Jackson do Pandeiro: Biografia e História
José Gomes Filho, conhecido como Jackson do Pandeiro (o Rei do Ritmo), nasceu em 30 de agosto de 1919 e faleceu em 10 de julho de 1982.
Ele foi um importante instrumentista, compositor e cantor que gravou uma série de forrós e sambas, ajudando a popularizar a cultura nordestina.

Jackson do Pandeiro e Almira Castilho03:11

100 anos de Jackson do Pandeiro12:01

Jackson do Pandeiro História04:13

Chiclete com Banana02:15

Jackson do Pandeiro canta Sebastiana02:02
Parceria Musical e Familiar
Jackson e sua mulher, Almira Castilho, foram uma parceria nos palcos, nas letras e na vida familiar. Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo, popularizou a divisão rítmica vertiginosa e letras de métricas afiadas.

A música “Chiclete com Banana”, a mais conhecida do repertório de Jackson do Pandeiro, não fez “aquele” sucesso à época do lançamento, em 1959.
O estilo de Jackson, que nasceu na Paraíba profunda, ganhou corpo em Campina Grande e saiu de Pernambuco para conquistar o mundo, já estava na boca do povo.
Seu disco de estreia, um 78 rotações lançado quatro anos antes, trouxe o coco “Sebastiana” e o rojão “Forró em Limoeiro”, tendo incríveis 50 mil compradores, uma façanha até para os cartazes da Rádio Nacional.
O Impacto de Jackson
“O boogie-woogie de pandeiro e violão” impactou os fãs como mais uma tirada humorística do cantor. Aos poucos, caiu no esquecimento até 1972, quando ressurgiu com status de canção tropicalista avant-garde na voz de Gilberto Gil. Hoje, é um clássico absoluto.
“Jackson do Pandeiro é um dos maiores amores que eu tenho. Que tive, tenho e terei sempre”, afirma Gilberto Gil.

Ele era um artista com a verve nordestina típica da cultura que nasceu do entrelaçamento entre a vida rural e algumas cidades de porte médio, como Campina Grande, que começaram a se desenvolver a partir das décadas de 1930 e 1940.
A Influência Cultural
Jackson do Pandeiro deixou uma marca indelével na música popular brasileira na segunda metade do século 20. “Enquanto Luiz Gonzaga popularizou o baião, o xote e o xaxado, Jackson do Pandeiro projetou o coco e o samba nordestino, com divisão rítmica vertiginosa e letras de métricas afiadas,” diz o crítico musical Tárik de Souza.
Colaboração com Almira Castilho
Jackson do Pandeiro e sua parceira Almira Castilho injetaram humor e malícia no legado cultural riquíssimo de sua região.
Ele se espraiou pelo tropicalismo, influenciando a geração posterior de artistas como Alceu Valença, Elba Ramalho e Zé Ramalho, além do mangue beat da Nação Zumbi e Mundo Livre S.A..
O Rei do Ritmo e o Homem Orquestra
Jackson era conhecido como o Rei do Ritmo e também o Homem Orquestra. Ele tocou de tudo: ganzá, reco-reco, zabumba, tamborim, gaita, sanfona e piano. Se fosse para puxar um jazz ou um blues na bateria, não tinha problema. Mas é no pandeiro que ele se destacou, e seu virtuosismo se tornou lendário.

Legado Musical e Comparações
“Jackson do Pandeiro está para a música brasileira como Mané Garrincha está para o futebol. Cantava e tocava pandeiro, indo e voltando da linha de fundo, até bater em gol ou mandar a redonda no fuzuê da pequena área musical”, compara o historiador Luiz Antonio Simas.
Na biografia “Jackson do Pandeiro: O Rei do Ritmo”, de Fernando Moura e Antônio Vicente, o maestro Moacir Santos aponta que “Jackson era muito mais que um ritmista”. Ele tinha uma capacidade expansiva, transformando seu pensamento musical em ritmo.
Inspirações e Inovações
Como cantor, nos primeiros anos de carreira, Jackson do Pandeiro se espelhou em Manezinho Araújo, autor de “Como Tem Zé na Paraíba”, de quem herdou o chapéu de abas curtas, usado de lado. Sua influência era evidente no sotaque carioca, na métrica espichada e nos breques de Jorge Veiga, o Caricaturista do Samba.
Em 1954, mais um bolachão de Jackson – com as gravações de “1 a 1” e “A Mulher do Aníbal” – estourou no Sul Maravilha, popularizando sua voz metalizada. Sua primeira impressão ao avistar o Rio de Janeiro foi: “Homi, parece um tabuleiro de cuscuz!”.
Dupla do Barulho e Sucesso no Cinema
Contratados pela Rádio Nacional, Jackson e Almira se tornaram a Dupla do Barulho. Eles se destacaram esteticamente na televisão, sabendo aproveitar suas possibilidades gestuais. Logo, pulariam para o cinema, onde fizeram sucesso com “Forró de Caruaru”, “O Canto da Ema”, “Xote de Copacabana”, “Cabo Tenório”, “17 na Corrente” e “Cantiga do Sapo”.
Fascínio Popular e Legado Duradouro
João Bosco, autor da homenagem “Bate um Balaio ou Rockson do Pandeiro”, destaca o fascínio que Jackson exerce nas camadas populares. “De férias, ouvindo Jackson do Pandeiro, um sujeito que vendia cerveja parou tudo e ficou a noite inteira ouvindo sua música.”
Jackson, que tinha horror a cabeludo, especialmente a partir do surgimento dos cantores da Jovem Guarda na década de 1960, viu sua influência se esvair. Contudo, ele se surpreendeu ao ouvir a audácia da mocidade em 1972.
Últimos Anos e Comemorações
O coração de Jackson do Pandeiro, que era diabético, deixou de bater em 1982. No entanto, como garante o crítico Tárik de Souza, “nos cem anos do patriarca, esse coqueiro ainda dá coco”.
Cultura e Desenvolvimento na Paraíba
Enquanto Flora Mourão protagonizava rodas de coco, Alagoa Grande se vestia de cultura com as novidades que vinham sobre trilhos. No início do século 20, a região do Brejo paraibano era um polo econômico nordestino, impulsionado pela chegada do trem que estreitava as relações do interior com as grandes cidades.
Lançamentos e Documentários
O pesquisador Rodrigo Fauor prepara a reedição de discos gravados na Columbia e CBS. Em 2016, Fauor organizou a caixa “O Rei do Ritmo”, que reuniu 235 faixas do cantor. O documentário “Jackson: Batida do Pandeiro”, de Marcus Vilar e Cacá Teixeira, traz entrevistas inéditas com Almira Castilho e com Geraldo Correa, amigo de infância do pandeirista.
Conclusão
Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo, é uma figura icônica da música brasileira, cuja influência e legado perduram até hoje. Sua música continua a ressoar, celebrando a rica cultura nordestina e a diversidade musical que ele ajudou a moldar.
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