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As joias feitas com diferentes espécies de corais chamam atenção pela cor, que vai do vermelho intenso ao rosa claro e ao branco. Neste guia você vê o que é o coral, suas propriedades e características gemológicas, as espécies mais usadas em joalheria (coral nobre, bambu, esponja, secundum, japonicum, konojoi e elatius), as imitações e tratamentos, a situação de conservação e os cuidados com a joia. No final há um FAQ.
O coral foi, por muito tempo, tratado como pedra preciosa, mas ele é um material de origem orgânica: o esqueleto de pequenos animais marinhos. Por isso o uso em joias é hoje discutido por causa do impacto ambiental. Mais adiante você vê o que as fontes dizem sobre isso.
O que é o coral
Os corais são colônias de pequenos animais chamados pólipos, que têm o corpo mole e formam um esqueleto de carbonato de cálcio. Eles se fixam em rochas, se multiplicam em colônias e, no caso dos corais de recife, formam recifes e atóis.
Vale separar dois grupos, porque o texto antigo misturava os dois:
- Corais de recife: vivem em águas rasas e quentes, em geral a cerca de 8 a 20 m de profundidade, e formam os recifes. Não são usados como gema “preciosa”;
- Corais preciosos: a família Corallidae (gêneros Corallium, Pleurocorallium e Hemicorallium) vive em águas mais profundas, em geral a partir de uns 50 m. São eles que dão o coral vermelho, rosa e branco das joias. As colônias lembram pequenas árvores sem folhas, por causa dos galhos ramificados.
O Corallium rubrum, o coral vermelho do Mediterrâneo, é o mais conhecido. Ele é encontrado de cerca de 10 a 300 m de profundidade, e já foi muito explorado em águas rasas. As espécies do Pacífico ocidental, em torno do Japão e de Taiwan, vivem em profundidades muito maiores, de 350 a 1.500 m.

Vídeo sobre joias de coral
Propriedades e características gemológicas do coral
- Composição: carbonato de cálcio, em forma de calcita (sistema trigonal, microcristalina). A cor vermelha vem de pigmentos chamados carotenoides;
- Dureza: cerca de 3,5 na Escala de Mohs (a GIA cita 3 a 4), muito baixa para uma gema;
- Densidade: entre cerca de 2,6 e 2,8, conforme a fonte;
- Transparência: opaca a translúcida;
- Brilho: fosco quando bruto; o polimento dá um brilho vítreo, de aspecto porcelanado;
- Fratura: irregular e quebradiça;
- Cores: vermelho, rosa, laranja e branco nos corais preciosos. O vermelho intenso, o “sangue de boi” (oxblood), é o mais valorizado desde sempre;
- Lapidação: cabochão e contas são os cortes mais comuns, porque o material é macio e opaco. Também se fazem entalhes e camafeus, e o coral bruto é usado em seu estado natural, em galhos;
- Reação ao ácido: por ser carbonato, o coral faz efervescência com ácido clorídrico. O teste, porém, é destrutivo e raramente usado.
O coral é um material orgânico e poroso, e não um cristal duro como a safira ou o rubi. Por isso o cuidado com a joia é diferente, como você vê no fim do post.
Corais azul e negro: outros materiais usados em joias
Nem todo “coral” de joia é o coral precioso. Dois exemplos:
- Coral azul (Heliopora coerulea): é um coral de recife calcário e poroso, que em geral precisa ser impregnado com resina. É protegido e hoje raramente usado como gema;
- Coral negro (ordem Antipatharia): tem esqueleto de proteína e quitina, e não de cálcio. Pode ser clareado para ficar dourado. Está listado no Apêndice II da CITES.


Espécies de corais usadas em joias
1. Coral esponja
O coral esponja (família Melitidae) é poroso, por isso costuma ser preenchido com resina ou polímero e depois polido. Também pode ser tingido ou prensado com resina epóxi. É vendido, às vezes, como “Congi” ou “coral esponja vermelho”. Não é coral precioso, e a joia dificilmente mostra a cor natural.

2. Coral nobre (Corallium rubrum)
O coral nobre, também chamado de coral vermelho do Mediterrâneo, Sardenha, Sciacca ou Bello no comércio, é o mais apreciado por designers de joias e consumidores. As pedras de vermelho uniforme são as preferidas, e o laranja de Sciacca, com tons “esfumaçados”, também é conhecido. Transformar o galho bruto em elemento de joia dá muito trabalho (lapidação, entalhe e polimento) e o material é frágil, o que explica o custo. A situação de conservação da espécie é delicada, como você vê mais adiante.

3. Coral bambu
O coral bambu (família Isididae) recebe esse nome porque o esqueleto tem segmentos brancos de calcita separados por nós escuros, como um bambu. Em geral é clareado e tingido de rosa ou vermelho para imitar o coral precioso. Em compras de valor, confirme com o vendedor se o material é tingido.

4. Coral secundum (Pleurocorallium secundum)
Conhecido no comércio como “Rosato” ou “Midway”, tem rosa uniforme e claro ou misturas de vermelho e branco. É uma espécie do Pacífico.

5. Coral japonicum (Corallium japonicum)
É o “Aka”, “Moro” ou “oxblood” do comércio, de vermelho escuro a muito escuro. Um núcleo branco no meio do galho é característico da espécie, mas indesejado. É uma espécie do Japão.
6. Coral konojoi (Pleurocorallium konojoi)
Conhecido como “Bianco”, “Pure White” ou “Shiro”, tem cor branca leitosa, às vezes com pintas vermelhas ou rosa. É uma espécie do Pacífico ocidental.

7. Coral elatius (Pleurocorallium elatius)
É o “Momo”, “Cerasuolo” ou “Satsuma”, com vermelho vivo, salmão, laranja e tons de pele. Uma variação rosa clara é conhecida como “pele de anjo” (angel skin, pelle d’angelo), embora o nome também seja usado, às vezes, para outras espécies. É uma espécie do Pacífico ocidental.

Coral sintético, imitações e tratamentos
Os termos “sintético” e “imitação” são diferentes. A gema sintética reproduz a estrutura do material natural, enquanto a imitação só copia o aspecto. Nas fontes consultadas, o que se vê no comércio de coral são imitações e coral reconstituído (pó de coral colado com resina), e não um coral sintético igual ao natural, como acontece com algumas gemas.
- Imitações: vidro, plástico, calcário tingido, cerâmica, osso e mármore;
- Corais “de segunda linha”: bambu, esponja e outros, tingidos e impregnados para imitar o coral precioso;
- Tratamentos: tingimento, clareamento, impregnação com cera ou resina e estabilização com plástico. Pedras claras ou desiguais são tingidas para ficar mais intensas, e o corante tende a se acumular em fissuras e poros. Todo tratamento deve ser informado ao comprador.
Como reconhecer: o coral natural mostra, em ampliação, uma estrutura fina de anéis concêntricos (estrutura de Liesegang), ausente no vidro, no plástico e na maioria das imitações. O teste do ácido clorídrico diluído separa o coral do vidro e do plástico, mas não separa o coral de outros materiais calcários, como o calcário tingido ou outros corais, e danifica a peça. A identificação segura da espécie costuma exigir análises de laboratório, como elementos-traço e DNA. Para saber mais sobre como identificar gemas, veja o guia para identificar uma pedra preciosa ou gema.
Branqueamento e conservação dos corais
O branqueamento acontece nos corais de recife. Eles vivem em simbiose com algas microscópicas, as zooxantelas, que fazem fotossíntese e alimentam o coral, e que determinam em grande parte a cor do tecido. Quando o ambiente muda (por exemplo, com o aquecimento da água), o coral perde parte ou todas as algas e fica esbranquiçado. Se o desequilíbrio dura, a colônia pode morrer total ou parcialmente. A Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, na Austrália, aponta as mudanças climáticas como a maior ameaça ao recife. Já a cor dos corais preciosos vem de pigmentos do próprio esqueleto, e não de zooxantelas.
Entre os corais preciosos, o quadro é diferente:
- O Corallium rubrum foi classificado como Em Perigo (Endangered) na Lista Vermelha da IUCN para o Mediterrâneo, em 2016. As ameaças são a coleta ao longo de décadas, redes e linhas de pesca perdidas, ondas de calor e mortes em massa em águas profundas. A pesca de arrasto foi proibida em 1994 e hoje a coleta é seletiva, feita por mergulhadores profissionais;
- Segundo a GIA, o coral é colhido mais rápido do que cresce;
- No comércio internacional, o coral negro, o coral azul e os corais de recife estão no Apêndice II da CITES. Quatro espécies do Pacífico (elatius, japonicum, konojoi e secundum) foram listadas no Apêndice III a pedido da China, e o Corallium rubrum não está listado. As regras mudam de região para região, por isso confira a regulamentação em vigor antes de importar ou exportar e peça documentos de origem.
Para ter uma ideia da escala dos recifes vivos, a Grande Barreira de Corais, na costa de Queensland (Austrália), reúne cerca de 3.000 recifes individuais, 600 ilhas continentais e mais de 300 ilhas de coral, e abriga cerca de 450 espécies de corais duros e mais de 1.000 de corais moles. No Brasil, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia, foi criado em 1983 e é considerado o primeiro parque marinho desse tipo no país.
Origem, história e uso em joias
Torre del Greco, no sopé do Vesúvio, perto de Nápoles (Campânia, Itália), é o principal centro de trabalho de coral. Sua história com o coral vem do século XV, e a primeira fábrica de coral da cidade foi fundada em 1805.
O coral é usado em joias desde a pré-história: há peças em túmulos do Egito antigo e da Europa pré-histórica, e a GIA fala em pelo menos 30 mil anos de uso. Os romanos penduravam galhos de coral em crianças, como proteção, e na Itália o coral foi usado contra o mau-olhado. Esses significados vêm da crença e da tradição, não de comprovação científica. O coral foi muito popular na era vitoriana, e na astrologia hindu é ligado a Marte.
Hoje o coral é usado em colares, pulseiras, brincos, anéis, pingentes e camafeus, em contas e cabochões, e em galhos brutos. Para o comprador, os fatores de valor são a cor, a distribuição da cor, o brilho, a qualidade da superfície, o tamanho e a simetria. Não existe um sistema internacional de classificação. Para comparar com outras gemas coradas e ornamentais, veja os posts sobre a malaquita, a opala e a esmeralda.
Cuidados com joias de coral
Como é um material orgânico e macio, o coral exige cuidado na produção da joia e no uso:
- Calor e produtos químicos: evite calor forte, piscinas com cloro e produtos como perfume, laquê e cosméticos, além de ácidos e suor;
- Limpeza: use pano macio e úmido, ou enxágue rápido em água morna com sabão neutro, sem deixar de molho. Não use ultrassom nem vapor, e evite escovas duras;
- Armazenamento: guarde em bolsa de pano, longe de gemas e metais mais duros, como o diamante, que podem riscá-lo;
- Sol: o coral tingido pode desbotar com exposição prolongada.
Peças que perderam o brilho podem ser repolidas por um especialista.
Veja também
- Identificar uma pedra preciosa ou gema: guia completo
- Pedra safira: significado, características e joias
- Pedra rubi: características, significado e joias
- Pedra esmeralda: características, significado e joias
- Diamante: características, significado, joias e os 4 Cs
- Pedra água-marinha: simbolismo, características e joias
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- Topázio: gema, propriedades, significado e características
- Turmalina: características e variedades
- Pindobaçu (BA), a capital das esmeraldas
Fontes consultadas
- CIBJO: guia do coral (março de 2025)
- Wikipédia: coral precioso
- GIA: coral
- Skyjems: coral vermelho
- Frontiers in Marine Science: populações de Corallium rubrum
- GBRMPA: corais da Grande Barreira e IUCN: Grande Barreira de Corais
- Agência FAPESP: Abrolhos
Perguntas Frequentes
O que é o coral usado em joias?
É o esqueleto calcário de colônias de pequenos animais marinhos. O coral precioso (família Corallidae) é vermelho, rosa, laranja ou branco, e vive em águas mais profundas que os corais de recife.
Quais são as propriedades do coral?
Dureza de cerca de 3,5 na Escala de Mohs, densidade entre 2,6 e 2,8, composição de carbonato de cálcio (calcita), opaco a translúcido e polimento de brilho vítreo. É macio, poroso e frágil.
Quais são os tipos de coral usados em joias?
Os principais são o coral nobre (Corallium rubrum), o japonicum (Aka), o elatius (Momo), o konojoi (branco) e o secundum (rosa). O bambu, a esponja, o azul e o negro também são usados, mas não são corais preciosos.
Qual é o coral mais valioso?
Historicamente, o vermelho intenso, o “sangue de boi”. O valor depende da cor, da distribuição da cor, do brilho, da superfície, do tamanho e da simetria, e não existe um sistema internacional de classificação.
Como saber se o coral é falso?
O coral natural mostra, em ampliação, anéis concêntricos finos, ausentes no vidro e no plástico. O ácido clorídrico separa só o coral de vidro e plástico, danifica a peça e não distingue o coral de outros materiais calcários. Em compras de valor, peça laudo de laboratório.
O coral vermelho é sempre natural?
Não. Corais claros ou desiguais podem ser tingidos, e o coral bambu e o esponja costumam ser tingidos e impregnados para imitar o precioso. Todo tratamento deve ser informado.
O coral está ameaçado de extinção?
O Corallium rubrum está “Em Perigo” no Mediterrâneo, segundo a IUCN (2016). A pesca de arrasto foi proibida em 1994 e a coleta é seletiva. O comércio de várias espécies é regulado pela CITES.
Por que o coral fica branco?
O branqueamento ocorre nos corais de recife: sob estresse, como o aquecimento da água, eles perdem as algas (zooxantelas) que dão cor e alimento. A cor dos corais preciosos vem de pigmentos do próprio esqueleto.
Qual o significado do coral?
Por tradição, o coral é associado à proteção, à saúde e à felicidade, e já foi usado contra o mau-olhado. Esses significados vêm da crença, e não de comprovação científica.
Como limpar e cuidar de joias de coral?
Use pano macio úmido ou um enxágue rápido em água morna com sabão neutro. Não use ultrassom, vapor, escovas duras, perfume ou produtos químicos, e guarde a joia separada de pedras duras.
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