Partilha das Terras Descobertas – Ratificações da expansão portuguesa pela Santa Sé

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1 — Ratificações da expansão portuguesa pela Santa Sé

Cena histórica simbólica da expansão portuguesa do século XV: à esquerda, um mapa náutico antigo sobre uma mesa de madeira com bússola, astrolábio e cartas, selos de cera e duas bulas papais abertas com inscrições latinas; ao centro, uma caravela portuguesa ancorada sob vela desfraldada no mar dourado ao pôr-do-sol; à direita, figura do Infante Dom Henrique em trajes de nobre medieval com a cruz da Ordem de Cristo visível no manto, olhando para o horizonte; ao fundo, silhuetas de ilhas (Madeira, Açores) e navios menores; atmosferas de autoridade religiosa e desafio marítimo; composição com profundidade, textura rica, leve granulação de pintura antiga, foco nítido nos objetos do primeiro plano, luz quente incidindo em papéis e rosto do Infante, tom épico e documental.

Partilha das Terras Descobertas - Ratificações da expansão portuguesa pela Santa Sé

1. Contexto e autoridade da Santa Sé

Na Idade Média e no início da Idade Moderna, a Santa Sé ocupava posição superior às demais nações cristãs. Como autoridade supranacional, sua influência moral era reconhecida e reafirmada — inclusive por tributos e embaixadas de submissão.

Admitia‑se que cabia à Cúria Romana repartir entre príncipes católicos a missão de cristianização, por meios pacíficos ou violentos, nas ilhas e terras dos não cristãos. Tal atribuição implicava o reconhecimento da soberania dos príncipes sobre as áreas que conquistassem.

2. Pedidos régios e primeiras reivindicações (século XIV)

Ainda no século XIV, prenunciando a futura expansão marítima portuguesa, Dom Afonso IV recorreu ao papa Clemente VI para reivindicar direitos sobre as Ilhas Afortunadas (Canárias).

3. A conquista de Ceuta e a bula de cruzada (1418)

Com a tomada de Ceuta começou a ação ultramarina do reino. Em 1418, o papa Martinho V concedeu a Dom João I, pela bula Sane charissimus, o caráter de cruzada à empresa marroquina, com todas as implicações legais e religiosas daí decorrentes.

4. Rex Regum e a legitimação das conquistas (1436)

Para prosseguir a ação, Dom Duarte também buscou a aprovação papal. Em 1436, Eugénio IV, pela bula Rex Regum, declarou que “ficariam sujeitas a Dom Duarte e seus sucessores as terras por ele conquistadas aos infiéis”, legitimando a posse das terras conquistadas.

5. A Ordem de Cristo e a expansão atlântica (1442)

O Infante Dom Henrique e a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo assumiram papel central na expansão rumo às Índias.

Em 1442, pela bula Etsi suscepti, Dom Henrique foi autorizado a reter, administrar e legar terras (portuguesas ou não) doadas à Ordem, bem como ilhas do Oceano.

Essa autorização favoreceu o povoamento e a exploração da Madeira, Porto Santo, Açores e Cabo Verde.

6. Modelos de colonização e práticas econômicas

A atuação da Ordem de Cristo nesses arquipélagos serviu de modelo inicial para a colonização do Brasil: implantação do regime de capitanias hereditárias, cultivo de cana‑de‑açúcar e uso de trabalho escravo.

7. Limitações papais e reivindicações de Castela (1443)

Em 1443, nova versão da bula Rex Regum reservou exceções em favor de Castela e Leão, atendendo reivindicações de Dom João II de Castela sobre terras que, segundo ele, pertenciam a seus antecessores. Essas áreas seriam excluídas das conquistas consideradas tomadas “aos infiéis”.

8. Ampliação de privilégios e jurisdição espiritual (1454–1456)

A Ordem de Cristo obteve novas confirmações papais. Em 1454, Nicolau V, pela bula Romanus Pontifex, concedeu‑lhe jurisdição espiritual sobre territórios desde o Cabo do Não (também referido como Cabo Bojador), ao longo da costa da Guiné, e até às Índias.

Em 1456, Calisto III, pela bula Inter Caetera, consolidou essas reivindicações, citando ilhas do Oceano, áreas desde os Cabos Bojador e Não, por toda a Guiné e “até os Indos”.

9. Tratado de Alcáçovas e a posse das Canárias (1479)

A exceção ligada a Castela foi formalizada no Tratado de Alcáçovas (1479), após guerra que marcou o fim do reinado de Dom Afonso V. Portugal reconheceu a posse das Canárias por Castela, sem, porém, comprometer a continuidade da expansão ultramarina portuguesa.

10. Confirmações finais e estímulo aos descobrimentos (1481–1486)

Em 1481, o papa Sisto IV aprovou essas disposições pela bula Sæterni Regis. Em 1486, Inocêncio VIII, pela bula Orthodoxæ fidei, incentivou Dom João II a prosseguir os descobrimentos portugueses.

Cena histórica simbólica da expansão portuguesa do século XV: à esquerda, um mapa náutico antigo sobre uma mesa de madeira com bússola, astrolábio e cartas, selos de cera e duas bulas papais abertas com inscrições latinas; ao centro, uma caravela portuguesa ancorada sob vela desfraldada no mar dourado ao pôr-do-sol; à direita, figura do Infante Dom Henrique em trajes de nobre medieval com a cruz da Ordem de Cristo visível no manto, olhando para o horizonte; ao fundo, silhuetas de ilhas (Madeira, Açores) e navios menores; atmosferas de autoridade religiosa e desafio marítimo; composição com profundidade, textura rica, leve granulação de pintura antiga, foco nítido nos objetos do primeiro plano, luz quente incidindo em papéis e rosto do Infante, tom épico e documental.
Cena histórica simbólica da expansão portuguesa do século XV
Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

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