Igreja e Convento de Nossa Senhora da Palma em Salvador

Resumo da História da Igreja e Convento de Nossa Senhora da Palma

Igreja e Convento de Nossa Senhora da Palma em Salvador da Bahia
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História da Igreja e Convento de Nossa Senhora da Palma

Origens e fundação: obra iniciada no século XVII; há controvérsias sobre datas e fundadores (1630, 1670 ou 1693). Relatos, especialmente de frei Agostinho de Santa Maria, vinculam a devoção à família Cruz Arrais. Em 1693 Jerônimo Pereira da Cruz doou o imóvel aos agostinianos descalços.

Obras e reedificações: começou como capela, ampliada no século XVIII e reformada em 1870. Os agostinianos reedificaram e ornamentaram a igreja (talha e douramento). Plantas de c.1710–1712 mostram nave em “T” (aprox. 20 m × 8 m) e três altares. O frontispício recebeu vãos rococós possivelmente em 1778; a torre foi erguida por volta de 1780. O convento foi ampliado formando um claustro irregular.

Arte e decoração: talhas, douramentos e pinturas concluídas em finais do século XVIII (decoração final em 1797). Forro com pintura em quadratura (Santo Agostinho e santos agostinianos) e várias telas atribuídas, sem comprovação definitiva, a José Joaquim da Rocha e/ou Veríssimo de Souza Freitas. A ornamentação revela mistura de rococó e neoclassicismo.

Imagem de Nossa Senhora da Palma: tradição diz que veio de Portugal. A imagem atual é barroca tardia (séc. XVIII) e substituiu a primitiva; houve restaurações documentadas no início do século XIX.

Funções e usos: o conjunto serviu como hospício, seminário (1834–1837), Liceu Provincial, fórum e, desde 1954, abrigou a Faculdade de Filosofia. Hoje faz parte da administração da Universidade Católica do Salvador (UCSal) e a igreja mantém uso litúrgico.

Conflitos e posse: bens dos agostinianos foram confiscados no século XIX; com a Independência (1822–1823) os frades retornaram a Portugal. Em 1829 a posse passou à Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz, que promoveu obras como revestimento em mármore e sinos novos.

Acervo e conservação: imagens barrocas (séc. XVIII), pinturas com autorias incertas e sujeitas a intervenções e restaurações. A igreja foi tombada pelo IPHAN em 1938 e é zona de preservação rigorosa segundo legislação municipal.

Observação histórica: placas e tradições mencionam episódios bélicos (1625/1638), mas essas datas não coincidem com a existência documentada do conjunto.

Endereço: Praça Ana Nery, s/n, Mouraria, Salvador — BA.

Igreja e Convento de Nossa Senhora da Palma em Salvador da Bahia
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Igreja e Convento de Nossa Senhora da Palma em Salvador da Bahia
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História da Igreja e Convento de Nossa Senhora da Palma

Um pouco de história

A construção da igreja de Nossa Senhora da Palma teve início em fins do século XVII.

Em 1693, o templo foi doado por Jerônimo Pereira da Cruz, pertencente à família de Francisco da Cruz Arrais, aos frades agostinianos descalços.

Francisco da Cruz Arrais

Narra frei Agostinho de Santa Maria: “Havia na Cidade da Bahia um cidadão chamado Francisco da Cruz Arraes, o qual tinha muito particular devoção com Nossa Senhora e com o título de Palma. […] Este nobre cidadão, com a devoção que tinha à Senhora, mandou fazer em Lisboa uma Imagem sua, a quem impôs o mesmo título da Palma, e foi isto pelos anos de 1630, a qual colocou em uma Ermida dedicada ao Patriarca São José; e aqui começou a veneração e a devoção para com esta Santíssima Imagem”.

Estes o adaptaram a suas necessidades e trataram de construir dependências ao lado de um hospício para os missionários da ordem. Aumentada no século XVIII, a igreja sofreu uma grande ampliação na reforma de 1870.

Origens e controvérsias sobre datas e fundadores

Segundo Carlos Ott, Francisco da Cruz Arrais era ourives e foi quem criou, em 1630, a devoção a Nossa Senhora da Palma, herdada por seus filhos.

Nessa época, e ainda em 1652, morava com a família em casa alugada da Santa Casa, situada atrás da capela-mor da antiga Sé.

Francisco da Cruz Arrais, a que se refere o autor acima, não foi citado por Marieta Alves, que estudou em profundidade as marcas e ações dos ourives do ouro e da prata em Salvador.

Na parede do lado esquerdo de quem entra na igreja, há uma lápide com inscrições da irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz datadas de fins do século XIX. De acordo com essas inscrições, a construção da igreja teria se iniciado em 1630, devendo-se à promessa feita por Bernardino da Cruz Arrais.

A lápide não assegura a veracidade dos fatos. Alguns autores admitem que a devoção a Nossa Senhora da Palma começou em 1670, não concordando com a datação do início das obras quarenta anos antes, como está registrado.

Essas datas, segundo Carlos Ott, contrariam tanto a inscrição do fim do século XIX quanto o que escreveu frei Agostinho de Santa Maria no seu Santuário Mariano, em 1722.

Não há concordância também quanto ao nome do fundador, Francisco da Cruz Arrais, pai do alferes Bernardo da Cruz Arrais. Afrânio Peixoto afirmou que o alferes Bernardo da Cruz Arrais fez o voto de erguer a capela, mas quem cumpriu a promessa foi seu irmão, o doutor Ventura da Cruz Arrais, fato que teria se dado em 1630.

Quais as datas e os fundadores verdadeiros? Fica a questão a ser esclarecida. Pode-se argumentar, no entanto, que as informações mais corretas seriam as de frei Agostinho de Santa Maria, por ter vivido mais perto dos fatos e por ter baseado sua obra, no que se refere à Bahia, nas informações fornecidas pelo seu arcebispo, Dom Sebastião Monteiro da Vide.

Reedificação pelos agostinianos e decoração

Iniciada como simples ermida, no século XVII, a igreja foi reedificada pelos agostinianos, missionários da ordem da ilha de São Tomé e das terras da Costa da África.

Eles promoveram a decoração da igreja, tanto de talha, quanto de douramento, e assentaram os dois altares colaterais, que têm estilo diferente dos demais.

Segundo Maria José Freitas, são obra do entalhador e pintor Veríssimo de Souza Freitas, que só os terminou em 1795.

Na realidade, Veríssimo era apenas pintor e pode, além de ter pintado o teto, ter caiado e dourado as paredes. O entalhe, que um pintor não executava, com certeza se deve a outro autor, desconhecido.

A imagem de Nossa Senhora da Palma

Conta a tradição, e é confirmado por frei Agostinho de Santa Maria, que a imagem de Nossa Senhora da Palma do altar-mor veio de Portugal.

Não há registros sobre o período de sua elaboração e, evidentemente, nem de sua autoria. Querem alguns que ela date de antes de 1720.

Documentado, porém, só há o registro de pagamento de quatro mil reis, no ano de 1802, a Bento Sabino dos Reis, pela elaboração de um braço de Nossa Senhora da Palma.

Isso quer dizer que, no princípio do século XIX, a imagem já requeria restauração.

Entretanto, e com certeza, a imagem atual não é a original seiscentista, visto ter características barrocas tardias, da segunda metade do século XVIII. Essa peça substituiu a primitiva, provavelmente a mesma que teve o braço restaurado pelo escultor citado.

Frei Agostinho de Santa Maria notificou que se ornava a imagem “de manto, que os tem muito ricos, preciosos e bordados de ouro”.

Era moda entre os fiéis presentear a Virgem Maria com ricos mantos, como os inúmeros que se encontram citados no transcorrer da história da igreja na Bahia.

Os mantos eram utilizados, sobretudo, para a saída das imagens às ruas nas procissões festivas. A atual imagem não se presta ao uso desse tipo de traje.

História familiar ligada à devoção

O mesmo frei Agostinho de Santa Maria dizia que os filhos de Francisco da Cruz Arrais continuaram a devoção do pai. Eram três filhos.

O segundo deles, o alferes Bernardo da Cruz Arrais, desconfiando-se doente, comunicou aos irmãos que tivera um sonho. Esse sonho sugeria que recuperaria a saúde se erguesse uma igreja para Nossa Senhora da Palma.

Os irmãos fizeram então a promessa, com o voto de edificar a nova igreja.

Compraram as terras e logo deram início à construção, tendo o alferes recuperado sua saúde. O mesmo autor conta que os três irmãos, além de outros devotos, contribuíram para a construção da igreja.

Concluída a obra “com toda a perfeição”, levou-se até ela, em procissão, a imagem da Senhora da Palma.

Essa translação se deu no ano de 1670. O padroado passou para Jerônimo Pereira da Cruz, que foi quem doou a igreja para os agostinianos descalços, em 1693.

As torres e o consistório ainda não estavam construídos, só a sacristia.

A doação aos agostinianos foi confirmada por carta régia de 18 de março de 1694, com a recomendação de que construíssem o hospício, porque o sítio e a planta eram bons.

Os vizinhos da igreja doaram o terreno para a edificação do local de hospedagem dos religiosos. Foram construídas 11 celas, salas para refeitório e cozinha.

Concluídas as obras, o hospício foi ocupado por frei João das Neves, frei João de Deus, frei Jerônimo da Assunção e o irmão leigo frei José dos Anjos.

O prédio funcionou como hospício por algum tempo, visto que, em 1759, José Antônio Caldas notificava que apenas seis religiosos habitavam a casa.

Plantas, dimensões e provas documentais

Existem no Arquivo Histórico Ultramarino duas plantas assinadas por Miguel Pereira da Costa, uma datada de cerca de 1710 e outra de aproximadamente 1712. Há pequenas diferenças entre elas, como o desenho do púlpito e do lavabo da sacristia.

Robert Smith afirmou que em 14 de setembro de 1711 a igreja já estava construída, reproduzindo a planta de 1710.

Como era prática comum a planta não preceder a obra, Robert Smith tem razão ao afirmar que a construção estava feita.

A planta indica que a igreja media 20 metros de comprimento por 8 metros de largura, dispondo de uma só porta de acesso e três altares.

Tinha partido em “T”, que continuou a marcar a edificação, mesmo depois das reformas efetuadas.

Por outro lado, a citação da data de 1712 tem fundamento, pois nesse ano os mestres pedreiros Manuel Antunes Lima, que participou da construção da Lapa, João Antunes dos Reis e Manoel Gomes da Silva foram designados para avaliar o preço da obra de alvenaria da igreja da Palma, por ordem do engenheiro Miguel Pereira da Costa.

Ampliações no século XVIII e alterações arquitetônicas

Possivelmente são de 1778 os três vãos de entrada, abertos no frontispício, com suas portas de almofadas rococós. Por ocasião das obras descritas a seguir, acrescentaram-se cinco altares nas laterais da nave.

Consta que, antes dessa reforma, o convento fora convertido pelo governo em hospital militar, voltando depois à posse dos agostinianos, graças à ação de frei Bento da Trindade.

A torre coberta em pirâmide azulejada não constava da planta levantada pelo tenente engenheiro Pereira da Costa, tendo sido erguida pelos agostinianos somente em 1780.

Por isso não é mencionada na descrição da igreja resultante da vistoria realizada pelos prepostos da Câmara, em 1778, com a finalidade de autorizar a construção do atual convento, a pedido do mesmo religioso.

Autorizada a obra, acrescentou-se a ala fronteira do convento às dependências já existentes, formando um claustro irregular, de base retangular.

A irregularidade é evidenciada na parte interna pelo número e tamanho dos arcos, que foram adaptados à antiga construção.

Por conta desse acréscimo, a nave foi alongada e a sacristia e o consistório, subdivididos. A edificação ganhou ainda corredores laterais no térreo e no piso superior, além das tribunas.

A escadaria que liga o térreo ao primeiro pavimento, num dos lados desse claustro, é de construção recente. Toda a obra é de alvenaria, a maioria sem cantaria.

As pedras – em geral, arenito – foram reservadas apenas às portas de entrada, decoradas com motivos rococós no seu frontispício. Mais modesto, o convento teve as janelas e portas ornadas com peitoris de madeira e cercadura e frontão de estuque.

Conflitos, confisco de bens e mudanças de posse

Os agostinianos ficaram na igreja e no convento da Palma por menos de um século.

Seus bens foram confiscados e entregues ao arcebispado, para a instalação do seminário. Com a Independência do Brasil, os frades foram acusados de se solidarizarem aos portugueses e retornaram a Portugal, em 1822-1823.

A partir de então, a igreja passou para as mãos da irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz, que teve a posse confirmada pelo arcebispo da Bahia, Dom Romualdo Antônio de Seixas, em 7 de março de 1829.

Instalada no conjunto da Palma, a Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz cobriu de mármore o presbitério e suas escadas.

Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz

Em documento de 1887, Francisco Salgueiro relatava que no dia 19 de março de 1721 esta capital foi acometida de grandes furacões, caindo sobre ela infinidade de granizo que, suposto nenhum dano causassem, contudo espalharam a consternação entre todas as classes.

Diversas pessoas recorreram à clemência divina mediante atos de penitência. Entre essas destacou‑se um homem pardo, vestido com hábitos penitentes e abraçado a uma cruz, que incorporou outras pessoas e percorreu as ruas em forma processional, recolhendo‑se depois à capela de Nossa Senhora da Ajuda. Ali foi estabelecida a devoção da Via‑Sacra em todas as sextas‑feiras da quaresma.

A devoção continuou nessa capela até que, passados alguns anos, foi transferida para o Hospício da Palma, adotando o título de Bom Jesus da Cruz. Em 1751 a instituição tomou o caráter de confraria, usando capas brancas e murças roxas, ficando perfeitamente regular a partir de 1764, quando o rei Dom José colocou sob sua proteção as confrarias do Brasil, em qualidade de administrador da Ordem de Cristo.

Também mandou fazer sinos novos, num dos quais deixou inscrito o testemunho de sua contribuição: “Confraria do Senhor da Cruz na administração de 1876. Fundição de Manoel de Vargas Leal na Bahia.”

Usos civis e educacionais posteriores

Antes e depois da irmandade, conjunto sediou o seminário da Bahia de 1834 a 1837, quando este passou a ocupar a igreja e convento de Santa Teresa.

A partir de então abrigou o recém-criado Liceu Provincial, que logo foi transferido para a praça da Piedade. Em uma das alas, também funcionou o fórum.

O convento ficou abandonado por algum tempo até abrigar, transitoriamente, as freiras de São Raimundo.

Desde 1954, a título precário, passou a funcionar no convento a Faculdade de Filosofia. Fundada em 1951, a faculdade ocupou o Palácio Arquidiocesano de Salvador em 1952.

No ano seguinte não foi mais possível o uso do prédio, o que comprometeu o bom andamento do curso. Pretendeu-se então ocupar o Solar ou, como era chamado, a quinta do Unhão, mas este estava em completo estado de abandono.

Em função disso, o irmão Gonzaga Regis solicitou a Rodrigo de Melo Franco de Andrade e ao ministro da Educação, Clóvis Salgado, que o imóvel da Palma fosse desapropriado para sediar a faculdade, prometendo encarregar-se de sua conservação, dentro das exigências do IPHAN.

Com essa finalidade, entre 1952 e 1953, foram feitas obras de estabilização no interior da igreja e da sacristia e promoveu-se a restauração de sua fachada.

Em 1954, a faculdade instalou-se no convento.

O edifício, hoje, é uma das sedes administrativas da reitoria da Universidade Católica do Salvador (UCSal). A igreja ainda é utilizada para os cultos, subordinada à paróquia do Santíssimo Sacramento e Santana.

Lápide do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

A maioria dos autores indica 1670 como o ano em que se iniciaram os atos religiosos no local.

Já não há concordância quanto ao uso do hospício pelos defensores da terra contra os holandeses, como se presume ter acontecido com todos os demais conventos da cidade.

Apesar disso, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) assentou, no frontispício da igreja, uma lápide alusiva às tropas espanholas que defendiam a Bahia, gravando: “Em abril de 1625, na luta contra os holandeses, ergueu-se neste sítio uma bateria às ordens de Dom João de Orellana Antônio Muniz Barreto e Tristão de Mendonça, e de abril a maio de 1638, Heitor P. de la Calche, a que de novo se fortificou quando pela invasão de Nassau – IGHB, 1938.” Na data indicada, porém, o convento e a igreja ainda não existiam.

O que visitar — Igreja e decoração interna

A decoração interna do templo foi empreendida depois de 1785 por frei Bento da Trindade, que já promovera o aumento da ala dianteira do convento nos anos de 1780.

Os membros da irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz auxiliaram na ornamentação, arcando com os custos da obra de talha do altar reservado ao seu culto. Encarregaram o entalhador Manoel Ferreira de fazer quatro castiçais para esse altar.

Os demais altares, talhas, pinturas e douramentos correram por conta dos próprios religiosos, com a ajuda das esmolas dos fiéis e benfeitores do entorno.

Os altares laterais, as molduras dos quadros que ornam as paredes do altar-mor e a parte superior das portas laterais da capela-mor, em estilo rococó, foram feitos por carpinteiros e entalhadores anônimos.

Apenas os dois altares colaterais diferenciam-se dos demais na tipologia e ornamentação.

Pinturas e autores atribuídos

A pintura que se observa logo à entrada, sob o coro, reproduz um tema que foi recorrente no Brasil, apresentando-se também no forro da portaria do convento de São Francisco e no teto da nave da Conceição da Praia.

Trata-se de uma composição em que figuram a Virgem Maria, a Santíssima Trindade e os quatro continentes, representados por personagens usando vestes ou adornos típicos de suas culturas.

É trabalho de autor desconhecido. Uma das obras que mais chamam a atenção na pequena igreja é a pintura do seu forro.

Tem como figuras centrais Santo Agostinho e os santos agostinianos, em pintura de quadratura.

A obra foi atribuída a José Joaquim da Rocha, a quem, em geral, os autores concedem a autoria de quase todas as pinturas de forro em perspectiva de Salvador. Não há nada que comprove a sua participação nesse trabalho.

Há também autores que comparam a pintura desse teto à do forro da igreja do convento da Lapa, atribuindo-a a Veríssimo de Souza Freitas, pintor que morava nas cercanias da igreja da Palma.

O historiador da arte, Carlos Ott, atribuiu o desenho do forro a José Joaquim da Rocha, comparando as figuras com as da Santa Casa de Misericórdia, e a pintura, a Veríssimo de Souza Freitas.

No entanto, não confirma categoricamente a autoria de Veríssimo no caso da igreja da Palma, apenas na pintura do forro da Lapa.

As semelhanças entre obras, muito comuns, já que a cópia era a norma da época, não justificam atribuições de autoria.

Além disso, a comparação não é o melhor dos métodos para a identificação de pinturas ou esculturas, visto que todas passaram por intervenções, pequenas ou grandes, como a promovida entre 1879 e 1885.

Os resultados dessa última intervenção puderam ser especialmente observados em 1949, quando o IPHAN do Rio de Janeiro, com a permissão do arcebispo primaz, Dom Augusto Álvaro da Silva, encarregou Edson Motta de restaurar 27 telas, que foram devolvidas no ano seguinte, já restauradas.

O próprio Carlos Ott dizia que em algumas pinturas, como aquela sob o coro, descobre-se uma terceira ou quarta mão de tinta.

Sugeria, com isso, que o restaurador ou os restauradores é que não souberam conservar o estilo característico do pintor que ele considerava como autor, José Joaquim da Rocha.

Mas não deixou de atribuir também a esse pintor os painéis que estão no altar-mor – o do lado direito representando a Divina Pastora, e o do esquerdo, Judite e Holofernes –, seguidos por cenas da vida de Jesus (Adoração do Menino Jesus, Circuncisão do Menino Jesus e Apresentação do Menino Jesus ao templo) e pela Sagrada Família.

Não há absolutamente comprovação da autoria desses trabalhos. Alguns outros quadros estão obscurecidos, por causa da oxidação dos vernizes, e não permitem uma leitura perfeita, nem identificação.

Pinturas nas paredes da nave

Nas paredes da nave, do lado esquerdo, encontram-se as pinturas representando o Batismo de Agostinho por Ambrósio e a Consagração de Agostinho como Bispo, também oficiada por Ambrósio.

No lado oposto vê-se Ambrósio negando comunhão ao Imperador Teodósio. O outro painel, desse mesmo lado, representa a Madona aparecendo a um Ermitão.

A pintura do lado esquerdo do arco cruzeiro da nave representa a Imaculada Conceição, e a do lado direito, Cristo com a Cruz. Carlos Ott atribuiu todas as pinturas ao mesmo mestre José Joaquim da Rocha, baseando-se na menção encontrada no Livro de Termos dos Irmãos (1785-1831), de 31 de agosto de 1795, aos “grandes benefícios que sempre fez e faz à nossa Irmandade, achando-se sempre nele um louvável zelo a tudo que é para aumento do culto do mesmo Senhor”, o que não significa que estendesse suas ações em favor dos agostinianos gratuitamente.

Baseou-se ainda em um manuscrito anônimo, que datou de 1860, existente na Biblioteca Nacional.

Esse documento foi publicado pelo próprio Ott numa Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que também atribuía a autoria ao mesmo mestre pintor.

Antes de Carlos Ott, o cronista Manuel Querino tinha atribuído grande parte das pinturas da Palma, especialmente os painéis, a Veríssimo de Souza Freitas, provavelmente pelo fato de o pintor habitar nas imediações do conjunto e ter sido enterrado na sua igreja. É o mesmo pintor indicado por Marieta Alves.

Conclusão da decoração e reformas posteriores

A decoração interna da igreja só foi concluída em 1797. Logo depois fez-se outra reforma, neoclassizante. Isso explica porque, entre altares e púlpitos rococós, há dois altares laterais em estilo diferente, mostrando a passagem do rococó para o neoclássico.

Segundo Maria José Freitas, possivelmente datam de 1803, quando o altar-mor foi reformado e substituído pelo atual, de estilo também misto, entre rococó e neoclássico, como mostram a soma do baldaquino com as colunas e a presença dos serafins.

Imagens e esculturas de destaque

Algumas imagens em estilo barroco, da segunda metade do século XVIII, merecem destaque, em especial a da própria Nossa Senhora da Palma, que teria vindo de Portugal, bem como as que ladeiam o altar, a de São Tomás de Aquino e a de Santo Agostinho, esta última atribuída ao escultor Bento Sabino dos Reis.

O altar colateral esquerdo abriga a imagem de Nossa Senhora da Conceição feita em madeira policromada, com características barrocas, mas com o manto já pintado com motivos que datam do século XIX.

Segundo consta, essa imagem foi doada pela Santa Casa de Misericórdia e transportada pela irmandade de São Cosme e São Damião até a Palma.

A sacristia, ao lado da igreja, encontra-se hoje despojada, tendo sido retiradas as imagens. Contém apenas os arcazes, com o Crucificado ao centro e os painéis.

Do outro lado da igreja, faz par com a sacristia um cômodo idêntico, que serviu de consistório no tempo dos agostinianos.

Tombamento e proteção

A igreja foi tombada pelo IPHAN, sob o n. 130 do Livro de Belas Artes, fl. 23, em 17 de junho de 1938, e pelo IPAC n. BR 32007-1.0-026. O sítio da igreja é considerado zona de preservação rigorosa (GP-1) pelo art. 113 da Lei Municipal n. 2.403, de 23 de agosto de 1972.

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