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Os peixes do Pantanal não são tão variados quanto os da Amazônia, mas existem em enorme quantidade. Hoje, há cerca de 260 espécies descritas na região, um número modesto perto das mais de 2.000 da bacia amazônica. Mesmo assim, os peixes do Pantanal existem aos milhares, e a explicação para essa fartura é simples.
- Espécies: cerca de 260 descritas no Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
- Mais procurados na pesca: pintado, cachara, dourado, pacu, jaú e piraputanga.
- Peixes de couro: cachara, pintado, jaú, jurupensém, jurupoca e mandubé.
- Peixes de escamas: dourado, pacu, curimbatá, piavuçu, piraputanga, piranha, lambari e traíra.
- Piracema: a pesca fica proibida na época da desova, em geral entre outubro ou novembro e fevereiro.
- Em Mato Grosso: a Lei do Transporte Zero protege 12 espécies, como dourado, pintado e cachara.
Por que há tantos peixes no Pantanal?
No período das chuvas, entre novembro e março, grande parte do Pantanal fica debaixo d’água. As baías, contudo, continuam rasas e recebem muita luz. Assim, crescem plantas, microalgas e macrófitas, a base da cadeia alimentar de pequenos invertebrados e peixes.
Além disso, as baías ficam em parte isoladas dos grandes rios. Por isso, funcionam como um berçário, onde os peixes pequenos ficam a salvo dos predadores.
As águas do Pantanal também abrigam jacarés, capivaras, ariranhas e muitas aves aquáticas. Daí, portanto, a importância de preservar esses ambientes.
Pesca no Pantanal: cuidados e regras
A pesca no Pantanal, inclusive a esportiva, dá sinais de desgaste por causa do excesso de exploração. Afinal, ela se concentra em cerca de vinte espécies. O tamanho e a quantidade de dourados, por exemplo, vêm diminuindo.
Por isso, as regras ficaram mais rígidas. Em Mato Grosso, a Lei 12.197/2023, chamada de Transporte Zero, vale desde 2024 por cinco anos. Ela proíbe transportar, guardar e vender 12 espécies dos rios do estado, entre elas cachara, dourado, jaú, pintado e piraputanga; para essas, só vale o pesque e solte.
Nos dois estados, além disso, a pesca é proibida na piracema, a época da desova. Como as datas e as listas mudam, consulte sempre a Sema-MT ou o Imasul (MS) antes de viajar. Veja também o guia para pescar no Pantanal.
Espécies de peixes do Pantanal
Estas são as espécies de peixes do Pantanal mais encontradas, em ordem alfabética:
- Cachara (Pseudoplatystoma reticulatum)
- Curimbatá (Prochilodus lineatus)
- Dourado (Salminus brasiliensis)
- Jaú (Zungaro jahu)
- Jurupensém (Sorubim lima)
- Jurupoca (Hemisorubim platyrhynchos)
- Lambari (Astyanax spp.)
- Mandubé (Ageneiosus inermis)
- Pacu (Piaractus mesopotamicus)
- Piavuçu (Leporinus macrocephalus)
- Pintado (Pseudoplatystoma corruscans)
- Piranhas (Pygocentrus nattereri e Serrasalmus maculatus)
- Piraputanga (Brycon hilarii)
- Traíra (Hoplias malabaricus)
1. Cachara
Nome científico: Pseudoplatystoma reticulatum (antes chamado de P. fasciatum). Outros nomes: surubim, surubim-cachara.
Peixe de couro, tem o corpo alongado e roliço e a cabeça grande e achatada. Além disso, tem grande valor comercial e resiste bastante quando fisgado.
Durante o dia, fica em águas fundas; à noite, por outro lado, vai para as praias e margens rasas. Come pequenos peixes e pode passar de 1 metro de comprimento. Hoje, porém, os exemplares pescados raramente passam dos 20 quilos.
Para pescá-lo, use equipamento médio a pesado e iscas naturais ou artificiais, de meia água e de fundo. Cuidado, também, com os ferrões das nadadeiras.
2. Curimbatá
Nome científico: Prochilodus lineatus. Outros nomes: curimatá, curimba e papa-terra.

Peixe de escamas, come detritos, lodo, algas e pequenos invertebrados do fundo dos rios. Em geral, vive em grandes cardumes, sobretudo em águas calmas. Na piracema, aliás, faz grandes migrações rio acima.
Atinge cerca de 5 quilos. Para pescá-lo, então, prefira os barrancos, com equipamento simples e leve. Como não é atraído por iscas artificiais, use massa de farinha de trigo.
3. Dourado
Nome científico: Salminus brasiliensis.
Peixe de escamas e predador voraz, vive em águas com correnteza, de preferência da meia água para a superfície. Também fica entre pedras e em cachoeiras.
O dourado chega a cerca de 1 metro e pode passar de 20 quilos. Por isso, o equipamento deve ser médio ou pesado. Use iscas artificiais de meia água e colheres de metal, tanto no corrico quanto no arremesso; iscas naturais também funcionam.
Depois que ele fisgar, mantenha a linha esticada, para que não se solte. Lembre-se, ainda, de que em Mato Grosso o dourado está entre as espécies protegidas pelo Transporte Zero.
4. Jaú
Nome científico: Zungaro jahu (antes Paulicea luetkeni). Outros nomes: pacamum, pacamão.
Peixe de couro, come outros peixes e vive em águas agitadas, cachoeiras, poços fundos e áreas com muitas pedras.
É um dos maiores peixes do Pantanal: pode passar de 1,2 metro e chegar a 100 quilos. Quando fisgado, se esconde entre as pedras, o que dificulta a captura.
Assim, o equipamento deve ser pesado, com iscas naturais no fundo. É mais fácil pescá-lo à noite, quando fica mais ativo.
5. Jurupensém
Nome científico: Sorubim lima. Outro nome: bico-de-pato.
Peixe de couro, come pequenos peixes e invertebrados. Vive em cardumes, abaixo das corredeiras ou nos poços dos rios.
É um peixe de porte médio, com cerca de 50 centímetros. Para pescá-lo, portanto, use equipamento leve a médio e, de preferência, iscas naturais.
6. Jurupoca
Nome científico: Hemisorubim platyrhynchos. Outros nomes: jerepoca, braço-de-moça.
Peixe de couro de carne muito apreciada, come peixes e invertebrados e vive nas baías e na beira dos rios. Pode chegar a 50 centímetros e 3 quilos.
As melhores iscas, nesse caso, são filés ou pedaços de peixes pequenos, com equipamento leve a médio.
7. Lambari
Nome científico: Astyanax spp. Outro nome: piaba.

Peixe de escamas, é muito ligeiro e costuma roubar a isca sem ser fisgado. Tem no máximo 15 centímetros e não passa de 50 gramas. Por isso, o equipamento deve ser bem leve; além disso, o lambari também é muito usado como isca.
Come flores, frutos, sementes, insetos e algas e vive, em geral, nas margens de rios e baías. As melhores iscas são massa de farinha, minhoca, insetos e pedacinhos de queijo.
8. Mandubé
Nome científico: Ageneiosus inermis (sinônimo: A. brevifilis). Outros nomes: palmito, fidalgo.
Peixe de couro, sua carne é considerada tão saborosa quanto a do pintado. Come peixes e invertebrados e vive nos remansos dos rios. Alcança cerca de 50 centímetros e 2,5 quilos. Para pescá-lo, então, use material leve e iscas como pedaços de peixe, minhocas e insetos.
9. Pacu
Nome científico: Piaractus mesopotamicus. Outros nomes: pacu-caranha, caranha.
Peixe de escamas de carne muito saborosa, come frutos, flores, caranguejos, plantas aquáticas, peixes e caramujos. Vive perto de árvores frutíferas, nos barrancos, entre galhos caídos ou em águas mais fundas.
Pode passar de 60 centímetros e chegar a cerca de 15 quilos. O equipamento deve ser médio, com iscas naturais, como frutos, sementes e caranguejos, ou artificiais pequenas.
Na época em que as árvores dão frutos, por exemplo, use frutos e imite o barulho deles caindo na água.
10. Piavuçu
Nome científico: Leporinus macrocephalus.
Peixe de escamas, come peixes, frutos, flores, caranguejos, plantas aquáticas e caramujos. Fica nas margens dos rios, nos canais, nas baías, perto da vegetação ou sob quedas-d’água.
Muito veloz, costuma arrebentar a linha ou, às vezes, tirar a isca sem se prender ao anzol. Chega a cerca de 60 centímetros e 3 quilos.
Use equipamento médio, com carretilha ou molinete; já na pesca de barranco, a vara de bambu funciona bem. As melhores iscas são caramujo, caranguejo e massa de farinha.
11. Pintado
Nome científico: Pseudoplatystoma corruscans. Outros nomes: cambucu, surubim-pintado.
Peixe de couro, é o mais procurado pelos pescadores do Pantanal. Come pequenos peixes, tuviras, muçuns e minhocuçus e, às vezes, até pequenos roedores, cobras e lagartos.
Vive nos canais dos rios, na boca das baías e perto de troncos no fundo. Há exemplares com mais de 1 metro e relatos antigos de peixes com até 80 quilos. Hoje, no entanto, é raro pescar algum com mais de 20 quilos.
Exige equipamento médio ou pesado. Em geral, é mais fácil fisgá-lo com iscas naturais de peixe; entre as artificiais, use as de meia água e de fundo. Cuidado, também, com os ferrões das nadadeiras.
12. Piranhas
Nomes científicos: Pygocentrus nattereri (piranha-vermelha) e Serrasalmus maculatus (antes S. spilopleura). Outros nomes: catarina, pirambeba.

As piranhas têm escamas, e há várias espécies no Pantanal. Em geral, comem pedaços de outros peixes, como nadadeiras, e também carcaças de animais. Por isso, ajudam a limpar as águas.
Atacam, sobretudo, animais feridos ou com dificuldade de nadar. Vivem em cardumes, em rios, lagoas e baías, e costumam ter até cerca de 30 centímetros.
O material deve ser médio, com pedaços de peixe ou iscas artificiais de meia água. Ao tirá-las do anzol, porém, cuidado com as mordidas.
13. Piraputanga
Nome científico: Brycon hilarii.
Peixe de escamas, é um dos mais comuns do Pantanal e também muito arisco. Come sementes, frutos como ingás e figos silvestres, peixes e invertebrados.
Vive em corredeiras e remansos, sob árvores frutíferas, perto de plantas aquáticas e na beira dos rios, que são, aliás, os melhores lugares para pescá-la. Atinge cerca de 50 centímetros e 2,5 quilos.
Equipamentos leves garantem boas pescarias, com iscas naturais, como frutinhas, peixinhos e milho verde, ou artificiais, como spinners e pequenos plugs. Além disso, a piraputanga solta na água uma substância de alarme quando é fisgada. Assim, os outros peixes se afastam, e é difícil pegar mais de uma no mesmo lugar.
14. Traíra
Nome científico: Hoplias malabaricus.
Peixe de escamas e predador voraz, fica mais ativa à noite. Come outros peixes e insetos e vive em águas paradas e rasas, em baías, corixos e margens de rios, entre plantas aquáticas.
Atinge cerca de 60 centímetros e 3 quilos. Pode ser pescada com equipamento leve e iscas naturais, como peixes e miúdos de frango, ou artificiais, como spinners, poppers e sapinhos de borracha.
Ao tirá-la do anzol, no entanto, tome cuidado com as mordidas. Sua carne é muito apreciada, embora tenha muitas espinhas.
Perguntas frequentes sobre os peixes do Pantanal
Quais são os principais peixes do Pantanal?
Pintado, cachara, dourado, pacu, jaú, piraputanga, piavuçu, curimbatá, piranha e traíra.
Desses, os mais procurados na pesca esportiva são o pintado, o dourado e o pacu.
Quantas espécies de peixes existem no Pantanal?
Cerca de 260 espécies descritas.
Mesmo com menos espécies que a Amazônia, o Pantanal tem enorme quantidade de peixes.
Qual é o maior peixe do Pantanal?
O jaú, que pode chegar a 100 quilos.
O pintado também é grande e, antigamente, chegava a 80 quilos.
Quando é proibido pescar no Pantanal?
Na piracema, a época da desova, que vai em geral de outubro ou novembro até fevereiro.
Por isso, confira as datas exatas na Sema-MT ou no Imasul antes de viajar.
Qual a diferença entre peixe de couro e peixe de escamas?
Os peixes de couro, como pintado e jaú, não têm escamas; já os de escamas incluem dourado e pacu.
Em geral, os de couro são bagres, com barbilhões perto da boca.
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