História do Pantanal Matogrossense: da ocupação ao ecoturismo

Conheça a história do Pantanal Matogrossense e sua transformação ao longo dos séculos, desde a ocupação por fazendas de gado até a ascensão do ecoturismo.

Distante dos pólos industriais, o Pantanal Matogrossense se manteve quase intocado durante séculos, até que seus espaços fossem ocupados por fazendas de gado.

Hoje, o ecoturismo emerge no Pantanal como fator de desenvolvimento econômico da região.

A História do Pantanal Matogrossense começa com os primeiros aventureiros europeus que, ainda na primeira metade do século XVI, percorreram a porção oeste dos atuais estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, perto do Paraguai e da Bolívia, pouco se interessaram pelo lugar.

O Pantanal Matogrossense desnorteava os conquistadores com seus labirintos de rios e suas vastas planícies alagadas, habitadas por diferentes povos indígenas: xaraiés (xarayés), orejones, guaxaparatos

Os mais numerosos, no entanto, eram os guaicurus e os paiaguás.

Os índios guaicurus, exímios cavaleiros, dominavam toda a parte sul do Pantanal, área entre a serra da Bodoquena e Porto Murtinho.

Os índios paiaguás, canoeiros, ocupavam os territórios às margens dos rios Paraguai, Miranda, Negro e Taquari.

Também eram canoeiros os índios guatós, que viviam dispersos em pequenos grupos.

Esse encontro inicial entre europeus e nativos ocorreu em 1543, quando a expedição comandada pelo espanhol Álvaro Nunes Cabeza de Vaca passou pelo Pantanal.

Antonio de Herrera Y Tordelislas foi o historiador oficial de Espanha e das Índias. Ele compilou uma história das conquistas espanholas e das primeiras explorações nas Américas, que incluía este mapa do continente gravado de forma simples. O mapa é em grande parte derivado das cartas manuscritas de Juan Lopez de Velasco. O continente é dominado pelas enormes "R. de los Amazona" e R. de la Plato" e pela cordilheira ocidental. É apresentado o "Meridiano de la de Marcacion", que dividia o mundo não cristão entre Espanha e Portugal.
Tratado de Tordesilhas – Antonio de Herrera Y Tordesilhas foi o historiador oficial de Espanha e das Índias. Ele compilou uma história das conquistas espanholas e das primeiras explorações nas Américas, que incluía este mapa do continente gravado de forma simples. O mapa é em grande parte derivado das cartas manuscritas de Juan Lopez de Velasco. O continente é dominado pelas enormes “R. de los Amazona” e R. de la Plato” e pela cordilheira ocidental. É apresentado o “Meridiano de la de Marcacion”, que dividia o mundo não cristão entre Espanha e Portugal.

O Tratado de Tordesilhas garantia então à Espanha a posse de todas as terras ao longo desse meridiano.

Esta pintura do século 15 ilustra como o Tratado de Tordesilhas foi assinado
Esta pintura do século 15 ilustra como o Tratado de Tordesilhas foi assinado.

Surpreendido pelo volume das águas, Cabeza de Vaca chamou a região de Mar dos Xaraiés; os espanhóis, contudo, estavam à procura de metais preciosos e, indiferentes, seguiram viagem.

O Pantanal somente despertaria o interesse dos colonos europeus dois séculos depois, quando a corrida pelo ouro arrastou bandeirantes paulistas ao Centro-Oeste.

A resistência indígena foi persistente e violenta; ainda assim, após séculos de confrontos, sua dizimação foi quase completa.

Os cadiuéus (kadiwéus), remanescentes dos guaicurus, vivem hoje em uma reserva próxima à serra da Bodoquena; os terenas pouco guardam de suas tradições e se deslocaram para a zona urbana.

Dos guatós, resta um número reduzido de indivíduos nos confins da serra do Amolar, próximo ao Parque Nacional do Pantanal.

HISTÓRIA DO PANTANAL MATOGROSSENSE

História do Pantanal Matogrossense, as expedições, a ocupação, a expansão territorial e o desenvolvimento econômico.

1. DESCOBERTA DO OURO

No ano de 1709, terminou na região das Minas Gerais a Guerra dos Emboadas, travada entre bandeirantes paulistas – que exigiam o monopólio da exploração das reservas auríferas que haviam descoberto – e exploradores portugueses e de outras regiões que haviam acorrido às lavras mineiras.

Vencidos, os paulistas passaram a buscar outras rotas, rumando em direção ao Centro-Oeste.

Partida da Monção, de Almeida Júnior (1897). Retratando Porto Feliz, no interior de São Paulo, durante a partida de bandeirantes em viagens fluviais pelo Rio Tietê, destaque para o naturalismo e realismo nas figuras dos sertanistas.
Partida da Monção, de Almeida Júnior (1897). Retratando Porto Feliz, no interior de São Paulo, durante a partida de bandeirantes em viagens fluviais pelo Rio Tietê, destaque para o naturalismo e realismo nas figuras dos sertanistas.

[box type=”info” style=”rounded”]As chamadas monções foram expedições fluviais que, entre a segunda década do século XVIII e a primeira metade do século XIX, mantiveram contato entre a Capitania de São Paulo e a Capitania de Mato Grosso.[/box]

Em 1718, o bandeirante Pascoal Moreira Cabral encontrou ouro na região do córrego da Prainha, afluente do caudaloso rio Cuiabá; em 1727, Rodrigo César de Meneses, capitão-general da capitania de São Paulo, ergueu uma vila no local e a batizou com o mesmo nome do grande rio.

Apesar de pertencerem oficialmente à Espanha, as terras foram ocupadas por mineradores luso-brasileiros, que conviveram pacificamente com a população de alguns núcleos de ocupação espanhola comandados por jesuítas.

Para fortalecer sua presença na região, Portugal criou em 1748 a capitania de Mato Grosso, em uma área de cerca de 210 mil quilômetros quadrados.

Em 1750, o Tratado de Madri estabeleceu as fronteiras da região e oficializou a possessão de tais territórios pela Coroa portuguesa, que ordenou na sequência a construção de núcleos militares para proteger a nova capitania.

Um desses núcleos militares, o Forte Coimbra, erguido em 1775 nas proximidades de Corumbá, resiste até hoje.

Entre as várias vilas que surgiram naquela época, estão Miranda, Vila Maria do Paraguai e São Pedro Del Rei.

A riqueza do ouro, porém, foi breve – no começo do século XIX, a produção das lavras já declinava. A história do Pantanal tomaria novo rumo.

2. PECUÁRIA PANTANEIRA

A pecuária pantaneira, parte essencial da história e da cultura pantaneiras, era considerada atividade secundária durante o ciclo do ouro na Baixada Cuiabana, mas adquiriu força quando a exploração das lavras auríferas entrou em decadência.

pecuária pantaneira
pecuária pantaneira

A expansão foi rápida: as pastagens da planície facilitaram a adaptação dos animais e os latifúndios logo se consolidaram e prosperaram.

Ao longo do século XIX, os rebanhos cresceram, e multiplicaram-se os curtumes em que a carne era salgada para que pudesse ser exportada.

Foi o início da produção intensiva de carne bovina, que tinha como principal via de escoamento o rio Paraguai, através da navegação da bacia do Prata.

Várias comunidades se formaram em torno desses curtumes, ao longo do principal curso d’água regional.

O gigantesco labirinto de águas interiores, entretanto, permaneceu preservado, distante, ocupado por poucos homens e muitos bois.

3. EXPEDIÇÃO LANGSDORFF

As dificuldades de acesso e o isolamento do Pantanal do restante do território brasileiro concorreram para que o antigo Mar dos Xaraiés mantivesse ao longo do tempo sua aura de mundo perdido e selvagem – e, como tal, atraísse o interesse de cientistas, aventureiros e cronistas, sobretudo durante o século XIX.

Pintura 'Ponte de Cipó', de Johann Moritz Rugendas, feita em 1835, durante expedição Langsdorff
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Expedição Langsdorff pelo Mato Grosso

Entre as expedições que percorreram a região destaca-se a organizada pelo barão Georg Heinrich von Langsdorff, cônsul russo no Brasil.

A Expedição Langsdorff viajava em direção à Amazônia e passou pelos sertões brasileiros entre os anos de 1821 e 1829.

O desenhista oficial Hercule Florence foi o responsável pelos cadernos de viagem – publicados sob o nome de Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas – onde registrou a sociedade e a natureza pantaneiras da época.

A comitiva se hospedou na Fazenda Jacobina, nas proximidades da cidade de Cáceres já perto da fronteira boliviana – uma propriedade típica dos grandes latifúndios desenvolvidos no século XIX, com total autonomia, lavoura, muito gado e até milícia própria para garantir a lei nos domínios dos coronéis da pecuária.

Acompanhando Langsdorff estavam Ludwig Riedel (botânico), Nestor Rubtsov (astrônomo), o médico e zoólogo Cristian Hasse, além de escravos, guias e remadores, somando 39 pessoas na expedição.

Juntamente com os cientistas, fizeram parte da expedição o artista alemão Johan Mauritz Rugendas (João Mauricio Rugendas) e os franceses Aimé-Adrien Taunay (Aimé Adriano Taunay) e Hercule Florence (Hércules Florence).

Os registros de Hercule Florence (Hércules Florence), ao lado dos trabalhos do artista alemão Rugendas (1802 – 1858) e do desenhista francês Adrien Taunay (1803 – 1828), constituem a única documentação completa dessa viagem.

FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Aquarela e nanquim sobre papel – 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule - Indiens Guanás. Cuyabá, Novembre 1827. Hercule Florence, f. - 1827 - Aquarela sobre papel - 21,5 x 27,5 cm
FLORENCE, Hercule – Indiens Guanás. Cuyabá, Novembre 1827. Hercule Florence, f. – 1827 – Aquarela sobre papel – 21,5 x 27,5 cm
FLORENCE, Hercule - Pacú. Réduit. Cuyabá, 20 Avril 1827. Hercule Florence, fecit. - 1827 - Aquarela sobre papel - 20,6 x 28,7 cm
FLORENCE, Hercule – Pacú. Réduit. Cuyabá, 20 Avril 1827. Hercule Florence, fecit. – 1827 – Aquarela sobre papel – 20,6 x 28,7 cm
FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Aquarela e nanquim sobre papel – 21,3 x 30,7 cm

4. GUERRA DO PARAGUAI

Desde os primeiros anos do século XIX, Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina debatiam-se em conflitos fronteiriços.

BATALHA DO RIACHUELO, O EPISÓDIO MAIS BRUTAL DA GUERRA DO PARAGUAI
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História da Guerra do Paraguai

O presidente paraguaio, Francisco Solano López, apoiou o presidente do Uruguai, Atanásio Aguirre, quando este resistiu a uma intervenção do Brasil, que exigia o pagamento de indenização a fazendeiros gaúchos supostamente prejudicados por uruguaios.

Tropas brasileiras invadiram Montevidéu e derrubaram Aguirre; Francisco Solano López, presidente paraguaio, revidou e invadiu as cidades de Corumbá e Cáceres, fazendo com que os fazendeiros se deslocassem para Cuiabá.

Foi o início, em 1864, do mais sangrento conflito da América Latina: a Guerra do Paraguai, que dizimou cerca de dois terços da população paraguaia.

Brasil, Argentina e Uruguai uniram-se na chama da Tríplice Aliança, financiada pela Inglaterra.

Seguiram-se cinco anos de lutas, travadas em terra e nos rios Paraná e Paraguai, em que o Paraguai foi arrasado pela superioridade naval aliada, sobretudo brasileira.

Entre as batalhas, as mais conhecidas foram a Naval de Riachuelo, a Retirada de Laguna e a Tomada do Forte Coimbra.

Em 1870, Solano López foi capturado e morto.

Com a vitória na Guerra do Paraguai, o Brasil ampliou seu território, incorporando 47 mil quilômetros de terras paraguaias, boa parte dos quais integra o Pantanal mato-grossense — entre outras consequências, a incorporação dessa área aprofundou e ampliou a influência da cultura platina sobre o Pantanal.

As fazendas e as cidades pantaneiras sofreram com o embate: várias delas foram destruídas e o gado restante dispersou-se pela planície, tornando-se selvagem e arisco.

Território depois da Guerra do Paraguai
Território depois da Guerra do Paraguai

Com o final do conflito, as propriedades rurais foram novamente divididas e a da navegação do rio Paraguai até o estuário do Prata foi reaberta.

5. PRESERVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

No século XX, o Mato Grosso emergiu como uma economia próspera apoiada na pecuária, e desde então vem rompendo lentamente o seu isolamento do restante do Brasil e do mundo.

Em 1905, teve início a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, entre a cidade de Bauru, em São Paulo, e Corumbá.

O Marco da conexão do Mato Grosso aos centros industriais no Sudeste, a estrada foi privatizada em 1996 e passou a se chamar Ferrovia Novoeste SA.

Outro momento fundamental da integração do Pantanal deu-se em 1913, quando a Expedição Científica Roosevelt-Rondon realizou o reconhecimento zoogeógrafo das terras do extremo oeste brasileiro, com o apoio do Museu Americano de História Natural.

A comissão Rondon, após passar pelos confins da jurisdição de Cáceres, seguiu pelo rio Paraguai.

Tinha como objetivo, além da dar continuidade à secular tradição das expedições científicas, expandir a rede telegráfica nacional e explorar um vasto território até então desconhecido.

Na década de 1930, o antropólogo Claude Lévi-Strauss debruçou-se sobre a diversidade etnográfica do mundo pantaneiro: foi a partir de sua estada nas aldeias dos bororos e cadiuéus que o estudioso estabeleceu os fundamentos da antropologia no século XX.

Apesar dos movimentos de integração, o Pantanal manteve-se quase intacto até as décadas de 1960 e 1970, quando o impacto da invasão de couteiros – em busca do cobiçado couro de jacaré – e da pesca predatória se tornou evidente.

No final dos anos 1970, o governo federal começou a intervir nas questões ambientais.

Em 1977, para facilitar sua administração, o estado do Mato Grosso foi dividido em dois: Mato Grosso (MT), com capital em Cuiabá, e Mato Grosso do Sul (MS), cuja capital é Campo Grande. Ao longo do século, intensificou-se a chegada de imigrantes à região, vindos notadamente do Sul e do Sudeste em busca de terras para a pecuária e o cultivo de soja.

Em princípios do século XXI, a construção do gasoduto Brasil-Bolívia promete oferecer energia para a instalação de indústrias pesadas no entorno da planície do Pantanal — um processo já em andamento e cuja intensificação desperta a apreensão dos ambientalistas.

O universo pantaneiro, embora frágil, permanece como uma vastidão de incertas fronteiras, ainda repleto de mistérios e descobertas. Cada vez mais valorizado pelo seu potencial em recursos naturais, foi declarado, em 2000, Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, tornando-se um dos destinos mais procurados por ecoturistas de todo o mundo.

Agora a planície alagada se prepara para um novo desafio: o de abrir-se para o turismo organizado, que cada vez mais se firma como eixo de preservação e sustentabilidade econômica.

História do Pantanal Matogrossense, as expedições, a ocupação, a expansão territorial e o desenvolvimento econômico.

Veja as seguintes publicações sobre o pantanal

  1. Observação de Mamíferos e Répteis no Pantanal
  2. Pescar no Pantanal – Melhores lugares, iscas, modalidades e épocas
  3. Espécies de peixes mais encontrados no Pantanal
  4. Observações de Aves no Pantanal Matogrossense
  5. Espécies de aves mais comuns no Pantanal Matogrossense
  6. Flora do Pantanal Matogrossense
  7. Fauna do Pantanal Matogrossense
  8. Pantanal Matogrossense – Geografia, Clima, Solo e Rios
  9. História do Pantanal Matogrossense – Descoberta e Desenvolvimento Econômico
  10. Região do Pantanal Sul
  11. Região do Pantanal Norte
  12. Por que ir ao Pantanal Matogrossense? 
Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

Publicado em 16/01/2024 · Atualizado em 24/11/2025

History of the Mato Grosso Pantanal: from occupation to ecotourism

Learn about the history of the Pantanal in Mato Grosso and its transformation over the centuries, from its occupation by cattle ranches to the rise of ecotourism.

Far from the industrial centres, the Pantanal of Mato Grosso remained almost untouched for centuries, until its spaces were occupied by cattle ranches.

Today, ecotourism in the Pantanal is emerging as a factor in the region’s economic development.

The history of the Pantanal in Mato Grosso begins with the first European adventurers who, in the first half of the 16th century, travelled through the western part of today’s states of Mato Grosso and Mato Grosso do Sul, close to Paraguay and Bolivia.

The Pantanal of Mato Grosso bewildered the conquistadors with its labyrinth of rivers and vast floodplains inhabited by various indigenous peoples: Xaraiés, Orejones, Guaxaparatos.

The most numerous, however, were the Guaicurus and the Paiaguás.

The Guaicurus, expert horsemen, dominated the entire southern part of the Pantanal, the area between the Serra da Bodoquena and Porto Murtinho.

The Paiaguás Indians, canoeists, occupied the areas on the banks of the Paraguay, Miranda, Negro and Taquari rivers.

The Guatós Indians, who lived in small scattered groups, were also canoeists.

The first encounter between Europeans and natives took place in 1543, when the expedition led by the Spaniard Álvaro Nunes Cabeza de Vaca passed through the Pantanal.

Antonio de Herrera Y Tordelislas foi o historiador oficial de Espanha e das Índias. Ele compilou uma história das conquistas espanholas e das primeiras explorações nas Américas, que incluía este mapa do continente gravado de forma simples. O mapa é em grande parte derivado das cartas manuscritas de Juan Lopez de Velasco. O continente é dominado pelas enormes "R. de los Amazona" e R. de la Plato" e pela cordilheira ocidental. É apresentado o "Meridiano de la de Marcacion", que dividia o mundo não cristão entre Espanha e Portugal.
Treaty of Tordesillas – Antonio de Herrera y Tordesilhas was the official historian of Spain and the Indies. He compiled a history of the Spanish conquests and early explorations of the Americas, which included this simply engraved map of the continent. The map is largely based on the handwritten maps of Juan Lopez de Velasco. The continent is dominated by the huge “R. de los Amazona” and “R. de la Plato” and the western mountain range. The “Meridiano de la de Marcacion” is shown, which divided the non-Christian world between Spain and Portugal.

The Treaty of Tordesillas then guaranteed Spain possession of all the lands along this meridian.

Esta pintura do século 15 ilustra como o Tratado de Tordesilhas foi assinado
This 15th century painting shows the signing of the Treaty of Tordesillas.

Surprised by the volume of water, Cabeza de Vaca called the region the Sea of the Xaraiés, but the Spaniards were in search of precious metals and moved on.

It was not until two centuries later that the Pantanal attracted the interest of European settlers, when the gold rush drew bandeirantes from São Paulo to the centre-west.

Indigenous resistance was tenacious and violent, but after centuries of confrontation their decimation was almost complete.

The Cadiuéus (Kadiwéus), remnants of the Guaicurus, now live in a reserve near the Serra da Bodoquena; the Terenas have little left of their traditions and have moved to the urban area.

Of the Guatós, a small number remain in the confines of the Amolar mountain range, near the Pantanal National Park.

HISTORY OF THE MATOGROSSENSE PANTANAL

History of the Mato Grosso Pantanal, expeditions, occupation, territorial expansion and economic development.

1. THE DISCOVERY OF GOLD

In 1709, in the region of Minas Gerais, the War of the Emboadas came to an end, fought between bandeirantes from São Paulo – who demanded a monopoly on the exploitation of the gold reserves they had discovered – and explorers from Portugal and other regions who had come to the mines.

Defeated, the Paulistas began to look for other routes, heading towards the centre-west.

Partida da Monção, de Almeida Júnior (1897). Retratando Porto Feliz, no interior de São Paulo, durante a partida de bandeirantes em viagens fluviais pelo Rio Tietê, destaque para o naturalismo e realismo nas figuras dos sertanistas.
Departure of the Monsoon, by Almeida Júnior (1897). Depicting Porto Feliz, in the interior of São Paulo, during the departure of the bandeirantes on river journeys along the Tietê, it highlights the naturalism and realism in the figures of the sertanistas.

[box type=”info” style=”rounded”]The so-called monções were river expeditions that, between the second decade of the 18th century and the first half of the 19th century, maintained contact between the captaincy of São Paulo and the captaincy of Mato Grosso[/box].

In 1718, the bandeirante Pascoal Moreira Cabral found gold in the area of the Prainha stream, a tributary of the Cuiabá river; in 1727, Rodrigo César de Meneses, Captain General of the Captaincy of São Paulo, built a town on the site and baptised it with the same name as the great river.

Although the land officially belonged to Spain, it was occupied by Luso-Brazilian miners, who coexisted peacefully with the population of some Jesuit-run Spanish settlements.

To strengthen its presence in the region, Portugal created the Captaincy of Mato Grosso in 1748, covering an area of around 210,000 square kilometres.

In 1750, the Treaty of Madrid established the borders of the region and formalised the possession of these territories by the Portuguese Crown, which then ordered the construction of military centres to protect the new captaincy.

One of these military centres, Fort Coimbra, built in 1775 near Corumbá, still stands today.

Among the various towns that sprang up during this period were Miranda, Vila Maria do Paraguai and São Pedro Del Rei.

However, the wealth of gold was short-lived – by the beginning of the 19th century, production from the mines had declined. The history of the Pantanal was about to take a new turn.

2. PANTANAL CATTLE RANCHING

Pantanal cattle ranching, an essential part of the history and culture of the Pantanal, was considered a secondary activity during the gold rush in the Baixada Cuiabana, but gained strength when the exploitation of the gold mines began to decline.

pecuária pantaneira
Pantanal cattle ranching

The expansion was rapid: the lowland pastures made it easier for the animals to adapt, and the estates soon consolidated and prospered.

Throughout the 19th century, herds grew and tanneries multiplied, where the meat was salted for export.

This was the beginning of intensive beef production, whose main outlet was the Paraguay River, via the navigation of the River Plate basin.

Around these tanneries, several communities sprang up along the main regional waterway.

However, the vast labyrinth of inland waterways remained preserved, distant, inhabited by a few men and many oxen.

3. THE LANGSDORFF EXPEDITION

The difficulty of access and the isolation of the Pantanal from the rest of Brazilian territory meant that the ancient Mar dos Xaraiés maintained its aura of a lost and wild world over time – and as such attracted the interest of scientists, adventurers and chroniclers, especially in the 19th century.

Pintura 'Ponte de Cipó', de Johann Moritz Rugendas, feita em 1835, durante expedição Langsdorff
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Expedição Langsdorff pelo Mato Grosso

Among the expeditions that passed through the region was the one organised by Baron Georg Heinrich von Langsdorff, the Russian consul in Brazil.

The Langsdorff expedition travelled to the Amazon and through the Brazilian interior between 1821 and 1829.

The official draughtsman, Hercule Florence, was responsible for the travellers’ notebooks – published as Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas – in which he recorded the society and nature of the Pantanal at the time.

The entourage stayed at the Fazenda Jacobina, near the city of Cáceres, close to the Bolivian border – a typical 19th-century large estate with complete autonomy, ploughing, lots of cattle and even its own militia to enforce the law in the domains of the cattle colonels.

Langsdorff was accompanied by Ludwig Riedel (botanist), Nestor Rubtsov (astronomer), the doctor and zoologist Cristian Hasse, as well as slaves, guides and oarsmen, making a total of 39 people on the expedition.

As well as the scientists, the German artist Johan Mauritz Rugendas (João Mauricio Rugendas) and the Frenchmen Aimé-Adrien Taunay (Aimé Adriano Taunay) and Hercule Florence (Hércules Florence) were also part of the expedition.

Hercule Florence’s records, together with those of the German artist Rugendas (1802 – 1858) and the French draughtsman Adrien Taunay (1803 – 1828), form the only complete documentation of this voyage.

FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano cachorro Gr. naturelle. Port of Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Watercolour and ink on paper – 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule - Indiens Guanás. Cuyabá, Novembre 1827. Hercule Florence, f. - 1827 - Aquarela sobre papel - 21,5 x 27,5 cm
FLORENCE, Hercule – Guanás Indians. Cuyabá, November 1827. Hercule Florence, f. – 1827 – Watercolour on paper – 21,5 x 27,5 cm
FLORENCE, Hercule - Pacú. Réduit. Cuyabá, 20 Avril 1827. Hercule Florence, fecit. - 1827 - Aquarela sobre papel - 20,6 x 28,7 cm
FLORENCE, Hercule – Pacú. Reduction. Cuyabá, 20 April 1827. Hercule Florence, fecit. – 1827 – Watercolour on paper – 20,6 x 28,7 cm
FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano Puppy Gr. naturelle. Port of Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Watercolour and ink on paper – 21.3 x 30.7 cm

4. THE PARAGUAYAN WAR

From the early years of the 19th century, Brazil, Uruguay, Paraguay and Argentina fought border conflicts.

BATALHA DO RIACHUELO, O EPISÓDIO MAIS BRUTAL DA GUERRA DO PARAGUAI
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História da Guerra do Paraguai

The Paraguayan president, Francisco Solano López, supported the Uruguayan president, Atanásio Aguirre, when the latter resisted intervention by Brazil, which was demanding compensation for gaucho farmers allegedly harmed by the Uruguayans.

Brazilian troops invaded Montevideo and overthrew Aguirre; Francisco Solano López, the Paraguayan president, retaliated by invading the cities of Corumbá and Cáceres, causing the peasants to move to Cuiabá.

In 1864, the bloodiest conflict in Latin America began: the Paraguayan War, which wiped out around two-thirds of the Paraguayan population.

Brazil, Argentina and Uruguay joined forces in the Triple Alliance, financed by England.

Five years of fighting ensued, on land and on the Paraná and Paraguay rivers, with Paraguay being devastated by the naval superiority of the allies, especially Brazil.

Among the most famous battles were the naval battle of Riachuelo, the retreat from Laguna and the capture of Fort Coimbra.

In 1870, Solano López was captured and killed.

With the victory in the Paraguayan War, Brazil expanded its territory, incorporating 47,000 kilometres of Paraguayan land, much of which is part of the Pantanal in Mato Grosso – among other consequences, the incorporation of this area deepened and expanded the influence of the Platine culture on the Pantanal.

The Pantanal’s ranches and towns suffered as a result of the clash: some were destroyed and the remaining cattle scattered across the plains, becoming wild and skittish.

Território depois da Guerra do Paraguai
The territory after the Paraguayan War

At the end of the conflict, the land was redistributed and the navigation of the Paraguay River to the mouth of the River Plata was reopened.

5. CONSERVATION AND SUSTAINABILITY

In the 19th century, Mato Grosso emerged as a prosperous economy based on cattle ranching, and since then it has slowly broken its isolation from the rest of Brazil and the world.

In 1905, construction began on the Noroeste do Brasil railway between the city of Bauru in São Paulo and Corumbá.

This landmark link between Mato Grosso and the industrial centres of the south-east was privatised in 1996 and renamed Ferrovia Novoeste SA.

Another key moment in the integration of the Pantanal came in 1913, when the Roosevelt-Rondon scientific expedition, supported by the American Museum of Natural History, made a zoogeographical exploration of the lands of the Brazilian Far West.

After crossing the borders of Cáceres, the Rondon Commission travelled along the Paraguay River.

As well as continuing the centuries-old tradition of scientific expeditions, its aim was to extend the national telegraph network and explore a vast, hitherto unknown territory.

In the 1930s, the anthropologist Claude Lévi-Strauss focused on the ethnographic diversity of the Pantanal world: from his stay in the villages of the Bororos and Cadiuéus, he wrote the foundations of 20th-century anthropology.

Despite these attempts at integration, the Pantanal remained almost intact until the 1960s and 1970s, when the effects of the invasion of leather traders – in search of the coveted alligator skin – and predatory fishing became apparent.

In the late 1970s, the federal government began to intervene in environmental issues.

In 1977, the state of Mato Grosso was divided into two to facilitate its administration: Mato Grosso (MT), with its capital in Cuiabá, and Mato Grosso do Sul (MS), with its capital in Campo Grande. As the century progressed, there was an increasing influx of migrants into the region, mainly from the south and south-east, in search of land for cattle raising and soya cultivation.

At the beginning of the 21st century, the construction of the Brazil-Bolivia gas pipeline promises to provide energy for the installation of heavy industries around the Pantanal plain – a process that is already underway and whose intensification is causing concern among environmentalists.

The Pantanal universe, though fragile, remains a vast expanse of uncertain frontiers, still full of mysteries and discoveries. Increasingly valued for its natural resource potential, it was declared a World Heritage Site by Unesco in 2000, making it one of the most sought-after destinations for ecotourists from all over the world.

Now the floodplain is preparing for a new challenge: opening up to organised tourism, which is increasingly establishing itself as an axis of conservation and economic sustainability.

History of the Pantanal in Mato Grosso, expeditions, occupation, territorial expansion and economic development.

See the following publications about the Pantanal

  1. Observing mammals and reptiles in the Pantanal
  2. Fishing in the Pantanal – Best places, lures, methods and seasons
  3. Most common fish species in the Pantanal
  4. Birdwatching in the Pantanal of Mato Grosso
  5. Most common bird species in the Mato Grosso Pantanal
  6. Flora of the Mato Grosso Pantanal
  7. Fauna of the Mato Grosso Pantanal
  8. Pantanal of Mato Grosso – Geography, climate, soil and rivers
  9. History of the Mato Grosso Pantanal – Discovery and economic development
  10. Southern Pantanal Region
  11. Northern Pantanal Region
  12. Why visit the Pantanal in Mato Grosso?
Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

Publicado em 16/01/2024 · Atualizado em 02/04/2025

Histoire du Pantanal du Mato Grosso : De l’occupation à l’écotourisme

Découvrez l’histoire du Pantanal dans le Mato Grosso et sa transformation au fil des siècles, depuis son occupation par des ranchs de bétail jusqu’à l’essor de l’écotourisme.

Loin des centres industriels, le Pantanal du Mato Grosso est resté presque intact pendant des siècles, jusqu’à ce que ses espaces soient occupés par des ranchs de bétail.

Aujourd’hui, l’écotourisme émerge dans le Pantanal comme un facteur de développement économique de la région.

L’histoire du Pantanal dans le Mato Grosso commence avec les premiers aventuriers européens qui, au cours de la première moitié du XVIe siècle, ont traversé la partie occidentale des États actuels du Mato Grosso et du Mato Grosso do Sul, près du Paraguay et de la Bolivie.

Le Pantanal du Mato Grosso a déconcerté les conquistadors avec ses labyrinthes de rivières et ses vastes plaines inondables habitées par différents peuples indigènes : Xaraiés (Xarayés), Oréjones, Guaxaparatos.

Les plus nombreux étaient cependant les Guaicurus et les Paiaguás.

Les Guaicurus, cavaliers experts, dominaient toute la partie sud du Pantanal, entre la Serra da Bodoquena et Porto Murtinho.

Les Indiens Paiaguás, canoéistes, occupaient les territoires situés sur les rives des fleuves Paraguay, Miranda, Negro et Taquari.

Les Indiens Guatós, qui vivaient dispersés en petits groupes, pratiquaient également le canoë.

Cette première rencontre entre Européens et indigènes eut lieu en 1543, lorsque l’expédition commandée par l’Espagnol Álvaro Nunes Cabeza de Vaca traversa le Pantanal.

Antonio de Herrera Y Tordelislas foi o historiador oficial de Espanha e das Índias. Ele compilou uma história das conquistas espanholas e das primeiras explorações nas Américas, que incluía este mapa do continente gravado de forma simples. O mapa é em grande parte derivado das cartas manuscritas de Juan Lopez de Velasco. O continente é dominado pelas enormes "R. de los Amazona" e R. de la Plato" e pela cordilheira ocidental. É apresentado o "Meridiano de la de Marcacion", que dividia o mundo não cristão entre Espanha e Portugal.
Traité de Tordesillas – Antonio de Herrera Y Tordesillas était l’historien officiel de l’Espagne et des Indes. Il a compilé une histoire des conquêtes espagnoles et des premières explorations dans les Amériques, qui comprend cette carte simplement gravée du continent. La carte est principalement dérivée des cartes manuscrites de Juan Lopez de Velasco. Le continent est dominé par les immenses « R. de los Amazona » et « R. de la Plato » ainsi que par la chaîne de montagnes occidentale. Le « Meridiano de la Maracion », qui divisait le monde non chrétien entre l’Espagne et le Portugal, est représenté.

Le traité de Tordesillas garantissait alors à l’Espagne la possession de toutes les terres situées le long de ce méridien.

Esta pintura do século 15 ilustra como o Tratado de Tordesilhas foi assinado
Cette peinture du XV^e siècle illustre la signature du traité de Tordesillas.

Surpris par le volume d’eau, Cabeza de Vaca appela cette région la « mer des Xaraiés » ; les Espagnols, eux, cherchaient des métaux précieux et poursuivirent indifféremment leur route.

Le Pantanal ne suscitera l’intérêt des colons européens que deux siècles plus tard, lorsque la ruée vers l’or entraînera les bandeirantes de São Paulo vers le Centre-Ouest.

La résistance des indigènes a été persistante et violente ; malgré cela, après des siècles d’affrontements, leur décimation a été presque complète.

Les Cadiuéus (Kadiwéus), vestiges des Guaicurus, vivent aujourd’hui dans une réserve près de la Serra da Bodoquena ; les Terenas ont perdu presque toutes leurs traditions et sont installés dans la zone urbaine.

Parmi les Guatós, un petit nombre reste dans les limites de la chaîne montagneuse d’Amolar, près du parc national du Pantanal.

Histoire du Pantanal du Mato Grosso : expéditions, occupation, expansion territoriale et développement économique.

Histoire du Pantanal du Mato Grosso : expéditions, occupation, expansion territoriale et développement économique.

1. LA DÉCOUVERTE DE L’OR

En 1709, la guerre des Emboadas s’achève dans la région du Minas Gerais. Elle oppose les bandeirantes de São Paulo – qui réclament le monopole de l’exploitation des réserves d’or qu’ils ont découvertes – aux explorateurs venus du Portugal et d’autres régions pour exploiter les mines.

Vaincus, les Paulistas commencent à chercher d’autres routes et se dirigent vers le Centre-Ouest.

Partida da Monção, de Almeida Júnior (1897). Retratando Porto Feliz, no interior de São Paulo, durante a partida de bandeirantes em viagens fluviais pelo Rio Tietê, destaque para o naturalismo e realismo nas figuras dos sertanistas.
Départ de la mousson, par Almeida Júnior (1897). Représentant Porto Feliz, à l’intérieur de São Paulo, lors du départ des bandeirantes pour des expéditions fluviales le long du fleuve Tietê, elle met l’accent sur le naturalisme et le réalisme des figures des sertanistas.

Les monções étaient des expéditions fluviales qui, entre la deuxième décennie du XVIII^e siècle et la première moitié du XIX^e siècle, maintenaient le contact entre la capitainerie de São Paulo et la capitainerie du Mato Grosso.

En 1718, le bandeirante Pascoal Moreira Cabral trouve de l’or dans la région du ruisseau Prainha, un affluent du fleuve Cuiabá ; en 1727, Rodrigo César de Meneses, capitaine général de la capitainerie de São Paulo, construit une ville sur le site et la baptise du même nom que le grand fleuve.

Bien qu’appartenant officiellement à l’Espagne, les terres étaient occupées par des mineurs luso-brésiliens, qui coexistaient pacifiquement avec la population de certaines colonies espagnoles commandées par des jésuites.

Pour renforcer sa présence dans la région, le Portugal créa en 1748 la capitainerie du Mato Grosso, qui couvrait une superficie d’environ 210 000 kilomètres carrés.

En 1750, le traité de Madrid fixe les frontières de la région et officialise la possession de ces territoires par la Couronne portugaise, qui ordonne alors la construction de centres militaires pour protéger la nouvelle capitainerie.

L’un de ces centres militaires, le Fort Coimbra, construit en 1775 près de Corumbá, subsiste encore aujourd’hui.

Miranda, Vila Maria do Paraguai et São Pedro Del Rei sont quelques-unes des villes qui ont vu le jour à cette époque.

Cependant, la richesse de l’or n’a pas duré : au début du XIXe siècle, la production des mines avait diminué. L’histoire du Pantanal allait prendre un nouveau tournant.

2. L’élevage du Pantanal

L’élevage de bétail dans le Pantanal, élément essentiel de l’histoire et de la culture du Pantanal, était considéré comme une activité secondaire pendant la ruée vers l’or dans la Baixada Cuiabana, mais il a pris de l’ampleur lorsque l’exploitation des mines d’or a commencé à décliner.

pecuária pantaneira
L’élevage de bétail dans le Pantanal

L’expansion est rapide : les pâturages de plaine facilitent l’adaptation des animaux et les domaines se consolident et prospèrent.

Tout au long du XIX^e siècle, les troupeaux s’agrandissent et les tanneries se multiplient, où la viande est salée pour être exportée.

C’est ainsi que débute la production intensive de viande bovine, dont le principal débouché est le fleuve Paraguay, par le biais de la navigation sur le bassin du Río de la Plata.

Plusieurs communautés se sont formées autour de ces tanneries, le long du principal cours d’eau régional.

Le gigantesque labyrinthe des eaux intérieures reste cependant préservé, lointain, occupé par quelques hommes et de nombreux bœufs.

3. L’expédition Langsdorff

Les difficultés d’accès et l’isolement du Pantanal par rapport au reste du territoire brésilien ont fait que l’ancienne Mar dos Xaraiés a conservé au fil du temps son aura de monde perdu et sauvage. Cela a suscité l’intérêt des scientifiques, des aventuriers et des chroniqueurs, en particulier au cours du XIX^e siècle.

Pintura 'Ponte de Cipó', de Johann Moritz Rugendas, feita em 1835, durante expedição Langsdorff
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Expedição Langsdorff pelo Mato Grosso

Parmi les expéditions qui ont traversé la région, celle organisée par le baron Georg Heinrich von Langsdorff, consul de Russie au Brésil.

L’expédition Langsdorff se dirigeait vers l’Amazonie et a traversé l’arrière-pays brésilien entre 1821 et 1829.

Le dessinateur officiel Hercule Florence était responsable des carnets de voyage, publiés sous le nom de Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas, dans lesquels il consignait la société et la nature du Pantanal de l’époque.

Son entourage séjourna à la Fazenda Jacobina, près de la ville de Cáceres, à proximité de la frontière bolivienne. Il s’agit d’une propriété typique des grands domaines développés au XIXe siècle, avec une autonomie totale, des labours, beaucoup de bétail et même sa propre milice pour garantir la loi dans les domaines des colonels éleveurs de bétail.

Langsdorff est accompagné de Ludwig Riedel (botaniste), Nestor Rubtsov (astronome), du médecin et zoologiste Christian Hasse, ainsi que d’esclaves, de guides et de rameurs, soit 39 personnes au total pour l’expédition.

Outre les scientifiques, l’artiste allemand Johann Mauritz Rugendas (João Mauricio Rugendas) et les Français Aimé-Adrien Taunay (Aimé Adriano Taunay) et Hercule Florence (Hércules Florence) font également partie de l’expédition.

Les archives d’Hercule Florence constituent, avec les œuvres de l’artiste allemand Rugendas (1802 – 1858) et du dessinateur français Adrien Taunay (1803 – 1828), la seule documentation complète de ce voyage.

FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano cachorro Gr. naturelle. Port de Rio-Preto, mars 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Aquarelle et encre sur papier – 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule - Indiens Guanás. Cuyabá, Novembre 1827. Hercule Florence, f. - 1827 - Aquarela sobre papel - 21,5 x 27,5 cm
FLORENCE, Hercule – Indiens Guanás. Cuyabá, novembre 1827. Hercule Florence, 1827 – Aquarelle sur papier, 21,5 x 27,5 cm
FLORENCE, Hercule - Pacú. Réduit. Cuyabá, 20 Avril 1827. Hercule Florence, fecit. - 1827 - Aquarela sobre papel - 20,6 x 28,7 cm
FLORENCE, Hercule – Pacú. Réduction. Cuyabá, 20 avril 1827. Hercule Florence, fecit. – 1827 – Aquarelle sur papier – 20,6 x 28,7 cm
FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano Puppy Gr. Naturelle. Port de Rio-Preto, mars 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Aquarelle et encre sur papier – 21,3 x 30,7 cm

4. LA GUERRE DU PARAGUAY

Dès les premières années du XIX^e siècle, le Brésil, l’Uruguay, le Paraguay et l’Argentine s’affrontent dans des conflits frontaliers.

BATALHA DO RIACHUELO, O EPISÓDIO MAIS BRUTAL DA GUERRA DO PARAGUAI
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História da Guerra do Paraguai

Le président paraguayen, Francisco Solano López, soutient le président uruguayen, Atanásio Aguirre, lorsque ce dernier s’oppose à l’intervention du Brésil, qui exige le versement d’une indemnité aux fermiers gauchos prétendument lésés par les Uruguayens.

Les troupes brésiliennes envahissent alors Montevideo et renversent Aguirre ; Francisco Solano López, le président paraguayen, riposte en envahissant les villes de Corumbá et de Cáceres, ce qui pousse les fermiers à se déplacer vers Cuiabá.

En 1864, le conflit le plus sanglant d’Amérique latine a commencé : la guerre du Paraguay, qui a fait disparaître environ deux tiers de la population paraguayenne.

Le Brésil, l’Argentine et l’Uruguay s’unissent dans la flamme de la Triple Alliance, financée par l’Angleterre.

Cinq années de combats s’ensuivent, sur terre et sur les fleuves Paraná et Paraguay, au cours desquels le Paraguay est dévasté par la supériorité navale des alliés, en particulier celle du Brésil.

Les batailles les plus connues sont la bataille navale de Riachuelo, la retraite de Laguna et la prise du fort Coimbra.

En 1870, Solano López a été capturé et tué.

Grâce à la victoire dans la guerre du Paraguay, le Brésil a élargi son territoire en incorporant 47 000 kilomètres de terres paraguayennes, dont une grande partie fait partie du Pantanal dans le Mato Grosso. Par ailleurs, l’incorporation de cette zone a approfondi et élargi l’influence de la culture platine sur le Pantanal.

Les ranchs et les villes du Pantanal ont souffert de l’affrontement : plusieurs d’entre eux ont été détruits et le bétail restant s’est dispersé dans les plaines, devenant sauvage et craintif.

Território depois da Guerra do Paraguai
Le territoire après la guerre du Paraguay ?

Avec la fin du conflit, les propriétés rurales ont de nouveau été divisées et la navigation sur le fleuve Paraguay jusqu’à son estuaire, celui de la Plata, a été rouverte.

5. Préservation et durabilité PRÉSERVATION ET DURABILITÉ

Au XXe siècle, le Mato Grosso a connu un essor économique grâce à l’élevage de bétail et s’est peu à peu ouvert au reste du Brésil et du monde.

En 1905, la construction du chemin de fer Noroeste do Brasil entre la ville de Bauru, à São Paulo, et Corumbá a commencé.

Point de repère reliant le Mato Grosso aux centres industriels du Sud-Est, cette route a été privatisée en 1996 et rebaptisée Ferrovia Novoeste SA.

Un autre moment clé de l’intégration du Pantanal a eu lieu en 1913, lorsque l’expédition scientifique Roosevelt-Rondon a effectué une reconnaissance zoogéographique des terres de l’extrême ouest brésilien, avec le soutien du Musée américain d’histoire naturelle.

Après avoir franchi les limites de Cáceres, la commission Rondon a longé le fleuve Paraguay.

Tout en s’inscrivant dans la tradition séculaire des expéditions scientifiques, son objectif était d’étendre le réseau télégraphique national et d’explorer un vaste territoire jusqu’alors inconnu.

Dans les années 1930, l’anthropologue Claude Lévi-Strauss s’est intéressé à la diversité ethnographique du monde du Pantanal, et c’est à partir de son séjour dans les villages des Bororos et des Cadiuéus qu’il a jeté les bases de l’anthropologie au XXe siècle.

Malgré les mouvements d’intégration, le Pantanal est resté presque intact jusqu’aux années 1960 et 1970, lorsque l’impact de l’invasion des marchands de cuir, à la recherche de la peau d’alligator tant convoitée, et de la pêche prédatrice s’est fait sentir.

À la fin des années 1970, le gouvernement fédéral a commencé à intervenir dans les questions environnementales.

En 1977, pour faciliter son administration, l’État du Mato Grosso a été divisé en deux : le Mato Grosso (MT), dont la capitale est Cuiabá, et le Mato Grosso do Sul (MS), dont la capitale est Campo Grande. Au cours du siècle, l’arrivée d’immigrants dans la région s’est intensifiée, en provenance principalement du sud et du sud-est, à la recherche de terres pour l’élevage et la culture du soja.

Au début du XXI^e siècle, la construction du gazoduc Brésil-Bolivie promet de fournir de l’énergie pour l’installation d’industries lourdes autour de la plaine du Pantanal, un processus déjà en cours dont l’intensification suscite l’appréhension des écologistes.

Bien que fragile, l’univers du Pantanal reste une vaste étendue aux frontières incertaines, pleine de mystères et de découvertes. De plus en plus apprécié pour son potentiel en ressources naturelles, il a été déclaré patrimoine naturel mondial par l’Unesco en 2000, ce qui en fait l’une des destinations les plus recherchées par les écotouristes du monde entier.

Aujourd’hui, la plaine inondable se prépare à relever un nouveau défi : s’ouvrir au tourisme organisé, qui s’impose de plus en plus comme un axe de préservation et de durabilité économique.

Histoire du Pantanal dans le Mato Grosso, expéditions, occupation, expansion territoriale et développement économique.

Voir les publications suivantes sur le Pantanal.

  1. Observez les mammifères et les reptiles du Pantanal.
  2. Pêche dans le Pantanal – Meilleurs endroits, appâts, méthodes et saisons
  3. Espèces de poissons les plus communes dans le Pantanal
  4. Observation des oiseaux dans le Pantanal du Mato Grosso
  5. Espèces d’oiseaux les plus communes dans le Pantanal du Mato Grosso
  6. Flore du Pantanal du Mato Grosso
  7. Faune et flore du Pantanal du Mato Grosso
  8. Le Pantanal du Mato Grosso : géographie, climat, sol et rivières
  9. Histoire du Pantanal du Mato Grosso – Découverte et développement économique
  10. Région sud du Pantanal
  11. Région nord du Pantanal
  12. Pourquoi aller au Pantanal dans le Mato Grosso ?
Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

Publicado em 16/01/2024 · Atualizado em 02/04/2025

Die Geschichte des Pantanal von Mato Grosso: von der Besiedlung zum Ökotourismus

Erfahren Sie mehr über die Geschichte des Pantanal in Mato Grosso und seine Veränderungen im Laufe der Jahrhunderte, von der Besiedlung durch Viehzüchter bis zum Aufkommen des Ökotourismus.

Fernab der Industriezentren blieb das Pantanal von Mato Grosso jahrhundertelang nahezu unberührt, bis es von Viehzüchtern besiedelt wurde.

Heute entwickelt sich der Ökotourismus im Pantanal zu einem Faktor für die wirtschaftliche Entwicklung der Region.

Die Geschichte des Pantanal in Mato Grosso beginnt mit den ersten europäischen Abenteurern, die in der ersten Hälfte des 16. Jahrhunderts den westlichen Teil der heutigen Bundesstaaten Mato Grosso und Mato Grosso do Sul in der Nähe von Paraguay und Bolivien bereisten.

Das Pantanal von Mato Grosso verwirrte die Eroberer mit seinen Flusslabyrinthen und ausgedehnten Überschwemmungsgebieten, die von verschiedenen indigenen Völkern bewohnt wurden: Xaraiés, Orejones, Guaxaparatos.

Am zahlreichsten waren jedoch die Guaicurus und die Paiaguás.

Die Guaicurus, erfahrene Reiter, beherrschten den gesamten südlichen Teil des Pantanals, das Gebiet zwischen der Serra da Bodoquena und Porto Murtinho.

Die Paiaguás, Kanufahrer, besiedelten die Gebiete an den Ufern der Flüsse Paraguay, Miranda, Negro und Taquari.

Ebenfalls Kanufahrer waren die Guatós-Indianer, die verstreut in kleinen Gruppen lebten.

Die erste Begegnung zwischen Europäern und Ureinwohnern fand 1543 statt, als die Expedition des Spaniers Álvaro Nunes Cabeza de Vaca das Pantanal durchquerte.

Antonio de Herrera Y Tordelislas foi o historiador oficial de Espanha e das Índias. Ele compilou uma história das conquistas espanholas e das primeiras explorações nas Américas, que incluía este mapa do continente gravado de forma simples. O mapa é em grande parte derivado das cartas manuscritas de Juan Lopez de Velasco. O continente é dominado pelas enormes "R. de los Amazona" e R. de la Plato" e pela cordilheira ocidental. É apresentado o "Meridiano de la de Marcacion", que dividia o mundo não cristão entre Espanha e Portugal.
Vertrag von Tordesillas – Antonio de Herrera Y Tordesilhas war der offizielle Historiker Spaniens und Indiens. Er verfasste eine Geschichte der spanischen Eroberungen und frühen Entdeckungen in Amerika, zu der auch diese einfach gestochene Karte des Kontinents gehört. Die Karte basiert weitgehend auf den Manuskriptkarten von Juan Lopez de Velasco. Der Kontinent wird von den großen Flüssen “R. de los Amazona” und “R. de la Plato” und den westlichen Gebirgen beherrscht. Dargestellt ist der “Meridiano de la de Marcacion”, der die nichtchristliche Welt zwischen Spanien und Portugal teilte.

Der Vertrag von Tordesillas garantierte Spanien den Besitz aller Länder entlang dieses Längengrades.

Esta pintura do século 15 ilustra como o Tratado de Tordesilhas foi assinado
Dieses Gemälde aus dem 15. Jahrhundert zeigt die Unterzeichnung des Vertrags von Tordesillas.

Cabeza de Vaca, der von der Wassermenge überrascht war, nannte die Region das Meer der Xaraiés, doch die Spanier waren auf der Suche nach Edelmetallen und zogen gleichgültig weiter.

Erst zwei Jahrhunderte später weckte das Pantanal das Interesse europäischer Siedler, als der Goldrausch Bandeirantes aus São Paulo in den mittleren Westen lockte.

Der Widerstand der Ureinwohner war hartnäckig und gewalttätig, aber nach Jahrhunderten der Konfrontation war ihre Dezimierung fast abgeschlossen.

Die Cadiuéus (Kadiwéus), ein Überbleibsel der Guaicurus, leben heute in einem Reservat in der Nähe der Serra da Bodoquena; die Terenas haben nur noch wenig von ihren Traditionen und sind in die Stadt gezogen.

Von den Guatós lebt nur noch eine kleine Gruppe in den Grenzen des Amolar-Gebirges in der Nähe des Pantanal-Nationalparks.

GESCHICHTE DES PANTANALS VON MATO GROSSO

Geschichte des Pantanals von Mato Grosso, Expeditionen, Besetzung, territoriale Ausdehnung und wirtschaftliche Entwicklung.

1. ENTDECKUNG DES GOLDS

1709 endete in der Region Minas Gerais der Krieg der Emboadas zwischen den Bandeirantes aus São Paulo, die ein Monopol auf die Ausbeutung der von ihnen entdeckten Goldvorkommen forderten, und den Forschern aus Portugal und anderen Regionen, die zu den Minen gekommen waren.

Nach ihrer Niederlage suchten die Paulistas nach anderen Wegen und zogen nach Zentral-Westen.

Partida da Monção, de Almeida Júnior (1897). Retratando Porto Feliz, no interior de São Paulo, durante a partida de bandeirantes em viagens fluviais pelo Rio Tietê, destaque para o naturalismo e realismo nas figuras dos sertanistas.
Beginn des Monsuns, von Almeida Júnior (1897). Es zeigt Porto Feliz im Landesinneren von São Paulo bei der Abfahrt der Bandeirantes zu Flussfahrten auf dem Tietê und hebt den Naturalismus und Realismus der Figuren der Sertanistas hervor.

[box type=”info” style=”rounded”]Die so genannten monções waren Flussexpeditionen, die zwischen dem zweiten Jahrzehnt des 18. und der ersten Hälfte des 19. Jahrhunderts den Kontakt zwischen dem Verwaltungsbezirk São Paulo und dem Verwaltungsbezirk Mato Grosso aufrechterhielten[/box].

1718 fand der Bandeirante Pascoal Moreira Cabral Gold im Gebiet des Prainha, einem Nebenfluss des Cuiabá. 1727 errichtete Rodrigo César de Meneses, Generalkapitän des Kapitänsamtes von São Paulo, an dieser Stelle eine Stadt und taufte sie auf den Namen des großen Flusses.

Obwohl das Gebiet offiziell zu Spanien gehörte, wurde es von lusobrasilianischen Minenarbeitern besiedelt, die friedlich mit der Bevölkerung einiger von Jesuiten geleiteter spanischer Siedlungen zusammenlebten.

Um seine Präsenz in der Region zu verstärken, gründete Portugal 1748 das Kapitol Mato Grosso, das ein Gebiet von etwa 210.000 Quadratkilometern umfasste.

Im Jahr 1750 wurden im Vertrag von Madrid die Grenzen der Region festgelegt und der Besitz dieser Gebiete durch die portugiesische Krone formalisiert, die daraufhin den Bau von Militärstützpunkten zum Schutz des neuen Kapitänsamtes anordnete.

Eines dieser militärischen Zentren, die Festung von Coimbra, die 1775 in der Nähe von Corumbá errichtet wurde, steht noch heute.

Zu den Städten, die in dieser Zeit entstanden, gehören Miranda, Vila Maria do Paraguai und São Pedro Del Rei.

Der Goldreichtum war jedoch nur von kurzer Dauer – zu Beginn des 19. Jahrhunderts ging die Produktion der Minen zurück. Die Geschichte des Pantanals sollte eine neue Wendung nehmen.

2. VIEHZUCHT IM PANTANAL

Die Viehzucht im Pantanal, ein wesentlicher Bestandteil der Geschichte und Kultur des Pantanals, wurde während des Goldrausches in der Baixada Cuiabana als Nebentätigkeit angesehen, gewann aber mit dem Rückgang der Goldminen an Bedeutung.

pecuária pantaneira
Viehzucht im Pantanal

Die Viehzucht verbreitete sich schnell: Die Weiden im Tiefland erleichterten die Anpassung der Tiere, und die Betriebe konsolidierten sich schnell und blühten auf.

Im Laufe des 19. Jahrhunderts wuchsen die Herden und die Gerbereien, in denen das Fleisch für den Export gesalzen wurde, nahmen zu.

Dies war der Beginn einer intensiven Rindfleischproduktion, deren Hauptabsatzmarkt der Fluss Paraguay war, der durch das Flussbecken des Río Plate fließt.

Rund um die Gerbereien entstanden mehrere Gemeinden entlang des wichtigsten Wasserlaufs der Region.

Das riesige Labyrinth der Binnengewässer blieb jedoch erhalten und wurde nur von wenigen Menschen und vielen Ochsen genutzt.

3. DIE LANGSDORFF-EXPEDITION

Die schwierige Zugänglichkeit und die Abgeschiedenheit des Pantanal vom übrigen brasilianischen Territorium haben dem alten Mar dos Xaraiés über die Jahrhunderte hinweg die Aura einer verlorenen und wilden Welt verliehen – und als solche das Interesse von Wissenschaftlern, Abenteurern und Chronisten vor allem des 19. Jahrhunderts geweckt.

Pintura 'Ponte de Cipó', de Johann Moritz Rugendas, feita em 1835, durante expedição Langsdorff
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Expedição Langsdorff pelo Mato Grosso

Zu den Expeditionen, die diese Region bereisten, gehörte auch die von Freiherr Georg Heinrich von Langsdorff, dem russischen Konsul in Brasilien.

Die Langsdorff-Expedition war auf dem Weg zum Amazonas und durchquerte zwischen 1821 und 1829 das brasilianische Hinterland.

Der offizielle Zeichner Hercule Florence war für die Reisetagebücher verantwortlich, die unter dem Titel Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas veröffentlicht wurden und in denen er die Gesellschaft und die Natur des Pantanal festhielt.

Die Reisegruppe wohnte auf der Fazenda Jacobina in der Nähe der Stadt Cáceres, nahe der bolivianischen Grenze – ein typisches Anwesen der im 19. Jahrhundert entstandenen Großgrundbesitzungen mit völliger Autonomie, Ackerbau, viel Vieh und sogar einer eigenen Miliz, die für Recht und Ordnung auf den Gütern der Viehzüchteroberen sorgte.

Begleitet wurde Langsdorff von Ludwig Riedel (Botaniker), Nestor Rubtsov (Astronom), dem Arzt und Zoologen Cristian Hasse sowie Sklaven, Führern und Ruderern, insgesamt 39 Personen auf der Expedition.

Neben den Wissenschaftlern nahmen auch der deutsche Künstler Johan Mauritz Rugendas (João Mauricio Rugendas) und die Franzosen Aimé-Adrien Taunay (Aimé Adriano Taunay) und Hercule Florence (Hércules Florence) an der Expedition teil.

Die Aufzeichnungen von Hercule Florence bilden zusammen mit den Werken des deutschen Malers Rugendas (1802 – 1858) und des französischen Zeichners Adrien Taunay (1803 – 1828) die einzige vollständige Dokumentation dieser Reise.

FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano cachorro Gr. naturelle. Hafen von Rio-Preto, März 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Aquarell und Tusche auf Papier – 21,3 x 30,7 cm.
FLORENCE, Hercule - Indiens Guanás. Cuyabá, Novembre 1827. Hercule Florence, f. - 1827 - Aquarela sobre papel - 21,5 x 27,5 cm
FLORENCE, Hercule – Guanás-Indianer. Cuyabá, November 1827. Hercule Florence, f. – 1827 – Aquarell auf Papier – 21,5 x 27,5 cm.
FLORENCE, Hercule - Pacú. Réduit. Cuyabá, 20 Avril 1827. Hercule Florence, fecit. - 1827 - Aquarela sobre papel - 20,6 x 28,7 cm
FLORENZ, Hercule – Pacú. Reduktion. Cuyabá, 20. April 1827. Hercule Florence, fecit. – 1827 – Aquarell auf Papier – 20,6 x 28,7 cm.
FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule – Tocano puppy Gr. naturelle. Hafen von Rio-Preto, März 1828. Hercule Florence, fecit. – 1828 – Aquarell und Tusche auf Papier – 21,3 x 30,7 cm.

4. DER PARAGUAYISCHE KRIEG

Seit Beginn des 19. Jahrhunderts gab es Grenzkonflikte zwischen Brasilien, Uruguay, Paraguay und Argentinien.

BATALHA DO RIACHUELO, O EPISÓDIO MAIS BRUTAL DA GUERRA DO PARAGUAI
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História da Guerra do Paraguai

Der paraguayische Präsident Francisco Solano López unterstützte den uruguayischen Präsidenten Atanásio Aguirre, als dieser sich einer Intervention Brasiliens widersetzte, das Entschädigungszahlungen an Gaucho-Bauern forderte, die angeblich von Uruguayern geschädigt worden waren.

Brasilianische Truppen marschierten in Montevideo ein und stürzten Aguirre; Francisco Solano López, der Präsident Paraguays, schlug zurück und marschierte in die Städte Corumbá und Cáceres ein, woraufhin die Bauern nach Cuiabá zogen.

Im Jahr 1864 begann der blutigste Konflikt Lateinamerikas: der Paraguay-Krieg, der etwa zwei Drittel der paraguayischen Bevölkerung auslöschte.

Brasilien, Argentinien und Uruguay schlossen sich unter dem Banner der von England finanzierten Triple-Allianz zusammen.

Es folgten fünf Jahre Kämpfe zu Lande und auf den Flüssen Paraná und Paraguay, in denen Paraguay durch die maritime Überlegenheit der Alliierten, insbesondere Brasiliens, zerstört wurde.

Die bekanntesten Schlachten waren die Seeschlacht von Riachuelo, der Rückzug von Laguna und die Einnahme von Fort Coimbra.

Solano López wurde 1870 gefangen genommen und getötet.

Mit dem Sieg im Paraguay-Krieg erweiterte Brasilien sein Territorium um 47.000 Kilometer paraguayisches Land, von dem ein großer Teil zum Pantanal in Mato Grosso gehörte – neben anderen Folgen vertiefte und erweiterte die Einverleibung dieses Gebietes den Einfluss der platinischen Kultur auf das Pantanal.

Die Ranches und Städte des Pantanals litten unter den Auseinandersetzungen: Viele wurden zerstört, das verbliebene Vieh verstreute sich in den Ebenen und wurde wild und scheu.

Território depois da Guerra do Paraguai
Das Gebiet nach dem Paraguay-Krieg

Nach Beendigung des Konflikts wurden die ländlichen Besitztümer wieder aufgeteilt und die Schifffahrt auf dem Río Paraguay bis zur Mündung des Rio Plata wieder zugelassen.

5. SCHUTZ UND NACHHALTIGKEIT

Im 20. Jahrhundert entwickelte sich Mato Grosso zu einer blühenden, auf Viehzucht basierenden Wirtschaft und hat seitdem seine Isolation vom Rest Brasiliens und der Welt langsam überwunden.

Im Jahr 1905 wurde mit dem Bau der Eisenbahnlinie Noroeste do Brasil zwischen der Stadt Bauru in São Paulo und Corumbá begonnen.

Die Strecke, die Mato Grosso mit den Industriezentren im Südosten verband, wurde 1996 privatisiert und in Ferrovia Novoeste SA umbenannt.

Ein weiterer Schlüsselmoment für die Integration des Pantanals fand 1913 statt, als die Roosevelt-Rondon Scientific Expedition mit Unterstützung des American Museum of Natural History eine zoogeographische Erkundung der Gebiete im äußersten Westen Brasiliens durchführte.

Nachdem sie die Grenzen von Cáceres überschritten hatte, reiste die Rondon-Kommission entlang des Paraguay-Flusses.

Sie setzte nicht nur die jahrhundertealte Tradition wissenschaftlicher Expeditionen fort, sondern verfolgte auch das Ziel, das nationale Telegrafennetz zu erweitern und ein riesiges, bis dahin unbekanntes Gebiet zu erforschen.

In den 1930er Jahren konzentrierte sich der Anthropologe Claude Lévi-Strauss auf die ethnographische Vielfalt des Pantanal: Mit seinem Aufenthalt in den Dörfern der Bororos und Cadiuéus legte er den Grundstein für die Anthropologie des 20.

Trotz der Integrationsbemühungen blieb das Pantanal bis in die 1960er und 1970er Jahre nahezu unberührt, bis die Auswirkungen der Invasion von Lederhändlern – auf der Suche nach der begehrten Alligatorenhaut – und der Raubfischerei deutlich wurden.

Ende der 1970er Jahre begann die Bundesregierung in Umweltfragen einzugreifen.

Um die Verwaltung zu erleichtern, wurde der Bundesstaat Mato Grosso 1977 in zwei Teile geteilt: Mato Grosso (MT) mit der Hauptstadt Cuiabá und Mato Grosso do Sul (MS) mit der Hauptstadt Campo Grande. Im Laufe des Jahrhunderts verstärkte sich der Zustrom von Einwanderern in die Region, die vor allem aus dem Süden und Südosten auf der Suche nach Land für die Viehzucht und den Sojaanbau kamen.

Zu Beginn des 21. Jahrhunderts verspricht der Bau der brasilianisch-bolivianischen Gaspipeline Energie für die Ansiedlung von Schwerindustrie rund um die Pantanal-Ebene – ein Prozess, der bereits im Gange ist und dessen Intensivierung Umweltschützer auf den Plan ruft.

Das Universum des Pantanal ist zwar zerbrechlich, aber es bleibt ein riesiges Gebiet mit ungewissen Grenzen, das noch viele Geheimnisse und Entdeckungen birgt. Das Pantanal wird wegen seines Potenzials an natürlichen Ressourcen immer mehr geschätzt und wurde im Jahr 2000 von der UNESCO zum Weltnaturerbe erklärt, was es zu einem der beliebtesten Ziele für Ökotouristen aus aller Welt macht.

Heute bereitet sich das Überschwemmungsgebiet auf eine neue Herausforderung vor: die Öffnung für den organisierten Tourismus, der sich immer mehr als eine Achse des Naturschutzes und der wirtschaftlichen Nachhaltigkeit etabliert.

Geschichte des Pantanal in Mato Grosso, Expeditionen, Besetzung, territoriale Ausdehnung und wirtschaftliche Entwicklung.

Siehe folgende Publikationen über das Pantanal

  1. Säugetiere und Reptilien im Pantanal beobachten
  2. Angeln im Pantanal – beste Plätze, Köder, Methoden und Jahreszeiten
  3. Häufigste Fischarten im Pantanal
  4. Vogelbeobachtung im Pantanal Mato Grosso
  5. Häufigste Vogelarten im Pantanal von Mato Grosso
  6. Flora des Pantanals von Mato Grosso
  7. Fauna des Pantanals von Mato Grosso
  8. Pantanal von Mato Grosso – Geografie, Klima, Böden und Flüsse
  9. Geschichte des Pantanal de Mato Grosso – Entdeckung und wirtschaftliche Entwicklung
  10. Südliches Pantanal
  11. Nördliche Pantanal Region
  12. Warum ins Pantanal in Mato Grosso reisen?
Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

Publicado em 16/01/2024 · Atualizado em 02/04/2025

Historia del Pantanal de Mato Grosso: de la ocupación al ecoturismo

Conozca la historia del Pantanal de Mato Grosso y su transformación a lo largo de los siglos, desde su ocupación por las haciendas ganaderas hasta el auge del ecoturismo.

Lejos de los centros industriales, el Pantanal de Mato Grosso permaneció casi intacto durante siglos, hasta que sus espacios fueron ocupados por haciendas ganaderas.

En la actualidad, el ecoturismo está surgiendo como factor de desarrollo económico de la región.

La historia del Pantanal en Mato Grosso comienza con los primeros aventureros europeos que, en la primera mitad del siglo XVI, recorrieron la parte occidental de los actuales estados de Mato Grosso y Mato Grosso do Sul, cerca de Paraguay y Bolivia, pero no mostraron mucho interés por la zona.

El Pantanal de Mato Grosso desconcertó a los conquistadores con sus laberintos de ríos y vastas llanuras aluviales, habitadas por diferentes pueblos indígenas: xaraiés, orejones y guaxaparatos.

Los más numerosos, sin embargo, eran los guaicurus y los paiaguás.

Los guaicurus, expertos jinetes, dominaban toda la parte sur del Pantanal, la zona comprendida entre la sierra de Bodoquena y Porto Murtinho.

Los indios Paiaguás, expertos piragüistas, ocupaban las riberas de los ríos Paraguay, Miranda, Negro y Taquari.

Los guatós también eran canoeros y vivían dispersos en pequeños grupos.

Este primer encuentro entre europeos y nativos tuvo lugar en 1543, cuando la expedición comandada por el español Álvaro Nunes Cabeza de Vaca atravesó el Pantanal.

Antonio de Herrera Y Tordelislas foi o historiador oficial de Espanha e das Índias. Ele compilou uma história das conquistas espanholas e das primeiras explorações nas Américas, que incluía este mapa do continente gravado de forma simples. O mapa é em grande parte derivado das cartas manuscritas de Juan Lopez de Velasco. O continente é dominado pelas enormes "R. de los Amazona" e R. de la Plato" e pela cordilheira ocidental. É apresentado o "Meridiano de la de Marcacion", que dividia o mundo não cristão entre Espanha e Portugal.
Antonio de Herrera y Tordesillas fue el historiador oficial de España y las Indias y escribió el Tratado de Tordesillas. Compiló una historia de las conquistas españolas y las primeras exploraciones en América, en la que incluía este sencillo mapa grabado del continente. El mapa se basa principalmente en las cartas manuscritas de Juan López de Velasco. Los inmensos «Ríos de los Amazona» y «Ríos de la Plata» y la cordillera occidental dominan el continente. Se muestra el meridiano de la marcación, que dividía el mundo no cristiano entre España y Portugal.

El Tratado de Tordesillas garantizó entonces a España la posesión de todas las tierras situadas a lo largo de este meridiano.

Esta pintura do século 15 ilustra como o Tratado de Tordesilhas foi assinado
Esta pintura del siglo XV muestra cómo se firmó el Tratado de Tordesillas.

Sorprendido por el volumen de agua, Cabeza de Vaca llamó a la región Mar del Xaraiés; los españoles, sin embargo, buscaban metales preciosos y siguieron viaje sin prestarle atención.

El Pantanal no despertaría el interés de los colonos europeos hasta dos siglos más tarde, cuando la fiebre del oro arrastró a los bandeirantes de São Paulo hacia el centro-oeste.

La resistencia indígena fue persistente y violenta, pero tras siglos de enfrentamiento, su población disminuyó considerablemente.

Los cadiuéus (kadiwéus), descendientes de los guaicurus, viven ahora en una reserva cerca de la sierra de Bodoquena; los terenas conservan poco de sus tradiciones y se han trasladado a la zona urbana.

De los Guatós, un pequeño grupo permanece en los confines de la sierra de Amolar, cerca del Parque Nacional del Pantanal.

Historia del Pantanal matogrossense

Historia del Pantanal de Mato Grosso: expediciones, ocupación, expansión territorial y desarrollo económico.

1. Descubrimiento del oro.

En 1709 finalizó en la región de Minas Gerais la Guerra de las Emboadas, librada entre bandeirantes paulistas —que exigían el monopolio de la explotación de las reservas de oro que habían descubierto— y exploradores portugueses y de otras regiones que también acudieron a las minas.

Tras la derrota, los paulistas empezaron a buscar otras rutas hacia el centro oeste.

Partida da Monção, de Almeida Júnior (1897). Retratando Porto Feliz, no interior de São Paulo, durante a partida de bandeirantes em viagens fluviais pelo Rio Tietê, destaque para o naturalismo e realismo nas figuras dos sertanistas.
Salida del Monzón, de Almeida Júnior (1897). La obra retrata Porto Feliz, en el interior de São Paulo, durante la partida de bandeirantes en viajes fluviales por el río Tietê, y destaca el naturalismo y el realismo en las figuras de los sertanistas.

Las llamadas monções eran expediciones fluviales que mantuvieron el contacto entre la Capitanía de São Paulo y la Capitanía de Mato Grosso entre la segunda década del siglo XVIII y la primera mitad del siglo XIX.

En 1718, el bandeirante Pascoal Moreira Cabral encontró oro en la región del arroyo Prainha, afluente del caudaloso río Cuiabá. En 1727, Rodrigo César de Meneses, capitán general de la capitanía de São Paulo, fundó una ciudad en ese lugar y la bautizó con el mismo nombre del gran río.

A pesar de que oficialmente pertenecía a España, las tierras fueron ocupadas por mineros luso-brasileños que convivieron pacíficamente con la población de algunos asentamientos españoles comandados por jesuitas.

Para reforzar su presencia en la región, Portugal creó en 1748 la capitanía de Mato Grosso, que abarcaba un área de unos 210 000 km².

En 1750, el Tratado de Madrid fijó las fronteras de la región y formalizó la posesión de estos territorios por parte de la Corona portuguesa, que ordenó entonces la construcción de centros militares para proteger la nueva capitanía.

Uno de estos centros, el Fuerte de Coimbra, construido en 1775 cerca de Corumbá, aún se conserva en pie.

En aquella época surgieron varias ciudades, como Miranda, Vila Maria do Paraguai y São Pedro del Rei.

Sin embargo, la riqueza del oro duró poco: a principios del siglo XIX, la producción de las minas había disminuido. Así daría un nuevo giro la historia del Pantanal.

2. GANADERÍA DEL PANTANAL

La ganadería del Pantanal, parte esencial de su historia y cultura, fue considerada una actividad secundaria durante la fiebre del oro en la Baixada Cuiabana, pero cobró fuerza cuando la explotación de las minas de oro empezó a decaer.

pecuária pantaneira
Ganadería del Pantanal

La expansión fue rápida: los pastos de las tierras bajas facilitaron la adaptación de los animales y las haciendas pronto se consolidaron y prosperaron.

A lo largo del siglo XIX, los rebaños aumentaron y se multiplicaron las curtidurías, donde se salaba la carne para poder exportarla.

Así comenzó la producción intensiva de carne vacuna, cuya principal salida era el río Paraguay, a través de la cuenca del Plata.

Alrededor de estas curtiembres se formaron varias comunidades a lo largo del principal curso de agua de la región.

Sin embargo, el gigantesco laberinto de aguas interiores permanecía preservado y distante, ocupado por unos pocos hombres y muchos bueyes.

3. La expedición Lansdorff

Las dificultades de acceso y el aislamiento del Pantanal del resto del territorio brasileño hicieron que el antiguo mar de los Xaraiés mantuviera su aura de mundo perdido y salvaje a lo largo del tiempo, atrayendo el interés de científicos, aventureros y cronistas, especialmente durante el siglo XIX.

Pintura 'Ponte de Cipó', de Johann Moritz Rugendas, feita em 1835, durante expedição Langsdorff
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Expedição Langsdorff pelo Mato Grosso

Entre las expediciones que recorrieron la región se encuentra la organizada por el barón Georg Heinrich von Langsdorff, cónsul ruso en Brasil.

La Expedición Langsdorff viajó hacia el Amazonas y atravesó el interior de Brasil entre 1821 y 1829.

El dibujante oficial, Hercule Florence, fue el responsable de los cuadernos de los viajeros, publicados con el nombre Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas, en los que dejó constancia de la sociedad y la naturaleza del Pantanal de la época.

La comitiva se alojó en la Fazenda Jacobina, cerca de la ciudad de Cáceres, próxima a la frontera con Bolivia. Se trataba de una propiedad típica de las grandes haciendas desarrolladas en el siglo XIX, con total autonomía, labranza, mucho ganado e incluso una milicia propia para garantizar la ley en los dominios de los coroneles ganaderos.

Acompañaban a Langsdorff Ludwig Riedel (botánico), Néstor Rubtsov (astrónomo), el médico y zoólogo Christian Hasse, así como esclavos, guías y remeros, con un total de 39 personas en la expedición.

Junto a los científicos, también formaron parte de la expedición el artista alemán Johan Mauritz Rugendas (João Mauricio Rugendas), los franceses Aimé-Adrien Taunay (Aimé Adriano Taunay) y Hercule Florence (Hércules Florence).

Los registros de Hércules Florence, junto con las obras de los dos artistas, constituyen la única documentación completa de este viaje.

FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
Hércules Florence: Tocano cachorro Gr. naturelle. Puerto de Río-Preto, Marte 1828. Hércules Florencia, fecit. – 1828 – Acuarela y tinta sobre papel – 21,3 x 30,7 cm
FLORENCE, Hercule - Indiens Guanás. Cuyabá, Novembre 1827. Hercule Florence, f. - 1827 - Aquarela sobre papel - 21,5 x 27,5 cm
Florence, Hercule – Indios Guanás. Cuyabá, noviembre de 1827. Hercule Florence, f. – 1827 – Acuarela sobre papel – 21,5 x 27,5 cm.
FLORENCE, Hercule - Pacú. Réduit. Cuyabá, 20 Avril 1827. Hercule Florence, fecit. - 1827 - Aquarela sobre papel - 20,6 x 28,7 cm
FLORENCE, Hercule – Pacú. Reducción. Cuyabá, 20 de abril de 1827. Cuyabá, 20 de abril de 1827. Hércules Florencia, fecit. Acuarela sobre papel, 20,6 x 28,7 cm, 1827.
FLORENCE, Hercule - Tocano cachorro Gr. naturelle. Port du Rio-preto, Mars 1828. Hercule Florence, fecit. - 1828 - Aquarela e nanquim sobre papel - 21,3 x 30,7 cm
Florence, Hercule – Tocano perro gr. nat. Puerto de Río-Preto, Marte 1828. Hércules Florencia, fecit. Acuarela y tinta sobre papel, 21,3 x 30,7 cm, 1828.

N.º 4. LA GUERRA DEL PARAGUAY

Desde los primeros años del siglo XIX, Brasil, Uruguay, Paraguay y Argentina se enzarzaron en conflictos fronterizos.

BATALHA DO RIACHUELO, O EPISÓDIO MAIS BRUTAL DA GUERRA DO PARAGUAI
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História da Guerra do Paraguai

El presidente paraguayo, Francisco Solano López, apoyó al presidente de Uruguay, Atanásio Aguirre, cuando este se resistió a una intervención de Brasil, que exigía el pago de indemnizaciones a gauchos supuestamente perjudicados por uruguayos.

Las tropas brasileñas invadieron Montevideo y derrocaron a Aguirre, por lo que Francisco Solano López, presidente paraguayo, tomó represalias e invadió las ciudades de Corumbá y Cáceres, provocando el traslado de los campesinos a Cuiabá.

En 1864 comenzó el conflicto más sangriento de América Latina: la Guerra del Paraguay, que acabó con cerca de dos tercios de la población paraguaya.

Brasil, Argentina y Uruguay se unieron en la Triple Alianza, financiada por Inglaterra.

Siguieron cinco años de combates, librados en tierra y en los ríos Paraná y Paraguay, en los que Paraguay fue devastado por la superioridad naval de los aliados, especialmente la de Brasil.

Entre las batallas, las más conocidas fueron la Batalla Naval de Riachuelo, la Retirada de Laguna y la Toma del Fuerte Coimbra.

En 1870, Solano López fue capturado y asesinado.

Con la victoria en la Guerra del Paraguay, Brasil amplió su territorio al incorporar 47 000 kilómetros de tierras paraguayas, gran parte de las cuales forman parte del Pantanal en Mato Grosso. Una de las consecuencias de esta incorporación fue la profundización y expansión de la influencia de la cultura platina en el Pantanal.

A consecuencia del enfrentamiento, las haciendas y pueblos del Pantanal sufrieron: varios de ellos fueron destruidos y el ganado restante se dispersó por las llanuras volviéndose salvaje y asustadizo.

Território depois da Guerra do Paraguai
Así quedó el territorio tras la guerra de Paraguay.

Al finalizar el conflicto, se volvieron a dividir las propiedades rurales y se reabrió la navegación del río Paraguay hasta el estuario del Plata.

5. Preservación y sostenibilidad

En el siglo XX, Mato Grosso surgió como una próspera economía basada en la ganadería y, desde entonces, ha ido rompiendo poco a poco su aislamiento del resto de Brasil y del mundo.

En 1905 se inició la construcción del ferrocarril Noroeste do Brasil, que conecta la ciudad de Bauru, en São Paulo, con Corumbá.

Hito de conexión entre Mato Grosso y los centros industriales del sudeste, la vía fue privatizada en 1996 y rebautizada como Ferrovia Novoeste S. A.

Otro hito clave en la integración del Pantanal tuvo lugar en 1913, cuando la Expedición Científica Roosevelt-Rondon realizó un reconocimiento zoogeográfico de la región oeste de Brasil, con el apoyo del Museo Americano de Historia Natural.

Tras pasar por los confines de Cáceres, la comisión Rondon recorrió el río Paraguay.

Además de continuar la tradición secular de las expediciones científicas, su objetivo era ampliar la red telegráfica nacional y explorar un vasto territorio hasta entonces desconocido.

En la década de 1930, el antropólogo Claude Lévi-Strauss se centró en la diversidad etnográfica del mundo del Pantanal. Fue durante su estancia en las aldeas de los bororos y los cadiuéus cuando sentó las bases de la antropología del siglo XX.

A pesar de los avances hacia la integración, el Pantanal permaneció casi intacto hasta las décadas de 1960 y 1970, cuando se hizo evidente el impacto de la invasión de comerciantes de cuero en busca de la codiciada piel de caimán y de la pesca depredadora.

A finales de la década de 1970, el gobierno federal empezó a intervenir en cuestiones medioambientales.

En 1977, para facilitar su administración, el estado de Mato Grosso se dividió en dos: Mato Grosso (MT), con capital en Cuiabá, y Mato Grosso do Sul (MS), cuya capital es Campo Grande. A lo largo del siglo, se intensificó la llegada de inmigrantes a la región, procedentes principalmente del sur y el sureste, en busca de tierras para la ganadería y el cultivo de soja.

A principios del siglo XXI, la construcción del gasoducto Brasil-Bolivia promete suministrar energía para instalar industrias pesadas en la llanura del Pantanal, un proceso que ya está en marcha y cuya intensificación despierta la aprensión de los ecologistas.

El Pantanal, aunque frágil, sigue siendo una vasta extensión de fronteras inciertas, llena de misterios y descubrimientos por hacer. Cada vez más valorado por su potencial de recursos naturales, en 2000 fue declarado Patrimonio Natural de la Humanidad por la Unesco, convirtiéndose en uno de los destinos más codiciados por los ecoturistas de todo el mundo.

Ahora, la llanura aluvial se prepara para un nuevo reto: abrirse al turismo organizado, que se está imponiendo cada vez más como eje de preservación y sostenibilidad económica.

Historia del Pantanal en Mato Grosso, expediciones, ocupación, expansión territorial y desarrollo económico.

Vea las siguientes publicaciones sobre el Pantanal.

  1. Observación de mamíferos y reptiles en el Pantanal.
  2. Pesca en el Pantanal: mejores lugares, cebos, métodos y temporadas.
  3. Especies de peces más comunes en el Pantanal
  4. Observación de aves en el Pantanal de Mato Grosso.
  5. Especies de aves más comunes en el Pantanal de Mato Grosso
  6. Flora del Pantanal de Mato Grosso
  7. Fauna del Pantanal de Mato Grosso
  8. Geografía, clima, suelo y ríos del Pantanal de Mato Grosso.
  9. Historia del Pantanal de Mato Grosso: descubrimiento y desarrollo económico.
  10. Región Pantanal Sur
  11. Región Pantanal Norte
  12. ¿Por qué ir al Pantanal de Mato Grosso?
Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

Publicado em 16/01/2024 · Atualizado em 02/04/2025

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