A Evolução do Forró e Suas Diversidades Culturais
O estilo do forró passou por três grandes fases desde sua origem, nos anos 1940. Essa evolução gera disputas, mas os diferentes formatos podem coexistir, afirmam os críticos.

Abertura das Festas
Começa nesta semana o principal momento da maratona de forró nas festas de São João no Nordeste. Com a aproximação da noite oficial de comemoração do santo, na próxima sexta-feira (24), é quase impossível ouvir outro tipo de música neste período nas cidades que se tornam os principais focos da festa, como Campina Grande (PB) e Caruaru (PE).
A Diversidade do Forró
Entretanto, afirmar que todos tocam forró não implica que a música seja a mesma. Ao longo das sete décadas desde que surgiu e se espalhou pelas mãos de Luiz Gonzaga, o estilo musical, símbolo do Nordeste, passou por transformações significativas. Gonzaga, conhecido como o “Rei do Baião”, foi fundamental na popularização do forró, trazendo temas nordestinos para o centro do palco nacional.
O forró deixou de ser uma música puramente regional, tocada com sanfona, zabumba e triângulo, e se adaptou à modernidade, incorporando elementos do pop, axé e tecnobrega. Bandas de forró mais novas apresentam uma produção comparável a grandes shows de pop mundial. Um desses grupos, Calcinha Preta, chegou a fazer apresentações em 360 graus, semelhantes às do U2.
Controvérsias e Debates
Origens e a evolução do forró nas festas de São João
Essa transformação gera controvérsias e disputas. O secretário de cultura da Paraíba, o cantor Chico César, criticou as bandas mais “modernas”, que ele chamou de “forró de plástico”. No mesmo tom, Dominguinhos, fiel ao forró original, já afirmou que as novas bandas mudaram tanto o estilo que “não dá pra dizer que aquilo é forró”.
Convivência dos Estilos
Apesar da evolução e dos contrastes, os diferentes estilos de forró podem “conviver”, segundo Expedito Leandro Silva, autor de “Forró no Asfalto: Mercado e Identidade Cultural”, que trata da evolução e urbanização desse estilo musical, que é a marca do São João no Nordeste. “O primeiro não deixa de existir, e o segundo continua a se modernizar, acentuando suas diferenças em relação ao original.”
Pesquisadores costumam dividir o estilo em três grandes fases: Forró Tradicional (também chamado de pé-de-serra), Forró Universitário e Forró Eletrônico. Essas fases são marcadas pela urbanização, incrementação técnica e adaptação do estilo ao mercado em diferentes épocas.
Evolução do Forró
1. Surgimento: Forró Tradicional ou Pé-de-SERRA
Desde sua criação, o forró foi uma expressão artística autêntica do universo rural do sertanejo, tendo em Luiz Gonzaga seu principal divulgador e representante. A música era normalmente tocada com três instrumentos, trazendo letras com temas saudosistas, regionais e forte sotaque interiorano. O pé-de-serra permanece presente em sua forma clássica nas grandes festas do Nordeste, seja por artistas consagrados nacionalmente, como Dominguinhos, ou por nomes locais, como Santana, que mantêm vivo o estilo original.
2. Reciclagem: Forró Universitário
As primeiras grandes mudanças no forró começaram a surgir a partir de 1975, quando músicos populares da época, como Alceu Valença, Zé Ramalho, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, adaptaram o estilo à contemporaneidade.
Surgiu assim o Forró Universitário, nomeado em referência ao público jovem e urbano. Esse estilo foi retomado em uma forma semelhante duas décadas depois, quando grupos como Falamansa e Trio Rastapé ganharam popularidade nacional com o “pé-de-serra adaptado ao mundo atual”. Ricardo Cruz, do Falamansa, diz: “Buscamos fazer pé-de-serra junto com nosso cotidiano, nossa realidade.”
3. Revolução: Forró Eletrônico
Nos anos 1990, o forró passou por sua maior transformação, incorporando novos instrumentos, bailarinas, roupagens coloridas e elementos de músicas sertanejas, românticas, bregas e até do axé, resultando no forró eletrônico.
Também conhecido como forró estilizado ou “oxente music”, o movimento começou no início da década com grupos como Mastruz com Leite e Magníficos, e se tornou cada vez mais transformador ao longo dos anos.
A mudança nas últimas décadas foi tão intensa, levando a grupos como Aviões do Forró e Calcinha Preta, que, segundo Expedito Silva, se afastaram tanto da proposta original que se aproximam mais do tecnobrega do que do forró propriamente dito.
José Inácio, o Jotinha, fundador da banda Magníficos, explicou: “O que fazemos é música popular romântica misturada com forró. É como se pegássemos uma música de Roberto Carlos e tocássemos em ritmo de forró.”
Embora tenham começado com músicas tradicionais, a banda Magníficos decidiu mudar. “Luiz Gonzaga nos influenciou muito, mas adaptamos o pé-de-serra tradicional ao romântico. Gostamos e respeitamos, mas não é o que queremos fazer. Você tem que acompanhar a evolução das coisas”, afirmou.
O Mercado e a Juventude
Segundo Silva, que estudou a evolução do forró, o principal diferencial entre o estilo clássico e o eletrônico é que as novas bandas lidam melhor com o mercado e vendem mais.
“O estilo é preferido pelas pessoas mais jovens, que se identificam mais. O que acontece é que quem gosta de forró, especialmente no Nordeste, não confunde o eletrônico com o tradicional. Ele vê o estilizado como lazer, diversão, passatempo, mas respeita o forró tradicional.”
Origens e a Evolução do Forró nas Festas de São João
O forró, especialmente nas festas de São João, é uma celebração que une comunidades e gerações, refletindo a identidade cultural dos nordestinos. O evento é marcado por danças, comidas típicas, como pamonha e canjica, e a presença de elementos folclóricos que enriquecem a experiência.
As festas de São João, que ocorrem em junho, não apenas celebram a colheita, mas também servem como um espaço de resistência cultural, onde os ritmos e danças tradicionais são preservados e respeitados, mesmo diante das inovações contemporâneas.

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