Ritmos Nordestinos: os 7 Principais Estilos do Nordeste

Ritmos nordestinos em resumo

Ritmo Onde nasceu Marca principal
Axé Salvador (BA), anos 1980 Carnaval baiano e trios elétricos
Baião Sertão nordestino, anos 1940 Luiz Gonzaga e “Asa Branca”
Forró Interior do Nordeste Sanfona, zabumba e triângulo; São João
Frevo Recife (PE), fim do século XIX Metais, sombrinhas; Patrimônio da UNESCO
Maracatu Pernambuco Alfaias, cortejo real e caboclos de lança
Samba de roda Recôncavo Baiano Roda, palmas e viola; Patrimônio da UNESCO
Xaxado Sertão de Pernambuco Dança dos cangaceiros de Lampião

Os ritmos nordestinos estão entre as maiores riquezas da cultura brasileira. Neste guia, você vai conhecer os 7 principais ritmos e estilos musicais do Nordeste (axé, baião, forró, frevo, maracatu, samba de roda e xaxado) e, além disso, outros gêneros importantes da região, como o xote, o coco, o bumba-meu-boi e o manguebeat.

O Nordeste tem nove estados, cada um com sua história e suas tradições. Por isso, ao longo dos séculos, a região criou uma música muito diversa, que mistura raízes indígenas, africanas e europeias.

Ritmos e estilos musicais do Nordeste
Ritmos e estilos musicais do Nordeste

Muitos desses ritmos, aliás, ajudaram a formar a identidade musical brasileira e hoje são ouvidos em todo o país.

Vídeo sobre os 7 ritmos e estilos musicais nordestinos

História do Axé Music
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Os 7 principais ritmos nordestinos

  1. Axé
  2. Baião
  3. Forró
  4. Frevo
  5. Maracatu
  6. Samba de roda
  7. Xaxado

1. Axé

O axé é um gênero musical que surgiu nos anos 1980 em Salvador, na Bahia, ligado ao Carnaval e aos trios elétricos. O nome vem da palavra iorubá àṣẹ, que significa “energia”, “força” ou “poder sagrado”.

O estilo mistura, sobretudo, o frevo baiano dos trios elétricos, o ijexá dos afoxés, o samba-reggae dos blocos afro e influências do reggae e de ritmos caribenhos. Em geral, a música “Fricote”, de Luiz Caldas, lançada em 1985, é considerada o marco inicial do gênero.

Com muita percussão e refrões fáceis de cantar, o axé virou o grande símbolo do carnaval baiano e ganhou o Brasil e o mundo com artistas como Daniela Mercury, Ivete Sangalo e a Banda Eva.

2. Baião

O baião é um gênero tradicional do sertão nordestino que ganhou fama nacional nos anos 1940, graças a Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião“.

O baião é tocado, principalmente, por um trio de sanfona, zabumba e triângulo. Suas letras falam do dia a dia do sertanejo, com temas como a seca, a migração e o amor.

A música “Asa Branca” (1947), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, tornou-se o maior símbolo do gênero. Mais tarde, nos anos 1960 e 1970, artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso regravaram e reinterpretaram o baião, o que o levou também aos jovens das grandes cidades.

3. Forró

O forró é, ao mesmo tempo, uma festa, uma dança e um conjunto de gêneros musicais que inclui o baião, o xote e o arrasta-pé.

Nascido no interior do Nordeste, o forró tradicional, chamado de forró pé de serra, é tocado por trios de sanfona, zabumba e triângulo. Com o tempo, surgiram variações como o forró universitário, o forró eletrônico e, mais recentemente, o piseiro, que usam teclados e instrumentos modernos.

Embora seja muito ligado às festas juninas, o forró é dançado o ano todo. Ainda assim, seu auge acontece no São João de cidades como Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Juazeiro do Norte (CE).

4. Frevo

O frevo nasceu no fim do século XIX nas ruas do Recife, em Pernambuco, e é a alma do carnaval do Recife e de Olinda.

Musicalmente, ele surgiu da mistura da marcha, do maxixe, do dobrado e da polca, tocados pelas bandas militares. Já a dança, chamada de passo, tem movimentos acrobáticos inspirados na capoeira e usa as famosas sombrinhas coloridas.

O frevo é tocado por orquestras de metais (trombone, trompete, saxofone e tuba) e percussão, em ritmo muito acelerado. Por isso, em 2012, foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

5. Maracatu

O maracatu é uma manifestação afro-brasileira de Pernambuco. Ele tem duas formas principais, bem diferentes entre si.

Maracatu Nação (de baque virado)

O Maracatu Nação está ligado às antigas coroações de reis do Congo, à devoção a Nossa Senhora do Rosário e aos terreiros de religiões afro-brasileiras. Seu cortejo tem rei, rainha, damas do paço com as bonecas chamadas calungas e porta-estandarte. A batida forte vem das alfaias (tambores grandes), dos gonguês, das caixas e dos abês.

Maracatu Rural (de baque solto)

Já o Maracatu Rural nasceu entre os trabalhadores da cana na Zona da Mata pernambucana. Sua figura mais famosa é o caboclo de lança, com cabeleira colorida e chocalhos nas costas. Veja também o maracatu rural no carnaval de Nazaré da Mata.

Em 2014, os dois tipos de maracatu foram registrados pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil. Assim, eles representam a resistência da cultura afrodescendente e são parte essencial do carnaval pernambucano.

6. Samba de roda

O samba de roda nasceu no Recôncavo Baiano e é considerado um dos antepassados do samba carioca.

Ele resulta da mistura de ritmos africanos trazidos pelos escravizados com tradições portuguesas, como a viola e a poesia. Nas rodas, por exemplo, usam-se pandeiro, atabaque, viola machete, palmas e até prato e faca.

A dança em círculo, o improviso e o “miudinho“, passo feito sobretudo pelas mulheres, são as suas marcas. Por isso, em 2005, o samba de roda foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

7. Xaxado

O xaxado é uma música e uma dança do sertão de Pernambuco, ligada ao cangaço e, especialmente, ao bando de Lampião.

No início, era dançado apenas por homens, para comemorar vitórias e combates. O nome, aliás, imita o som das alpercatas de couro arrastando no chão: “xa-xa-xa”.

Mais tarde, Luiz Gonzaga levou o xaxado para todo o país. Assim, ele mantém viva a memória do sertão e da cultura popular do semiárido nordestino.

Outros ritmos nordestinos que você precisa conhecer

Além dos sete principais, o Nordeste tem muitos outros ritmos. Entre eles, destacam-se:

  • Xote: ritmo mais lento e romântico do forró, de origem europeia (o schottisch), dançado a dois.
  • Arrasta-pé: ritmo rápido das festas juninas, no qual os dançarinos “arrastam os pés” no salão.
  • Coco: música e dança de roda do litoral nordestino, com batidas de pés, ganzá e pandeiro; há, por exemplo, o coco de roda e o coco de embolada.
  • Embolada e repente: desafios de versos improvisados entre dois cantadores, acompanhados de pandeiro ou viola.
  • Afoxé e ijexá: cortejos de carnaval ligados ao candomblé, como os Filhos de Gandhy, em Salvador.
  • Samba-reggae: criado nos anos 1980 pelos blocos afro de Salvador, como o Olodum e o Ilê Aiyê.
  • Bumba-meu-boi: festa e música do Maranhão, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 2019.
  • Tambor de crioula: dança de roda afro-maranhense, registrada como Patrimônio Cultural do Brasil.
  • Manguebeat: movimento dos anos 1990 no Recife, liderado por Chico Science, que misturou maracatu com rock e hip-hop.
  • Piseiro: versão eletrônica e mais recente do forró, com teclado e batida acelerada, que virou febre no Brasil nos anos 2020.

Perguntas frequentes sobre os ritmos nordestinos

Quais são os principais ritmos nordestinos?

Os mais conhecidos são o axé, o baião, o forró, o frevo, o maracatu, o samba de roda e o xaxado. Além deles, há o xote, o coco, o arrasta-pé, o bumba-meu-boi e o manguebeat, por exemplo.

Qual é a diferença entre forró e baião?

O baião é um ritmo específico, criado e divulgado por Luiz Gonzaga nos anos 1940. Já o forró é um nome mais amplo, que inclui o baião, o xote e o arrasta-pé, e também a própria festa onde se dança.

Quais ritmos nordestinos são Patrimônio da Humanidade?

O samba de roda do Recôncavo Baiano (2005), o frevo (2012) e o bumba-meu-boi do Maranhão (2019) foram reconhecidos pela UNESCO. Além disso, o maracatu e o tambor de crioula são Patrimônio Cultural do Brasil.

Quem é o Rei do Baião?

É Luiz Gonzaga (1912-1989), sanfoneiro pernambucano que levou o baião, o xote e o xaxado para todo o Brasil. Sua música mais famosa é “Asa Branca”.

Onde nasceu o axé?

Em Salvador, na Bahia, nos anos 1980, a partir da música dos trios elétricos e dos blocos afro do Carnaval baiano.

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Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

Publicado em 02/06/2020 · Atualizado em 18/10/2026

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