História do Nordeste: resumo, cronologia e principais fatos

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A história do Nordeste é também o começo da história do Brasil: foi no litoral nordestino que os portugueses chegaram em 1500 e onde nasceu a sociedade do açúcar. Depois, a região viveu invasões francesas e holandesas, revoltas, o cangaço, a seca e as migrações, até chegar aos polos industriais de hoje. Neste resumo, você vê a cronologia da história do Nordeste, do período colonial ao século XX.

Resumo rápido – história do Nordeste

  • 1500: a esquadra de Cabral chega ao litoral sul da Bahia.
  • Séculos XVI e XVII: capitanias, engenhos de açúcar e trabalho escravo, indígena e africano.
  • Invasões: franceses no Maranhão (1612–1615) e holandeses em Pernambuco (1630–1654).
  • Revoltas: Guerra dos Mascates, Conjuração Baiana, Revolução Pernambucana, Malês, Sabinada e Balaiada.
  • República: coronelismo, Canudos (1896–1897) e cangaço.
  • Região atual: nove estados, na divisão do IBGE adotada em 1970.
Lampião e o cangaço, símbolos da história do Nordeste
Lampião, ícone da história do Nordeste

Como nasceu a região Nordeste

O que hoje chamamos de Nordeste é uma ideia recente. Até o começo da República, essa parte do país era chamada, sem distinção, de Norte. Depois, ao longo do século XX, a região foi dividida de várias formas.

Assim, o Nordeste atual, com nove estados, vem da divisão regional do IBGE adotada em 1970. Por isso, histórias e culturas diferentes passaram a ser reunidas sob um só nome.

Ainda assim, a forma mais comum de contar essa história começa em 1500, quando a esquadra de Pedro Álvares Cabral chegou ao litoral da atual Porto Seguro, na Bahia. Veja também a história da Costa do Descobrimento.

Veja os vídeos sobre a história do Brasil

Guerra dos Canudos

Cronologia da história do Nordeste

Ano Fato
1500 Chegada da esquadra de Cabral ao sul da Bahia
1534 Criação das capitanias hereditárias
1549 Tomé de Sousa funda Salvador, primeira capital
1612–1615 Franceses no Maranhão e fundação de São Luís
1630–1654 Domínio holandês em Pernambuco
1684 Revolta de Beckman, no Maranhão
1710–1711 Guerra dos Mascates, em Pernambuco
1798 Conjuração Baiana (dos Alfaiates)
1817 Revolução Pernambucana
1823 Independência da Bahia, em 2 de julho
1824 Confederação do Equador
1835 Revolta dos Malês, em Salvador
1884 Ceará abole a escravidão
1896–1897 Guerra de Canudos, na Bahia
1938 Morte de Lampião, em Sergipe
1959 Criação da Sudene

Pau-brasil, capitanias e Salvador

Para decepção dos portugueses, a terra era exuberante, mas pobre nas especiarias e nos metais que buscavam. Em vez disso, a riqueza inicial foi o pau-brasil, usado na Europa como corante para tecidos.

Mapa de Sanson de 1657 com o Brasil dividido em capitanias hereditárias
Mapa do Brasil dividido em capitanias, de Sanson (1657)

Por cerca de trinta anos, os portugueses visitaram a costa sobretudo para buscar a madeira, que também atraía contrabandistas e piratas de outros países. Então, em 1534, a Coroa dividiu a colônia em capitanias hereditárias.

O sistema, porém, fracassou. Prosperaram apenas São Vicente e Pernambuco, a Nova Lusitânia, onde a cana-de-açúcar logo se instalou.

Por isso, em 1548, criou-se o governo-geral. No ano seguinte, Tomé de Sousa desembarcou perto da Vila do Pereira, na Baía de Todos os Santos, e fundou Salvador.

Enquanto isso, muitos tupinambás do Recôncavo foram escravizados e catequizados, e outros fugiram para o interior.

A sociedade do açúcar no Nordeste

Não se sabe com precisão quando a cana-de-açúcar chegou ao Brasil. No entanto, na segunda metade do século XVI, a indústria do açúcar já estava firme no Nordeste e sustentaria a economia colonial por muito tempo.

Pernambuco e Bahia se tornaram os maiores produtores, graças às terras férteis, à relativa proximidade da Europa e aos bons portos de Recife e Salvador.

Engenho de açúcar colonial, base da sociedade do açúcar no Nordeste
Sociedade do açúcar no Nordeste

A produção se baseava no latifúndio, na monocultura e no trabalho escravo, primeiro indígena e depois africano. Assim, Salvador virou um dos maiores portos de chegada de africanos escravizados, até que, no século XVIII, o ouro de Minas Gerais levou o centro do tráfico para o Rio de Janeiro.

Por essa razão, o Nordeste preserva fortes tradições de origem africana. Além disso, o centro dessa sociedade era o engenho: os senhores viviam na casa-grande, e os escravizados, na senzala.

Franceses e holandeses no Nordeste

No século XVI, os portugueses fundaram vilas ao norte da Bahia. Em algumas áreas, porém, a ocupação só se firmou no século seguinte, por causa da resistência indígena e das invasões de outros europeus.

Mapa das invasões francesas e holandesas no litoral do Nordeste colonial
Invasões europeias no Brasil colonial

Franceses no Maranhão

Desde o início do século XVI, os franceses comerciavam pau-brasil em vários pontos da costa nordestina. Depois, em 1612, fundaram São Luís, no Maranhão, para criar a França Equinocial, mas foram vencidos em 1615.

Em seguida, em 1621, Portugal criou o Estado do Maranhão, ligado diretamente a Lisboa, e incentivou a vinda de colonos açorianos.

Holandeses em Pernambuco

Atraídos pelo açúcar, os holandeses também invadiram o Brasil, financiados pela Companhia das Índias Ocidentais. Primeiro, atacaram Salvador em 1624, mas foram expulsos no ano seguinte. Depois, em 1630, tomaram Olinda e Recife.

A partir de Pernambuco, dominaram também o Rio Grande do Norte (1633), a Paraíba (1634), Sergipe e o Ceará (1637) e, por pouco tempo, São Luís (1641–1644).

Comparação: presença francesa x holandesa

Franceses Holandeses
Onde Maranhão (São Luís) Pernambuco e capitanias vizinhas
Quando 1612–1615 1630–1654
Objetivo Criar uma colônia, a França Equinocial Controlar a produção de açúcar
Quem financiou Nobres ligados à Coroa francesa Companhia das Índias Ocidentais
Legado O nome e a data tradicional de São Luís Obras em Recife, ciência, arte e o fim do monopólio português do açúcar

Em resumo, a presença francesa foi curta e voltada à colonização; já a holandesa durou mais de duas décadas e girou em torno do açúcar.

O Brasil holandês e Maurício de Nassau

Depois de anos de guerra, o conde Maurício de Nassau chegou ao Recife em 1637 para governar a colônia holandesa.

Retrato de Maurício de Nassau, governador do Brasil holandês, por Pieter Nason
Maurício de Nassau (1604–1679), por Pieter Nason

O período de domínio holandês ficou na memória popular como uma espécie de idade de ouro. De fato, Nassau adotou a tolerância religiosa, e no Recife funcionou a Kahal Zur Israel, considerada a primeira sinagoga das Américas. Além disso, ele trouxe cientistas e artistas como Frans Post, Albert Eckhout e Zacharias Wagener, que retrataram a natureza e a vida colonial.

No entanto, a queda do preço do açúcar e as divergências com a Companhia levaram Nassau de volta à Europa em 1644. Logo depois, em 1645, começou a Insurreição Pernambucana. Por fim, após as Batalhas dos Guararapes, os holandeses se renderam em 1654.

Ao sair, levaram o conhecimento do açúcar para as Antilhas. Assim, Portugal recuperou Pernambuco, mas perdeu de vez o monopólio do açúcar.

Além do açúcar: fumo, gado e algodão

Embora o açúcar fosse o eixo da economia, outros produtos também foram importantes. O fumo do Recôncavo Baiano, por exemplo, era usado como moeda no tráfico de escravizados na costa da África.

Já a pecuária nasceu ao lado dos engenhos e depois avançou pelo sertão. Desse modo, ocupou o interior e criou a chamada “sociedade do couro”. O Piauí, aliás, é o único estado povoado do interior para o litoral, por vaqueiros vindos da Bahia.

Por fim, o algodão cresceu no fim do século XVIII, com a Revolução Industrial inglesa. Mais tarde, a Guerra de Secessão nos Estados Unidos impulsionou de novo a produção, sobretudo no Maranhão.

Revoltas no Nordeste colonial e no Império

No século XVIII, o açúcar perdeu espaço para a produção das Antilhas, e o ouro de Minas deslocou o eixo econômico para o Sudeste. Por isso, várias revoltas marcaram a região.

Gravura de Rugendas de um armazém no Recife, cenário da Guerra dos Mascates
Armazém no Recife, gravura de Rugendas em Viagem Pitoresca através do Brasil (1835)

Período colonial

  • Revolta de Beckman (1684): no Maranhão, colonos contra o monopólio da Companhia de Comércio do Maranhão e os limites à escravização indígena.
  • Guerra dos Mascates (1710–1711): senhores de engenho de Olinda contra os comerciantes do Recife, na maioria portugueses.
  • Conjuração Baiana (1798): também chamada dos Alfaiates, uniu pela primeira vez reivindicações sociais e independência.
  • Revolução Pernambucana (1817): movimento republicano que se espalhou até a Paraíba, o Rio Grande do Norte e o Ceará.

Independência e Império

Na Bahia, a Independência não foi pacífica. De fato, só se consolidou em 2 de julho de 1823, com a derrota das tropas portuguesas. Por isso, até hoje o Dois de Julho é a grande data cívica baiana.

Depois, em 1823, dom Pedro I dissolveu a Constituinte e, em 1824, outorgou a primeira Constituição. Em resposta, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará formaram a Confederação do Equador, derrotada em poucos meses.

  • Cabanada (1832–1835): em Pernambuco, pedia a volta de dom Pedro I, que abdicara em 1831.
  • Revolta dos Malês (1835): levante de africanos muçulmanos em Salvador.
  • Sabinada (1837–1838): movimento republicano em Salvador, duramente reprimido.
  • Balaiada (1838–1841): revolta popular no Maranhão.
  • Revolução Praieira (1848): liberais contra conservadores em Pernambuco.

Além disso, o movimento abolicionista teve grandes nomes nordestinos, como Rui Barbosa, Luís Gama, Castro Alves, Joaquim Nabuco e Francisco do Nascimento, o Dragão do Mar. Aliás, o Ceará aboliu a escravidão em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea.

Coronelismo e cangaço

Na Primeira República, consolidou-se o coronelismo, o poder dos grandes fazendeiros, chamados coronéis, título herdado da Guarda Nacional. Com seus jagunços, eles impunham a própria vontade e trocavam favores, cargos e proteção por votos.

As brigas entre famílias muitas vezes acabavam em violência. Por exemplo, o assassinato do governador da Paraíba, João Pessoa, em 1930, foi o estopim da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.

Por outro lado, os cangaceiros eram bandos independentes que, das primeiras décadas do século XX até 1940, atacaram vilas e fazendas do sertão. Ainda assim, sua vida nômade lhes deu uma aura romântica.

O mais famoso, Lampião, foi morto com Maria Bonita e parte do bando em 1938, na Grota de Angico, em Poço Redondo (SE). Por fim, Corisco, último grande cangaceiro, foi morto em 1940.

A Guerra de Canudos

Em Os Sertões, Euclides da Cunha descreveu o fim de Canudos: no último reduto, restavam apenas quatro defensores diante de milhares de soldados.

Antônio Conselheiro, líder do arraial de Canudos, no sertão da Bahia
Antônio Conselheiro, líder de Canudos

Vindo do Ceará, o beato Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, pregou por anos no sertão. Então, em 1893, fixou-se às margens do rio Vaza-Barris, na Bahia, onde o arraial de Canudos cresceu muito rápido.

Boatos de um ataque a Juazeiro levaram à primeira expedição militar, que fracassou. Depois, outras duas também foram derrotadas, e Canudos, acusado de abrigar monarquistas, virou assunto nacional.

Finalmente, em outubro de 1897, a quarta expedição, com milhares de soldados, destruiu o arraial, e muitos prisioneiros foram executados.

Seca, migração e novos caminhos

O açúcar foi a bênção e a maldição do Nordeste: garantiu riqueza e cultura, mas deixou uma grande concentração de terras e de desigualdade. Além disso, as longas secas marcaram o sertão.

Por isso, muitos nordestinos migraram. Primeiro, para a Amazônia da borracha, sobretudo nas secas de 1877 e 1915; depois, para as indústrias do Sudeste e para a construção de Brasília. Aliás, o Nordeste foi a região mais populosa do país no Censo de 1872 e hoje reúne cerca de 27% dos brasileiros (IBGE, Censo 2022).

Em 1959, o governo criou a Sudene, para planejar o desenvolvimento regional. Na divisão do IBGE da época, Bahia e Sergipe ainda faziam parte da região Leste.

Hoje, o Nordeste tem polos como o petroquímico de Camaçari (BA), o têxtil de Fortaleza (CE), o porto de Itaqui (MA), por onde passa o minério de Carajás, e a fruticultura irrigada de Petrolina (PE), no vale do São Francisco. Assim, entre o arcaico e o moderno, a região segue escrevendo sua história.

Perguntas frequentes sobre a história do Nordeste

Qual o resumo da história do Nordeste?

Começa com a chegada dos portugueses em 1500, passa pelo açúcar, pelas invasões e revoltas e chega ao cangaço, à seca e às migrações.

Por isso, o Nordeste é chamado de berço do Brasil.

Por que portugueses e holandeses disputaram o Nordeste?

Por causa da produção de açúcar, a maior riqueza da colônia nos séculos XVI e XVII.

Assim, Pernambuco e Bahia eram os grandes alvos.

Qual a diferença entre a presença francesa e a holandesa no Brasil?

A francesa foi curta (1612–1615) e queria fundar uma colônia no Maranhão; a holandesa durou de 1630 a 1654 e girou em torno do açúcar em Pernambuco.

Além disso, os holandeses eram financiados por uma companhia comercial.

Quando foi criada a região Nordeste?

A região atual, com nove estados, vem da divisão do IBGE adotada em 1970.

Antes, a área era chamada simplesmente de Norte.

Qual o primeiro estado a abolir a escravidão?

O Ceará, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea.

Por isso, ficou conhecido como Terra da Luz.

Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

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