História do Carnaval de Salvador

O Carnaval de Salvador é hoje a maior festa de participação popular do planeta. Durante seis dias de carnaval, cerca de 2 milhões de foliões percorrem os circuitos batizados de Batatinha, Dodô e Osmar. Mas nem sempre foi assim.

história do carnaval
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A Evolução do Carnaval

Até o final do século XIX, a pequena burguesia e a elite se divertiam em desfiles e clubes, com bailes de máscaras ao som de marchinhas. Os títulos dos circuitos são homenagens a grandes nomes do carnaval baiano.

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História do Carnaval de Salvador

“São justas homenagens a Dodô e Osmar, criadores do trio elétrico, e a Batatinha, um dos grandes nomes do samba baiano, uma prova de que o samba é daqui”, afirma o historiador Manuel Passos. Ele também defende uma homenagem a Orlando Campos, criador do Trio Tapajós. “Entre 1963 e 1979, quando Dodô e Osmar estiveram afastados, foi o Trio Tapajós que segurou o carnaval da Bahia. Portanto, acho que ainda falta uma homenagem para ele”, diz.

O Marco da Folia de Momo

Na Baixa dos Sapateiros, a festa dos negros era embalada pelos grupos Embaixada Africana e Pândegos D’África. O “divisor de águas” da Folia de Momo veio em 1950, com a criação do homenageado de 2010: o trio elétrico.

Impacto da Criação do Trio Elétrico

A criação do trio elétrico teve um impacto profundo e transformador no Carnaval de Salvador:

  1. Mudança na Dinâmica da Festa: O trio elétrico introduziu um novo formato para o carnaval, permitindo que a música e a animação fossem levadas diretamente às ruas, criando uma experiência mais envolvente e participativa para os foliões.
  2. Aumento da Popularidade: Essa inovação atraiu um público maior e diversificado, ampliando a participação popular no carnaval. Com a possibilidade de dançar e se divertir em movimento, o carnaval ganhou uma nova dimensão.
  3. Novos Ritmos e Estilos Musicais: O trio elétrico possibilitou a difusão de novos gêneros musicais, como o axé, que se tornaram sinônimo do carnaval baiano. Artistas e bandas puderam se apresentar de forma mais dinâmica, contribuindo para a diversidade musical da festa.
  4. Crescimento dos Blocos: A estrutura do trio elétrico incentivou a formação de novos blocos, tanto tradicionais quanto alternativos, que passaram a fazer parte da programação oficial do carnaval. Isso gerou uma variedade de opções para os foliões, que podem escolher entre diferentes estilos e ritmos.
  5. Economia e Turismo: O sucesso do trio elétrico no carnaval também teve um impacto econômico positivo para Salvador, atraindo turistas de diversas partes do Brasil e do mundo. Isso resultou em um aumento significativo na receita local e na promoção da cidade como um destino turístico.
  6. Cultura e Identidade: O trio elétrico se tornou um símbolo da cultura baiana, ajudando a consolidar o carnaval de Salvador como uma das maiores e mais vibrantes festas populares do mundo. Ele reforçou a identidade cultural da Bahia e a valorização do samba e do axé como expressões artísticas.

A chegada do carro mais animado da festa, com guitarras elétricas e o povo em polvorosa, criou o primeiro circuito da festa, o Osmar, entre o Campo Grande e a Rua Chile. “Era um circuito único e tudo se concentrava ali. Havia os pontos de encontro dos jovens, dos trios”, explica o historiador.

Os Circuitos do Carnaval

No início da década de 1980, surgiu o segundo circuito, conhecido como Barra-Ondina, mas oficialmente batizado de Dodô. A restauração e a elevação do Pelô a patrimônio da humanidade fez surgir o último dos circuitos da festa, nas ruas do Centro Histórico, chamado Batatinha.

“Uma justíssima homenagem a um dos maiores nomes do samba na Bahia, que foi o Batatinha, uma prova de que o samba é baiano”, diz Passos.

Escolher entre um dos três circuitos implica em adotar horários e gêneros musicais diferentes. Para Passos, o carnaval baiano sempre foi um palco de misturas, de todos os ritmos. “Tudo é permitido. Uma vez a Ave Maria foi tocada às 18h em cima do trio elétrico, com todo mundo em silêncio, foi uma das cenas mais bonitas que eu já presenciei”, testemunha.

Circuitos de Carnaval

Osmar

É nesse circuito que se encontram a maioria dos blocos alternativos, principalmente até o domingo de carnaval. Blocos afro, como o Malê Debalê, Munzenza, Bankoma, Ilê Aiyê e Cortejo Afro, e blocos infantis também passam por esse circuito. A partir do domingo, os blocos mais tradicionais, voltados para a axé music, começam a passar pelo circuito. Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Banda Eva e o trio do Rei Momo fazem a alegria dos foliões entre o Campo Grande e a Praça da Sé.

Dodô

A grande maioria dos blocos de elite faz esse percurso. “O surgimento do circuito Dodô fez com que a elite se deslocasse para lá, deixando o circuito Osmar um pouco de lado”, diz o historiador Manuel Passos. Asa de Águia, Timbalada, Cheiro de Amor, Ivete Sangalo e a Rainha do Axé, Daniela Mercury, fazem o trajeto Barra-Ondina. Este ano, Moraes Moreira também se apresenta, em comemoração aos 60 anos do trio. Pepeu Gomes, Rei Momo, recebe convidados também nesse circuito.

Batatinha

Os independentes se concentram no circuito histórico da festa. Levada do Jegue, Filhos e Filhas de Gandhy, Corisco e Carnapelô são alguns dos principais a desfilarem pelas ruas do Pelourinho.

Para Manuel Passos, a divisão do carnaval baiano em circuitos deu uma nova cara à folia, principalmente com a criação do circuito mais visitado, o Barra-Ondina. “É preciso encontrar formas de restabelecer o circuito Osmar como era antes, como um ponto de encontro que sempre foi”, completa.

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