Vídeo – História e Arquitetura Colonial da Catedral Basílica de Salvador
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Catedral Basílica de Salvador
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Fundação e Primeiros Anos
Os primeiros jesuítas que vieram com o governador-geral Tomé de Souza, em 1549, instalaram-se numa capela de Nossa Senhora da Ajuda, dentro dos muros da cidade.
Posteriormente receberam a doação de um terreno fora dos muros, onde construíram o Terreiro de Jesus e atraíram indígenas para ensino de ofícios, leitura, escrita e catequese, sob coordenação do irmão Vicente Rodrigues.
Em 1550 surgiu o Colégio dos Meninos, elevado a Colégio Canônico em 1556.
Crescimento Urbano e Fundação do Colégio
O padre Manuel da Nóbrega destacou a importância do terreiro para a expansão de Salvador. O Colégio dos Jesuítas foi fundado formalmente em 1564, recebendo esmolas reais que permitiram manter cerca de 60 religiosos.
Construção da Igreja Atual
A atual igreja é a quarta construção no local. Erguida conforme as normas do Concílio de Trento, teve a pedra fundamental lançada em 1657 e sua estrutura concluída em 1672.
O frontispício foi quase terminado em 1679; as duas torres foram erguidas em 1694.
A fachada reúne elementos de transição entre o renascimento e o barroco e, em 1746, ostentava imagens de Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja.
Materiais e Ornamentação
O revestimento interno e externo é em pedra lioz (então chamada “mármore da Itália”), trazida de Portugal como lastro de navios e encomendada em Lisboa pelo padre Antônio Vaz.
O irmão Francisco Dias aparece citado como arquiteto por intervenção do visitador Cristóvão de Gouveia.
Arquitetura Colonial e Planta Interna
Nave e Disposição Interna
Conforme as normas tridentinas, a igreja tem nave única, capela-mor profunda, duas capelas colaterais, duas capelas no transepto e capelas laterais.
Os altares variam em estilo conforme patrocinadores e épocas; destacam-se, por unidade, os altares de Santa Úrsula, São Francisco Xavier e Santo Inácio de Loyola.
Altar-mor e Camarim
O altar-mor foi executado entre 1665 e 1670 pelo irmão João Correia, com talha dourada sustentada por colunas dóricas de transição renascentista-barroca.
O camarim superior, aberto em 1670, traz painéis atribuídos ao irmão Domingos Rodrigues. O
conjunto de pinturas da capela-mor, em estilo próximo ao maneirismo, contém 18 quadros sobre a vida de Jesus, também atribuídos a Domingos Rodrigues.
Patrocínios e Enterramentos
A construção contou com a participação de mecenas locais. O capitão Francisco Gil de Araújo patrocinou a capela-mor e obteve direito de sepultura na igreja; sua família custeou várias obras.
Artistas e Ofícios
Entre autores citados por fontes históricas destacam-se os entalhadores João Correia, Luís Manuel Trigueiros e Domingos Trigueiros; os pintores Domingos Rodrigues e Eusébio de Mattos também aparecem nas fontes, embora muitas obras sejam anônimas.
Capelas, Relicários e Objetos
A capela do Santíssimo Sacramento recebeu peças provenientes da antiga Sé após a expulsão dos jesuítas, incluindo sacrários e talhas em prata (século XVII).
No transepto, encontram-se dois altares barrocos relevantes: São Francisco Xavier (lado da Epístola) e Santo Inácio de Loyola (lado do Evangelho), montados em 1754 por autores anônimos. São Francisco Xavier foi proclamado padroeiro da cidade em 1686.
O acervo inclui imagens de influência espanhola, como o busto relicário de São Francisco Xavier e a imagem de Nossa Senhora das Maravilhas.
Imagens seiscentistas com interior em madeira e revestimento externo em lâmina de prata compõem parte do patrimônio e estão em exposição no Museu de Arte Sacra.
O último altar do lado direito é dedicado às Onze Mil Virgens, renovado no século XVIII e contendo bustos e a figura de Santa Úrsula.
Dois altares do lado esquerdo abrigavam relicários de mártires (datados de 1581) adaptados entre 1657 e 1672; essas peças foram restauradas e permanecem no Museu da Arte Sacra por limitações estruturais.
Teto da Nave – Catedral Basílica de Salvador
Altares Laterias – Catedral Basílica de Salvador
Altares Laterias – Catedral Basílica de Salvador
Capela do transepto – Catedral Basílica de Salvador
Bustos relicários – Catedral Basílica de Salvador
Forro, iconografia e painéis
O teto foi iniciado em 1696 e concluído em 1700, com o sol central ostentando a sigla IHS (Iesus Hominum Salvator). Nos cantos figuram o Leão, o Touro, a Águia e o Homem — símbolos dos quatro evangelistas.
A armação do forro é atribuída ao irmão Luís Manuel. Restaurações de 1998 revelaram que a cor original do forro era creme, recuperando elementos da iconografia jesuítica.
Detalhes dos altares e o interior da Catedral Basílica de Salvador BA
Detalhes dos altares e o interior da Catedral Basílica de Salvador BA
A Catedral e todo o seu acervo foram tombados pelo Iphan em 1938 pela sua grande importância histórica e artística – Catedral Basílica de Salvador
Batistério
Próximo à entrada, do lado esquerdo, o batistério tem pia trabalhada em um único bloco de lioz, historicamente usada para batismos por imersão.
Sacristia
A sacristia é grandiosa e sóbria, com três altares em mármores multicoloridos de origem italiana e imagens barrocas do século XVIII, destacando-se Nossa Senhora da Fé e um Cristo Crucificado barroco possivelmente originário do altar-mor do século XVIII.
Há um lavabo em pedras semelhantes marcado com o emblema jesuítico IHS.
Sacristia – Catedral Basílica de Salvador
Sacristia – Catedral Basílica de Salvador
Mobiliário e Arcaz
Um grande arcaz de jacarandá, ornamentado com casco de tartaruga e marfim, ocupa toda a parede entre sacristia e igreja.
Datado de 1701, com espaldar alto e catorze lâminas de cobre pintadas, foi confeccionado nas oficinas da Companhia em 1683, sob coordenação do irmão Luís Manuel de Matosinhos.
As lâminas são atribuídas a Gerardo Della Notte e retratam passagens da vida da Virgem Maria.
Sacristia – Catedral Basílica de Salvador
Sacristia – Catedral Basílica de Salvador
Teto e Pinturas
O teto da sacristia é composto por caixotões com 21 figuras pintadas a têmpera (1673–1683).
Ao centro figura Santo Inácio de Loyola, acompanhando mártires do Brasil, do Japão e primeiros apóstolos jesuítas, identificados por inscrições.
As molduras têm caráter renascentista e os painéis exibem motivos barrocos.
Livraria e Museu
A antiga livraria do colégio, sobre a sacristia, tem escadaria com azulejaria portuguesa do século XVIII e forro em pintura de quadratura barroca representando a Alegoria da Sabedoria sobre o Tempo e a Fortuna, atribuída por Luís de Moura Sobral a Antônio Simões Ribeiro. Atualmente abriga o Museu da Catedral.
Considerações finais
A CATEDRAL BASÍLICA DE SALVADOR reúne significativos testemunhos da arquitetura colonial, do trabalho de artesãos jesuítas e de artistas europeus, preservando acervos móveis e imateriais que documentam séculos de devoção e intervenção artística no centro histórico de Salvador.