Turmalina Paraíba: História, Propriedades e Características

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A turmalina Paraíba é uma variedade de turmalina de cor azul neon, azul-esverdeada ou verde, e uma das gemas mais raras e valorizadas do mundo. Neste guia você vê a história da descoberta no Brasil, as propriedades e características gemológicas, por que ela tem essa cor, a origem (Brasil, Nigéria e Moçambique), os tratamentos, o valor, o uso em joias e os cuidados. No final há um FAQ.

A cor vem do cobre, um elemento raro em turmalinas, e a gema ganhou o nome do estado brasileiro onde foi encontrada pela primeira vez. Desde então virou sinônimo de azul “elétrico” em joalheria.

Turmalina Paraíba
Turmalina Paraíba

História da turmalina Paraíba

A história começa na Paraíba, no Nordeste do Brasil. Segundo a GIA, o garimpeiro e prospector Heitor Dimas Barbosa notou, em 1982, pequenas manchas em amostras de pegmatito que lhe foram mostradas por um garimpeiro local. As turmalinas de cor “elétrica” e azul “safira” só foram encontradas em agosto de 1987, e o material chegou ao mercado internacional em 1989.

O local é a Mina da Batalha, na serra da Frade, a cerca de 4,5 km a nordeste de Salgadinho e perto da vila de São José da Batalha. Os primeiros cristais foram minerados em 1989, e os depósitos brasileiros parecem ter se esgotado cerca de cinco anos depois, segundo o Museu Nacional de História Natural dos EUA. Mais tarde, jazidas no vizinho Rio Grande do Norte foram identificadas, e a GIA registrou, em 2014, mineração e prospecção ainda ativas nos dois estados.

No começo dos anos 2000, turmalinas com cobre e cores parecidas apareceram na Nigéria e, pouco depois, em Moçambique. As fontes divergem quanto às datas exatas: a GIA diz que ambas foram encontradas “no início do século XXI”, o Smithsonian cita 2001 para a Nigéria, e um resumo da GIA fala em 2001 para a primeira recuperação em Moçambique, com o cobre reconhecido só em 2003.

A questão do nome também fez história. O termo “paraíba” foi aceito como nome comercial pela CIBJO em 1999. Em 2006, a conferência internacional de laboratórios gemológicos e a LMHC aceitaram “turmalina Paraíba” como nome de variedade, independentemente da origem geográfica. Hoje, a maioria dos laboratórios chama de turmalina Paraíba toda elbaíta com cobre, e o laudo informa a origem separadamente.

Geologicamente, as turmalinas vêm de pegmatitos da Província Borborema, no Nordeste do Brasil, uma faixa de rochas de idade neoproterozoica, enriquecidos em lítio, césio e cobre.

Vídeo sobre a turmalina Paraíba

Turmalina Paraíba

Por que a turmalina Paraíba tem essa cor

A turmalina Paraíba é uma elbaíta (espécie de turmalina) colorida por cobre. O íon de cobre (Cu2+) absorve a luz vermelha e amarela e deixa passar o azul e o verde, o que dá o tom “turquesa” e “neon”. O manganês (Mn3+) acrescenta tons violeta, roxo e rosa: quanto mais manganês em relação ao cobre, mais violeta é o azul.

O teor de cobre é muito alto para um silicato que não tem cobre na fórmula. Um estudo da GIA mediu até cerca de 1,9% de cobre (2,38% de CuO) em uma pedra verde, entre os valores mais altos já registrados em silicatos desse tipo. Diferente de outras turmalinas azuis, como a indicolita, a Paraíba se distingue justamente pela presença do cobre.

Propriedades e características gemológicas

  • Espécie e variedade: elbaíta (turmalina) com cobre;
  • Dureza: 7 a 7,5 na Escala de Mohs, com tenacidade regular, ou seja, não é tão resistente a pancadas quanto a safira;
  • Índice de refração: varia entre cerca de 1,60 e 1,65 (nas pedras da Mina da Batalha, de 1,618 a 1,646);
  • Birrefringência: entre cerca de 0,013 e 0,025, e o efeito de “duplicação” costuma ser visível com lupa;
  • Densidade: entre cerca de 2,84 e 3,12 (média perto de 3,05);
  • Caráter óptico: uniaxial negativo;
  • Brilho: vítreo; transparência: transparente a translúcida;
  • Fluorescência: inerte a fraca sob luz ultravioleta;
  • Cores: do azul-violeta ao azul neon, azul-esverdeado e verde, com raros tons violeta, roxo e rosa.

A turmalina Paraíba não brilha no escuro. O efeito “neon” é visual, resultado de uma cor muito saturada.

Cores da turmalina Paraíba

No comércio, os tons recebem nomes como “neon”, “elétrico”, “turquesa”, “safira”, “tanzanita”, “menta” e “esmeralda”. O fator principal de valor é a saturação da cor, que a IGS (International Gem Society) vê numa escala do nível 4 (moderadamente forte) ao 6 (vívido). Uma elbaíta de saturação 5 ou mais tem grande chance de ser Paraíba. Outra turmalina que chega perto desse nível é a turmalina cromo, mas ela tem índice de refração mais alto e birrefringência bem menor.

Turmalinas Paraíba lapidadas em diferentes nuances de cor
Turmalinas Paraíba lapidadas em diferentes nuances de cor

Origem: Brasil, Nigéria e Moçambique

  • Brasil: estados da Paraíba (Mina da Batalha) e do Rio Grande do Norte. É o material clássico, de cor muito saturada e com teores de cobre mais altos que os africanos (a GIA cita média de cerca de 11.400 ppm de cobre nas pedras brasileiras, contra menos de 2.000 ppm nas africanas);
  • Nigéria: em geral com cor menos saturada que a brasileira, embora as cores se sobreponham;
  • Moçambique: cores semelhantes às brasileiras.

A origem muitas vezes não pode ser determinada sem laboratório. A GIA usa análise de elementos-traço por LA-ICP-MS, comparada a amostras de locais conhecidos, e emite o resultado “inconclusivo” quando o perfil fica entre as faixas. A origem pesa no preço, e o material africano costuma custar menos do que o brasileiro de qualidade comparável.

Tratamentos da turmalina Paraíba

  • Aquecimento: é o tratamento mais comum, segundo a IGS. Em testes da GIA, o aquecimento a cerca de 550 °C reduz o manganês e faz o azul-arroxeado virar azul claro. O verde “esmeralda” só foi visto em material aquecido. A cor é estável e praticamente indetectável por métodos comuns;
  • Perfuração a laser e preenchimento de fraturas: ocorrem de forma ocasional. Os tratamentos de pureza diminuem o valor em relação a uma pedra sem tratamento semelhante, e devem ser informados.

Em compras de valor, peça laudo de laboratório gemológico, com informação de origem e de tratamento.

Lapidação, tamanho e raridade

Os cristais costumam vir fraturados do garimpo, e por isso as turmalinas Paraíba facetadas raramente passam de poucos quilates. Pedras de cor fina com mais de 5 quilates são excepcionais, e as de mais de 2 quilates já são escassas. Os lapidadores buscam o melhor aproveitamento do peso e da cor, e o corte facetado em ângulos corretos faz a luz entrar na gema e voltar aos olhos. Como é difícil achar duas pedras idênticas, fazer pares para brincos é um desafio.

Turmalina Paraíba
Turmalina Paraíba

O Smithsonian guarda um cristal bruto de Paraíba de 310 quilates, de cor azul-esverdeada intensa, o primeiro cristal desse tipo na Coleção Nacional de Gemas dos EUA.

Valor da turmalina Paraíba

O preço depende da cor (saturação), da origem, do peso, da pureza e da lapidação, e há saltos de preço em torno de 1, 2 e 5 quilates. Para entender os critérios, veja o post sobre as 4 classificações do diamante, que também valem, com adaptações, para as gemas coradas.

Em 1990, pedras grandes e limpas já chegavam a mais de 1.000 dólares por quilate, segundo a GIA. Os preços subiram depressa: segundo a IGS, logo passaram de 20 mil dólares por quilate para as melhores pedras. Hoje, para as melhores pedras brasileiras acima de 1 quilate, lojistas citam preços na casa das dezenas de milhares de dólares por quilate, mas os valores variam muito e não há tabela oficial. Como a produção é pequena e a procura é grande, a gema é considerada rara.

Turmalina Paraíba uma das gemas mais raras
Turmalina Paraíba uma das gemas mais raras

Turmalina Paraíba em joias

Por causa da raridade, a turmalina Paraíba costuma ser montada em peças exclusivas, como anéis, pendentes e brincos. Como o cristal costuma vir pequeno e fraturado, o design da joia segue, em geral, o formato da pedra. Para conhecer a família de gemas, veja o post sobre a turmalina, e para comparar com outras gemas azuis e esverdeadas, veja a safira, a água-marinha e a esmeralda. A Bahia também tem tradição em gemas, e o post sobre Pindobaçu conta a história da capital das esmeraldas do estado.

Cuidados com a turmalina Paraíba

  • Limpeza: água morna com sabão neutro. A GIA não recomenda ultrassom nem vapor;
  • Calor: o calor intenso pode alterar a cor, e mudanças bruscas de temperatura podem fraturar a pedra;
  • Luz e produtos químicos: a turmalina é, em geral, estável à luz e a produtos químicos;
  • Uso: como a tenacidade é regular, evite pancadas, sobretudo em pedras com fraturas. Guarde a joia separada de gemas mais duras, que podem riscá-la.

Veja também

Fontes consultadas

Perguntas Frequentes

O que é a turmalina Paraíba?

É uma elbaíta (turmalina) colorida por cobre, de cor azul neon, azul-esverdeada ou verde. O nome vem do estado da Paraíba, onde a gema foi encontrada pela primeira vez, no fim da década de 1980.

Quem descobriu a turmalina Paraíba?

Segundo a GIA, o garimpeiro Heitor Dimas Barbosa notou as primeiras pintas em 1982, e as pedras azuis “elétricas” foram achadas em 1987, na Mina da Batalha. O material chegou ao mercado internacional em 1989.

Quais são as propriedades da turmalina Paraíba?

Dureza de 7 a 7,5, índice de refração entre cerca de 1,60 e 1,65, birrefringência de 0,013 a 0,025, densidade de 2,84 a 3,12, brilho vítreo e sistema uniaxial negativo.

Por que a turmalina Paraíba é azul neon?

Por causa do cobre, que absorve o vermelho e o amarelo. O manganês acrescenta tons violeta e rosa. A pedra não brilha no escuro: o “neon” vem da cor muito saturada.

Turmalina Paraíba só existe no Brasil?

Não. A GIA e a IGS registram turmalinas com cobre também na Nigéria e em Moçambique. Hoje a maioria dos laboratórios chama de Paraíba toda elbaíta com cobre, e informa a origem separadamente.

Como saber a origem de uma turmalina Paraíba?

Só com análise de laboratório. A GIA usa LA-ICP-MS para medir elementos-traço, como cobre, zinco, gálio, estrôncio, estanho e chumbo, e compara com amostras de origem conhecida. Se o perfil é ambíguo, o resultado é “inconclusivo”.

A turmalina Paraíba é tratada?

Muitas passam por aquecimento, que costuma ser estável e difícil de detectar. Perfuração a laser e preenchimento de fraturas ocorrem de forma ocasional. Peça laudo com a informação de tratamento.

Quanto custa a turmalina Paraíba?

Depende de cor, origem, peso e pureza, e não existe tabela oficial. Em 1990, pedras grandes e limpas chegavam a mais de mil dólares por quilate, e hoje as melhores pedras brasileiras podem custar dezenas de milhares de dólares por quilate.

Por que ela é tão rara?

Os depósitos brasileiros produziram pouco e parecem ter se esgotado cerca de cinco anos após a descoberta. Além disso, os cristais costumam vir fraturados, e pedras facetadas com mais de 5 quilates de boa cor são excepcionais.

Como limpar e cuidar de joias com turmalina Paraíba?

Use água morna com sabão neutro. Evite ultrassom, vapor, calor intenso e mudanças bruscas de temperatura, e guarde a peça separada de gemas mais duras.

Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

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