Fitinhas do Senhor do Bonfim: História e Significado
As fitinhas do Senhor do Bonfim são amuletos de fé e tradição que possuem uma longa e rica história, especialmente associada à cidade de Salvador, na Bahia, e à Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.



Vídeo sobre a História das Fitinhas do Senhor do Bonfim

História das Fitinhas do Senhor do Bonfim

História das Fitinhas do Senhor do Bonfim01:07

Curiosidades sobre as Fitinhas do Senhor do Bonfim00:50

História das Fitas do Senhor do Bonfim
1. Origem e primeira forma
As fitinhas do Senhor do Bonfim têm origem em Salvador, Bahia, no início do século XIX.
A peça inicial não era uma fita de pulso, mas um medalhão chamado “medida do Bonfim”, criado por volta de 1809.
Essa peça media aproximadamente 47 cm — a medida atribuída ao braço direito da imagem de Nosso Senhor do Bonfim, esculpida em Setúbal (Portugal) e instalada na igreja no século XVIII.
As primeiras “medidas” eram confeccionadas em seda, bordadas à mão com o nome do santo e finalizadas com fios dourados ou prateados.
2. Evolução para a fitinha de pulso
A medida original evoluiu ao longo do século XX para tiras menores de tecido.
Até a década de 1960 as fitinhas de pulso já eram vendidas nas ruas de Salvador e incorporadas por movimentos culturais locais.
A adaptação é atribuída, em algumas narrativas, a Manuel Antônio da Silva Serva, embora existam versões variadas sobre a transição.
3. Uso e significado
Tradição dos três nós
A prática tradicional consiste em amarrar a fita no pulso fazendo três nós. A cada nó faz‑se mentalmente um pedido; a crença popular é que, quando a fita se desgastar e romper naturalmente, os pedidos serão atendidos.
Cores e simbolismo
As fitinhas existem em várias cores, cada uma associada a pedidos ou significados — por exemplo, branco para paz/proteção e vermelho para paixão/força.
No contexto do sincretismo religioso da Bahia, cores também são relacionadas a orixás (ex.: verde escuro — Oxóssi; azul claro — Iemanjá; amarelo — Oxum).

Função devocional e ex‑votos
Originalmente usadas como colares com medalhas e ex‑votos (pequenas oferendas relacionadas a graças alcançadas), as fitas passaram a ser lembranças devocionais e amuletos populares, amplamente distribuídos durante festas como a Lavagem do Bonfim.
4. Material e produção
Enquanto as peças iniciais eram de seda e bordadas, as fitas contemporâneas são majoritariamente de materiais sintéticos (poliéster), tornando‑as mais acessíveis e difundidas.
5. Importância cultural
As fitinhas do Senhor do Bonfim representam uma expressão de fé, sincretismo religioso e identidade cultural baiana. Tornaram‑se símbolo turístico de Salvador e são reconhecidas nacional e internacionalmente.
6. Curiosidades
- Medida tradicional ligada à peça original: 47 cm.
- Tradição de fazer três nós, cada um com um pedido.
- Transição de medalhão/colares para fitas de pulso consolidada no século XX.
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