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O estilo arquitetônico da Chapada Diamantina, na Bahia, nasceu da mineração. Nas cidades históricas da região, como Lençóis, Mucugê e Rio de Contas, as construções coloniais têm fachadas simples e coloridas, esquadrias de madeira, paredes de adobe ou pedra, igrejas de traços barrocos e neoclássicos e ruas calçadas com pedra. Os conjuntos de Lençóis (1973), Mucugê (1980), Rio de Contas (1980) e Igatu (2000) foram tombados pelo IPHAN. Atualizado em outubro de 2026.
O ouro e, a partir de 1844, o diamante atraíram moradores e comerciantes e financiaram sobrados, igrejas e teatros. A arquitetura também se adaptou ao relevo acidentado e aos materiais da própria serra: pedra, madeira e terra. Este guia mostra as principais construções de cada cidade. Para entender o contexto, leia a história do garimpo na Chapada Diamantina e a história do povoamento da região.
Adobe é um tijolo de terra e fibras vegetais misturados com água, moldado e seco ao ar livre, sem queima.
Arquitetura da Chapada Diamantina: história, tradição e beleza
O estilo da região reúne influências da cultura local, do clima, dos materiais disponíveis e da colonização portuguesa, o que se vê no estilo colonial. Três tipos de construção resumem essa herança.
1. Casas de taipa: tradição e sustentabilidade
Uma das expressões da arquitetura vernacular são as casas de taipa, também chamadas de casas de barro. A taipa de mão é uma estrutura de madeira com vedação de barro, às vezes misturado com palha. As paredes espessas ajudam a manter o interior mais fresco no calor, e o conjunto tem um charme rústico ligado à paisagem.
2. Arquitetura colonial e a história do diamante
O estilo colonial lembra o período em que a região era rota do comércio de ouro e diamantes. Em Igatu, entre afloramentos rochosos, o casario de pedra do século 19 preserva a memória do garimpo. As construções coloniais têm fachadas coloridas, varandas amplas e janelas de madeira, elementos que contam a história da mineração.
3. Igrejas e capelas: tesouros arquitetônicos
A arquitetura religiosa tem papel central. Há igrejas e capelas antigas com altares barrocos, pinturas sacras e detalhes dourados, que remetem ao passado colonial. Caminhar pelas ruas de pedra, entre casarios, praças e templos, é uma viagem ao tempo em que a região prosperava com o ouro e o diamante.

Mucugê uma das cidades mais lindas da Chapada Diamantina11:15

Lençóis Bahia - Imagens Aéreas com Drone08:02

Rio de Contas - patrimônio arquitetônico da Bahia

Povoado de Igatu na Chapada Diamantina12:38
Destaques arquitetônicos das cidades da Chapada Diamantina
1. Rio de Contas: patrimônio arquitetônico e histórico na Chapada Diamantina
O conjunto arquitetônico de Rio de Contas foi tombado pelo IPHAN em 1980 e reúne cerca de 287 edificações dos séculos 18 e 19, com praças e ruas de traçado colonial, monumentos públicos e religiosos em pedra, casario de adobe e igrejas barrocas. Alguns bens já estavam tombados individualmente desde 1958, como a Igreja Matriz e as ruínas da Igreja de Santana. Os destaques são:
- Casa de Câmara e Cadeia (conhecida como Fórum Barão de Macaúbas)
- Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento
- Igreja de Santana (ruínas)
- Teatro São Carlos
Em geral, os monumentos são de pedra e as residências de adobe, com fachadas brancas e esquadrias azuis. Guias e reportagens comparam esse conjunto ao de Paraty (RJ). Nos arredores há vestígios de represas, aquedutos, túneis e galerias, testemunhos da intensa mineração de ouro.
A cidade fica ao sul da Chapada Diamantina, perto do Pico das Almas, e tem traçado regular e homogêneo. A vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas foi criada na década de 1720, e uma provisão régia de 1745 determinou a mudança da sede para o sítio atual. Começou como centro de mineração e se tornou um importante centro regional. Veja o guia de Rio de Contas e a história da cidade.
Monumentos arquitetônicos de Rio de Contas
- Casa de Câmara e Cadeia
- Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento
- Teatro São Carlos
- Casa à Rua Barão de Macaúbas
- Igreja de Santana (ruínas)
1. Casa de Câmara e Cadeia em Rio de Contas

Conhecida como Fórum Barão de Macaúbas, é uma construção de meados do século 18 ou início do 19, exemplo tardio de Casa de Câmara e Cadeia. Tem dois pavimentos, telhado de quatro águas e planta retangular com cômodos intercomunicantes. No térreo funcionavam a cadeia, a casa do carcereiro e a audiência. Fica entre duas praças e se destaca pela volumetria e pela implantação.
2. Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento

Construída na segunda metade do século 18 como matriz da vila, é tombada desde 1958 e apontada, segundo especialistas citados pelo IPHAN, como o exemplar mais relevante da arquitetura religiosa do sertão baiano, com forte influência barroca. A planta lembra um “T”, com nave única, coro, capela-mor, duas sacristias e uma torre. Os alicerces e as tribunas entaipadas indicam que o edifício não foi concluído como projetado. O forro da capela-mor tem pintura ilusionista de inspiração italiana. O restauro da igreja e do Teatro São Carlos foi entregue em dezembro de 2014.
3. Teatro São Carlos

O Teatro São Carlos foi inaugurado em 1892, data inscrita sobre o portal, e é descrito como um dos teatros históricos mais antigos do interior da Bahia. Já recebeu grupos locais e produções de outras partes do país e hoje abriga atividades educativas e culturais.
4. Casa à Rua Barão de Macaúbas

Pelas características, com vivenda e loja, presume-se que seja de meados do século 19, tipo comum na vertente oriental da Chapada Diamantina e da Serra Geral no período diamantífero. A casa tem estrutura autoportante de alvenaria e adobe e planta quase quadrada, com anexo de serviço nos fundos. Um trecho era a loja, com entrada independente, e o outro a residência, com salões na frente e nos fundos, separados por quartos e alcovas ao longo de um corredor central. Chamam a atenção os ornatos em massa, em forma de folhas, em torno das janelas.
5. Igreja de Santana (ruínas)

A igreja é da primeira metade do século 18 e fica no antigo largo de Santana, hoje Praça Duque de Caxias, recuada em relação aos vizinhos e precedida por um adro ligado à nave por uma ampla escadaria. É de alvenaria de pedra e nunca foi concluída: as obras pararam por volta de 1850, com a saída da população para outras áreas de mineração.

Tem três naves e capela-mor ligada às sacristias por arcos, e janelas altas no fundo da capela-mor dão um aspecto especial ao espaço.

O frontispício tem três portas de acesso em arco, com janelas rasgadas em igual número acima, e os muros de pedra não são rebocados, exceto o frontão e a parte superior da fachada.
2. Igatu: a Machu Picchu baiana e seu legado da mineração de diamantes
O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Igatu, distrito de Andaraí, foi tombado pelo IPHAN em 2000. Conhecida como Xique-Xique do Igatu, Cidade de Pedras e Machu Picchu Baiana, a vila preserva ruínas de moradias de pedra, testemunhos do ciclo do garimpo. O perímetro protegido tem cerca de 200 imóveis, e o tombamento inclui as ruínas entre a ponte sobre o rio Coisa Boa e a trilha do antigo garimpo, além do núcleo original da vila, do século 19.
Um museu vivo da mineração
Igatu é considerada um museu a céu aberto. Na Galeria Arte e Memória há utensílios usados por garimpeiros e escravizados, que mostram a dureza do trabalho nas lavras. A vila fica entre afloramentos rochosos, rios e cachoeiras, e o casario de pedra bruta do século 19 deu à paisagem o apelido de “Machu Picchu Baiana”, em referência à cidade inca.
O declínio da vila
No auge do garimpo, Igatu chegou a ter mais de 10 mil habitantes, segundo o IPHAN. Com o declínio da mineração, a maior parte da população se foi, e a extração terminou em 1996. Hoje a vila tem cerca de 380 moradores, segundo o IPHAN, e o turismo é a principal atividade. Em 2026, o Programa Conviver, da Faculdade de Arquitetura da UFBA, dá assistência técnica à conservação de casas tombadas e habitadas, com oficinas com mestres construtores em muros de pedra.
Igatu hoje: turismo e cultura
A vila atrai visitantes interessados em turismo histórico-cultural, ecoturismo e aventura. Igatu fica no município de Andaraí, onde nasceu o escritor Herberto Sales (1917 a 1999), autor de Cascalho (1944), romance sobre o poder dos coronéis na região do garimpo.
Monumentos arquitetônicos de Igatu
- Casas de pedra em Igatu
- Igreja e Cemitério de São Sebastião
1. Casas de pedra em Igatu



As casas de pedra, muitas em ruínas, são o principal cartão-postal da vila e mostram como os garimpeiros usaram a pedra da própria serra.
2. Igreja e Cemitério de São Sebastião


A Igreja de São Sebastião e o cemitério, com a trilha de acesso, estão entre os bens tombados pelo IPHAN em Igatu.
3. Lençóis: o tesouro arquitetônico e paisagístico da Chapada Diamantina
O conjunto arquitetônico e paisagístico de Lençóis foi tombado pelo IPHAN em 1973 (dezembro de 1973, segundo reportagem de 2026). A cidade fica na região centro-oeste da Bahia, em um anfiteatro natural na encosta oriental da Serra do Sincorá, e o IPHAN a situa na área do Parque Nacional da Chapada Diamantina. A área protegida tem cerca de 570 imóveis, em sua maioria casas e sobrados do século 19, com casario colorido e ruas irregulares.
A riqueza do diamante e a ascensão de Lençóis
Entre 1845 e 1871, segundo o IPHAN, Lençóis foi a maior produtora mundial de diamantes e a terceira cidade mais importante da Bahia. Virou entreposto comercial: exportava diamantes para a Europa e importava artigos de luxo, e a França instalou ali um vice-consulado. Surgiram os primeiros sobrados, e o casario foi construído com técnicas variadas, sobretudo adobe e pedra, além de estruturas de madeira com vedação em taipa de mão. As fachadas vibrantes compõem a identidade visual da cidade. Leia também a história de Lençóis.
Urbanismo e arquitetura: a evolução do espaço
Diferente de outras cidades históricas, Lençóis não tem um monumento dominante. O crescimento seguiu a mineração e o terreno acidentado, com ruas irregulares, largos e pequenas praças. A povoação nasceu da união de dois núcleos: o Serrano, em área elevada junto a uma corredeira, e o São Félix, na outra margem do rio. A ponte de 1860, construída para empregar a mão de obra ociosa na grande seca de 1859 a 1862, ligou os dois lados.
Praça Horácio de Matos e os grandes sobrados
Dessa época datam os grandes sobrados da antiga Praça do Mercado, hoje Praça Horácio de Matos, com cinco residências tombadas. A Casa do Conselho foi demolida na década de 1940 para dar lugar à Agência dos Correios e Telégrafos. As ruas refletem o passado: algumas têm o piso de rocha natural, outras são calçadas com pedras irregulares que formam desenhos, e as mais novas seguem o padrão colonial, subindo e descendo ladeiras.
Lençóis hoje: um patrimônio vivo
Lençóis é um dos destinos mais procurados da Bahia, com casario colonial, trilhas, cachoeiras e grutas. Em novembro de 2025, o IPHAN reconheceu o Jarê da Chapada Diamantina, tradição religiosa de matriz afro-brasileira com terreiro em Lençóis, como patrimônio cultural do Brasil. Em julho de 2026, a cidade foi indicada ao selo “Melhores Vilas Turísticas do Mundo”, da ONU Turismo, com resultado previsto para dezembro. Também em julho, o IPHAN pediu à prefeitura um laudo de estabilidade da ponte de pedra, após denúncia de desgaste na base de um pilar.
Monumentos arquitetônicos de Lençóis
- Praça Horácio de Matos
- Mercado Público Municipal
- Ponte sobre o rio Lençóis
- Prefeitura Municipal e Escritório Técnico do IPHAN
- Teatro de Arena
- Igreja Nossa Senhora do Rosário
- Igreja de Nosso Senhor dos Passos
- Casa de Cultura Afrânio Peixoto
- Arquivo Público
1. Praça Horácio de Matos

É o espaço público mais importante da cidade, ponto dos festejos e do forró. O nome lembra o coronel Horácio de Matos.
2. Mercado Público Municipal

O Mercado Público Municipal está entre os bens protegidos pelo IPHAN no conjunto.
3. Ponte sobre o rio Lençóis

Construída em 1860, a ponte liga as duas margens e é o único elo entre as duas partes da cidade divididas pelo rio.
4. Prefeitura Municipal e imóvel do Escritório Técnico do IPHAN

O imóvel onde funciona o escritório do IPHAN está entre os bens tombados e foi, segundo guias de turismo, a antiga Prefeitura, da década de 1860.
5. Teatro de Arena

O Teatro de Arena também integra a lista de bens protegidos do conjunto.
6. Igreja Nossa Senhora do Rosário

Descrita em guias de turismo como a maior igreja do sertão baiano, é uma das duas igrejas da lista de bens protegidos da cidade. A data de construção varia conforme a fonte.
7. Igreja de Nosso Senhor dos Passos

A igreja faz parte do conjunto tombado e está ligada à festa do Senhor dos Passos, do calendário da cidade.
8. Casa de Cultura Afrânio Peixoto

A Casa de Cultura Afrânio Peixoto, com o anfiteatro, é um dos bens tombados e funciona como espaço cultural.
9. Arquivo Público

O Arquivo Público também está na lista de bens protegidos pelo IPHAN.
4. Mucugê: tesouro arquitetônico e natural da Chapada Diamantina
O conjunto arquitetônico e paisagístico de Mucugê, com destaque para o cemitério bizantino, foi tombado pelo IPHAN em 1980. Foi em Mucugê que, em 1844, o garimpeiro Cazuza do Prado desconfiou do cascalho do rio Mucugê, e a cidade ficou conhecida como a primeira localidade baiana onde se encontraram diamantes de real valor. O acervo urbano tem 300 casas térreas e 10 sobrados, além de duas igrejas históricas.
Urbanismo: o crescimento em forma de “L”
Mucugê fica em um vale amplo e plano, cercado de encostas. A cidade cresceu em formato de “L”, com uma igreja em cada extremidade. A Rua Direita do Comércio, paralela ao riacho Mucugê, é considerada o núcleo original, e uma pequena praça no encontro das ruas reforça o caráter de núcleo único.
Casario colonial e expansão urbana
O sítio tombado engloba toda a área urbana e o cemitério, na colina, afastado do núcleo original. Os casarões coloniais, do final do século 18 e do 19, usam adobe ou pedra. Mucugê se destaca pela conservação, pelas ruas limpas e pelos canteiros floridos. A cidade também guarda histórias de disputas pelo garimpo e de resistência à Coluna Prestes e aos coronéis. Para a natureza, veja a flor sempre-viva, símbolo da região.
Monumentos arquitetônicos de Mucugê
- Cemitério de Santa Isabel
- Igreja Matriz de Santa Isabel
1. Cemitério de Santa Isabel (cemitério bizantino)

Entre o núcleo histórico e a encosta fica o Cemitério de Santa Isabel, também chamado de cemitério bizantino. Tem uma parte plana e murada, com covas rasas, e uma área de mausoléus apoiada na encosta rochosa da Serra do Sincorá, a noroeste da cidade. Os mausoléus brancos reproduzem miniaturas de fachadas de igrejas e capelas e se integram à rocha e à paisagem do cerrado, de forma parecida com as “locas” dos garimpeiros.
Segundo o IPHAN, a obra começou em 1854, pela Câmara Municipal, e foi concluída em 1886, quando uma epidemia assolou a vila. Outras fontes ligam a decisão de construir o cemitério à epidemia de cólera de 1855, então as datas variam. O local foi escolhido provavelmente pelos terrenos planos e fáceis de escavar, perto da cidade.
2. Igreja Matriz de Santa Isabel

A matriz foi erguida em meados do século 19, pelo frei Caetano de Troyria, com ajuda da população, em terreno doado pelo coronel Reginaldo Landulpho. O IPHAN a restaurou por completo em 2014, com obras de conservação e restauro das imagens sacras. O templo tem fachada neoclássica, três naves e coro em formato de U, e teve obras em 1952, com a troca do piso de pedra por ladrilho, e em 1978, no telhado.
5. Morro do Chapéu: natureza, história e arqueologia na Chapada Diamantina
Morro do Chapéu reúne riqueza natural e histórica, com cachoeiras, cavernas, sítios arqueológicos e vestígios do ciclo do diamante. Ao contrário das outras cidades deste guia, ela não aparece entre os conjuntos urbanos tombados pelo IPHAN nas fontes consultadas.
Patrimônio natural e arqueológico
- Cachoeira do Ferro Doido: a queda tem entre 80 e 100 metros, conforme a fonte, e fica em um monumento natural estadual criado em 1998. Veja também as mais altas e bonitas cachoeiras da Chapada.
- Grutas e cavernas: a Gruta dos Brejões tem painéis de pinturas rupestres, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
- Sítios arqueológicos: há pinturas rupestres, como as da Toca do Pepino, e gravuras em rocha, que registram a presença humana muito antiga na região.
Monumentos arquitetônicos de Morro do Chapéu
- Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça
- Casarão da família Grassi
- Vila do Ventura
1. Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça
Segundo o IBGE, o missionário capuchinho frei Clemente Adorno chegou à fazenda Morro em 1795 e iniciou a catequese. A capela foi construída em terreno doado por morador da região, foi concluída em 1834 e a localidade foi elevada a freguesia em 1838. Algumas fontes locais citam datas um pouco diferentes para o início da obra.

2. Casarão da família Grassi

O casarão é associado à família italiana Grassi, que no início do século 20 tinha terras no entorno da vila. Uma versão local liga o nome da Toca do Pepino ao apelido de um membro da família, mas estudos acadêmicos dizem não ter conseguido confirmar essa origem.
3. Vila do Ventura
No início da década de 1840, garimpeiros fugidos de Lençóis se abrigaram na região e descobriram diamante e carbonado, o diamante negro, e o povoado passou a atrair muitos outros garimpeiros. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a mineração em Ventura durou de cerca de 1841 a 1932, e a vila foi o principal centro de diamante e carbonado do município de Morro do Chapéu. Pesquisas citam a Guerra do Paraguai, a queda no preço do carbonado e a seca de 1932 entre as causas da decadência.

O distrito foi criado por lei estadual de 1906 e teve teatro e filarmônica. Hoje, a vila em ruínas guarda casarões e ruas de pedra, e só algumas casas são habitadas de forma permanente, segundo estudos acadêmicos. Veja o roteiro da Vila do Ventura e da trilha rupestre.
A arquitetura da Chapada Diamantina é um convite para conhecer a história da Bahia a pé. Continue explorando o guia completo da Chapada Diamantina, as principais cidades e vilas, as cidades tombadas pelo patrimônio histórico na Bahia e as dicas de turismo na Chapada Diamantina.
Perguntas Frequentes
Qual é o estilo arquitetônico da Chapada Diamantina?
É o estilo colonial das cidades do garimpo, com casas térreas e sobrados de adobe ou pedra, fachadas coloridas, esquadrias de madeira e igrejas de traços barrocos e neoclássicos. Na zona rural e em vilas, também há casas de taipa e, em Igatu, casas de pedra bruta.
Quais cidades da Chapada Diamantina têm conjunto tombado pelo IPHAN?
Lençóis (1973), Mucugê (1980), Rio de Contas (1980) e Igatu, distrito de Andaraí (2000). Em Rio de Contas, algumas construções, como a Igreja Matriz e as ruínas da Igreja de Santana, já estavam tombadas desde 1958.
O que é adobe e por que é usado na Chapada Diamantina?
Adobe é um tijolo de terra e fibras vegetais misturados com água, moldado e seco ao ar livre, sem queima. Era barato e feito com material local, por isso foi muito usado nas casas e sobrados do período do garimpo, junto com a pedra.
O que é uma casa de taipa?
É uma construção com estrutura de madeira e vedação de barro, chamada de taipa de mão ou pau a pique. Em Lençóis, o IPHAN registra estruturas de madeira com vedação em taipa de mão. Veja também a história do garimpo, que explica por que a região construiu com materiais locais.
Por que Igatu é chamada de Machu Picchu baiana?
Por causa do casario de pedra em ruínas entre afloramentos rochosos, que lembra a cidade inca. A vila foi tombada em 2000 e teve mais de 10 mil habitantes no auge do garimpo, segundo o IPHAN. Veja mais sobre Igatu.
Por que o cemitério de Mucugê é chamado de bizantino?
Porque os mausoléus brancos, construídos na encosta rochosa, reproduzem miniaturas de fachadas de igrejas e capelas, com arcos ornamentais, e lembram a arquitetura bizantina. Segundo o IPHAN, a obra começou em 1854 e foi concluída em 1886.
Quais são os principais monumentos de Rio de Contas?
A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, da segunda metade do século 18, é a mais citada: segundo especialistas, é o exemplar mais relevante da arquitetura religiosa do sertão baiano. Vale conhecer também a Casa de Câmara e Cadeia, o Teatro São Carlos, de 1892, e as ruínas da Igreja de Santana. Veja o guia de Rio de Contas.
Como visitar as cidades históricas da Chapada Diamantina?
Lençóis é a principal base, com estrutura de hospedagem e passeios, e dali é possível fazer visitas a Mucugê, Igatu e Rio de Contas. Veja o guia de Lençóis e a lista das principais cidades e vilas para montar o roteiro.
Fontes consultadas
- IPHAN: Lençóis (BA)
- IPHAN: Mucugê (BA)
- IPHAN: Igatu (Andaraí, BA)
- Smargiassi: Rio de Contas (cita as listas do IPHAN)
- ipatrimonio: Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento
- Bahia Notícias: restauro da igreja e do teatro (2014)
- IBGE: monografia de Morro do Chapéu
- Serviço Geológico do Brasil: Morro do Chapéu
- Jornal da Chapada: Igatu e o Programa Conviver (2026)
- Bahia Notícias: ponte de Lençóis (2026)
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