Campo Formoso, no norte da Bahia, é conhecida pelas grutas e pelas esmeraldas. Em seu território, por exemplo, fica a Toca da Boa Vista, a maior caverna conhecida do Brasil, com mais de 114 km de galerias mapeadas. Além disso, a cidade é uma das povoações mais antigas do sertão baiano, com história que remonta ao século XVII.
- Onde fica: norte da Bahia, a oeste da Serra da Jacobina, perto de Senhor do Bonfim.
- Distância: cerca de 400 km de Salvador.
- População: 71.377 habitantes (Censo 2022 do IBGE), em uma área de mais de 7.100 km².
- Grutas: Toca da Boa Vista, Toca da Barriguda, Pontes do Sumidouro, Gruta do Convento e Gruta da Tiquara.
- Esmeraldas: a região é uma das maiores produtoras do país.
- Atenção: as grandes tocas não estão abertas ao turismo; só pesquisadores autorizados entram.

Junto com as cavernas vizinhas, como a Toca da Barriguda, a Toca do Calor de Cima, a Toca do Pitu e a Toca do Morrinho, a Toca da Boa Vista forma um conjunto de relevância geológica mundial. Por isso, o município atrai espeleólogos e paleontólogos de vários países.
Onde fica Campo Formoso e como chegar
Em resumo, o município está no norte da Bahia, a oeste da Serra da Jacobina, na microrregião de Senhor do Bonfim. Embora fique perto da caatinga, a sede tem clima ameno, com noites arejadas pelos ventos que passam pelas serras ao redor.
Para chegar, primeiro siga de Salvador até Senhor do Bonfim, uma viagem de cerca de 380 km. Depois, uma estrada asfaltada de aproximadamente 24 km leva à cidade. Assim, o percurso total é de cerca de 400 km.

Limites do município
- Norte: Juazeiro e Sobradinho.
- Sul: Antônio Gonçalves, Mirangaba e Umburanas.
- Leste: Senhor do Bonfim e Jaguarari.
- Oeste: Sento Sé.
No território municipal fica também o Vale do Salitre, cujo rio deságua na margem direita do rio São Francisco.
Vídeos sobre Campo Formoso

Grutas de Campo Formoso05:08

Campo Formoso e suas grutas06:46

Caçadores de Esmeraldas12:15

História de Campo Formoso06:44

Curiosidades sobre as esmeraldas de Campo Formoso06:45

03:44
Grutas de Campo Formoso
O município tem dezenas de cavernas calcárias, com formações internas muito variadas. Em seguida, veja as principais.
Toca da Boa Vista
A Toca da Boa Vista é a maior caverna conhecida do Brasil, com mais de 114 km de galerias mapeadas, segundo os levantamentos mais recentes. Também vale lembrar que grande parte do mapeamento foi feita pelo Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas. Além do tamanho, a caverna tem uma morfologia atípica e, portanto, muito rica do ponto de vista científico.


Os numerosos fósseis encontrados ali ampliaram o conhecimento sobre os mamíferos do Pleistoceno, como as preguiças-gigantes. Ao mesmo tempo, a caverna é usada em estudos de paleoclimatologia e de geologia cárstica.

A gruta também tem espeleotemas de mineralogia exótica e morfologia rara. Na verdade, é um grande labirinto seco, que vai de condutos estreitos a grandes salões.

Desses, o maior é o Salão Telécio, que homenageia José Telesphoro, líder local e um dos primeiros a perceber o potencial da caverna. Entre os trechos mais bonitos, por sua vez, estão o Conduto dos Discos Voadores, o Além Mundo, o Novo Mundo, o Terceiro Mundo e o trecho final, chamado Fim de Mundo.

A caverna está bem preservada, já que a entrada é restrita a espeleólogos e cientistas. Aliás, como ainda não há plano de manejo aprovado, a visitação turística não é permitida. Por isso, antes de qualquer expedição, consulte o ICMBio.

Toca da Barriguda
Vizinha da Toca da Boa Vista, a Toca da Barriguda tem cerca de 35 km mapeados. Hoje, inclusive, muitos espeleólogos a consideram um ramo do mesmo sistema. Em vários aspectos, no entanto, é mais cênica que a vizinha maior.
Assim como a vizinha, a caverna tem grandes salões ornados com estalactites, estalagmites e escorrimentos. O destaque é o Conduto da Caatinga, com cerca de 16.400 m², tanto pela “floresta” de estalagmites no piso quanto pelo teto cheio de cúpulas. Além disso, as ossadas fósseis e as evidências paleoambientais fazem dela um verdadeiro museu natural.

Pontes do Sumidouro
O conjunto é formado por três pontes calcárias sobre o rio Pacuí. Na verdade, são restos de uma grande caverna por onde o rio corria debaixo da terra. Já os intervalos entre as pontes são trechos em que o teto da antiga caverna desabou.

A primeira ponte tem 85 m e muitos blocos caídos, com poucos espeleotemas. Curiosamente, sobre ela passa uma estrada. A segunda, com 305 m, tem mais estalactites, cascatas e cortinas; além disso, o chão é de argila úmida, deixada pelas cheias do rio.
Depois, caminhando cerca de 95 m pelas margens, chega-se à terceira ponte. Com 310 m, é a maior e a mais bonita, cheia de travertinos, colunas e pérolas de calcário. Ali, o rio corre entre pedras azuladas e areia grossa, que brilha ao sol da caatinga.
Gruta do Convento
Perto do povoado de Abreus, a Gruta do Convento é muito ampla e tem várias claraboias naturais. Além da beleza, tem valor religioso: há décadas, romeiros visitam a imagem de Nossa Senhora Aparecida venerada ali.

Historicamente, ela é conhecida desde o século XVIII, quando as minas de salitre de Abreus foram exploradas. Como as galerias são horizontais, o percurso é fácil; além disso, as claraboias deixam entrar luz e dão acesso à superfície.
O estado de conservação é bom, porque as galerias são grandes e quase não há espeleotemas ao alcance dos visitantes. Na gruta desembocam os riachos intermitentes Queixo d’Anta e Tanquinho, que nascem na Serra do São Francisco. No passado, aliás, ali corria um afluente volumoso do rio Pacuí.
Toca da Onça ou Gruta da Tiquara
Quase no perímetro urbano do povoado de Tiquara, a Toca da Onça guarda algumas pinturas rupestres. Segundo o arqueólogo Valentim Calderón, os desenhos lembram a tradição São Francisco, de traços geométricos, comum em Minas Gerais.

Infelizmente, as pinturas foram muito danificadas pela extração de salitre nos anos 1930 e, depois, por pichações. Mesmo assim, a gruta é importante para entender a arte rupestre da região, já que seus traços diferem dos encontrados em outros sítios próximos.
Esmeraldas e outros passeios em Campo Formoso
- Esmeraldas: o município e a vizinha Pindobaçu formam um dos principais polos de esmeraldas do Brasil. Por isso, a cidade já sediou feiras de pedras preciosas e artesanato.
- Boqueirão da Onça: parte dessa grande área de caatinga preservada fica no município; saiba mais no guia do Boqueirão da Onça.
- Centro da cidade: no alto do Morro dos Alecrins, ficam o comércio, as igrejas e os casarões antigos.
História de Campo Formoso
O lugar nasceu como o arraial de Santo Antônio da Jacobina, no século XVII. Na época, “jacobinas” era o nome dado às terras de vegetação baixa e espinhosa do sertão. A região era habitada por povos indígenas como os sapoiás, paiaiás e secaquerinhens, do grupo kiriri. Depois, por volta de 1655, chegaram os primeiros missionários, que encontraram dezenas de aldeias.

Entre os primeiros portugueses, havia sobretudo bandeirantes baianos, como Belchior Dias Moreia, ligado à lendária mina de prata, e seu filho Robério Dias. Também passaram por ali Francisco Dias d’Ávila, da Casa da Torre, e Bento Surrel, que descobriu as minas de salitre do Vale do Salitre.
Em 1682, segundo a tradição, o arraial se tornou freguesia por ato do primeiro arcebispo da Bahia, Dom Gaspar Barata de Mendonça. Depois, em 1722, a vila de Jacobina foi instalada em outro lugar, porque o vigário e o senhor da Casa da Torre recusaram o arraial. Assim, a antiga sede passou a ser chamada de Freguesia Velha de Santo Antônio.
Salitre, gado e emancipação

Por outro lado, o progresso veio com o salitre, extraído no Pacuí e em outras minas da região. O minério seguia em lombo de burro até o porto de Salvador e, de lá, para Portugal, onde virava pólvora. Mais tarde, por sua vez, veio a criação de gado, com fazendas e currais.
Em 1770, os moradores pediram ao rei Dom José I que o arraial virasse vila, mas nada foi decidido. Por isso, só em 28 de julho de 1880, pela Lei Provincial nº 2.051, foi criada a vila de Campo Formoso, desmembrada de Vila Nova da Rainha. A instalação, por sua vez, ocorreu em 22 de julho de 1883. Finalmente, segundo o IBGE, o Decreto Estadual nº 10.724, de 30 de março de 1938, elevou a sede à categoria de cidade.
A cidade hoje
Na encosta da Serra da Jacobina, Campo Formoso é uma cidade de ladeiras e colinas. No Morro dos Alecrins, ficam o centro comercial, as repartições públicas, os hotéis, as igrejas e as casas antigas. Com o crescimento, no entanto, a cidade se espalhou pelas colinas, formando bairros como Esplanada, São Francisco, Vila Pernambucana, Santa Luzia, Colina do Sol e Baixa dos Tapuias.
Perguntas frequentes sobre Campo Formoso
Onde fica Campo Formoso?
Fica no norte da Bahia, a oeste da Serra da Jacobina, a cerca de 24 km de Senhor do Bonfim.
Ou seja, de Salvador são cerca de 400 km.
Quais são os pontos turísticos de Campo Formoso?
Os destaques são as grutas: Toca da Boa Vista, Toca da Barriguda, Pontes do Sumidouro, Gruta do Convento e Gruta da Tiquara.
Além disso, a região é famosa pelos garimpos de esmeraldas.
Qual é o tamanho da Toca da Boa Vista?
Ela tem mais de 114 km de galerias mapeadas e é a maior caverna conhecida do Brasil.
No entanto, só pode ser visitada por pesquisadores autorizados.
Dá para visitar as grutas?
A Gruta do Convento, que recebe romeiros, e as Pontes do Sumidouro são as de acesso mais fácil, de preferência com guia local.
Já as grandes tocas não estão abertas ao turismo; por isso, consulte o ICMBio.
Quando Campo Formoso virou cidade?
Primeiro, a vila foi criada em 1880 e instalada em 1883; depois, virou cidade em 1938.
Mesmo assim, o povoado surgiu ainda no século XVII.
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