História da Ilha de Itaparica: Fortes, Igrejas e Patrimônio

A história da Ilha de Itaparica acompanha a do próprio Brasil. Maior ilha da Baía de Todos os Santos, Itaparica reúne um rico patrimônio histórico, cultural e natural: da ocupação tupinambá e dos primeiros contatos europeus à pesca da baleia, à invasão holandesa, às batalhas da Independência e, hoje, à vocação turística.

Resumo rápido – História da Ilha de Itaparica

Ano Acontecimento
Antes de 1500 Ilha ocupada por povos tupinambás
1552 Tomé de Sousa doa a ilha em sesmaria a D. Antônio de Ataíde, Conde da Castanheira
1556 Criada a Capitania de Itaparica e Tamarandiva
Século XVII Igreja de São Lourenço e armações de pesca da baleia
1647 Holandeses ocupam parte da ilha
1711 Construção do Forte de São Lourenço
7 de janeiro de 1823 Batalha de Itaparica, na Independência da Bahia
1980 Centro histórico de Itaparica tombado pelo IPHAN

Origens e primeiros habitantes

Antes da chegada dos portugueses, a ilha era ocupada por povos tupinambás, que viviam da pesca, da caça e da agricultura. No início do século XVI, então, aconteceram os primeiros contatos com navegadores europeus que entravam na baía.

Ao longo desse século, formaram-se os primeiros núcleos de povoamento, com a presença de missionários jesuítas. Um exemplo é a antiga igreja do Baiacu, hoje em ruínas, uma das construções mais antigas da ilha.

Ilustração realista e detalhada mostrando tupinambás, canoas, abordagens de naus europeias e primeiros contatos missionários na costa de Itaparica.
Ilustração realista e detalhada mostrando tupinambás, canoas, abordagens de naus europeias e primeiros contatos missionários na costa de Itaparica.

Período colonial: a Capitania de Itaparica

Logo após a fundação de Salvador, em 1552, o governador-geral Tomé de Sousa doou as ilhas de Itaparica e Matarandiba em sesmaria a D. Antônio de Ataíde, o Conde da Castanheira. Pouco depois, em 1556, o rei D. João III transformou as terras na Capitania de Itaparica e Tamarandiva, que durou até a Independência, em 1822.

Na mesma época, Diogo Álvares Correia, o Caramuru, atuava como mediador entre indígenas e colonizadores em toda a região da baía. Por isso, ele é figura central na memória da Capitania da Baía de Todos os Santos. Enquanto isso, a ocupação agrária, com sesmarias e engenhos, moldava o território da ilha.

Cena histórica realista retratando Caramuru mediando entre indígenas e colonizadores, com paisagem colonial (engenho, fortificação e habitações).
Cena histórica realista retratando Caramuru mediando entre indígenas e colonizadores, com paisagem colonial (engenho, fortificação e habitações).

Economia: cana, gado e pesca da baleia

Ao longo dos séculos, a economia local incluiu o cultivo de cana-de-açúcar, a criação de gado e, de forma marcante, a pesca da baleia. Desde o século XVII, as chamadas armações baleeiras funcionavam na ilha, onde a gordura dos animais era transformada em óleo para iluminação.

A atividade foi intensa até o século XIX e, por isso, impactou fortemente o ambiente e as comunidades. Mais tarde, a pesca artesanal e o turismo se tornaram as principais atividades econômicas.

Ilustração da economia colonial da Ilha de Itaparica: cana-de-açúcar, gado e pesca da baleia.
Ilustração da economia colonial da Ilha de Itaparica: cana-de-açúcar, gado e pesca da baleia.

A invasão holandesa

Em 1647, durante as guerras contra a Holanda, tropas holandesas comandadas por Sigismund von Schkoppe ocuparam parte de Itaparica. Na Ponta da Baleia, ergueram um pequeno forte de terra, que resistiu a um ataque português em outubro daquele ano.

No entanto, os holandeses abandonaram a ilha pouco depois e destruíram o forte ao recuar para Recife. Mais tarde, em 1711, os portugueses construíram no mesmo local o Forte de São Lourenço, para reforçar a defesa da baía.

Itaparica e a Independência da Bahia

Graças à sua posição estratégica na entrada da baía, a ilha teve papel decisivo na Independência da Bahia. Em 7 de janeiro de 1823, forças brasileiras instaladas no Forte de São Lourenço repeliram um ataque das tropas portuguesas, na chamada Batalha de Itaparica.

Entre os heróis desse episódio está o Tenente João das Botas, que comandou a flotilha brasileira na baía. Além dele, a tradição local celebra Maria Felipa de Oliveira, mulher negra e marisqueira que, segundo os relatos, liderou moradores da ilha contra os portugueses. Até hoje, o 7 de janeiro é a principal data cívica de Itaparica.

Cena naval e de fortificação realista mostrando embarcações e o Forte de São Lourenço durante ações da Independência da Bahia.
Cena naval e de fortificação realista mostrando embarcações e o Forte de São Lourenço durante ações da Independência da Bahia.

Geografia e divisão administrativa

Itaparica é a maior das ilhas da Baía de Todos os Santos e fica em frente a Salvador, com travessias regulares por ferry-boat e lanchas. Administrativamente, a ilha é dividida entre os municípios de Itaparica, ao norte, e Vera Cruz, que ocupa a maior parte do território.

Além disso, o litoral tem recifes, enseadas, praias com piscinas naturais, manguezais e trechos de Mata Atlântica.

Veja o mapa da Baía de Todos os Santos

Conjunto histórico e tombamento

Em 1980, o IPHAN tombou o Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico do centro de Itaparica, com suas praças, ruas, becos e casarões. Antes disso, o Forte de São Lourenço já era tombado desde 1938 e a Igreja de São Lourenço, desde 1952.

Mais recentemente, em 2020, a prefeitura reconheceu a Fonte da Bica e a Capela de Nossa Senhora da Piedade como patrimônio cultural do município. Assim, o conjunto histórico orienta as ações de preservação da vila.

Vídeos sobre as Praias e História da Ilha de Itaparica

Igreja do Santíssimo Sacramento na Ilha de Itaparica
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Para planejar a viagem, veja também o nosso guia completo da Ilha de Itaparica, com praias, como chegar e dicas.

Monumentos e patrimônios

O inventário patrimonial de Itaparica reúne igrejas, fortes, solares, fontes e ruínas que contam séculos de história. Entre os principais, estão:

  • Forte de São Lourenço – construído em 1711 no local de um antigo forte holandês, foi palco da Batalha de 7 de janeiro de 1823. Desde 1938, é tombado pelo IPHAN.
  • Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento – principal igreja do centro, com acervo sacro. Ela integra o conjunto tombado em 1980.
  • Igreja de São Lourenço – templo colonial do século XVII, entre as construções mais antigas da ilha. Também é tombada pelo IPHAN, desde 1952.
  • Capela Nossa Senhora do Bom Despacho – capela histórica que faz parte do patrimônio religioso local.
  • Sobrados e casarões históricos – entre eles, o Solar d’el Rei e o Sobrado Tenente João das Botas, do século XVII, que compõem a malha urbana preservada.
  • Fonte da Bica – construída em 1842, tornou-se símbolo da cidade. Desde 2020, é patrimônio cultural do município.
  • Ruínas da Igreja de Baiacu (Igreja do Senhor da Vera Cruz) – em Vera Cruz, as ruínas chamam atenção porque as raízes de grandes gameleiras envolvem as paredes.
  • Igreja de Nossa Senhora da Penha – igreja histórica ainda em atividade, que é um marco religioso da ilha.
  • Biblioteca Juracy Magalhães Júnior e espaços culturais – a biblioteca, inaugurada em 1968, fica no centro histórico. Além disso, a ilha preserva a memória do escritor João Ubaldo Ribeiro, nascido em Itaparica em 1941.
  • Praças, ruas e paisagens do centro histórico – o conjunto urbano preservado, com praças e adros que também fazem parte do patrimônio tombado.
Forte de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Forte de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Forte de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Fortaleza / Forte de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Igreja do Santíssimo Sacramento na Ilha de Itaparica
Igreja do Santíssimo Sacramento na Ilha de Itaparica
Igreja do Santíssimo Sacramento na Ilha de Itaparica
Igreja do Santíssimo Sacramento na Ilha de Itaparica
Igreja de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Igreja de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Igreja de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Igreja de São Lourenço na Ilha de Itaparica
Capela Nossa Senhora do Bom Despacho na Ilha de Itaparica
Capela Nossa Senhora do Bom Despacho na Ilha de Itaparica
Casarão Tenente João das Botas na Ilha de Itaparica
Casarão Tenente João das Botas na Ilha de Itaparica
Fonte da Bica na Ilha de Itaparica
Fonte da Bica na Ilha de Itaparica
Ruínas da Igreja de Baiacu na Ilha de Itaparica
Ruínas da Igreja de Baiacu na Ilha de Itaparica
Igreja da Penha na Ilha de Itaparica
Igreja da Penha na Ilha de Itaparica
Centro Histórico da Ilha de Itaparica
Centro Histórico da Ilha de Itaparica

Praias e natureza

A ilha tem mais de 40 km de litoral, com praias de diferentes características. Por exemplo, há trechos com infraestrutura e quiosques, enseadas mais reservadas, praias com piscinas naturais na maré baixa e áreas de manguezal e restinga. Desse modo, a combinação de patrimônio histórico e natureza favorece roteiros culturais e ecológicos.

Mapa Turístico da Ilha de Itaparica
Mapa Turístico da Ilha de Itaparica

Turismo e gastronomia

Os visitantes encontram pousadas, restaurantes e quiosques com a culinária baiana tradicional, sobretudo pratos de peixe e frutos do mar, além do famoso acarajé. Como a ilha fica perto de Salvador, é fácil fazer tanto um bate-volta quanto uma estadia mais longa.

Dicas práticas

  • Antes da visita, verifique horários e condições de acesso a igrejas, fortes e espaços culturais.
  • Respeite as áreas de conservação, como manguezais, recifes e trilhas, e não recolha conchas ou corais.
  • Se possível, contrate guias locais para conhecer histórias, personagens e detalhes do patrimônio.
  • Por fim, planeje o transporte e os horários de travessia conforme a estação e o movimento turístico.

Perguntas frequentes sobre a história da Ilha de Itaparica

Qual é a história da Ilha de Itaparica?

A ilha foi habitada por tupinambás e, em 1556, virou a Capitania de Itaparica e Tamarandiva. Depois, viveu da cana, do gado e da pesca da baleia, foi ocupada por holandeses em 1647 e teve papel decisivo na Independência da Bahia, em 1823.

O que aconteceu em Itaparica em 7 de janeiro de 1823?

Nesse dia, forças brasileiras no Forte de São Lourenço repeliram um ataque português, na Batalha de Itaparica.

Por isso, o 7 de janeiro é a principal data cívica da cidade.

Quem foi Maria Felipa?

Maria Felipa de Oliveira é uma heroína popular da Independência na ilha.

Segundo a tradição local, ela era marisqueira e liderou moradores contra as tropas portuguesas.

Como chego à Ilha de Itaparica a partir de Salvador?

Existem travessias regulares por ferry-boat e por lanchas.

O tempo de viagem, porém, varia conforme o ponto de partida e o tipo de embarcação.

Itaparica é a maior ilha da Baía de Todos os Santos?

Sim. Itaparica é a maior ilha da baía e tem uma extensa faixa costeira, com várias praias e enseadas.

Quais são os principais pontos históricos?

Os destaques são o Forte de São Lourenço, a Igreja de São Lourenço, a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, o Solar d’el Rei, as ruínas do Baiacu e a Fonte da Bica.

Além disso, o centro histórico inteiro é tombado pelo IPHAN desde 1980.

A Fonte da Bica tem propriedades medicinais?

Há uma tradição local que atribui propriedades terapêuticas à água da Fonte da Bica.

No entanto, para fins de saúde, o ideal é consultar profissionais e análises técnicas atualizadas.

Willy Sievert

Escrito por Willy Sievert

Editor do Bahia.ws desde sua fundação em 2009. Morador de Salvador, viaja com frequência pelo Nordeste e por todo o Brasil para manter os guias atualizados. Conheça mais sobre Willy Sievert →

Publicado em 25/11/2012 · Atualizado em 18/10/2026

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