A viagem de Martim Afonso de Sousa constituiu uma expedição marítima com objetivos militares, exploratórios e colonizadores ao longo da costa do Brasil e do Prata.

Entre dezembro de 1530 e janeiro de 1532 a frota navegou pelas ilhas atlânticas, combateu corsários, estabeleceu contatos com indígenas (inclusive reencontrando o português Diogo Álvares, o Caramuru), realizou explorações terrestres em busca de riquezas minerais, enfrentou perdas navais e firmou posse de terras portuguesas no estuário do Paraná — culminando no retorno e no povoamento definitivo de São Vicente.

1. Partida e primeiras ações (dezembro 1530 – janeiro 1531)
Viagem de Martim Afonso ao Brasil (1530–1532) — principais realizações
No mês da partida, dezembro de 1530, a esquadra passou pelas Canárias e pelas ilhas de Cabo Verde, chegando à costa pernambucana no fim de janeiro seguinte.
Começou então a cumprir sua missão de guarda‑costas, capturando três navios franceses encontrados na região.
Soube‑se que, pouco antes, um galeão francês havia saqueado a feitoria portuguesa em Pernambuco.

2. Decisões de Martim Afonso durante a expedição
Martim Afonso mandou para Portugal, carregada de pau‑brasil, uma das naus tomadas aos entrelopes; incorporou outra à expedição com o nome de Nossa Senhora das Candeias e mandou queimar a terceira.
Apesar de uma nau ter se desgarrado em São Miguel, ordenou que as caravelas Rosa e Princesa, comandadas por Diogo Leite, fossem ao “Rio do Maranhão” em missão de exploração.

3. Baía de Todos os Santos e encontro com Caramuru (março–abril 1531)
Em março de 1531 partiram duas naus e o galeão restante para a Baía de Todos os Santos.
Ali foi encontrado, vivendo entre os indígenas, o português Diogo Álvares, o Caramuru, que estava na região havia vinte e dois anos, como náufrago ou degredado.
A Pero Lopes pareceram muito brancos e bem dispostos os naturais da terra, e muito formosas as mulheres, “que não hão nenhuma inveja às da Rua Nova de Lisboa”.
Festejados e providos de mantimentos, os expedicionários deixaram na Baía dois homens com sementes para “fazerem experiência do que a terra dava”.

4. Rio de Janeiro e exploração interior (abril–agosto 1531)
Prosseguindo para o sul, a expedição incorporou a caravela Santa Maria do Cabo, em viagem para Sofala. No fim de abril alcançaram o Rio de Janeiro, onde permaneceram três meses.
Desembarcando sua gente — bem recebida pelos indígenas — o Capitão‑Mor mandou abrigá‑la numa casa‑forte cercada de paliçada, então construída. Em terra instalaram uma ferraria e construíram dois bergantins de 15 bancos.
Enquanto se obtinham mantimentos para um ano, destinados a quatrocentas pessoas, quatro homens foram enviados ao interior em exploração. Em dois meses percorreram 115 léguas, por montanhas e campos; trouxeram um chefe indígena e a notícia da existência de ouro e prata num certo rio “de Peraguay”.

5. Cananéia e a expedição perdida (agosto 1531)
Em agosto houve nova escala na Ilha do Bom Abrigo, perto da atual Cananéia (sul paulista).
Nesse local encontraram Francisco de Chaves — apelidado de ‘língua’ por atuar como intérprete — um bacharel que havia sido degredado para aquela região há trinta anos, além de cinco ou seis homens de origem espanhola.
Francisco de Chaves informou sobre supostas riquezas de prata e ouro no interior e acompanhou uma expedição de busca comandada por Pero Lôbo.
A força tinha cerca de 80 homens, formada por besteiros (soldados armados com bestas) e espingardeiros (soldados com armas de fogo portáteis).
Só mais tarde soube‑se que essa expedição foi atacada e quase toda aniquilada por indígenas entre os rios Iguaçu e Paraná.

6. Rumo ao Rio da Prata e perda da nau capitânia (outubro–dezembro 1531)
Deixada a região de Cananéia, os navios rumaram às Ilhas das Onças e ao Cabo de Santa Maria, na entrada do rio que se chama hoje Rio da Prata.
Em outubro, próximo da atual Punta del Este (Maldonado), a nau capitânia perdeu‑se num temporal e foi lançada à costa; Martim Afonso e a maior parte da tripulação salvaram‑se, mas sete homens morreram.

7. Exploração do Rio Paraná e posse (novembro–dezembro 1531)
O Capitão‑Mor determinou que apenas Pero Lopes prosseguisse a exploração do grande rio num dos bergantins, com trinta homens.
Em novembro e dezembro de 1531 alcançou‑se o delta do Paraná e subiu‑se até o Esteiro dos Carandins, perto da atual San Pedro (Argentina).
Cravaram-se dois marcos com o emblema real e, assim, tomou‑se formalmente posse da terra em nome de Portugal.
Depois, Pero Lopes reuniu‑se aos três navios restantes — a nau Nossa Senhora das Candeias, o galeão São Vicente e a caravela Santa Maria do Cabo.

8. Retorno à costa brasileira e povoamento de São Vicente (janeiro de 1532)
Tendo cumprido a missão na região platina, Martim Afonso decidiu regressar à costa do Brasil em janeiro de 1532.
Ordenou que a caravela recolhesse, no Porto dos Patos (na atual costa de Santa Catarina), os tripulantes do bergantim ali perdidos.
A Santa Maria do Cabo trouxe ainda alguns castelhanos que relataram novas notícias sobre riquezas minerais no sertão.
Ao ancorar no Porto de São Vicente, o Capitão‑Mor determinou o povoamento definitivo do local e mandou de volta a Portugal, sob o comando de Pero Lopes, os dois navios que ainda estavam em condições de navegar — a nau e o galeão.

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