Pedra Safira: Significado, Características e Joias

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A pedra safira é a variedade de coríndon de cor azul e uma das gemas coradas mais prestigiadas da joalheria. Neste guia você vê o significado da safira, suas propriedades e características, as cores, a origem, o asterismo (safira-estrela), as sintéticas, os tratamentos, como ela é avaliada, o uso em joias e os cuidados. No final há um FAQ com as dúvidas mais comuns.

Por tradição, a safira é associada à honestidade, à verdade e à justiça. Esses significados vêm da crença e da história das cortes e da Igreja, e não de comprovação científica. A cor intensa e a durabilidade, porém, são fatos, e explicam por que a pedra é tão usada em anéis de noivado e em joias finas.

Safira azul
Safira azul

O que é a pedra safira

A safira é uma variedade do mineral coríndon, formado por óxido de alumínio (Al2O3). Em estado puro, o coríndon é incolor, e a cor vem de traços de outros elementos. Na definição gemológica, “safira” é qualquer coríndon de qualidade gema que não seja vermelho, e o vermelho é sempre o rubi. No comércio, porém, “safira” sem adjetivo quer dizer safira azul, enquanto as demais cores levam o nome da cor (safira amarela, rosa, verde) e são chamadas de fancy.

O nome vem do francês saphir, do latim sapphirus e do grego sappheiros. Na Antiguidade, o termo não se referia necessariamente ao coríndon e também foi ligado ao lápis-lazúli e a outras pedras azuis.

Durante séculos a safira foi usada por reis, rainhas e membros da Igreja. Entre as peças famosas das Joias da Coroa Britânica estão a Safira Stuart e a Safira de Santo Eduardo. Mais perto de nós, o anel de noivado da princesa Diana, hoje usado por Kate Middleton, é citado pela GIA como a safira azul mais famosa do mundo.

Joias com pedra safira
Joias com pedra safira

Vídeo sobre a pedra safira

Safira natural

Significado da pedra safira

Os significados da safira vêm da tradição e da crença, e não de comprovação científica. Ela é ligada à honestidade, à verdade, à justiça, à sabedoria e à espiritualidade, e a azul é a cor preferida de reis e membros da Igreja. A safira amarela é associada, por quem acredita, à energia criativa e à prosperidade.

Na tradição das datas, a safira é a pedra de nascimento de setembro e a gema do 5º e do 45º aniversários, segundo a GIA. O 65º aniversário também é chamado de “jubileu de safira”.

Propriedades e características gemológicas da safira

  • Mineral e fórmula: coríndon, Al2O3;
  • Sistema cristalino: trigonal (ligado ao sistema hexagonal); os cristais costumam ter forma de barril ou de pirâmide hexagonal;
  • Dureza: 9 na Escala de Mohs, um nível abaixo do diamante;
  • Densidade: cerca de 4,00;
  • Índice de refração: 1,762 a 1,770;
  • Birrefringência: 0,008 a 0,010;
  • Brilho: vítreo a subadamantino;
  • Clivagem e tenacidade: sem clivagem e com ótima tenacidade, o que a torna resistente a pancadas;
  • Transparência: de transparente a opaca;
  • Cores: todas, exceto o vermelho (que é rubi), incluindo azul, rosa, amarela, laranja, verde, violeta, cinza, preta, marrom e incolor.

A dureza 9 pesa muito no valor da pedra e também exige técnica na lapidação. Como a escala de Mohs não tem passos iguais, o diamante, apenas um número acima, é muitas vezes mais duro. Mesmo assim, a safira resiste bem ao uso diário.

Cores da safira e o que as causa

A cor vem de traços de elementos no cristal:

  • Azul: ferro e titânio;
  • Rosa: cromo (quando o cromo é abundante, a cor é vermelha e a pedra passa a ser rubi);
  • Amarela e laranja: absorção ligada ao ferro e a defeitos no cristal;
  • Verde: sobreposição de absorções azul e amarela (o vanádio é outro caminho);
  • Violeta e roxa: cromo combinado com ferro e titânio, ou vanádio.

Algumas safiras mostram mudança de cor, em geral azuis na luz do dia ou fluorescente e roxas sob luz incandescente.

Safiras de diferentes cores
Safiras de diferentes cores

Safira azul

A safira azul é a mais conhecida e a mais procurada. A GIA observa que safiras azuis grandes são mais fáceis de achar do que rubis grandes.

Safira bruta
Safira bruta

Entre as mais famosas está a Safira Logan, de 422,98 quilates, do Sri Lanka, exposta no Museu Nacional de História Natural dos EUA, em Washington. Seu azul tem um leve toque violeta, e a GIA a examinou em 1997 e concluiu que a cor é natural e que a pedra não foi aquecida. Outras grandes safiras são a Estrela da Índia (563,35 quilates) e a Estrela Negra de Queensland (733 quilates). Em 2021, o Sri Lanka divulgou uma safira azul bruta de 310 kg, apelidada de “Rainha da Ásia”, mas o valor anunciado na imprensa não foi confirmado.

Safira branca ou incolor (leucossafira)

É o coríndon sem elementos que dão cor. É usada em joalheria como alternativa ao diamante, inclusive em anéis de noivado, mas tem menos brilho do que ele.

Safira amarela

Tem popularidade crescente como alternativa ao diamante, com um toque mais alegre. A cor está ligada ao ferro.

Safira rosa

A cor vem do cromo. A linha entre a safira rosa e o rubi é definida por laboratórios gemológicos.

Safira violeta ou roxa

Cores raras, que às vezes se confundem com a ametista. Como a ametista é um quartzo bem mais macio (dureza 7), a diferença aparece no teste gemológico.

Safira cinza, preta e marrom

Também são variedades de safira. As pretas costumam ser quase opacas, e algumas exibem estrela, como a Estrela Negra de Queensland.

Safira laranja

Ocorre em tons de laranja a laranja-amarronzado, pela presença de ferro e de defeitos no cristal.

Safira verde

A cor resulta da sobreposição de absorções azul e amarela. Muitas vezes mostra traços de azul ou amarelo. Para comparar com outras gemas verdes, veja a turmalina.

Safira Padparadscha

É uma safira rara e valiosa, de cor rosa-alaranjada, como a flor de lótus. O nome vem do cingalês. Tradicionalmente ligada ao Sri Lanka, ela hoje é definida pela cor e pela estabilidade, e não pela origem. Por isso é comum haver discussão entre laboratórios sobre o que é, ou não, padparadscha.

Origem: onde é encontrada a safira

  • Sri Lanka: cascalhos gemíferos (região de Ratnapura) e algumas ocorrências em rocha;
  • Caxemira (Índia): as safiras de Paddar são raras, de azul intenso e aspecto aveludado, e são o padrão do azul. A produção foi intensa só por um curto período, há mais de um século, e hoje é mínima, por isso as pedras antigas são muito disputadas;
  • Mianmar: Mogok, em depósitos primários e secundários;
  • Madagascar: Andranondambo e a região de Ilakaka–Sakaraha;
  • Tailândia, Vietnã e Austrália: Chanthaburi–Pailin, o sul do Vietnã e o leste australiano, em depósitos secundários;
  • Estados Unidos: Montana (Rock Creek, rio Missouri, Yogo Gulch);
  • Quênia: região central (Dusi).

No Brasil, as ocorrências de coríndon são pontuais. Estudos citam localidades em Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, além de Mato Grosso e Goiás. A produção comercial é pequena e não se compara à de outros países.

Asterismo: a safira-estrela

Asterismo é o efeito de estrela que aparece em algumas gemas. Na safira, ele é causado por agulhas finas de rutilo (a “seda”) orientadas em três direções, que formam uma estrela de seis pontas. Quando duas redes de inclusões se sobrepõem a cerca de 30°, a estrela pode ter 12 pontas. O efeito é diferente da chatoyance, que forma uma única faixa de luz.

Asterismo
Asterismo

Para mostrar a estrela, a pedra é lapidada em cabochão. O valor da safira-estrela depende do peso, da cor e da nitidez do asterismo. Também existem safiras-estrela sintéticas, e só um laboratório confirma se a pedra é natural.

Safira sintética

A safira sintética é cultivada em laboratório e tem, em essência, a mesma composição, as mesmas propriedades físicas e óticas da natural. Não deve ser confundida com a imitação, que é outro material (vidro, por exemplo) que apenas parece uma safira. Também é usada na indústria: janelas de leitores de código de barras e peças de naves espaciais são exemplos.

O primeiro método comercial foi a fusão à chama, o processo de Verneuil, anunciado pelo francês Auguste Verneuil em 1902 (para o rubi) e descrito em detalhes em 1904. Nele, pó de óxido de alumínio é derretido em uma chama de oxigênio e hidrogênio, as gotas caem sobre um suporte e cristalizam em coríndon. A adição de cromo, titânio, ferro e outros elementos dá as cores. Esse processo ainda é muito usado.

processo de Verneuil
processo de Verneuil
  • Fluxo (flux): a alumina é dissolvida em um composto fundido, que atua como solvente;
  • Hidrotermal: crescimento em soluções aquosas, sob altas temperaturas e pressões;
  • Outros métodos: Czochralski, Kyropoulos, trocador de calor (HEM), EFG e Bridgman.

Para saber se uma safira é natural, é preciso examinar as inclusões ao microscópio. As naturais costumam ter inclusões minerais e líquidas e zoneamento de cor retilíneo. Os elementos-traço podem dar indícios, mas não bastam como prova. Em compras de valor, peça laudo de um laboratório gemológico.

Tratamentos da safira

Tratamento térmico

É o tratamento mais comum. O aquecimento controlado modifica a cor e a transparência: pode aprofundar ou clarear o azul e dissolver, em parte ou por inteiro, a seda de rutilo. Fornos modernos, que passam de 1.500 °C, transformaram a geuda do Sri Lanka em safira azul transparente a partir dos anos 1960. Segundo a GIA, a maior parte dos rubis e safiras do comércio hoje é aquecida. O tratamento é tradicional e aceito, mas a pedra aquecida não é “natural” no sentido de não tratada, e o ideal é que a informação conste no laudo.

Difusão

Na difusão, elementos entram na pedra a alta temperatura. A difusão de titânio (década de 1970) cria ou aprofunda o azul, em uma camada fina perto da superfície. A difusão de berílio, que ganhou força no início dos anos 2000, trabalha acima de 1.800 °C e pode dar tons amarelos, laranja e rosa-alaranjados, atingindo camadas mais profundas. Nessas pedras, danos à superfície ou um novo corte podem tirar a cor. Se a pedra for difundida, a informação deve constar no laudo.

Preenchimento e outros

Fraturas podem ser preenchidas com vidro rico em chumbo, e há ainda a cura com fluxo (flux healing), o preenchimento de cavidades e o tingimento. Esses tratamentos pedem mais cuidado e devem sempre ser informados ao comprador.

Como a safira é avaliada

A avaliação segue os critérios das demais gemas coradas, com a cor em primeiro lugar. Veja também o post sobre as 4 classificações do diamante.

Tipos de classificação da safira
Tipos de classificação da safira

Cor

Em qualquer cor, a GIA valoriza a saturação de forte a vívida. Nas azuis, o padrão é o azul intenso e aveludado da Caxemira. A cor não deve escurecer demais, para não perder o brilho.

Pureza (transparência)

As safiras azuis costumam ter algumas inclusões, mas em geral são mais limpas do que os rubis. As inclusões são sinal de origem natural, mas reduzem o valor quando ameaçam a durabilidade. A “seda” de rutilo, apesar de ser uma imperfeição, às vezes dá um aspecto aveludado à pedra e pode agradar ao comprador. A transparência vai de transparente a opaca, e a transparente é a ideal.

Peso (quilates)

O peso é medido em quilates. Como a safira é densa (cerca de 4,00, contra cerca de 3,52 do diamante), uma safira de 1 quilate parece menor do que um diamante de mesmo peso.

Lapidação

Os cortes mais usados são o oval, o redondo, o almofada e o esmeralda. Em geral, a coroa tem lapidação brilhante e o pavilhão tem degraus (corte misto). A safira-estrela é sempre lapidada em cabochão.

Estilos de corte da safira
Estilos de corte da safira

Em geral, os lapidadores orientam a pedra de acordo com o zoneamento de cor, a clareza e o pleocroísmo (cores diferentes em direções diferentes), e a profundidade do corte influencia a cor e o peso aproveitado.

Safira em joias

A safira azul é muito usada em anéis de noivado, colares, brincos e pulseiras. As safiras de outras cores, em especial a amarela e a rosa, ganharam espaço como alternativa ao diamante. Com dureza 9 e ótima tenacidade, a safira é uma das pedras mais indicadas para o uso diário. Combina bem com diamantes, e para comparar com outras gemas coradas, veja os posts sobre a esmeralda, a água-marinha e a identificação de uma gema.

Cuidados com a safira

  • Limpeza geral: água morna e sabão neutro é sempre seguro. Uma escova de dentes macia ajuda a limpar atrás da pedra, onde se acumula sujeira;
  • Ultrassom e vapor: costumam ser seguros para safiras sem tratamento, aquecidas ou com difusão de rede. Evite em pedras com fraturas preenchidas, cavidades preenchidas ou tingidas, que só devem ser limpas com pano úmido;
  • Produtos químicos: evite ácidos, mesmo suaves como o suco de limão, nas pedras preenchidas ou tingidas. O pó de ácido bórico pode atacar a superfície até de uma safira sem tratamento;
  • Uso: a safira resiste a calor, luz e à maioria dos produtos, mas retire a joia em trabalhos pesados.

Veja também

Fontes consultadas

Perguntas Frequentes

O que é a pedra safira?

É a variedade de coríndon (óxido de alumínio) de qualidade gema que não é vermelha. No comércio, “safira” sem adjetivo é a azul, e é a pedra de nascimento de setembro.

Qual é o significado da pedra safira?

Por tradição, a safira é associada à honestidade, à verdade, à justiça e à sabedoria. Esses significados vêm da crença e da história, e não de comprovação científica.

Quais são as propriedades da safira?

Dureza 9 na Escala de Mohs, densidade cerca de 4,00, índice de refração de 1,762 a 1,770, birrefringência de 0,008 a 0,010, brilho vítreo a subadamantino e sem clivagem. A fórmula é Al2O3.

Por que a safira é azul? Ela tem outras cores?

O azul vem de ferro e titânio. A safira ocorre em quase todas as cores, como rosa, amarela, laranja, verde, violeta, cinza, preta e incolor. O coríndon vermelho é o rubi.

Qual a diferença entre safira e rubi?

As duas são coríndon. O rubi é o coríndon vermelho, cuja cor vem do cromo, e a safira inclui todas as outras cores. A linha entre safira rosa e rubi é definida por laboratórios gemológicos.

O que é safira Padparadscha?

É uma safira rara e valiosa, de cor rosa-alaranjada, cujo nome vem do cingalês e quer dizer “flor de lótus”. Hoje a definição é pela cor e pela estabilidade, e não pela origem.

O que é a safira-estrela?

É a safira com asterismo, um efeito de estrela de seis (ou, mais raramente, doze) pontas, causado por agulhas de rutilo. Ela é lapidada em cabochão para mostrar a estrela.

A safira pode ser tratada ou sintética?

Sim. O aquecimento é o tratamento mais comum, e há também difusão, preenchimento de fraturas e tingimento. A sintética tem a mesma composição da natural e só um laboratório confirma a origem. Peça sempre o laudo em compras de valor.

De onde vêm as melhores safiras e o que define o valor?

As da Caxemira são o padrão do azul intenso e aveludado, mas a produção é mínima. Há também Sri Lanka, Mianmar, Madagascar e Montana. O valor depende da cor (saturação), da pureza, do peso, da lapidação e da origem natural, sem tratamento.

Como limpar joias de safira?

Use água morna e sabão neutro com uma escova macia. Ultrassom e vapor costumam ser seguros para pedras sem tratamento ou aquecidas, mas pedras preenchidas ou tingidas só devem ser limpas com pano úmido. Evite ácidos.

Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

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