São Cristóvão SE é a quarta cidade mais antiga do Brasil

Descubra São Cristóvão: Um Tesouro Histórico e Religioso de Sergipe

São Cristóvão, em Sergipe, é uma cidade rica em história e cultura, oferecendo diversas atrações turísticas que encantam os visitantes.

Fundada em 1590, é a quarta cidade mais antiga do Brasil e possui um conjunto arquitetônico colonial bem preservado.

São Cristóvão está localizado a aproximadamente 25 quilômetros de Aracaju.

São Cristóvão, Sergipe
São Cristóvão, Sergipe

Tombada pelo IPHAN em 1939, São Cristóvão, a exemplo de Salvador, desenvolveu-se de acordo com o modelo urbanístico português, marcado pela divisão em cidade alta (onde se instalaram os poderes civil e religioso) e cidade baixa (área destinada sobretudo ao porto e à população mais pobre).

A presença de um guia não é fundamental, mas os que oferecem os seus serviços (na praça de São Francisco, em frente ao Museu de Arte Sacra) mostram-se, em geral, bem informados.

São Cristóvão SE
São Cristóvão SE

História de São Cristóvão

São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do país e foi a primeira capital de Sergipe. Foi fundada por Cristóvão de Barros em 1590.

A cidade sofreu sucessivas mudanças até firmar-se no local em que hoje se encontra, à margem do rio Paramopama, afluente do rio Vaza-Barris.

Em 1637, foi invadida pelos neerlandeses, ficando praticamente destruída. As tropas luso-espanholas, sob o comando do conde de Bagnoli, tentaram evitar o abastecimento dos inimigos, incendiando as lavouras, dispersando o gado e conclamando a população a desertar. Os neerlandeses, que encontraram a cidade semideserta, completaram a obra da destruição.

Em 1645, os neerlandeses foram expulsos da capitania de Sergipe, deixando a cidade em ruínas. No final do século XVIII, Sergipe foi anexado à Bahia, e São Cristóvão passou a sede de Ouvidoria.

Em 1710, foi invadida pelos habitantes de Vila Nova, região norte de Sergipe, revoltados com a cobrança de impostos por Portugal. Nos meados do século XVIII, a cidade foi totalmente reconstruída.

Vista da Praça com a Igreja e Convento de São Francisco em São Cristóvão SE
Vista da Praça com a Igreja e Convento de São Francisco em São Cristóvão SE

Em 1763, sofreu a invasão dos negros dos mocambos e índios perseguidos.

No dia 8 de julho de 1820, através de Decreto de Dom João VI, Sergipe foi emancipado da Bahia, sendo elevado à categoria de Província do Império do Brasil, e São Cristóvão torna-se, então, a capital.

No final da primeira metade do século, os senhores de engenho lideraram um movimento com o objetivo de transferir a capital para outra região onde houvesse um porto capaz de receber embarcações de maior porte para facilitar o escoamento da produção açucareira, principal fonte da economia na época.

Em 17 de março de 1855, o então presidente da Província, Inácio Joaquim Barbosa, transferiu a capital para Aracaju.

A partir desse momento, a cidade passa por um processo de diminuição da população e crise, que só é resolvido no início do século XX com o advento das fábricas de tecido e a via férrea.

São Cristóvão SE
São Cristóvão SE

Vídeo – História e Atrações Turísticas de São Cristóvão em Sergipe

São Cristóvão em Sergipe
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Atrações Turísticas de São Cristóvão SE

O município de São Cristóvão é conhecido nacionalmente por possuir um Patrimônio Mundial concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Chancelada em 2010, a Praça São Francisco é composta por edifícios públicos e privados que testemunham o período em que as coroas de Portugal e Espanha estiveram unidas. O principal deles é o complexo da Igreja e Convento de São Francisco.

  1. Praça de São Francisco
  2. Entorno da Praça de São Francisco
  3. Museu Histórico de Sergipe
  4. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória
  5. Convento e Igreja de Santa Cruz (ou São Francisco)
  6. Museu de Arte Sacra de São Cristóvão
  7. Igreja de São Francisco
  8. Igreja Santa Izabel e Santa Casa de Misericórdia
  9. Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo

1. Praça de São Francisco

Destaca-se entre o patrimônio tombado e apresenta um conjunto monumental excepcional e homogêneo, composto de edifícios públicos e privados.

Praça de São Francisco em São Cristóvão SE
Praça de São Francisco em São Cristóvão SE

Construída entre os séculos XVI e XVII, demonstra de forma singular a fusão das influências das legislações e práticas espanhola e portuguesa na formação de núcleos urbanos coloniais.

A Praça de São Francisco constitui um assentamento urbano que funde os padrões de ocupação do solo seguidos por Portugal e as normas definidas para cidades estabelecidas pela Espanha.

Assim, sua autenticidade está explícita em seu desenho, entorno, técnicas, uso, função e contexto histórico e cultural.

2. Entorno da Praça de São Francisco

O entorno da Praça de São Francisco abriga:

  • Igreja de Misericórdia
  • Palácio Provincial e Casario Antigo
  • Igreja e Convento de São Francisco
  • Capela da Ordem Terceira (atual Museu de Arte Sacra)
  • Santa Casa, Museu de Sergipe
  • Casa do Folclore Zeca de Noberto

Implantada de acordo com o comprimento e a largura exigida pela Lei IX das Ordenações Filipinas, incorpora o conceito de Praça Maior tal como empregado nas cidades coloniais da América hispânica, inserida no padrão urbano português de cidade colonial em uma paisagem tropical.

Por isso, pode ser considerada uma simbiose notável entre o planejamento urbano de cidades de origem ibérica. Os edifícios institucionais civis e religiosos relevantes, sendo o principal deles o complexo da Igreja e Convento de São Francisco, transmitem um valor universal excepcional e permanecem intactos e completos.

3. Museu Histórico de Sergipe

Localizado na Praça São Francisco, é um prédio do séc. XVIII e abriga os principais elementos que ajudam a contar a história de Sergipe.

Museu Histórico de Sergipe em São Cristóvão SE
Museu Histórico de Sergipe em São Cristóvão SE

O Museu Histórico de Sergipe fica no antigo Palácio Provincial. Trata-se de uma construção barroca do fim do séc. XVIII, que foi residência dos presidentes da província de Sergipe, além de abrigar a Câmara Municipal, uma escola e uma repartição fiscal. O local também acolheu D. Pedro II quando ele esteve na cidade, em 1860.

São 13 salas para visitação, com exposições permanentes e temporárias.

No Museu Histórico de Sergipe, alguns dos canhões usados na Guerra de Canudos, recentemente restaurados.
No Museu Histórico de Sergipe, alguns dos canhões usados na Guerra de Canudos, recentemente restaurados.

O acervo reúne relíquias, incluindo o famoso quadro de Horácio Pinto da Hora, que retrata Ceci e Peri (personagens principais do romance *O Guarani*, de José de Alencar), móveis, documentos, moedas, louças e outras relíquias que revelam a importância de São Cristóvão no contexto histórico.

4. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória

Edificada no largo de um outeiro, configurou o núcleo inicial da cidade alta.

Nossa Senhora da Vitória foi construída como uma igreja paroquial em 1608 por Dom Constantino Barradas, o quarto bispo da Bahia, durante o pontificado do Papa Paulo V. Ela carrega a crista de Felipe IV da Espanha, pois o Brasil era uma colônia dentro da União Ibérica (1580-1640).

Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória em São Cristóvão
Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória em São Cristóvão

A igreja acabou sendo elevada a uma Sé Episcopal. Foi fortemente danificada durante os oito anos de domínio holandês em São Cristóvão, de 1637 a 1645; a cidade serviu alternadamente como base para guerrilhas portuguesas e como sede de poder para os holandeses.

São Cristóvão foi bastante ampliada após o fim do domínio holandês e a igreja foi reconstruída por habitantes locais.

A cidade enviou um apelo ao rei de Portugal em troca de uma reforma completa da igreja em 1666, que envolveu [detalhes sobre as reformas, se disponíveis]. Finalmente, a cidade recebeu 4.000 cruzados em 1702.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória serviu de núcleo para a construção de outras estruturas religiosas em São Cristóvão; sua reforma foi seguida pela construção da Igreja e Convento de Santa Cruz (Convento de São Francisco em 1693), Convento e Igreja da Ordem do Carmo (1699), Hospital e Igreja da Misericórdia e Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Rosário dos Homens Negros (1743).

Estrutura

Nossa Senhora da Vitória foi construída na encosta de uma colina no ponto mais alto da cidade alta. Fica no topo da Praça São Francisco de Assis, agora conhecida como Praça Getúlio.

Possui uma imponente fachada com duas torres cobertas com azulejos portugueses brancos. As portas da igreja são em madeira decorada. O interior da igreja é simples, com pinturas atribuídas a José Teófilo de Jesus (1758-1847).

5. Convento e Igreja de Santa Cruz (ou São Francisco)

O Convento e Igreja de Santa Cruz, em São Cristóvão-SE, também é conhecido como Convento e Igreja de São Francisco.

O conjunto arquitetônico conhecido como Convento São Francisco compreende a Igreja, o Convento e a Ordem Terceira, que hoje abriga o Museu de Arte Sacra.

Convento e Igreja de Santa Cruz em São Cristóvão SE
Convento e Igreja de Santa Cruz em São Cristóvão SE

A construção do convento foi decidida em 1657, época da chegada dos Frades Franciscanos em São Cristóvão. O Superior da Ordem era frei Luiz do Rosário, um frade franciscano português.

Em 1659, foi construída a Igreja e o recolhimento dos Franciscanos. Já em 1693, foi lançada a primeira pedra do Convento; porém, o conjunto só foi concluído na segunda metade do séc. XVIII, devido à pobreza da Ordem Franciscana e da sociedade da época.

Os frades dependiam da caridade para financiar a construção da igreja. Eles pediam pelos engenhos, às pessoas que tinham mais condições na época para construir os altares.

Assim, além de ter um valor material, também existe um valor sentimental, pois os frades que construíram os altares contaram com a ajuda dos jesuítas e da população que também contribuiu para isso, além do trabalho escravo, que teve uma forte participação na construção desses locais.

Em frente à igreja e ao convento, temos o Cruzeiro, que foi erguido em 1658 e é o símbolo da missão.

A igreja é uma das mais ricas em detalhes dentre todas do município. Do piso ao teto, sua beleza encanta os visitantes e fiéis que passam pelo local. Logo quando adentramos ao espaço, é possível verificar a presença dos arcos.

O espaço entre a igreja e a praça servia no período para que as pessoas pudessem conversar antes de entrarem nas celebrações religiosas.

No meio da edificação, um altar de São Benedito dá boas-vindas aos visitantes, enquanto, mais à frente, nos lados direito e esquerdo, respectivamente, se destacam as imagens de Santo Antônio e de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da igreja.

Os altares são moldados com ouro, enquanto no teto, a pintura original de São Francisco de Assis retirando Jesus Cristo da cruz também chama a atenção. Esta imagem representa um sonho que São Francisco teve, onde ele ajudava Jesus em seu sofrimento. Essa é a única pintura que relata a presença franciscana dentro da igreja.

Outra imagem de São Francisco também se faz presente na parte externa da edificação. Diferente das demais, o santo está com um crânio nas mãos. Segundo a crença católica, a imagem representa a “irmã morte”. Ela também é original.

Apesar de manter algumas características originais, ao longo dos anos, a estrutura da igreja passou por intervenções.

Os pisos hoje não são mais os mesmos de sua fundação; para substituí-los, foram colocadas réplicas. A torre original da Igreja foi demolida em 1844, quando apresentou grandes fendas comprometendo a estrutura.

Na parte do convento, a arquitetura chama a atenção. O local possui um Claustro em cantaria, cujo trabalho artístico é considerado único em conventos franciscanos no Brasil.

Assim também o sistema de sustentação em pilares verticais isolados e não em colunas, que é singular no nordeste.

O espaço já foi sede da Tesouraria Geral, da Assembleia Provincial, da Biblioteca, da Enfermaria e do Correio Geral. Permaneceu abandonado por muitos anos, tendo servido como quartel de tropas do batalhão da Guerra de Canudos.

A partir de 1980, o Convento passou a funcionar como sede de reuniões de caráter religioso e técnico, e atualmente é um dos mais buscados em Sergipe para receber retiros e encontros católicos.

Após tantos anos de fundação, o Convento e a Igreja continuam recebendo uma tradição secular. Todas as terças-feiras, há quase 400 anos, é realizada uma missa e a bênção de São Francisco, que reúne fiéis semanalmente no templo religioso.

6. Museu de Arte Sacra de São Cristóvão

À esquerda do convento, está a antiga Capela da Ordem Terceira de São Francisco, que hoje é sede do Museu de Arte Sacra.

O Museu de Arte Sacra de São Cristóvão, inaugurado em 1974, é um dos três mais importantes do Brasil no gênero (os outros são de São Paulo e o da Bahia).

Museu de Arte Sacra de São Cristovão
Museu de Arte Sacra de São Cristovão

Ele é considerado um dos mais importantes do Brasil nesse tipo de acervo e abriga obras que vão do séc. XVII ao séc. XX.

Nos dois pisos do prédio, os visitantes podem contemplar altares em madeira e ouro, imagens articuladas, móveis, artefatos antigos e a Capela do Convento (aberta somente em datas religiosas específicas).

Museu de Arte Sacra de São Cristóvão
Museu de Arte Sacra de São Cristóvão

Entre suas preciosidades – que datam do séc. XVII – estão o Trono do Santíssimo, em madeira de cedro folheada a ouro, e dois Cristos crucificados, em marfim. Ao todo, o museu dispõe de mais de 500 peças catalogadas, todas elas que já estavam no estado de Sergipe.

7. Igreja de São Francisco

Situada na parte central do convento, a igreja de São Francisco foi tombada pelo Iphan em 1941, o que destacou sua importância para a preservação do patrimônio histórico e cultural do Brasil.

Com estilo predominante do Rococó, a igreja apresenta um altar com desenhos em forma de flores, frutos, conchas, laços, entre outros, todos banhados a folha de ouro.

Igreja de São Francisco em São Cristóvão SE
Igreja de São Francisco em São Cristóvão SE

No altar, encontra-se uma imagem de Cristo crucificado e, ao seu lado, a imagem de São Francisco de Assis. Mais à frente, destaca-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição e, à sua direita, a imagem de Santo Antônio, que têm grande relevância dentro da tradição católica, simbolizando a fé e a devoção dos fiéis.

No teto, há duas imagens pertencentes ao pintor baiano José Teófilo de Jesus, datadas dos séculos XVIII e XIX. José Teófilo é conhecido por suas contribuições à arte sacra na região, e essas obras refletem a riqueza cultural e religiosa do período.

8. Igreja Santa Izabel e Santa Casa de Misericórdia

Construção barroca da primeira metade do séc. XVII e concluída no início do séc. XVIII, o conjunto que compreende a Santa Casa de Misericórdia e a Igreja Santa Izabel é um dos prédios históricos de São Cristóvão.

Igreja Santa Izabel e a Santa Casa de Misericórdia
Igreja Santa Izabel e a Santa Casa de Misericórdia

Tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o espaço está localizado na Praça São Francisco e abriga relíquias e memórias dos que passaram pela cidade ao longo dos anos.

A Santa Casa, onde hoje funciona a Prefeitura, foi construída à época para ser um hospital, mas, a partir do séc. XX, passou a ser asilo e, posteriormente, orfanato.

De 1922 a 2017, o espaço ficou sob a administração das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Segundo o diretor presidente da Fundação de Cultura e Turismo João Bebe-Água, Gaspeu Fontes, o local abrigou acontecimentos históricos do município de São Cristóvão.

“Essas terras foram doadas à Irmandade da Misericórdia em 1608, e aqui foi sede da Santa Casa de Misericórdia, que recebeu os portugueses que participavam das guerras naquele período.”

“No dia 12 de abril de 1907, a administração da Santa Casa foi entregue ao Vigário de São Cristóvão pelo Tesoureiro, o Capitão Elias de Oliveira”, relembrou Gaspeu.

O espaço funcionou como asilo até 1911 e, a partir daí, passou a ser um orfanato. Ícone do folclore sancristovense e uma das grandes referências da história da cidade, Jorge dos Santos, conhecido popularmente por ‘Seu Jorge do Estandarte’, conta como era a dinâmica da antiga Santa Casa naquela época.

“O orfanato abrigava as crianças das mães que trabalhavam nas antigas fábricas e que não tinham condições de criá-las, por isso, eram entregues às irmãs da Imaculada Conceição. Eu era coroinha e frequentava as missas, onde via o carinho que as irmãs tinham com as crianças, e vice-versa. Essa casa para os sancristovenses tem um grande valor; além de ser uma casa religiosa, teve muito que oferecer.”

9. Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo

O complexo do Carmo está localizado na Praça Senhor dos Passos, na parte alta da cidade, com vistas para a Igreja Nossa Senhora da Vitória e o Rio Vaza Barris. É considerado um dos principais símbolos do patrimônio histórico e religioso do município de São Cristóvão.

Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo em São Cristóvão
Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo em São Cristóvão

O conjunto religioso, histórico e arquitetônico é composto pela Igreja Conventual de Nossa Senhora do Carmo, chamada de Carmo Maior, pela Capela da Ordem Terceira ou Carmo Menor, pelo Museu dos Ex-votos e o Memorial Santa Dulce dos Pobres, fundado mais recentemente e mantido pelos frades da Ordem dos Carmelitas.

Construído em estilo barroco, o complexo foi edificado 109 anos após a fundação da cidade, numa obra que se estendeu ao longo dos séculos XVII e XVIII, tendo início nos idos de 1699 pelos religiosos Carmelitas Calçados, que chegaram à cidade por volta de 1618 para difundir a sua obra.

Por diversos períodos a partir da sua fundação, a igreja, sobretudo a que chamamos de Carmo Maior, foi perdendo a originalidade na arquitetura e ornamentação.

Tal perda ocorreu, principalmente, em decorrência da necessidade de restaurações, a exemplo da ampliação da capela, que aconteceu em 1739 e se estendeu até 1745 e 1766, a última data marcada na fachada da igreja.

Essas mudanças, ocorridas ao longo dos anos, foram responsáveis pela descaracterização do estilo original das igrejas.

Altar principal da Igreja da Ordem de Terceira ou Carmo Menor da Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Altar principal da Igreja da Ordem de Terceira ou Carmo Menor da Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Em 1637, quando os holandeses chegaram a São Cristóvão, havia um pequeno convento que logo foi destruído por eles. A partir daí, por algumas vezes, o convento e as igrejas precisaram ser refeitos, o que desencadeou muitas mudanças na construção original, principalmente no Carmo Maior, que passou do estilo barroco ao estilo neoclássico.

Atualmente, o local funciona como convento de noviciado, ou seja, lugar onde os frades mais jovens residem antes de concretizarem os votos.

E mesmo diante das alterações sofridas ao longo dos anos, o complexo ainda hoje tem como principal característica a riqueza de detalhes, desde as portas, as colunas dos claustros que ligam as igrejas, os altares secundários do Carmo Menor, que resistiram às reformas, assim como as pinturas estampadas na parede e no teto, que revelam a história da ordem carmelita e a de Santa Teresa, que teve uma estreita ligação com a ordem.

A igreja do Carmo Menor foi fundada mediante a necessidade de reunir os chamados leigos católicos, aqueles que imergem na espiritualidade, transmitem a fé e os preceitos divinos, porém sem a necessidade do celibato.

O local é também conhecido por abrigar a imagem de Senhor dos Passos, que curiosamente foi encontrada por pescadores, encaixotada no Rio Paramopama, portando um bilhete que dizia “para a cidade de Sergipe Del Rey”.

A imagem foi trazida aos frades, que por coincidência tinham uma devoção por Senhor dos Passos. Assim que chegou, ela não foi colocada no altar secundário, que fica na lateral, mas sim no altar principal, pelo nível de devoção que existia.

Claustro do Convento do Carmo
Claustro do Convento do Carmo

A história do achado da imagem do Senhor dos Passos pelos pescadores foi rapidamente difundida, ganhando destaque na vida religiosa da população sancristovense.

Depois, os frades mandaram fazer a Nossa Senhora da Soledade, chamada de Nossa Senhora das Dores, para acompanhar o Senhor dos Passos na tradicional procissão que anualmente atrai diversos peregrinos para a cidade.

A procissão do Senhor dos Passos possui características europeias, como o hábito de cobrir a imagem ou de passar por baixo dela.

Há também a presença das velas que, segundo a tradição local, deve-se ao fato de que os pescadores necessitaram de iluminação durante o percurso com a imagem, do Rio Paramopama até as Igrejas do Carmo.

Pintura do teto com os passos da Santa Teresa
Pintura do teto com os passos da Santa Teresa

A grande maioria das imagens presentes nessas igrejas tem origem portuguesa, incluindo Santo Antônio, Nossa Senhora da Boa Morte, Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Bom Sucesso, Santo Alberto de Jerusalém, dentre outras, exceto a Nossa Senhora do Carmo, que tem origem espanhola.

Existem imagens mais recentes na igreja, feitas com o objetivo de completar algumas devoções carmelitas: Santa Maria Madalena de Pazzi, Santa Teresa d’Ávila e Santo Elias.

Todo o acervo das igrejas é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), exceto as mais recentes, que foram confeccionadas com madeira, no Brasil.

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