O Candomblé: Uma Religião Afro-Brasileira
O Candomblé é uma religião afro-brasileira que surgiu no século XIX, particularmente no Brasil, a partir da mistura de tradições religiosas africanas trazidas pelos escravizados, principalmente da região do atual Benin e Nigéria, com elementos do catolicismo e das tradições indígenas.

Origem e Resistência Cultural
Sua origem remonta à resistência cultural dos africanos escravizados, que buscavam preservar suas crenças e práticas em meio à opressão e à tentativa de cristianização.
O Papel dos Orixás
No Candomblé, os orixás, entidades divinas que representam forças da natureza e aspectos da vida humana, desempenham um papel central.

Rituais e Cerimônias
Os rituais incluem danças, cantos, oferendas e toques de tambores, que visam estabelecer uma comunicação com esses seres espirituais. Os terreiros, espaços sagrados onde as cerimônias acontecem, são centros de culto e de convivência comunitária.
Identidade Cultural e Étnica
A religião também desempenha um papel importante na formação da identidade cultural e étnica de muitos brasileiros, refletindo a rica diversidade da herança africana no país.
Desafios e Continuidade
Ao longo dos anos, o Candomblé enfrentou desafios, incluindo a perseguição religiosa, mas continua a ser uma prática vibrante e respeitada na sociedade contemporânea.
Veja também História das religiões afro-brasileiras na Bahia

História mitos e verdades sobre a religião do candomblé

Candomblé na Bahia, origem e religiosidade do baiano08:25
História e Origem do Candomblé
Candomblé é uma religião derivada do animismo africano, onde se cultuam os orixás, voduns ou nkisis, dependendo da nação. Com uma origem totêmica e familiar, é uma das religiões de matriz africana mais praticadas, contando com mais de três milhões de seguidores em todo o mundo, especialmente no Brasil.
Importância e Prática
O Candomblé tem grande valor prático para a vida diária. Essa antiga religião dos escravos se contrapõe aos sistemas religiosos tradicionais, como o cristianismo e o budismo. Ela sanciona identidades, uma vez que cada indivíduo tem um Orixá ao qual pertence, definindo seu comportamento e desejos interiores, sem distinção entre o bem e o mal.
Em cada um de nós, pode haver o lado maternal de Oxum, a implicância de Nana ou a combatividade de Ogum.

Celebrações e Festas
Durante o ano, ocorrem festas de Candomblé na Bahia. Cada Casa, cada nação (Keto ou Nagô, Ijexá, Angola, Gêge, Cabinda, Congo etc.) e cada grupo tem seu próprio ciclo de celebrações. Na mansidão e quietude do Orun, há uma constante sintonia com o Ayé, confirmando o elo entre os vivos e os que se foram.
Estrutura e Cerimônias
Candomblé é uma palavra de origem negro-africana que designa a reunião de adeptos do culto, também conhecida em outras partes da América Latina, onde houve escravidão negra. Essas reuniões são realizadas em locais preparados, geralmente em barracões rústicos, seguindo certos preceitos: os cânticos são, em geral, em língua nagô, raramente em português, refletindo o linguajar do povo.
Ao som de cânticos e danças, os atabaques constituem a base da música de percussão no Candomblé. Este não é apenas um culto africano; faz parte de um dogma, de um culto e de uma moral, possuindo um clero que reúne os elementos construtivos de uma religião.
Sincretismo e Influências
Quando os escravos africanos foram trazidos para o Brasil para trabalharem nas plantações, as autoridades portuguesas ordenaram que fossem batizados em até seis meses. Contudo, os negros continuaram a adorar seus ídolos e não se deixaram converter ao cristianismo. O catolicismo se transformou em um meio de disfarce de suas crenças tradicionais, onde o santo não era adorado, mas sim o Orixá correspondente.
O fenômeno do sincretismo permitiu que os negros africanos justapusessem os santos católicos aos deuses de suas crenças, considerando-os de categoria igual, embora distintos. O Candomblé possui suas crenças, divindades, dignitários, fiéis, cerimônias de ritos complexos, lugares de culto, altares e objetos sagrados.
Orixás e Divindades
Os Orixás do Candomblé personificam fenômenos naturais, atividades humanas ou sentimentos. O rei dessas divindades é Olorum, pai dos deuses e criador invisível. Ele possui dois filhos, Obatalá (céu) e Odudua (terra), cercado por uma corte de Orixás.

A Chegada dos Escravos
É difícil determinar uma data precisa para a introdução de escravos negros no Brasil, mas o grande tráfico começou pouco menos de 50 anos após o descobrimento. Esses migrantes involuntários trouxeram suas concepções de mundo e religião, incluindo jejes, marrins, iorubas, e muitos outros, que foram misturados nas senzalas da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Influência Cultural e Religiosa
Com a promulgação da Lei Eusébio de Queiroz em 1850, a escravidão foi oficialmente abolida, mas muitas tradições culturais e religiosas africanas continuaram a influenciar a formação do povo brasileiro. Embora existam diversos trabalhos publicados sobre a religiosidade africana, muitos deles são guias para adeptos do Candomblé, sem oferecer uma visão folclórica mais ampla.
O etnólogo baiano Édison Carneiro é uma das maiores autoridades no assunto, tendo escrito várias obras sobre a temática. O sincretismo religioso no Brasil, especialmente no contexto do contato entre negros escravizados e o catolicismo, reflete uma adaptação cultural rica e complexa.
Cerimônias e Festividades
As cerimônias de Candomblé são acompanhadas de danças, melopéias e oferendas de animais. As Iabás, ou cozinheiras, são responsáveis por preparar as carnes dos animais sacrificados, organizando as oferendas com cuidado. A comida é preparada especialmente para cada Orixá e disposta no assentamento correspondente.
O barracão onde ocorre a celebração é enfeitado com folhas de coqueiro e bandeirolas, criando um ambiente festivo. No centro do terreiro está o Padé de Exu, uma oferenda dedicada a Exu, o mensageiro dos Orixás. Exu é sempre o primeiro a ser tratado em qualquer obrigação, garantindo que a festa ocorra em paz e harmonia.
Conclusão
O Candomblé da Bahia é uma expressão religiosa profundamente enraizada na cultura baiana, refletindo a complexidade das crenças afro-brasileiras e sua interação com o catolicismo. Essa espiritualidade sincrética continua a influenciar a religiosidade do povo baiano até os dias de hoje.
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