História da Fundação da Paraíba e de João Pessoa
A história da fundação da Paraíba começa bem antes da chegada dos portugueses. Antes de 1500, o litoral paraibano era ocupado pelos povos potiguaras e tabajaras, e o interior, pelos cariris e outros grupos chamados de tapuias.
Depois, a capitania foi conquistada com muita dificuldade: foram necessárias cinco expedições, entre 1574 e 1585, até que portugueses e tabajaras fundassem, em 5 de agosto de 1585, a cidade de Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa.
| Ano | Acontecimento |
|---|---|
| 1534 | O território integra a Capitania de Itamaracá, doada a Pero Lopes de Sousa |
| 1574 | Ataque ao engenho de Tracunhaém; o rei cria a Capitania Real da Paraíba |
| 1574–1585 | Cinco expedições tentam conquistar a Paraíba |
| 5/8/1585 | Fundação da cidade de Nossa Senhora das Neves |
| 1634–1654 | Domínio holandês; a cidade se chama Frederikstadt |
| 1654 | Expulsão dos holandeses; a cidade passa a se chamar Parahyba |
| 1756–1799 | A capitania fica anexada a Pernambuco |
| 1817 e 1824 | Revolução Pernambucana e Confederação do Equador |
| 4/9/1930 | A capital passa a se chamar João Pessoa |
Antecedentes da Conquista da Paraíba
Nas primeiras décadas após 1500, Portugal pouco explorou o Brasil. Afinal, os interesses lusitanos estavam voltados para o comércio de especiarias nas Índias, e não se havia encontrado ouro na costa brasileira.
Enquanto isso, corsários, sobretudo franceses, passaram a extrair o pau-brasil, árvore nativa da Mata Atlântica da qual se tirava um corante vermelho para tingir tecidos na Europa. Para isso, eles fizeram alianças com os potiguaras, com quem trocavam ferramentas e outros objetos pelo trabalho de cortar e carregar a madeira, o chamado escambo.
Preocupados com esse comércio, os portugueses enviaram expedições guarda-costas. No entanto, elas não conseguiram acabar com o contrabando. Por isso, em 1534, o rei D. João III criou o sistema de capitanias hereditárias, dividindo a colônia em cerca de 15 lotes entregues a 12 donatários.

A Capitania de Itamaracá
Entre elas estava a Capitania de Itamaracá, que ia do canal de Santa Cruz até a Baía da Traição e incluía a maior parte da atual Paraíba. Ela foi doada a Pero Lopes de Sousa, que nunca chegou a assumir. Em seu lugar, vieram administradores como Francisco Braga e, depois, João Gonçalves, que fundou a Vila da Conceição e construiu engenhos.
Após a morte de João Gonçalves, porém, a capitania entrou em declínio, e o contrabando de madeira continuou.

A tragédia de Tracunhaém (1574)
Em 1574, potiguaras aliados dos franceses atacaram o engenho de Diogo Dias, em Tracunhaém, e mataram todos os moradores. Em resposta, o rei D. Sebastião separou a região de Itamaracá e criou a Capitania Real da Paraíba, administrada diretamente pela Coroa.
Para os portugueses, conquistar a Paraíba era essencial. Em primeiro lugar, ela protegia a rica capitania de Pernambuco. Além disso, a conquista quebraria a aliança entre potiguaras e franceses e abriria caminho para a colonização do norte.
A Conquista da Paraíba: as Cinco Expedições
Junto com a ordem de criar a nova capitania, o governador-geral, D. Luís de Brito, recebeu do rei três missões: punir os responsáveis pelo ataque, expulsar os franceses e fundar uma cidade. Assim começaram as cinco expedições para a conquista da Paraíba.
Primeira expedição (1574)
O comandante foi o ouvidor-geral Fernão da Silva. Ao chegar, ele tomou posse das terras em nome do rei sem resistência. No entanto, era uma armadilha: sua tropa foi surpreendida pelos indígenas e teve de recuar para Pernambuco.
Segunda expedição (1575)
Dessa vez, o próprio governador-geral, D. Luís de Brito, comandou a expedição. Porém, ventos desfavoráveis impediram que os navios chegassem à Paraíba. Três anos depois, o novo governador-geral, Lourenço da Veiga, também tentou, sem sucesso.
Terceira expedição (1579)
Frutuoso Barbosa aceitou a missão com a condição de governar a Paraíba por dez anos se a conquistasse. Contudo, uma forte tempestade atingiu sua frota, que teve de voltar a Portugal, e ele perdeu a esposa na viagem.
Quarta expedição (1582)
Com a mesma proposta, Frutuoso Barbosa voltou decidido a conquistar a Paraíba. Mais uma vez, porém, caiu em uma emboscada de indígenas e franceses e desistiu depois de perder um filho em combate.
Quinta expedição (1584)
Finalmente, em 1584, a armada espanhola de Diogo Flores Valdés, com Frutuoso Barbosa e Filipe de Moura, expulsou os franceses da foz do rio Paraíba. Em seguida, construiu ali o Forte de São Filipe e São Tiago, em homenagem ao rei Filipe II da Espanha, que desde 1580 também governava Portugal como Filipe I.
A Fundação de Nossa Senhora das Neves (1585)
Mesmo assim, o forte ficou cercado pelos potiguaras e passou por dificuldades por causa das brigas entre espanhóis e portugueses. Por isso, em março de 1585, chegou à região o ouvidor-geral Martim Leitão, com uma tropa de brancos, indígenas, escravizados e religiosos.
No caminho, a tropa capturou um grupo de indígenas. Ao saber que eram tabajaras, Leitão mandou soltá-los, afirmando que lutava apenas contra os potiguaras, rivais deles. Ainda assim, os tabajaras, temendo uma traição, recusaram a primeira proposta de aliança.

Enquanto isso, a situação no forte piorou. O espanhol Castrejón, que comandava a guarnição, abandonou e destruiu o forte e jogou a artilharia no mar. Por isso, Leitão o prendeu e o mandou de volta à Espanha.
A aliança com os tabajaras
Pouco depois, em 2 de agosto de 1585, o capitão João Tavares selou um acordo de paz com o chefe tabajara Piragibe, nome que significa “braço de peixe”. Com essa aliança, os potiguaras recuaram.
Assim, em 5 de agosto de 1585, numa colina às margens do rio Sanhauá, afluente do Paraíba, foi fundada a Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, nome da santa do dia, que até hoje é padroeira da cidade. Logo depois, Martim Leitão trouxe pedreiros, carpinteiros e outros trabalhadores para erguer a cidade e foi à Baía da Traição expulsar os últimos franceses.
Desse modo, a Paraíba se tornou a terceira cidade fundada no Brasil, depois de Salvador (1549) e do Rio de Janeiro (1565), e a última do século XVI.

Os Nomes da Cidade de João Pessoa
Ao longo de quase quatro séculos, a capital paraibana mudou de nome várias vezes:
- Cidade Real de Nossa Senhora das Neves (1585) – em homenagem à santa do dia da fundação.
- Filipeia de Nossa Senhora das Neves – logo depois, em homenagem ao rei Filipe II da Espanha e I de Portugal.
- Frederikstadt (1634) – durante o domínio holandês, em homenagem ao príncipe Frederico Henrique de Orange.
- Parahyba ou Parahyba do Norte (1654) – após a expulsão dos holandeses.
- João Pessoa (1930) – pela Lei Estadual nº 700, de 4 de setembro de 1930, em homenagem ao presidente do estado assassinado naquele ano.
Já o nome Paraíba vem do tupi e costuma ser traduzido como “rio ruim” ou “rio difícil de navegar”. O historiador Varnhagen também indica “rio mau”, e Teodoro Sampaio, “rio impraticável”. Antes disso, os portugueses chamavam o rio de São Domingos.
Fundação da Capital da Paraíba - João Pessoa
Os primeiros anos da cidade
Nas primeiras décadas, a cidade cresceu lentamente. Entre os moradores mais importantes estava Duarte Gomes da Silveira, companheiro de Martim Leitão, que criou prêmios para quem construísse casas. Além disso, em 1639, ele fundou o Morgado Salvador do Mundo, como patrimônio da Santa Casa de Misericórdia.
Na década de 1630, Filipeia tinha cerca de 1.500 habitantes, e 18 engenhos de cana-de-açúcar funcionavam ao redor.
Mais tarde, no século XVIII, novas igrejas marcaram a expansão da cidade. Entre elas, se destaca o conjunto barroco da Igreja de São Francisco e do Convento de Santo Antônio, hoje Centro Cultural São Francisco.
Os Primeiros Capitães-Mores da Paraíba
João Tavares (1585–1588)
Primeiro capitão-mor, João Tavares foi encarregado por Martim Leitão de construir a nova cidade. Para isso, chegaram cavaleiros, pedreiros, carpinteiros e jesuítas. Ele também fundou o primeiro engenho, o d’El-Rei, em Tibiri, protegido pelo Forte de São Sebastião.
Nesse período, os jesuítas cuidavam da catequese dos indígenas. Além disso, o governo contou com a ajuda de Duarte Gomes da Silveira, senhor de engenho que por mais de 50 anos foi uma das grandes figuras da capitania. Em 1588, porém, João Tavares foi afastado por decisão da Coroa.
Frutuoso Barbosa (1588–1591)
Depois de insistir muito na corte, Frutuoso Barbosa finalmente foi nomeado capitão-mor, tendo D. Pedro de la Cueva como chefe militar. Nessa época, chegaram também os frades franciscanos, que logo entraram em conflito com os jesuítas.
Aproveitando a confusão, os potiguaras atacaram propriedades. Por isso, vieram em socorro o capitão-mor de Itamaracá, João Tavares e Piragibe com seus guerreiros. No caminho, porém, João Tavares morreu de mal súbito. Ainda assim, o grupo derrotou os potiguaras.
Para impedir a volta dos franceses, Barbosa ordenou a construção de uma fortaleza em Cabedelo. Por fim, cansado dos conflitos com os potiguaras e com os jesuítas, ele deixou o governo em 1591.
André de Albuquerque Maranhão (1591–1592)
André de Albuquerque governou por apenas um ano. Nesse período, combateu os potiguaras e construiu fortificações, como o Forte de Inhobim, para proteger os engenhos. Mesmo assim, os potiguaras chegaram a incendiar o forte de Cabedelo.
Feliciano Coelho de Carvalho (1592–1600)
Por último, Feliciano Coelho combateu os potiguaras na Copaoba, até que se firmou a paz com os indígenas. Além disso, abriu estradas e entrou em conflito com os franciscanos.
Ordens Religiosas na Capitania da Paraíba
Jesuítas
Os jesuítas foram os primeiros missionários a chegar à capitania. No entanto, os conflitos com os franciscanos, que usavam métodos menos rígidos, levaram à sua expulsão da Paraíba em 1593. Mais de um século depois, eles voltaram e fundaram um colégio, onde ensinavam latim, filosofia e letras.
Mais tarde, fundaram um seminário junto à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde hoje fica o jardim do Palácio do Governo. Contudo, em 1759, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas de todo o Brasil.
Franciscanos
A pedido de Frutuoso Barbosa, os franciscanos chegaram em 1589 para catequizar os indígenas. Sob a liderança de frei Antônio do Campo Maior, fundaram o primeiro convento da capitania e atuaram em várias aldeias. Assim como os jesuítas, eles se opunham à escravização dos indígenas. Por isso, seu grande convento, onde hoje fica a Praça São Francisco, tornou-se um dos centros da vida religiosa da cidade.
Beneditinos e carmelitas
Os beneditinos receberam de Feliciano Coelho um terreno para construir seu mosteiro, com a condição de concluí-lo em dois anos. Embora o prazo não tenha sido cumprido, o governador manteve a doação. Hoje, a Igreja de São Bento ainda guarda um cata-vento de 1753.
Já os carmelitas foram chamados pelo cardeal D. Henrique em 1580, mas só chegaram à Paraíba anos depois, já sob o domínio espanhol. Eles fundaram um convento e a Igreja do Carmo. Infelizmente, boa parte dos documentos sobre essa época se perdeu durante a ocupação holandesa.
Os Povos Indígenas da Paraíba
Na época da conquista, a Paraíba tinha dois grandes grupos indígenas: os tupis, no litoral, e os tapuias, no interior, sobretudo os cariris.
- Tabajaras: grupo tupi do litoral sul, com cerca de 5 mil pessoas, que se aliou aos portugueses. Suas aldeias incluíam Alhandra e Taquara.
- Potiguaras: também tupis, mais numerosos e inimigos dos tabajaras, ocupavam o litoral norte, até o Rio Grande do Norte, e se aliaram aos franceses.
- Cariris e outros tapuias: por fim, ocupavam o planalto da Borborema e o sertão, até os limites do Ceará, do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.
Alguns líderes indígenas se destacaram nessa história. Por exemplo, Piragibe selou a paz que permitiu a fundação da cidade, Tabira lutou contra os franceses e Poti (Filipe Camarão) combateu os holandeses e lutou na primeira Batalha dos Guararapes.
Ainda hoje, os potiguaras vivem em terras indígenas nos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto, no litoral norte. Lá, eles mantêm tradições como o toré, dança ritual apresentada nas festas de 19 de abril, e vivem principalmente da pesca e da agricultura.
As Invasões Holandesas na Paraíba
Em 1578, o jovem rei D. Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos. Em seguida, o trono passou ao seu tio, o cardeal D. Henrique, que morreu em 1580 sem herdeiros. Assim, Filipe II da Espanha assumiu a coroa portuguesa, dando início à União Ibérica.

Isso prejudicou os holandeses, que lutavam pela independência contra a Espanha e dominavam o comércio do açúcar brasileiro. Proibidos de negociar com as colônias portuguesas, eles criaram em 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, com o objetivo de conquistar as áreas produtoras de açúcar.
De Salvador à Baía da Traição (1624–1625)
A primeira grande investida foi a invasão holandesa de Salvador, em 1624. Em maio de 1625, porém, a esquadra de D. Fradique de Toledo Osório expulsou os invasores.
Ao se retirarem, os holandeses de Boudewijn Hendricksz seguiram para a Baía da Traição, onde desembarcaram e se fortificaram. Em agosto de 1625, então, tropas paraibanas, pernambucanas e indígenas os expulsaram. Depois disso, os potiguaras que haviam ajudado os holandeses foram duramente perseguidos.
Os ataques a Cabedelo (1631–1634)
Depois de conquistar Olinda e Recife, em 1630, os holandeses voltaram seus olhos para a Paraíba. Temendo novos ataques, os portugueses reforçaram a Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo, e construíram, na margem oposta do rio, o Forte de Santo Antônio.

De fato, em dezembro de 1631, cerca de 1.600 soldados holandeses comandados por Callenfels desembarcaram e cavaram trincheiras diante da fortaleza. No entanto, foram derrotados com a chegada de 600 homens vindos de Filipeia. Mais tarde, uma nova tentativa contra o Forte de Santo Antônio também fracassou, e os holandeses voltaram para o Cabo de Santo Agostinho.
A conquista holandesa (1634)
Ainda assim, a Paraíba era estratégica para garantir o domínio de Pernambuco. Por isso, em novembro de 1634, uma esquadra de 29 navios, com cerca de 2.500 homens comandados por Sigismund von Schkoppe, partiu para a Paraíba.
Depois de semanas de combate, os defensores entregaram a Fortaleza de Cabedelo e o Forte de Santo Antônio. Ao chegarem a Filipeia, em 24 de dezembro de 1634, os holandeses a encontraram vazia: antes de fugir, os moradores haviam incendiado os prédios mais importantes. A cidade passou então a se chamar Frederikstadt.
A Paraíba Holandesa (1634–1654)
Durante duas décadas, a Paraíba foi governada por administradores holandeses:
- Servaes Carpentier – também governou o Rio Grande do Norte e morou no Convento de São Francisco.
- Ippo Eyssens – por outro lado, ficou conhecido como violento e se apoderou dos melhores engenhos.
- Elias Herckmans – governou por cerca de cinco anos e, além disso, explorou o interior em busca de minas, chegando à Serra da Borborema.
- Gijsbert de With – considerado o administrador mais honesto e humano.
- Paulo de Linge – por fim, foi derrotado pelos insurretos e se refugiou em Cabedelo.
Mesmo durante a ocupação, os paraibanos resistiram. Liderados por André Vidal de Negreiros, natural da Paraíba, eles participaram da Insurreição Pernambucana, que começou em 1645. Finalmente, em 1654, os holandeses foram expulsos do Brasil, e a cidade passou a se chamar Parahyba. Logo depois, em 1655, João Fernandes Vieira assumiu o governo da capitania.

Antes disso, em janeiro de 1640, a armada luso-espanhola do Conde da Torre enfrentou a frota holandesa no litoral entre Pernambuco e a Paraíba. Essa armada havia saído de Lisboa em 1638, mas uma epidemia matou cerca de um terço da tripulação e a obrigou a ficar meses em Cabo Verde. Por isso, a batalha naval não foi decisiva.

A Conquista do Interior da Paraíba
Depois da expulsão dos holandeses, o interior foi ocupado por meio de missões religiosas, entradas e bandeiras. Nas missões, os religiosos catequizavam os indígenas, ensinavam ofícios e construíam colégios. Entre eles, se destacou o padre Martim de Nantes, cuja missão deu origem à vila de Pilar.
Em seguida, vieram as bandeiras. O capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo comandou a primeira delas, subindo o rio Paraíba e fundando o povoado de Boqueirão. Por isso, ele é considerado o grande responsável pela ocupação do interior paraibano, para onde levou famílias e indígenas aldeados.
Depois dele, outros bandeirantes avançaram, como o capitão-mor Luís Soares e Francisco Dias d’Ávila, da Casa da Torre. Contudo, os povos do sertão, como os cariris, os sucurus, os icós e os pegas, resistiram por décadas, na chamada Guerra dos Bárbaros.
As primeiras vilas do interior
- Campina Grande: em 1697, Teodósio de Oliveira Ledo instalou um aldeamento de indígenas cariris na região. Logo, ao redor da aldeia, surgiu uma feira, origem da vocação comercial da cidade. Em 1790, ela virou a Vila Nova da Rainha. Hoje, Campina Grande é uma das maiores cidades do interior do Nordeste.
- Pilar: nasceu da missão do padre Martim de Nantes e foi elevada a vila em 1765.
- Sousa: antes chamada de Jardim do Rio do Peixe, foi elevada a vila em 1766, em homenagem ao benfeitor Bento Freire de Sousa. Atualmente, é famosa pelo Vale dos Dinossauros.
- Pombal: no fim do século XVII, Teodósio de Oliveira Ledo fundou ali uma aldeia às margens do rio Piranhas. Mais tarde, em 1772, ela virou vila com o nome de Pombal, em homenagem ao marquês.
- São João do Cariri: povoada no século XVII, foi elevada a vila em 1800.
- Areia: antes conhecida como Bruxaxá, tornou-se freguesia em 1815 e cidade em 1846. Hoje, é uma das cidades históricas mais bonitas do estado.
Política, Economia e Sociedade na Paraíba Colonial
Política
Criada em 1574 como Capitania Real, a Paraíba era governada por capitães-mores nomeados pela Coroa. Porém, em 1756, ela foi anexada à capitania de Pernambuco, o que prejudicou sua economia e sua administração.
Por isso, em 1797, o governador Fernando Delgado Freire de Castilho enviou à rainha D. Maria I um relatório sobre a situação da capitania. Finalmente, pela Carta Régia de 11 de janeiro de 1799, a Paraíba voltou a ser autônoma.
Economia
Na época colonial, as principais riquezas da Paraíba eram o pau-brasil, a cana-de-açúcar, o algodão e o gado.
- Pau-brasil: chamado de ibirapitanga pelos indígenas, era abundante na Mata Atlântica de Pernambuco e da Paraíba. Seu nome vem de uma madeira asiática semelhante, já usada na Europa como corante.
- Cana-de-açúcar: foi a principal riqueza da capitania. Trazida das ilhas atlânticas, como a Madeira, chegou ao Brasil nos primeiros anos da colonização. Já na primeira década após a fundação, a Paraíba tinha dez engenhos.
- Algodão: embora os franceses já o comercializassem, a economia do “ouro branco” só cresceu no século XVIII.
- Gado: além de alimento, movia as moendas dos engenhos. Mais tarde, na chamada “civilização do couro”, quase tudo no sertão era feito de couro, de portas a baús.
Escravidão
Desde o início, a economia açucareira dependeu do trabalho escravizado. Primeiro, foram escravizados os indígenas. Depois, a partir do alvará de 1559 da rainha regente D. Catarina, cada senhor de engenho pôde importar até 120 africanos escravizados. A partir daí, o tráfico negreiro cresceu na Paraíba, assim como em todo o Nordeste açucareiro.
Sociedade e igrejas
No topo da sociedade, estavam os senhores de engenho, alguns vindos de Pernambuco. Abaixo deles, havia comerciantes, funcionários da Coroa, lavradores e, na base, os escravizados. Além disso, a Igreja tinha grande poder sobre a vida social.
Entre as principais igrejas do período colonial, estão:
- Matriz de Nossa Senhora das Neves, atual Catedral Basílica
- Igreja da Misericórdia
- Igreja das Mercês
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
- Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens
- Igreja do Bom Jesus dos Martírios
Revoltas e Movimentos em que a Paraíba Participou
Guerra dos Mascates (1710–1711)
Em 1709, o povoado de Recife, dominado por comerciantes portugueses chamados de mascates, foi elevado a vila. Isso revoltou os senhores de engenho de Olinda, muitos deles endividados com os mascates, que chegaram a ocupar Recife. Nesse conflito, o governador da Paraíba, João da Maia da Gama, apoiou os mascates, que acabaram vencendo.
Revolução Pernambucana (1817)
No início do século XIX, as ideias liberais e iluministas chegaram à Paraíba por meio da maçonaria e de intelectuais como o naturalista Manuel Arruda da Câmara. Por isso, a capitania aderiu à Revolução Pernambucana de 1817, um movimento republicano que se espalhou também por Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará.
Os revoltosos chegaram a formar um governo provisório. No entanto, a Coroa reagiu rapidamente, e em poucos meses a revolução foi derrotada. Entre os líderes paraibanos executados, estavam José Peregrino de Carvalho e Amaro Gomes Coutinho.
Independência e Confederação do Equador (1822–1824)
Em 1822, a Paraíba aderiu à Independência do Brasil. Dois anos depois, porém, após D. Pedro I dissolver a Assembleia Constituinte e outorgar a Constituição de 1824, Pernambuco liderou a Confederação do Equador, que buscava reunir as províncias do Nordeste em uma república.
A Paraíba, o Rio Grande do Norte e o Ceará aderiram ao movimento. Contudo, a repressão foi dura. Entre os líderes executados, estava Frei Caneca, fuzilado em 1825.
Revolução Praieira (1848–1849)
Inspirada nas revoluções europeias de 1848, a Praieira começou em Pernambuco, liderada pelos liberais ligados ao jornal da Rua da Praia. Eles exigiam, entre outras coisas, liberdade de imprensa e o fim do controle português sobre o comércio de Recife. Depois da derrota em Recife, em 1849, o líder Borges da Fonseca continuou a lutar na Paraíba. Por fim, esta foi a última grande revolta do Império.
Ronco da Abelha (1851–1852)
Nos sertões da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas e do Ceará, a população pobre se revoltou contra o decreto que criava o registro civil de nascimentos e óbitos. Afinal, muitos acreditavam que a lei serviria para escravizar os homens livres, numa época em que o tráfico negreiro havia acabado de ser proibido.
Quebra-Quilos (1874)
Em 1874, a adoção do sistema métrico e a cobrança de novos impostos nas feiras provocaram a revolta do Quebra-Quilos, em que os revoltosos destruíam os novos pesos e medidas. Em Campina Grande, por exemplo, houve muitas prisões, inclusive a do padre Calixto Correia da Nóbrega.
A Revolução de 1930 e o Nome João Pessoa
Com a Proclamação da República, em 1889, a Paraíba se tornou um estado. Em 1929, então, o presidente do estado, João Pessoa, recusou apoio à candidatura de Júlio Prestes à presidência da República, no famoso “Nego”. Em seguida, ele se tornou candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas.
Logo depois, em 1930, o coronel José Pereira liderou a Revolta de Princesa, no sertão, contra o governo de João Pessoa. Em 26 de julho de 1930, por fim, João Pessoa foi assassinado por João Dantas na Confeitaria Glória, em Recife.
O crime causou grande comoção e foi um dos estopins da Revolução de 1930, que depôs o presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder. Assim, em 4 de setembro daquele ano, a capital paraibana passou a se chamar João Pessoa.
Para conhecer a capital hoje, veja o nosso guia de o que fazer em João Pessoa.
Perguntas frequentes sobre a fundação da Paraíba
Quando foi a fundação da Paraíba?
A capitania foi criada em 1574, e a cidade de Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa, foi fundada em 5 de agosto de 1585.
Por isso, o aniversário de João Pessoa é comemorado em 5 de agosto.
Quem fundou João Pessoa?
A cidade foi fundada pelos portugueses, sob o comando do ouvidor-geral Martim Leitão e do capitão João Tavares.
Além disso, a aliança com o chefe tabajara Piragibe foi decisiva para a conquista.
Quais foram os nomes de João Pessoa?
Nossa Senhora das Neves (1585), Filipeia de Nossa Senhora das Neves, Frederikstadt (1634), Parahyba (1654) e João Pessoa (1930).
Por que a capital se chama João Pessoa?
O nome homenageia João Pessoa, presidente do estado assassinado em Recife em 26 de julho de 1930.
Assim, a mudança foi oficializada pela Lei Estadual nº 700, de 4 de setembro de 1930.
João Pessoa é a terceira cidade mais antiga do Brasil?
Sim, ela é considerada a terceira cidade fundada no Brasil, depois de Salvador e do Rio de Janeiro.
Quanto tempo os holandeses ficaram na Paraíba?
Cerca de 20 anos, de dezembro de 1634 até 1654.
Nesse período, a capital se chamou Frederikstadt.
O que significa o nome Paraíba?
O nome vem do tupi e costuma ser traduzido como “rio ruim” ou “rio difícil de navegar”.
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