Literatura Nordestina: Raízes e Influências Culturais

História e Origem da Literatura Nordestina: Biografias e Contribuições dos Principais Autores

A Maturidade da Literatura Brasileira

A literatura brasileira já nasceu madura, expressando-se na linguagem do século XVII – o barroco – e isso se deve a um escritor nordestino, Gregório de Mattos. Desde então, as letras nordestinas exibem um extraordinário vigor.

O Fenômeno Cultural do Cordel

A região Nordeste também consagrou um fenômeno cultural, o cordel, e, com os romances de Jorge Amado, tornou-se uma face da identidade brasileira reconhecida mundo afora.

Literatura Nordestina
Jorge Amado

Gregório de Mattos: A Boca do Inferno

Se, como acreditava Haroldo de Campos, a literatura brasileira não teve infância, isso significa que já “nasceu” madura, expressando-se na linguagem mais elaborada do século XVII – o barroco – devido a um escritor nordestino, o poeta baiano Gregório de Mattos (1636-1696).

Bacharel pela Universidade de Coimbra e dono de sólida cultura, Gregório conquistou notoriedade graças a uma poesia satírica implacável, voltada contra os poderosos, o que lhe valeu a alcunha de “Boca do Inferno”. Sua obra, entretanto, não se limitou a desqualificar religiosos e políticos, conferindo-lhe surpreendente atualidade. Gregório produziu também versos líricos e sacros.

A Contribuição do Nordeste à Literatura Nacional

A contribuição do “Boca do Inferno” seria apenas a primeira de uma série que o Nordeste daria à história literária nacional, mesmo quando se considera, como aqui, somente uma seleção de poetas e ficcionistas. Essa contribuição está longe de se restringir aos autores que surgiram a partir do regionalismo modernista – como o baiano Jorge Amado (1912-2000), o alagoano Graciliano Ramos (1892-1953) e a cearense Rachel de Queiroz (1910-2003), para ficarmos no trio mais célebre.

O Romantismo e sua Influência

O romantismo marcou uma presença notável dos escritores nordestinos. O maranhense Gonçalves Dias (1823-1864), inaugurando uma tradição de força do estado nas letras nacionais, e o baiano Castro Alves (1847-1871) tornaram-se praticamente sinônimos de poesia no país.

Poetas e Escritores de Destaque

Outro maranhense, Joaquim de Sousa Andrade (1833-1902), conhecido como Sousandrade, é um caso raríssimo. Com o poema “O Guesa” (1867-1888), ele colocou a literatura brasileira na vanguarda do continente. Na obra, Sousandrade retoma uma lenda quíchua que trata do sacrifício de um jovem ao deus Sol, imaginando o personagem escapando dos sacerdotes e indo refugiar-se em Wall Street.

Do Maranhão também era o jornalista e político Manuel Odorico Mendes (1799-1864), que se impôs e venceu o desafio de traduzir Homero e Virgílio. Como contraponto a essa erudição, vale lembrar que foi ainda na primeira metade do Oitocentos que a poesia popular nordestina começou a tomar corpo, até se consagrar no formidável fenômeno cultural que é a literatura de cordel.

Nascido com as primeiras tipografias particulares instaladas no Brasil e consolidado a partir da década de 1930, o cordel firmou poetas como os cearenses Aderaldo Ferreira de Araujo, o Cego Aderaldo (1878-1967), e Antonio Gonçalves Silva, o Patativa do Assaré (1909-2002).

José de Alencar e o Projeto Literário

Na ficção romântica praticada no Nordeste, o nome do cearense José de Alencar (1829-1877) se impõe. Como poucos autores, Alencar tinha um “projeto literário” sistematizado, que incluía a elaboração de uma “língua brasileira” e o levou a escrever romances de temática variada: indianistas, regionais, urbanos, históricos, etc. Alguns são de referência obrigatória – entre eles, “O Guarani” (1857), “Lucíola” (1862) e “Iracema” (1865).

A Evolução da Literatura Nordestina

Seu conterrâneo Joaquim Franklin da Silveira Távora (1842-1888) acreditava que era na região de ambos que se poderia forjar uma “autêntica” literatura brasileira, algo que o Sul estaria impedido de fazer em razão da grande presença de estrangeiros. Em “O Cabeleira” (1876), pretendia fazer um romance mais comprometido com os cenários que descrevia.

A preocupação com a fidelidade ao real, tratada de forma objetiva, seria, como se sabe, o mote do realismo, vertente que enterrou o romantismo e consagrou o gênio do carioca Machado de Assis. Em sua face naturalista, a nova estética acentuava o determinismo das “leis naturais”.

Naturalistas e Poesia Parnasiana

Com “O Mulato” (1881) e principalmente “O Cortiço” (1890), o maranhense Aluísio de Azevedo se destacou como o maior romancista do naturalismo brasileiro, que consagrou ainda entre os nordestinos o cearense Adolfo Caminha (1867-1897), autor de “A Normalista” (1893) e “O Bom Crioulo” (1895).

Também cearenses eram os naturalistas de inspiração regional Domingos Olímpia (1850-1906), que escreveu “Luzia-Homem” (1903), e Manuel de Oliveira Paiva (1861-1892), de quem postumamente foi publicado “Dona Guidinha do Poço” (1952).

Literatura e Poesia no Período

Na poesia que marcou aquele período, a parnasiana, o maranhense Raimundo Correia (1859-1911) conseguiu um lugar de proa. Antes do modernismo, chamou a atenção o poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914), enquanto o maranhense Graça Aranha (1868-1931), outro autor de peso daquela fase, acabaria passando para a história principalmente devido à sua participação na Semana de 1922.

O Período de Excelência da Literatura Regionalista

Não demoraria para ter início um período particularmente bem-sucedido da literatura brasileira, no qual a ficção regionalista, sobretudo a nordestina, alcançaria um patamar de excelência. O ponto de partida para isso foi “A Bagaceira” (1928), do paraibano José Américo de Almeida (1887-1980), seguido por “O Quinze” (1930), de Rachel de Queiroz, “Menino de Engenho” (1932), do também paraibano José Lins do Rego (1901-1957), e “Caetés” (1933), de Graciliano Ramos.

Em 1933, foi lançado também o primeiro “romance da Bahia” de Jorge Amado: “Cacau”. Ao longo de sua carreira, Jorge Amado publicaria mais de trinta livros, traduzidos para cerca de cinquenta idiomas.

A Importância de Jorge Amado

Vista muitas vezes com reservas, a importância da obra de Jorge Amado ultrapassou o âmbito literário para situar-se num plano sociocultural. É inegável que certo recorte da identidade brasileira passou a ser reconhecido mundo afora graças aos romances do ficcionista baiano.

Apesar disso, Jorge Amado preferia cultuar os seus pares. Quando leu “Caetés” – no original, que lhe foi emprestado por José Américo de Almeida – tomou um navio até Alagoas só para conhecer Graciliano Ramos, em quem nunca deixou de enxergar um modelo de escritor.

Romances que Ultrapassam o Regionalismo

Romances como “São Bernardo” (1934) e “Vidas Secas” (1938) ultrapassam o código regionalista. Do primeiro, o também ficcionista Adonias Filho (1915-1990), natural da Bahia, ressaltava a primazia do literário sobre o documental. E de “Vidas Secas” pode-se afirmar que se trata de um dos livros mais bem realizados da literatura brasileira, por apresentar uma sintonia perfeita entre o enredo e a forma de narrá-lo.

Superação do Regionalismo

A superação do regionalismo traria à tona escritores de ambições mais universais, comumente voltados para uma prosa intuitiva e experimental. Nas duas vertentes trabalhou, por exemplo, o pernambucano Osman Lins (1924-1978), autor de “O Visitante” (1955) e que em 1973 lançaria “Avalovara”, romance de estrutura complexa e original.

Dois anos antes, o paraibano Ariano Suassuna (1927) estreou na prosa narrativa publicando “Romance d’A Pedra do Reino” (1971). Em 1971, saíram ainda “Cais da Sagração”, do maranhense Josué Montello (1971), e “Sargento Getúlio”, do baiano João Ubaldo Ribeiro (1941), autor também de “Viva o Povo Brasileiro” (1982).

O Amadurecimento da Ficção Nordestina

O amadurecimento da ficção nordestina verificado a partir do modernismo encontrou na poesia um avanço semelhante. Haja vista a obra de um autor como o pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968), que concluiu em seu trabalho a liberdade estética e a reflexão metafísica.

Já o alagoano Jorge de Lima (1895-1953), em “Invenção de Orfeu” (1952), entregou-se a uma dimensão épica. Cultivando uma poesia “objetiva”, o pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999) criou uma poética própria, que, apesar do seu rigor formalista, encontrou espaço para denúncia social, como se lê em “Morte e Vida Severina” (1956).

O mesmo cuidado está presente na produção do maranhense Ferreira Gullar (1930-2016). Após se dedicar, em “A Luta Corporal” (1954), a uma poesia de contornos concretistas, Gullar se distanciaria cada vez mais dessa experiência até chegar ao “Poema Sujo” (1976), em que, do exílio político, evoca, com raro domínio do verso, a sua São Luís natal.

Novos Autores Nordestinos

Morto precocemente em um acidente de avião, o piauiense Mário Faustino (1930-1962) era um crítico erudito que, em sua poesia, escrita em meio ao brilho dos talentos então atuantes, procurava encontrar o próprio caminho. Encontrar o próprio caminho continua sendo a proposta dos novos autores nordestinos, como o baiano Carlos Ribeiro (1958) e o pernambucano Marcelino Freire (1967), cuja produção ratifica o vigor de uma literatura que, tendo nascido já madura, como vimos, não envelheceu. Continua forte, adulta – grande.

Escritores que Marcaram a História Literária do Nordeste

  1. Biografia de Jorge Amado – Bahia
  2. Biografia de Tobias Barreto – Sergipe
  3. Biografia de Lêdo Ivo – Alagoas
  4. Biografia de João Cabral de Melo Neto – Pernambuco
  5. Biografia de Augusto dos Anjos – Paraíba

1. Biografia de Jorge Amado – Bahia

Jorge Amado (1912-2001) foi um escritor brasileiro. O romance “Gabriela Cravo e Canela” recebeu os prêmios Jabuti e Machado de Assis. Seus livros foram traduzidos para quase todas as línguas.

Foi Membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de nº 23. Iniciou sua carreira de escritor com obras de cunho regionalista e de denúncia social. Passou por várias fases até chegar na fase voltada para crônica de costumes. Politicamente comprometido com ideias socialistas, foi preso duas vezes, uma em 1936 e outra em 1937.

Exilado, viveu em Buenos Aires, França, Praga e em vários outros países com democracias populares. Voltou para o Brasil em 1952. Entre suas obras adaptadas para a televisão, cinema e teatro estão “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Gabriela Cravo e Canela”, “Tenda dos Milagres” e “Tieta do Agreste”.

Jorge Amado nasceu na Fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna, Bahia, no dia 10 de agosto de 1912. Filho do fazendeiro de cacau, João Amado de Faria, e de Eulália Leal Amado. Passou a infância na cidade de Ilhéus, onde aprendeu as primeiras letras. Cursou o secundário no Colégio Antônio Vieira em Salvador.

Aos 12 anos, fugiu do internato e foi para Itaporanga, em Sergipe, onde morava sua avó. Passou os anos da sua adolescência no meio do povo, tomando conhecimento da vida popular que iria marcar fortemente sua obra de romancista. Começou com 14 anos a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da “Academia dos Rebeldes”, grupo de jovens que, juntamente com o “Arco e Flecha” e o “Samba”, desempenharam um importante papel na renovação das letras baianas.

Comandados por Pinheiro Viegas, figuraram na Academia dos Rebeldes, além de Jorge Amado, os escritores João Cordeiro, Dias da Costa, Alves Ribeiro, Edison Carneiro, Valter da Silveira, e Clóvis Amorim. Em 1927, com apenas 15 anos, ingressou como repórter no “Diário da Bahia” e também escrevia para a revista “A Luva”. Aos dezenove anos, publicou seu primeiro romance, “O País do Carnaval”. Nessa época, já estava no Rio de Janeiro, em contato com nomes importantes da literatura. Foi redator-chefe da revista carioca “Dom Casmurro”, em 1939.

Em 1933, lançou seu segundo livro, “Cacau”. Depois vieram vários romances que retratavam o dia a dia da cidade de Salvador, entre eles “Mar Morto” (1936) e “Capitães de Areia” (1937), que retrata a vida de menores delinquentes, sendo na época proibido pela censura do Estado Novo.

Jorge Amado foi casado com a escritora Zélia Gattai (1916-2008), que aos 63 anos começou a escrever suas memórias. Teve dois filhos, João Jorge, sociólogo e autor de peças para teatro infantil, e Paloma, psicóloga, casada com o arquiteto Pedro Costa. É irmão do médico neuropediatra Joelson Amado e do escritor James Amado.

Participou do movimento da Frente Popular da Aliança Nacional Libertadora. Foi exilado na Argentina, no Uruguai, em Paris, em Praga e ainda morou em diversos países. Recebeu vários prêmios e títulos honoríficos.

Foi membro correspondente da Academia de Ciências e Letras da República Democrática da Alemanha, da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Paulista de Letras, e membro especial da Academia de Letras da Bahia. Jorge Leal Amado de Faria faleceu no dia 6 de agosto. Seu velório foi realizado no Palácio da Aclamação em Salvador. Foi cremado, a seu pedido, e suas cinzas foram colocadas ao pé de uma mangueira, em sua casa na Bahia.

Obras de Jorge Amado

  • O País do Carnaval, 1931
  • Cacau, 1933
  • Suor, 1934
  • Jubiabá, 1935
  • Mar Morto, 1936
  • Capitães de Areia, 1937
  • Terras do Sem-Fim, 1943
  • O Amor do Soldado, 1944
  • São Jorge dos Ilhéus, 1944
  • Bahia de Todos os Santos, 1944
  • Seara Vermelha, 1945
  • O Mundo da Paz, 1951
  • Os Subterrâneos da Liberdade, 1954
  • Gabriela Cravo e Canela, 1958
  • Os Velhos Marinheiros, 1961
  • Os Pastores da Noite, 1964
  • Dona Flor e Seus Dois Maridos, 1966
  • Tenda dos Milagres, 1969
  • Teresa Batista Cansada de Guerra, 1972
  • Tieta do Agreste, 1977
  • Farda Fardão Camisola de Dormir, 1979
  • O Menino Grapiúna, 1981
  • Tocaia Grande, 1984
  • O Sumiço da Santa: Uma História de Feitiçaria, 1988
  • Navegação de Cabotagem, 1992
  • A Descoberta da América pelos Turcos, 1994
  • O Milagre dos Pássaros, 1997

2. Biografia de Tobias Barreto – Sergipe

Tobias Barreto (1839-1889) foi filósofo, escritor e jurista brasileiro. Foi o líder do movimento intelectual, poético, crítico, filosófico e jurídico, conhecido como Escola do Recife, que agitou a Faculdade de Direito do Recife. Patrono da cadeira nº 38 da Academia Brasileira de Letras.

Tobias Barreto nasceu na Vila de Campos do Rio Real, hoje Tobias Barreto, no estado de Sergipe, no dia 7 de junho de 1839. Filho de Pedro Barreto de Menezes e de Emerenciana Barreto de Menezes. Iniciou os estudos em sua cidade natal.

Em 1861, mudou-se para a Bahia, ingressou no seminário, mas não se adaptou, passando apenas uma noite. Mudou-se para uma república de amigos em Salvador, onde estudou filosofia e matérias preparatórias. Quando o dinheiro acabou, voltou para Vila de Campos.

Viveu alguns anos lecionando Latim em Itabaiana, Sergipe. Em 1863, mudou-se para o Recife, com o objetivo de ingressar na Faculdade de Direito. O ambiente na cidade era muito intelectualizado e dominado pelos estudantes do curso jurídico. Entre os alunos estavam Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Castro Alves, que se tornou seu amigo.

Submeteu-se ao concurso para ensinar Latim no Ginásio Pernambucano, ficando em segundo lugar. Em 1867, concorreu para a vaga de professor de Filosofia no mesmo ginásio, foi classificado mas não escolhido. Tobias Barreto procurava esquecer sua origem humilde, mas se achava discriminado pela cor da pele.

Tentou casar com Leocádia Cavalcanti, mas não foi aceito pela família aristocrática da moça. Apaixonou-se por Adelaide do Amaral, artista portuguesa e casada. Declamava versos cheios de amor e mantinha duelos poéticos com Castro Alves.

Casou-se com a filha de um dono de engenho e proprietário de terras da cidade de Escada. Depois de formado, passou dez anos morando na pequena cidade pernambucana, na zona açucareira. Dedicou-se à advocacia e foi eleito para a assembleia Provincial de Escada. Mantinha um jornal, no qual imprimiu vários livros.

A sua contribuição filosófica e científica foi de grande importância, uma vez que contestou as linhas gerais do pensamento jurídico dominante e tentou fazer um entrosamento entre a filosofia e o direito, propagando os estudos de Darwin e de Haeckel.

Apesar de ter vivido até as vésperas da República, não se envolveu nos movimentos republicanos. Voltou para o Recife, onde passou a lecionar na Faculdade de Direito, que hoje é consagrada como “A Casa de Tobias”. Tobias Barreto de Menezes morreu no Recife, Pernambuco, no dia 26 de junho de 1889.

Obras de Tobias Barreto

  • O Gênio da Humanidade, 1866
  • A Escravidão, 1868
  • Ensaios de Filosofia e Crítica, 1875
  • Ensaio de Pré-História da Literatura Alemã, 1879
  • Estudos Alemães, 1880
  • Dias e Noite, 1881
  • Menores e Loucos, 1884
  • Discursos, 1887
  • Questões Vigentes, 1888
  • Polêmicas, 1901

3. Biografia de Lêdo Ivo – Alagoas

Lêdo Ivo (Maceió, AL, 1924) publicou seu primeiro livro de poesia, As Imaginações, em 1944. Na época, cursava Direito na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, RJ. Nas décadas seguintes, publicou 5 romances, 14 livros de ensaios sobre literatura e traduziu poemas das obras de Guy de Maupassant, Rimbaud e Dostoiévski.

Em 1957, ocorreu a publicação de seu livro de crônicas A Cidade e os Dias. Escreveu também uma novela, O Sobrinho do General, lançada em 1964. Seu livro de poesia Finisterra (1972) recebeu vários prêmios, entre os quais o Prêmio Jabuti de Poesia, em 1973.

Em 1982, recebeu o Prêmio Mário de Andrade, pelo conjunto da obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1986. Recebeu, em 1991, o Troféu Juca Pato – Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira dos Escritores. Entre suas obras poéticas estão Cântico (1949), Magias (1960), O Sinal Semafórico (1974), Crepúsculo Viril (1990) e O Rumor da Noite (2000).

A poesia de Lêdo Ivo filia-se à terceira geração do Modernismo. Para o crítico Carlos Montemayor, “como todos os poetas da sua geração, Lêdo Ivo tem uma alta consciência da linguagem; porém a sua consciência é muito mais ampla, uma consciência amazônica que implica não só o seu envolvimento, mas também a sua libertação, sua erupção, suas explosões flamejantes”.

4. Biografia de João Cabral de Melo Neto – Pernambuco

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um poeta e diplomata brasileiro, autor de Morte e Vida Severina, poema dramático que o consagrou. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Recebeu o Prêmio da Poesia, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Jabuti da Academia Brasileira do Livro e o Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro Crime na Calle Relator.

João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife, Pernambuco. Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro Leão Cabral de Melo. Irmão do historiador Evaldo Cabral de Melo e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freire.

Passou sua infância entre os engenhos da família nas cidades de São Lourenço da Mata e Moreno. Estudou no Colégio Marista, no Recife. Amante da leitura, lia tudo o que tinha acesso, tanto no colégio quanto na casa da avó.

Em 1941, participou do Primeiro Congresso de Poesia do Recife, lendo o opúsculo “Considerações sobre o Poeta Dormindo”. Em 1942, publicou sua primeira coletânea de poemas, com o livro Pedra do Sono, onde predomina uma atmosfera vaga de surrealismo e absurdo. Depois de se tornar amigo do poeta Joaquim Cardoso e do pintor Vicente do Rego Monteiro, transferiu-se para o Rio de Janeiro.

Durante os anos de 1943 e 1944, trabalhou no Departamento de Arregimentação e Seleção de Pessoal do Rio de Janeiro. Em 1945, publicou seu segundo livro, O Engenheiro, custeado pelo empresário e poeta Augusto Frederico Schmidt.

Realizou seu segundo concurso público e, em 1947, ingressou na carreira diplomática, passando a viver em várias cidades do mundo, como Barcelona, Londres, Sevilha, Marselha, Genebra, Berna, Assunção, Dacar, entre outras.

Em 1950, publicou o poema O Cão Sem Plumas, a partir de então começa a escrever sobre temas sociais. Em 1956, escreve o poema Morte e Vida Severina, responsável por sua popularidade. Trata-se de um auto de Natal que persegue a tradição dos autos medievais, fazendo uso da redondilha, do ritmo e da musicalidade. Foi levado ao palco do Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), em 1966, musicado por Chico Buarque de Holanda.

O poema narra a trajetória de um retirante que, para livrar-se de uma vida de privações no interior, ruma para a capital. Na cidade grande, o retirante depara-se com uma vida de dificuldades e miséria.

João Cabral de Melo Neto foi casado com Stella Maria Barbosa de Oliveira, com quem teve cinco filhos. Casou pela segunda vez com a poetisa Marly de Oliveira. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, para a cadeira nº 37, tomando posse em 6 de maio de 1969. Em 1992, começou a sofrer de cegueira progressiva, doença que o leva à depressão.

João Cabral de Melo Neto morreu no Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro de 1999, vítima de ataque cardíaco.

Prêmios Literários

  • Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo, em 1954.
  • Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, em 1955.
  • Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro, em 1993.
  • Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da obra.
  • Prêmio da União Brasileira de Escritores pelo livro Crime na Calle Relator, 1988.

Obras de João Cabral de Melo Neto

  • Pedra do Sono, 1942
  • O Engenheiro, 1945
  • Psicologia da Composição, 1947
  • O Cão Sem Plumas, 1950
  • O Rio, 1954
  • Morte e Vida Severina, 1956
  • Paisagens com Figuras, 1956
  • Uma Faca Só Lâmina, 1956
  • Quaderna, 1960
  • Dois Parlamentos, 1960
  • Terceira Feira, 1961
  • Poemas Escolhidos, 1963
  • A Educação Pela Pedra, 1966
  • Museu de Tudo, 1975
  • A Escola das Facas, 1980
  • Poesia Crítica, 1982
  • Auto do Frade, 1984
  • Agrestes, 1985
  • O Crime na Calle Relator, 1987
  • Sevilha Andando, 1989

5. Biografia de Augusto dos Anjos – Paraíba

Augusto dos Anjos (1884-1914) foi um poeta brasileiro, cuja obra é extremamente original. É considerado um dos poetas mais críticos de sua época, sendo identificado como o mais importante poeta do pré-modernismo, embora revele em sua poesia raízes do simbolismo, retratando o gosto pela morte, a angústia e o uso de metáforas. Declarou-se “Cantor da poesia de tudo que é morto”.

O domínio técnico em sua poesia comprova também a tradição parnasiana. Durante muito tempo, foi ignorado pela crítica, que julgou seu vocabulário mórbido e vulgar. Sua obra poética está resumida em um único livro, EU, publicado em 1912, e reeditado com o nome Eu e Outros Poemas.

Augusto dos Anjos nasceu no engenho Pau d’Arco, na Paraíba. Filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e de Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos. Recebeu do pai, formado em Direito, as primeiras instruções. No ano de 1900, ingressa no Liceu Paraibano e compõe nessa época seu primeiro soneto, “Saudade”.

Augusto dos Anjos estudou na Faculdade de Direito do Recife entre 1903 e 1907. Formado em Direito, retorna a João Pessoa, capital da Paraíba, onde passa a lecionar

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