variedade vem da mistura de ambientes. Segundo o ICMBio, o Parque Nacional da Chapada Diamantina abrange áreas de Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, e nas partes mais altas dominam os campos rupestres, uma vegetação de arbustos e afloramentos de rocha. Cada ambiente abriga aves diferentes:
- Caatinga: vegetação seca e arbustiva, nas áreas mais baixas, onde vivem espécies do sertão e do vale do São Francisco.
- Mata Atlântica: matas úmidas, em geral junto aos rios e nas encostas, com aves de floresta.
- Cerrado e campos rupestres: áreas abertas e arbustivas das serras, onde ficam várias das espécies mais procuradas.
Para entender o clima que molda essas paisagens, leia sobre as zonas climáticas do Nordeste brasileiro. Se você ainda está montando o roteiro, veja os pontos turísticos da Bahia e as principais cidades e vilas da Chapada.
Aves da Chapada Diamantina são espécies exóticas?
Não. Em biologia, espécie exótica é aquela introduzida pelo ser humano fora da sua área natural, como o pardal. As aves deste guia são nativas do Brasil, e várias são endêmicas, ou seja, vivem apenas em uma região. Quando se fala em “aves exóticas” da Chapada, o sentido popular é de aves raras, incomuns ou muito diferentes das que vemos no dia a dia, e é com esse sentido que elas aparecem aqui. Alguns nomes citados abaixo também ocorrem em outras regiões, e isso está indicado em cada ave.
Algumas das aves encontradas na Chapada Diamantina
Aves encontradas na Chapada Diamantina
Veja também o guia completo da Chapada Diamantina e as dicas de turismo na Chapada Diamantina.
1. Gravatinha ou Beija-Flor-de-Gravata-Vermelha
O gravatinha (Augastes lumachella), também chamado de beija-flor-de-gravata-vermelha, é a ave símbolo da região e uma das mais procuradas pelos observadores que visitam a Chapada Diamantina. É um beija-flor endêmico: vive só nos campos rupestres da Chapada Diamantina, na porção baiana da Serra do Espinhaço, em altitudes que as fontes indicam entre cerca de 900 e 2.000 metros. Uma publicação científica de 2019 registrou a espécie no Pico do Barbado, em Abaíra, o ponto mais alto da distribuição conhecida.

Mede de 8 a 10 centímetros e pesa de 4 a 4,8 gramas. Como outros beija-flores, tem plumagem iridescente, e as cores parecem mudar conforme o ângulo da luz. Está classificado como Quase Ameaçado pela IUCN e como Em Perigo no Brasil, segundo o Plano de Ação Nacional (PAN) para aves da Caatinga. Observadores o encontram, por exemplo, no Morro do Pai Inácio, perto de Lençóis.
2. Rabo-Mole-da-Serra

O rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda) é um pássaro da família Thraupidae, a mesma dos tiês e sanhaços. Também aparece em fontes com os nomes de tibirro-rupestre e tentilhão-das-chapadas. É endêmico do Brasil e vive em vegetação arbustiva das serras do leste, principalmente na Cadeia do Espinhaço, na Bahia e em Minas Gerais. Ainda é classificado como Pouco Preocupante, mas a perda de habitat o torna cada vez mais raro. Relatos de observação o registram na Chapada Diamantina.
3. Meia-lua-do-cerrado

A meia-lua-do-cerrado (Melanopareia torquata), também chamada de tapaculo-de-colarinho, tem esse nome por causa da faixa escura em forma de meia-lua no peito. Mede cerca de 14,5 centímetros e ocorre em áreas de cerrado na Bolívia, no Paraguai e no Brasil, até cerca de 1.400 metros de altitude. Machos e fêmeas cantam ao longo do ano, em geral de um arbusto baixo, o que ajuda a localizá-la. Já foi observada perto de Mucugê.
4. Beija-Flor-Marrom
O beija-flor-marrom (Colibri delphinae) mede cerca de 11,5 centímetros e pesa de 6,5 a 7 gramas. Ao contrário do que se costuma dizer, ele não é restrito à Chapada: a espécie tem ampla distribuição, de Belize e Guatemala até a Bolívia e o Brasil, principalmente em montanhas, como os Andes e os tepuis. O que existe na Chapada Diamantina é uma população isolada, descrita como a subespécie greenewalti, com localidade-tipo no rio Paraguaçu, perto de Andaraí. Vive em florestas e matas secundárias entre 400 e 1.600 metros.

A região também abriga vários outros beija-flores. Num estudo em área de cerrado ralo em Mucugê foram registradas oito espécies, e para a Chapada inteira não encontramos uma contagem oficial. Se você gosta de flores e polinizadores, veja também as orquídeas e a sempre-viva da região.
5. Tangará-Príncipe
O nome tangará-príncipe é usado para o Chiroxiphia pareola, também chamado de tangará-falso, um manaquim de cerca de 12 a 13 centímetros que vive no sub-bosque de florestas. Ele costuma ser citado em listas de aves procuradas no Nordeste, mas, nas fontes que consultamos, não há registro confirmado dele na Chapada Diamantina. A espécie ocorre do Rio Grande do Norte ao Espírito Santo, na Amazônia e em outros países da América do Sul, e é classificada como Pouco Preocupante. Se você o encontrar na região, vale registrar a observação em plataformas como eBird ou WikiAves.

Fazer as trilhas da Chapada Diamantina já vale a viagem, e a observação de aves torna o passeio ainda mais interessante. Mesmo sem procurar espécies raras, quase sempre há algum passarinho cantando ou pulando ao longo do caminho.
6. Papa-Formiga-do-Sincorá

O papa-formiga-do-sincorá (Formicivora grantsaui) vive em vegetação arbustiva de campo rupestre, entre 850 e 1.100 metros, e só é conhecido da Serra do Sincorá, na Chapada Diamantina, o que faz dele endêmico da Bahia. Foi descrito pela ciência apenas em 2007, com localidade-tipo no vale do rio Cumbuca, perto de Mucugê. Mede de 12 a 13 centímetros. É parecido com outros papa-formigas do mesmo gênero, e a diferença está sobretudo na plumagem e no canto. Está Em Perigo no Brasil e Vulnerável pela IUCN, com ameaças como mineração, corte de madeira e fogo.
7. Papa-Moscas-de-Costas-Cinzentas

O papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris) é um pequeno tiranídeo de 9,5 a 10 centímetros e cerca de 6 gramas. Tem comprimento semelhante ao do gravatinha, mas é um pouco mais pesado. Gosta dos campos rupestres, entre 900 e 2.300 metros, e também de pastos abandonados e bordas de mata. É endêmico do Brasil, e não só da Chapada: tem uma população isolada na Bahia central e outra do norte de Minas Gerais ao norte do Paraná. Na Chapada fica no extremo norte da área de ocorrência e parece menos abundante. A IUCN o classifica como Pouco Preocupante, mas ele é considerado Vulnerável no PAN das aves da Caatinga.
8. Aracuã-de-Barriga-Branca

O aracuã-de-barriga-branca (Ortalis araucuan) é uma ave grande, da família dos cracídeos, com cerca de 50 centímetros. Ocorre no leste do Brasil, do Rio Grande do Norte ao Espírito Santo e a Minas Gerais, em matas, caatinga e restinga. Não é endêmico da Chapada, mas há registro dele no Parque Nacional da Chapada Diamantina (eBird, 2024). É classificado como Pouco Preocupante.
9. Meia-lua-do-cerrado (outro registro)

Mais uma foto da meia-lua-do-cerrado, ave discreta que costuma ficar na vegetação baixa. Para mais detalhes sobre a espécie, veja o item 3.
10. Soldadinho

O nome soldadinho é usado para o Antilophia galeata, um manaquim de cerca de 14,5 centímetros que vive em matas de galeria, as florestas que acompanham os rios, no Brasil central, da Bahia ao Mato Grosso. Alimenta-se principalmente de frutos e também de insetos, e é classificado como Pouco Preocupante. Nas fontes consultadas, não encontramos uma confirmação detalhada de registro na Chapada Diamantina, então trate-o como uma espécie provável das matas da região.
11. Tiziu

O tiziu (Volatinia jacarina) é uma das aves mais comuns do Brasil e vive em campos abertos e capinzais, em quase todo o país. O macho, de plumagem preta com brilho azulado, é conhecido pelos saltinhos verticais com que se exibe enquanto canta. É uma boa ave para quem está começando na observação.
12. Chupa-dente-do-nordeste

O chupa-dente-do-nordeste (Conopophaga cearae) vive no sub-bosque de matas úmidas em serras isoladas do Nordeste, e mede de 11,5 a 14 centímetros. As fontes que consultamos citam a espécie no Ceará, em Pernambuco, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Alagoas, sem citar a Bahia nem a Chapada Diamantina. Por isso, a ocorrência na região não está confirmada. A IUCN a classifica como Quase Ameaçada.
13. Tico-tico-do-são-francisco

O tico-tico-do-são-francisco (Arremon franciscanus) é endêmico do Brasil e vive na caatinga arbustiva da Bahia e do norte de Minas Gerais, no vale do rio São Francisco, entre 600 e 1.400 metros. Mede cerca de 21 centímetros. Há registro dele em Palmeiras, na Chapada Diamantina (SiBBr, 2019), e ele não é exclusivo da região. A IUCN o classifica como Quase Ameaçado. Para conhecer a cidade, veja o guia de Palmeiras.
14. Tapaculo-da-Chapada-Diamantina

O tapaculo-da-chapada-diamantina (Scytalopus diamantinensis) é um dos símbolos da conservação na região. Foi descrito em 2007, vive apenas na Chapada Diamantina, sobretudo nas encostas orientais, entre 850 e 1.600 metros, em manchas de mata densa dentro do campo rupestre. É pequeno, com cerca de 10 a 11 centímetros e 15 gramas, e mais fácil de ouvir do que de ver. Está Em Perigo de extinção (IUCN e Brasil) por causa da distribuição restrita e da perda de vegetação para plantações de café e banana, da coleta de lenha e do turismo não regulamentado. Já foi observado em Mucugê.
15. Surucuá-variado

O surucuá-variado (Trogon surrucura) é uma ave de floresta, de 26 a 28 centímetros, que come insetos e frutos. A forma do norte da espécie ocorre da Bahia a São Paulo, em matas bem desenvolvidas, e a IUCN a classifica como Pouco Preocupante. Não encontramos confirmação de registro dele na Chapada Diamantina, então trate-o como uma espécie de ocorrência a confirmar. Se avistar um, registre a observação em plataformas como eBird ou WikiAves.
16. Pia-cobra

O nome pia-cobra é usado para pequenas mariquitas do gênero Geothlypis, da família Parulidae, que vivem em vegetação baixa de áreas úmidas, como brejos e margens de rios. Para quem visita áreas alagadas da região, como o Pantanal dos Marimbus, vale prestar atenção a esse tipo de ave.
Onde observar aves na Chapada Diamantina
Relatos de grupos de observação citam Mucugê (tapaculo, papa-formiga-do-sincorá e papa-moscas), Lençóis (papa-formiga-do-sincorá e áreas de caatinga alta) e o Morro do Pai Inácio (gravatinha). O Pantanal dos Marimbus é indicado para aves de áreas alagadas. Vale lembrar que a Chapada tem outros destinos de natureza, como o Rio de Contas e os picos das Almas, Itobira e Barbado, sendo que no Pico do Barbado há registro do gravatinha. Para observar aves em outro bioma brasileiro, veja as observações de aves no Pantanal.
Dicas para observar aves com responsabilidade
- Contrate um condutor local. O ICMBio recomenda a contratação de condutor de visitantes no Parque Nacional da Chapada Diamantina, e os guias conhecem os melhores pontos de observação.
- Não faça fogueira. Elas são proibidas em todo o parque, e o fogo é uma das ameaças às aves dos campos rupestres.
- Não capture nem persiga aves. A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998, art. 29) pune quem mata, persegue, caça ou apanha animais silvestres, com pena maior em unidades de conservação.
- Fique nas trilhas e evite tocar áudio de canto em excesso, para não estressar as aves, principalmente as ameaçadas.
- Leve binóculos e saia cedo. A manhã costuma ser o período de maior atividade das aves.
A Chapada Diamantina é um paraíso para quem gosta de natureza, e as aves da região estão entre as mais especiais da Bahia. Continue explorando o guia de turismo da Chapada Diamantina.
Perguntas Frequentes
Quantas espécies de aves existem na Chapada Diamantina?
Não há um número oficial único. Uma lista de observação da região reúne 264 espécies, das quais 46 são endêmicas do Brasil, e operadores de turismo de observação falam em mais de 400 espécies registradas. Um único ponto, o Parque Nacional Chapada Diamantina – Norte, tem 182 espécies no eBird. Os valores variam conforme a área e a fonte.
Quais aves são endêmicas da Chapada Diamantina?
As mais citadas são o gravatinha (Augastes lumachella), o tapaculo-da-chapada-diamantina (Scytalopus diamantinensis) e o papa-formiga-do-sincorá (Formicivora grantsaui, restrito à Serra do Sincorá). Outras, como o rabo-mole-da-serra e o papa-moscas-de-costas-cinzentas, são endêmicas do Brasil, mas também vivem em outras serras.
As aves da Chapada Diamantina são espécies exóticas?
Não. Espécie exótica é a que foi introduzida fora da sua área natural. As aves da Chapada Diamantina são nativas, e várias são endêmicas. O termo “exóticas” só aparece em sentido popular, para falar de aves raras e fora do comum.
Onde observar aves na Chapada Diamantina?
Mucugê, Lençóis, o Morro do Pai Inácio e o Pantanal dos Marimbus aparecem em relatos de observação. Veja o guia de Mucugê e o de Lençóis para planejar a viagem.
Qual é a melhor época para observar aves na Chapada Diamantina?
As fontes que consultamos não indicam uma única melhor época para aves, e é possível observar o ano todo. Em geral as aves ficam mais ativas nas primeiras horas da manhã. Confirme as condições de trilhas e rios com um guia local.
É preciso contratar guia para observar aves no Parque Nacional?
O ICMBio recomenda contratar um condutor de visitantes, mas não encontramos uma norma atual que o torne obrigatório em todas as trilhas. Confirme as regras vigentes com a gestão do parque ou com a associação de guias local.
Quais aves da Chapada correm risco de extinção?
Entre as que aparecem neste guia, o tapaculo-da-chapada-diamantina está Em Perigo, o papa-formiga-do-sincorá está Em Perigo no Brasil e Vulnerável pela IUCN, e o gravatinha está Quase Ameaçado pela IUCN e Em Perigo no Brasil. As ameaças incluem perda de habitat, fogo, mineração e turismo sem controle.
É permitido capturar ou levar aves da Chapada Diamantina?
Não. O artigo 29 da Lei 9.605/1998 pune quem mata, persegue, caça, apanha ou utiliza animais silvestres, e a pena aumenta quando o crime ocorre em unidade de conservação ou contra espécie rara ou ameaçada. Observe e fotografe, sem tirar as aves da natureza.
Fontes consultadas
- ICMBio: informações de visitação do Parna da Chapada Diamantina
- Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais)
- Exotic Birding: lista de aves da Chapada Diamantina
- eBird: Parque Nacional Chapada Diamantina – Norte
- Field Guides: relatório de observação no Nordeste do Brasil (2024)
- Check List (2019): registro do gravatinha no Pico do Barbado
- Bioscience Journal: beija-flores em Mucugê
- ICMBio: PAN Aves da Caatinga (sumário)
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