Corveta Ipiranga (V-17): um dos naufrágios mais icônicos do Brasil
Um dos naufrágios mais famosos do Brasil, a Corveta V-17 – Ipiranga, da Marinha do Brasil, repousa a cerca de 62 metros de profundidade nas águas da Ponta da Sapata, no arquipélago de Fernando de Noronha.
Muito bem preservada pelas operadoras de mergulho da ilha, a Ipiranga mantém praticamente todas as suas estruturas intactas. Em seu interior, encontram-se diversos objetos e pertences abandonados pela tripulação durante o naufrágio.

Vídeo sobre a Corveta Ipiranga
Histórico da Corveta Ipiranga
A Corveta Ipiranga foi o quarto navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome, em homenagem ao Riacho do Ipiranga, local simbólico da Proclamação da Independência do Brasil.
Construída no estaleiro holandês C.C. Sheepsbower & Gashonder Bedrijf Jonker & Stans, em Roterdã, sob encomenda da Smit International, teve sua quilha batida em 17 de outubro de 1953, foi lançada ao mar em 26 de junho de 1954 e incorporada à Armada Brasileira em 6 de janeiro de 1955, sob o comando do Capitão-de-Corveta Ediguche Gomes Carneiro.
Projetada para múltiplas funções, a corveta era baseada em um modelo de rebocador oceânico e podia atuar como navio-patrulha, rebocador, navio de apoio logístico, combate a incêndios e minagem.

Especificações técnicas da Corveta Ipiranga V-17
- Classe: Imperial Marinheiro
- Deslocamento: padrão: 911 toneladas | carregado: 962 toneladas
- Dimensões: comprimento: 55,72 m | boca: 9,55 m | calado: 3,60 m
- Propulsão: 2 motores diesel Sulzer 6TD36 (1.610 kW / 2.160 HP) | 2 eixos com hélices de passo fixo
- Velocidade máxima: 16 nós (cerca de 30 km/h)
- Autonomia: 15.000 milhas náuticas a 14 nós
- Tripulação: cerca de 64 homens
- Armamento: 1 canhão de 76,2 mm (3″) de duplo propósito | 4 metralhadoras Oerlikon de 20 mm | capacidade de minas navais
- Equipamentos: radar de navegação, sistemas de comunicação naval, guinchos, guindastes e equipamentos de combate a incêndio
O acidente e o naufrágio
Em 3 de outubro de 1983, durante uma missão de patrulhamento costeiro pelo Nordeste do Brasil, a Corveta Ipiranga aproximava-se de Fernando de Noronha para realizar tarefas de apoio logístico à guarnição da ilha.
Em uma manhã de mar calmo, o navio colidiu com a formação rochosa conhecida como Cabeça da Sapata, que se projeta de mais de 70 metros de profundidade até menos de 2 metros na maré baixa.

Embora seja um perigo conhecido à navegação, e suspeita-se que tenha causado o naufrágio da Nau de Américo Vespúcio, não há sinalização náutica no local.
Após o choque, a Ipiranga permaneceu à tona por cerca de 8 horas, permitindo que embarcações da ilha realizassem o resgate da tripulação e a retirada de materiais importantes. O Morro do Pico pôde ser avistado da posição final da corveta antes do afundamento.
A tripulação foi socorrida por pescadores locais, e não houve vítimas fatais. O inquérito da Marinha concluiu que não houve culpados pelo acidente.
Posteriormente, mergulhadores da Marinha retiraram parte do armamento dos destroços, incluindo as quatro metralhadoras Oerlikon de 20 mm.
Por que a Corveta Ipiranga é tão famosa entre mergulhadores?
Hoje, os destroços da Corveta Ipiranga permanecem em posição de navegação a cerca de 62 metros de profundidade, sendo um dos pontos de mergulho mais emblemáticos do Brasil.
A estrutura está praticamente intacta, com passagens, corredores e compartimentos ainda acessíveis, o que torna o local extremamente atraente para mergulhadores experientes e fãs de naufrágios históricos.
Por causa da profundidade e das correntes locais, o mergulho no local exige experiência em mergulho técnico e acompanhamento de profissionais especializados.
Como visitar o naufrágio da Corveta Ipiranga
O acesso ao local é feito exclusivamente por meio de operações de mergulho especializadas. Não se trata de um passeio comum, mas de uma atividade voltada a mergulhadores avançados, com treinamento adequado para profundidade, segurança e navegação subaquática — em geral é recomendada certificação de mergulho avançado ou técnico (Extended Range), com acompanhamento de operadoras credenciadas da ilha.
Antes de planejar a visita, é importante verificar as condições do mar, a visibilidade e as regras de preservação ambiental de Fernando de Noronha.
Melhor época para mergulhar no naufrágio
O naufrágio pode ser visitado o ano todo, mas a estação seca, entre agosto e fevereiro, costuma oferecer mar mais calmo e melhor visibilidade — em setembro, por exemplo, a água pode ficar transparente por até 50 metros. Já na estação chuvosa (março a julho), a navegação até os pontos de mergulho fica mais instável, embora ainda seja possível mergulhar em boas condições.
Curiosidades sobre a Corveta Ipiranga
- É considerada um dos naufrágios mais preservados do Brasil.
- Ficou famosa entre mergulhadores pela boa conservação da estrutura.
- O acidente ocorreu em uma área já conhecida como perigosa para a navegação.
- O naufrágio se tornou uma atração emblemática de Fernando de Noronha.
Perguntas Frequentes sobre o Naufrágio da Corveta Ipiranga
Onde fica o naufrágio da Corveta Ipiranga?
O naufrágio está nas águas da Ponta da Sapata, próximo à formação rochosa Cabeça da Sapata, no arquipélago de Fernando de Noronha (PE).
A que profundidade está o naufrágio da Corveta Ipiranga?
Os destroços estão a aproximadamente 62 metros de profundidade, em posição de navegação, com boa parte da estrutura ainda intacta.
Qualquer mergulhador pode visitar o naufrágio?
Não. Por causa da profundidade e das correntes, o mergulho no local exige experiência em mergulho técnico ou certificação avançada (como Extended Range), sempre acompanhado por operadoras especializadas de Fernando de Noronha.
Como aconteceu o naufrágio da Corveta Ipiranga?
Em 3 de outubro de 1983, durante uma missão de patrulhamento, o navio colidiu com a Cabeça da Sapata, uma formação rochosa submersa. Ele permaneceu à tona por cerca de 8 horas antes de afundar, tempo suficiente para o resgate de toda a tripulação.
Houve vítimas no naufrágio?
Não. Toda a tripulação foi resgatada por pescadores locais e embarcações da ilha, e o inquérito da Marinha não apontou culpados pelo acidente.
Qual a melhor época para mergulhar no naufrágio da Corveta Ipiranga?
Os meses de agosto a fevereiro (estação seca) costumam oferecer mar mais calmo e maior visibilidade, especialmente em setembro.
Conclusão
A Corveta Ipiranga (V-17) é muito mais do que um naufrágio: é um marco da história naval brasileira e um dos mergulhos mais emblemáticos de Fernando de Noronha. Sua conservação, sua dimensão e o contexto do acidente transformaram o local em referência para mergulhadores e apaixonados por história marítima.
Se você gosta de naufrágios históricos e mergulho técnico, a Ipiranga certamente está entre os pontos mais impressionantes do Brasil — e vale conferir também nosso guia de como chegar e quando ir para Fernando de Noronha para planejar a viagem.
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